2X1

Como sou fã alucinada de Kristin Scott Thomas, aí vai a dicas de dois filmes para “não” ver com a atriz, ou melhor: veja, mas não vá com tantas esperanças. E também a dica de um filme maravilhoso com ela, que você não pode perder:

UM CRIME DE AMOR

(Crime d’amor, de 2010 – direção: Alain Corneau)

Li algumas coisas sobre esse filme que conta a história de “crime perfeito” e fiz  download dele há alguns meses, na esperança de ser um interessante simplesmente por ter um história dessas e trazer como personagens principais ótimas atrizes como Kristin Scott Thomas e Ludivine Sagnier. Quanto à atuação delas, não há o que ser questionado, são ótimas e representativas dentro do que o roteiro permite. No entanto, se engana quem acredita que há alguma novidade nessa história. É bem possível que você termine de ver o filme se perguntando a mesma coisa que eu: acaba assim? Fiquei até um pouco decepcionada, porque o filme promete muito, mas não cumpre. A história também não é nada diferente do que estamos acostumados: Uma chefe calculista (e sedutora) versus uma funcionária tímida e competente. No início percebe-se até um “clima” entre as duas, que trocam olhares e toques e quase se beijam (será essa a justificativa do título?), mas essa relação (ligação sexual, ou seja, lá o que for) não se concretiza. O que resta é a pergunta: A chefe conseguiu seduzir a funcionária a ponto de provocar tal desejo de vingança ou são as humilhações que ela a fez passar que causou todo esse final drástico?

A MULHER DO QUINTO ANDAR

(La femme Du Vème, de 2012 – direção: Pawel Pawlikowski)

 Quando eu vejo um filme desses, com uma sinopse tão chamativa, com uma capa linda e não consigo pegar o ritmo, me sinto meio burra. As críticas nos blogs de cinema são as melhores possíveis, mas os comentários de espectadores não especializados que assim como eu, viram o filme e não gostaram – são até reconfortantes. Eu estou acostumada com filmes europeus, sem aquela explosão de acontecimentos que o formato americano traz, mas não é só isso. Ficou um vazio: um “quê” de quero mais, talvez por uma falta de seqüência ou de explicação mesmo. Não adianta jogar recortes para o público e pedir: engula! (alguns fazem isso muito bem, mas enfim). A história já é bem complexa, então, se você pegar esse filme para assistir e não ler nada precisará de uma percepção do cão para conseguir interpretar certas passagens. Tom Ricks é um escritor que possui uma restrição judicial em relação a sua filha, que mora em Paris. Depois de sair da cadeia (por crimes que não ficam claros se cometeu ou não), ele vai a França para tentar se aproximar da menina. Fica em uma pensão de segunda, rodeado de gente estranha e aceita pegar um trabalho onde é orientado a “não fazer perguntas”, só abrir a porta para quem tiver a senha. No meio dessa confusão (onde o próprio personagem se perde, sem saber o que é realidade ou não), ele vai até a festa na casa de um escritor e conhece Margit. Bom, o que seria o diferencial é justamente o que leva o filme para o ralo.

CONTRE TOI

(direção: Lola Doillon, 2010)

 

Esse filme foi uma surpresa boa, recheado de suspense e erotismo. Ainda que com o ritmo do cinema europeu (meio parado), o filme consegue transmitir essa sensação aflitiva e realista dos personagens: a do seqüestrador e da seqüestrada. Diante da dor, do íntimo e da violência os dois mundos paralelos acabam se unindo, se relacionando. Gosto da seqüência, gosto das falas, das cenas, da violência e especialmente do final (esse sim surpreende). Yann perde a esposa que morreu dando a luz. Desesperado, deixa a filha com a avó materna e resolve seqüestrar Anna, a média responsável pelo parto. Ele a prende em um quarto mal iluminado, sem banheiro e sem comida. Talvez a forma de responsabilizar alguém pela dor que sentia e fazê-la sentir o mesmo, ainda que fisicamente. Mas Anna não se sente culpada pela morte da mulher de Yann, ela não provocou aquilo. Ela esmurra a parede, se debate contra a porta até perder as forças. Há uma cena interessante: ela está com muita sede, ele então entra no quarto com uma garrafa de água. Bebe a água, joga o resto no chão e vai embora. E ela fica ali, indefesa. – É, não vou ficar descrevendo o filme, tem que ver para entender o quanto é bom.

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