.vie dynamique.

Não me surpreende que tantos poetas escrevam sobre o tempo, ele realmente nos aprisiona (ou nos liberta). Sabe, ainda não consigo entender o porque das coisas acontecerem daquela forma. Eu sei que você se machucou bastante. Eu também tenho as minhas cicatrizes. A queda foi muito alta:  para nos duas. Mas o tempo tem me ajudado a superar. Tem me mostrado que viver tão perto assim, tão forte assim, não faz muito bem. Nada em excesso faz bem: porque não nos lembramos disso logo no começo?

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Agora você me pergunta o que sobrou. Um pouco de raiva, eu acho. A verdade é que eu tenho tentado não levá-la sempre no coração.  Aos poucos, deixo os resquícios nos caminhos que vou traçando. Desabafo um pouco com os amigos, leio, vou ao cinema, escuto música, vou à igreja. Até à igreja eu fui, acredita? Mas não consegui rezar por você… dessa vez não. Eu perguntei pra Deus porque me decepcionei tanto assim, mas a resposta ainda não veio. Começo a achar que é porque eu me entreguei demais, eu esperei demais e olha só no que deu.

Sinceramente: eu me assustei um pouco com essa capacidade monstruosa que o ser humano tem de não saber amar. Digo isso por mim, que queria saber amar (mas amar direito) e não consegui. E eu não me refiro a amor físico, sexual. Me refiro ao fraterno, de amigo. Só por desencargo de consciência: a coisa boa é que não há fórmula, então não adianta se culpar. Sofrer também faz parte.

Fiquei me perguntando o que faria se a visse passar por mim. Eu provavelmente não diria nada. Mas é a primeira vez (e você foi a primeira pessoa) que me fez sentir nojo. “Nojo”, eu sei, é uma expressão muito forte, mas por favor, vá além da epistemologia e use os sentidos – sem ofensas (não mais).

Você se lembra que eu vivia te abraçando? Eu não tive oportunidade de dizer isso quando fui embora: mas era afetuoso, era o mesmo abraço que eu dou na minha mãe, na minha avó, nos meus primos. Era abraço de proteção, de carinho. Só que hoje, eu iria repelir qualquer aproximação. Seria tortuoso só de pensar em tocar em você. Essa coisa de pele sempre me disse muito, não sei o por quê. Quando eu estava na igreja, pensando em você, só conseguia pedir desculpas a Deus por não conseguir te desejar nada de bom. Olha, eu  não desejei nada de ruim não viu – mas também não consegui desejar nada de bom. Que coisa triste né?

Não sei porque resolvi escrever sobre isso hoje, acho que é porque ontem sonhei com você. Deve ser o inconsciente mandando recado. No sonho você me deu uma carona. Não falamos nada. Lembro que tinha uma sensação aflitiva, queria descer logo e voltar para casa. O carro parou, nos despedimos:  você seguiu o seu caminho e eu o meu. E eu subi a rua pensando: “poxa vida, ontem mesmo falei com a minha mãe que nunca mais queria encontrá-la”.

Mas a vida até que foi boa com a gente, imagina: os panos caíram na hora certa. As pessoas que eu escolhi para continuarem na minha vida estão sempre por perto, fazemos planos inclusive: de  viajar, de morar perto, de sair muito. Tem coisa melhor? Não, não tem. E eu sei que você também tá levando a vida, conhecendo outras pessoas, vivendo outras histórias. Ainda bem. Graças a esse dinamismo da vida, tenho sobrevivido – tenho certeza que você também.

 ainda bem!

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