A morte de Lupe Vélez

lupe

Ontem na aula, o professor falava que a morte e a ironia andam de mãos dadas. Comentávamos do caso de conhecidos e de artistas que passaram por situações estranhas (ou inesperadas) antes da morte. Uma delas, um tanto esdrúxula foi Lupe Vélez.

Lupe Vélez (nome artístico de María Guadalupe Vélez de Villalobos) nasceu na cidade de San Luis Potosí no dia 18 de julho de 1908, no México. Há controvérsias sobre sua biografia. Para atender os parâmetros morais de Hollywood, dizia-se que Lupe passou a juventude em um convento e que sua mãe era uma cantora de ópera. A mãe de Lupe, na verdade, era uma prostituta que a vendia em programas noturnos. Ruy Castro chegou a classificá-la como a primeira “latina” de Hollywood. Ele explica que a também mexicana, Dolores del Rio chegou em Hollywood um pouco antes, mas que Dolores tinha um jeito aristocrático e por isso, os produtores a faziam passar por russa, espanhola ou francesa.

Lupe chegou em Hollywood em 1927, aos 19 anos. Como conta a lenda, diversos atores (como Clark Gable, Tom Mix e Charles Chaplin) cairam aos seus pés. Ela chegou a ficar três anos com Gary Cooper (mas o romance terminou quando tentou matá-lo a tiros – e errou os disparos). Dizem que Lupe trouxe o esteriótipo de latina temperamental. Há uma comentário de Ruy Castro sensacional sobre esse costume: “Também emocionalmente, tornou-se uma tradição de Hollywood mostrar as latinas como mulheres instáveis e infantis, sempre com um ombro de fora, sujeitas a arroubos fáceis de lidar (o comportamento adulto, maduro e racional seria privilégio das mulheres americanas). De tanto apresentá-las como tempestuosas e incendiarias, falando alto e muito rápido, Hollywood passou a acreditar que todas as latinas eram assim. E, de tanto serem apresentadas como tais, começaram a achar que eram mesmo daquele jeito”.

6TiYiyNurofbkpwcoTueQG70o1_400Pois bem, em dezembro de 1944 Lupe resolveu dar um fim a sua vida. A atriz estava na geladeira dos estúdios há muito tempo, encontrava-se completamente só e falida. Pra piorar, Lupe estava grávida de Harald Maresch, um homem casado. (Na época era quase impensável uma mulher solteira criar um filho sozinha). Lupe planejou uma morte glamurosa. Comprou inúmeras flores que distribuiu pela casa, colocou velas no quarto que davam um efeito na parede por causa dos espelhos. Pediu para jantar o melhor da comida mexicana, se maquiou e usou o vestido mais bonito. Antes, escreveu um bilhete para Harald onde dizia:”Para Harald. Que Deus o perdoe e perdoe a mim também, mas prefiro tirar minha vida e de nosso bebê do que trazer vergonha a ele ou matá-lo.”

Lupe tomou 75 comprimidos de Seconal (remédio para dormir) e se embebedou de uisque. Ruy Castro narra brilhantemente o que aconteceu: “Os 75 comprimidos de Seconal a puseram para dormir, sem dúvidas. Mas pouco depois ela acordou passando mal – como se o jantar, o conhaque e os barbitúricos quisessem explodir para fora do seu corpo. Lupe levantara-se e cambaleara vomitando pelo quarto, rumo ao banheiro. Já ali, escorregara no ladrilho, talvez no próprio vômito e mergulhada de cabeça em direção ao vaso. Ao bater com a cabeça, o choque a fizera perder os sentidos – e ela morreu afogada na água da privada.”

* Lupe deixou também uma carta para sua fiel secretária. E foi justamente a secretária que a encontrou morta. Durante anos, negou que Lupe tivesse morrido daquele jeito, dizia que Lupe foi encontrada na cama, cercada de flores.

* Andy Warhol realizou um filme em 1966 sobre a atriz

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