Não deixe a po…

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Não deixe a porta aberta quando sair e nem pense em voltar. Devia ter demonstrado antes quem era, o que trazia no coração. Falar coisas arredias assim, não faz bem pra mim e também não faz bem pra você, pode ter certeza. Dizer tantas maldades deixa na língua um gosto amargo de veneno e de rancor… Um gosto tão profundo que é como roupa manchada de sangue: se foi muito atingida não adianta lavar, o vermelho não sai, nem o cheiro.

Agora já não dá mais para lembrar dos dias leves e azuis, de quando olhávamos nos olhos do outros e sabíamos exatamente o que devia ser dito (ou, o que não precisava ser dito). Leve com você todo esse peso, essa sensação de medo e de culpa. Você fez a sua escolha e eu a minha: percebi que não dá se limitar, precisamos de mais – Somos mais (longe um do outro).

Reze um pouco. Se não lhe fizer bem, mal eu garanto que não fará. Saia de casa, respire ar limpo. Fique com a família, talvez eles possam lhe dar o que eu já não posso: carinho.  E se possível, seja feliz e me deseje coisas boas – é o que tento te enviar agora, boas vibrações.  Essa dureza toda, essa falta de sorriso, tem feito você parecer velho demais.  Sorria um pouco, lembre da sua infância de quando corria descalço na grama. Escute Elis, mas as músicas alegres, ela será uma boa companhia. Ou não faça nada disso, se quiser.

Olha, já apaguei a luz, encaixotei suas roupas, seus livros. Deixe a chave em baixo do tapete, eu também estou de mudança – Agora só quero o que me faz bem.

(Thais dos Reis)