A morte e a donzela

Sigourney-WeaverTenho usado muito o Twitter… um dia desses, conversando com um amigo próximo, descubro que ele gosta tanto da Sigourney Weaver quanto eu. Ficamos por dias comentando sobre seus trabalhos e de repente, me lembrei de “A morte e a donzela”. Vi o filme pela primeira vez quando era pequena. Na época fiquei impressionada com a densidade psicológica da Paulina – o que me chamava atenção era a sede de vingança da personagem e da incerteza que a situação produzia: será que ela encontrou o homem certo, o homem que a torturou há anos atrás? O filme veio a calhar: fiquei extasiada. O engraçado é que a sensação que tive foi a mesma de alguns dias atrás quando o revi: de completo desconforto.

Há uns dois anos (por sorte), perambulando em um shopping de Belo Horizonte, encontrei o filme em DVD. Comprei e guardei junto a minha coleção. É estranho, mas não tive coragem de assistir porque as cenas (e principalmente os diálogos) de alguma forma mexeram comigo. Fui revê-lo porque tinha combinado com um amigo assistir filmes com Weaver no elenco – meu amigo não veio e eu assisti o filme sozinha. Pouco tempo depois, perambulando pela internet, descubro que o “A morte e a donzela” é um filme de 1994, dirigido por Polanski. Tá explicado, Roman Polanski é brilhante.

A ambientação do filme é crucial para acentuar o clima de desconforto. A chuva, faz com que os três (e únicos) personagens fiquem presos naquele ambiente. Uma casa sem energia, que parece pouco convidativo. E se tem outra coisa, um pequeno detalhe que me encanta é que: não se sabe em qual país sul-americano ou em que ano se passa a história – afinal, esse não é o foco: o filme quer discutir a liberdade, a vida (ou a morte).

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Então, vamos a sinopse:

“Em um país sul-americano após a queda da ditadura Paulina Escobar (Sigourney Weaver), a mulher de Gerardo Escobar (Stuart Wilson), um famoso advogado, fica sabendo no rádio que Gerardo deverá chefiar as investigações das mortes ocorridas no regime militar. Quando Gerardo chega, ela o vê acompanhado de um estranho que o socorreu na estrada, mas quando o desconhecido retorna à casa ela o identifica pela voz como sendo Roberto Miranda (Ben Kingsley), o homem que a torturou e a estuprou quando ela fazia militância política. Paulina decide então “julgá-lo” ali mesmo, apesar dos protestos do marido, que considera sua atitude precipitada além do fato do acusado alegar inocência.”

O filme possui detalhes magníficos, começando pela musica. Paulina foi capturada quando era ainda muito jovem. Tinha cabelos longos e ruivos… Um dia, quando saía da faculdade, foi surpreendida por militares. A orientação dos seus companheiros era de que se alguém estranho a abordasse na rua gritasse: “Meu nome é Paulina e estou sendo sequestrada”. Mas Paulina não gritou, sabia que morreria se resistisse. Paulina queria viver, queria estar viva para ver o país livre.

Após sessões longas de torturas e eletrochoques, Paulina se encontrou com aquelesite_28_rand_1428444645_death_and_the_maiden_pub_627 que mudara sua vida. Em princípio, o médico olhou suas feridas, deu-lhe sedativos para suportar a dor. Mas logo depois, enquanto se recuperava, ele a estuprou seguidas vezes deixando tocar ao fundo “A morte e a Donzela”, de Schubert. O interessante é que Schubert a compôs em 1824, logo após descobrir que tinha sífilis. Trata-se da história de uma donzela que encontra com a morte, mas que suplica para continuar viva. Desde então, após reencontra-se com o marido, Paulina passou a viver (ou sobreviver) com toda essa paranoia.

O estranho é que “A morte e a Donzela”, que é uma adaptação da obra teatral do chileno Ariel Dorfman não se tornou um clássico. O filme é magnífico e tem uma iluminação primorosa.  É uma daqueles que te deixa desacordada. E é por isso que eu ‘babei” nesse trabalho de Polanski: o cara pega um roteiro que poderia ser totalmente maçante e tranforma em uma história de arrepiar os pelinhos do braço (principalmente na cena em que a Paulina conta como foi torturada).  – Simplesmente fantástico.

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