Flores raras (e banalíssimas)

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente

Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério

por muito que pareça (Escreve!) muito sério

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Acabo de chegar do cinema, fui ver Flores Raras, do Bruno Barreto com Glória Pires e Miranda Otto. É um belo filme que, aliás, retrata uma história linda. Apesar de grande parte ser em inglês, eis um longa de fácil identificação ao público brasileiro (principalmente por ter como cenário o Rio de Janeiro da década de 50/60 e apresentar referências políticas, culturais e econômicas).

Li outro dia que ‘Flores Raras’ é um romance lésbico e agora, depois de vê-lo, não acho que essa classificação o faz justiça. De fato, há uma forte abordagem do romance das personagens principais (aliás, mulheres admiráveis), mas o filme não se restringe a isso. Flores raras levanta uma reflexão sobre a própria condição humana, dos amores não correspondidos, do desejo, da insegurança, das decepções e anseios.

O filme retrata a chegada da poeta norte-americana Elizabeth Bishop (interpretada por Miranda Otto) ao Brasil, em 1951. A convite da amiga Mary (Tracy Middendorf), Bishop  vem para o país e se hospeda na casa da arquiteta Lota de Macedo Soáres (Gloria Pires). Seu interesse era ficar por duas semanas, acabou ficando por quinze anos. Mary e Lota possuem um longo relacionamento e a chegada de Elizabeth, em princípio, não causa nenhum problema. Inicialmente há um perceptível estranhamento entre Bishop e Lota, duas mulheres fortes com temperamentos e inspirações diferentes. Aos poucos as duas se apaixonam e Mary perde o seu lugar.

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Em sua enorme casa, Lota constrói um escritório para Elizabeth e é lá onde ela realiza ‘North & South — A Cold Spring, obra que lhe rendeu o prêmio Pulitzer de 1956.  A relação das duas, conturbada pelo alcoolismo de Bishop, pela presença de Mary (que decide adotar um bebê) e pela intimidadora personalidade de Lota, vai se desgastando aos poucos até que Bishop decide voltar a Nova York e lecionar na Universidade de Havard. Nesse meio tempo, Lota estava envolvida com a política e realizava (a convide do Carlos Lacerda) um de seus trabalhos mais conhecidos, o Parque do Flamengo, que foi duramente criticado pela imprensa.

Bruno Barreto (também diretor em Última partida 174 e O que é isso Companheiro?) acertou em cheio ao não levantar bandeiras e tratar a homossexualidade com naturalidade. O trabalho cenográfico é primoroso, a ambientação e o figurino foram muito bem elaborados. Gosto especialmente do cuidado que ele demonstrou ao usar planos subjetivos e sugerir um efeito catártico em relação à Bishop, como aquela cena em que ela lava os cabelos de Lota e lhe faz um poema, em homenagem…

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?

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Gloria Pires está belíssima, muito sensual e sobressai às outras. Vi uma entrevista dela no Canal Brasil, onde ela dizia que não teve problemas em falar em inglês, mas ficou temerosa nas cenas mais fortes já que a memorização é um pouco mais complexa. Glória encarna uma Lota agressiva, menos feminina que as outras personagens e parece ser muito mais forte também. É interessante quando Elizabeth lhe pergunta sobre sua profissão e ela fala: ‘nasci arquiteta’, de fato, Lota nunca frequentou a universidade e foi reconhecida como arquiteta autodidata e paisagista emérita.

Tempo, tempo, tempo, tempo

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Fomos a uma exposição outro dia e não queríamos sair de lá, toda aquela explosão de objetos, frases e sons nostálgicos nos encantaram.  ‘Tempo, tempo, tempo, tempo’ está exposto no Palácio desde o dia 8 de agosto e ficará disponível a visitação até o dia 1º de Setembro. Trata-se do trabalho de alunos de artes visuais do Programa Valores de Minas (que aliás, esta na oitava edição) e traz diversos materiais/instalações que sugerem não só a observação, mas também a interação [um dos meus favoritos, sem dúvida, foi a máquina de bater ponto!]. O macarrão de letrinhas, as fitas, o fogão antigo… todas com uma relação mútua, o azul.

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Tomo a liberdade de reproduzir o texto do card que explica o porque do azul:

‘Era preciso responder a esta pergunta que funcionava como um código de acesso para alguém entrar no quarto de Arthur Bispo do Rosário, esquizofrênico paranóide, que viveu internado 50 anos em um hospital psiquiátrico. Em seu surto, recebeu a missão de recriar o mundo para apresentar a Deus no dia do Juízo Final.

Azul seria a resposta certa? Talvez. Azul não era a cor de sua expressão. Azul era a cor das calças e das roupas de cama dadas aos pacientes da Colônia Juliano Moreira. Segundo Bispo do Rosário, ‘azul era a única linha que eu tinha antes que eles começassem a chamar a minha organização do mundo de ‘arte’ e as pessoas começassem a me trazer sucatas e outros itens de utilidade.

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Assim, a matéria-prima para a Exposição “Tempo, tempo, tempo, tempo’ – Proposta para o milênio’ é azul e a acumulação de caixotes de madeira, colocados no espaço, empilhados, pendurados, instalados lado a lado ou em sequencia, como compartimentos que demandam tempo de descoberta.

O mundo, com suas infinitas possibilidades e impossibilidades, foi o que os jovens alunos de Artes Visuais do Programa Valores de Minas buscaram catalogar ao longo da criação e construção da Exposição. Movimentadas por elementos pulsantes do cotidiano, manipularam signos e brincaram com a construção e reconstrução de discursos e códigos próprios.

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Quatro Irmãos

Fiquei com uma ótima impressão do trabalho do John Singleton depois que vi ‘Quatro Irmãos’, filme de 2005 que traz Mark Wahlberg, Tyrese Gibson, André 3000 e Garrett Hedlund nos papéis principais. Singleton também foi diretor em Velozes e Furiosos.

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Quatro Irmãos conta a seguinte história: Bobby, Angel, Jack e Jeremiah são na verdade, filhos adotivos de uma velha senhora que se dedicou durante toda vida a direcionar crianças abandonadas a lares adotivos. Os quatro não conseguiram arrumar uma família e assim, foram adotados por ela. Todos eles possuem uma triste história de abandono e violência amenizada pelo carinho da doce Evelyn Mercer (Fionnula Flanagan). Eles voltam a se reencontrar quando descobrem que Evelyn foi morta durante um assalto que ocorreu em uma mercearia. [É interessante como a personalidade de cada um deles é marcante e contraditória, ainda assim, possuem um senso de união e amor fraterno, fortalecido pelo convívio]. Tempos depois, recebem a notícia de que o assassinato de Evelyn foi planejado e desde então, passam a juntar as pistas para conseguirem se vingar do responsável pela morte da mãe.

O filme tem uma narrativa ótima, não perde o ritmo em nenhum minuto e é uma opção interessante para quem gosta de ação (com uma pitada de humor negro). Um fato marcante é que Singleton teve um cuidado sublime ao retratar todos os lados envolvidos no caso, sem perder a mão: desde a polícia, os filhos, suas mulheres e os próprios assassinos – todas as cenas com um enorme convite a catarse. Fionnula Flanagan foi uma escolha perfeita, ela consegue transmitir toda a delicadeza da personagem com veracidade (e em poucas cenas). Mais uma vez o destaque vai para Mark Wahlberg, o irmão esquentadinho e cabeça dura que de tanta teimosia, sobressai aos outros. Sophia Vergara tem uma participação pequena mas marcante. Na trama ela faz o papel de Sofi, a namorada do Angel. A latina, atrapalhada (sexy e mal humorada), coloca o namorado em enrascadas por excesso de ciúme.

Fica então a dica, eis um filme que volta e meia passa no SBT e na FOX e que vale muito a pena ser assistido!

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Os terríveis bonecos de Chad O’Connell

Você conhece Chad O’Connell? Pois  eu não conhecia até minutos atrás, quando resolvi fazer uma rápida pesquisa sobre Bette Midler e acabei me deparando com essas imagens incríveis! De acordo com o site, Chad trabalhou por cerca de dez anos com maquiagens cinematográficas e foi aluno do legendário Dick Smith (responsável pela maquiagem do filme ‘O Exorcista’). Com um realismo fora do normal, Chad explora cada detalhe de seus bonecos de silicone e hoje,  vende máscaras e bonecos não só para o mundo cinematográfico como também atende pedidos ‘particulares’ (o que provavelmente, deve custar uma fortuna!).

Para mais informações, segue o site: http://www.chadoconnellart.com

O que terá acontecido a Baby Jane?
O que terá acontecido a Baby Jane?
Winifred - Abracadabra
Winifred – Abracadabra
Winifred - Abracadabra
Winifred – Abracadabra
Eva Ernst - Convenção das Bruxas
Eva Ernst – Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) - Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) – Convenção das Bruxas
Vincent Price - The abominable Dr. Phibes
Vincent Price – The abominable Dr. Phibes
Sharon Needles
Sharon Needles
Norman Bates
Norman Bates

“Que coisa maluca é a distância, a memória. Como um filtro, um filtro seletivo. Vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente importam” – Caio F. (Inglaterra, 12/02/1991)

Espero que você tenha paciência de ler, se não tiver, não tem problema. Ontem acordei cedo e com uma preguiça de levantar, liguei a TV e me deparei com a entrevista de um desconhecido que dizia uma das coisas mais sábias que escutei nos últimos tempos. Sério e concentrado, o homem com óculos grossos e fisionomia baixa (aliás, desconheço seu nome) dizia que a música e o texto são coisas que surgem de repente no peito e que não se controla, que são como um avião decolando – que não dá pra voltar atrás. É quando a gente se lembra de uma melodia da infância, é quando a gente inventa e imerge. Ele dizia que a arte é leve e visceral .Ao mesmo tempo, é dor e prazer.

Aquelas palavras ficaram na minha cabeça por algumas horas e caíram como uma luva. Essa carta está surgindo assim, como uma necessidade incontrolável de dizer algo, de te fazer sentir o que eu estou sentindo. Talvez como um relato, um testemunho de que as coisas estão bem.

Não sei se te disse, estou com uma pilha de livros na escrivaninha que me aguardam há algum tempo, sempre surgem outros mais interessantes. Ainda estou lendo Choderlos de Laclos e sublinhei muitas passagens que me pareceram sábias, vou reproduzir uma que eu gostaria que você lesse: ‘O amor, o ódio, só tem o trabalho de escolher, tudo está debaixo do mesmo teto. E pode até, fazendo existência dupla, afagar com uma das mãos e ferir com a  outra.” Na verdade, não sei porque essa em especial me chamou tanta atenção … acho que ‘Ligações Perigosas’ é um dos livros que todo mundo deveria ler pelo menos uma vez na vida. Estou com muitos filmes pra ver também – muitos mesmo – você sabe disso, mas nunca vem assistir um comigo.

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Como disse, estou lendo muito (coisa que fiz a vida inteira, mas que agora está mais intenso – tudo está mais intenso). Folheando um livro do Caio Fernando Abreu me esbarrei com uma frase sublinhada em que ele dizia que a distância e a memória são como filtros, somente as pessoas e as coisas que importam permanecem.  Nunca duvidei disso, mas nos últimos tempos, a vida tem me mostrado esse detalhe da maneira mais sutil. Reencontrei algumas amigas da escola, quer dizer: nunca perdi o contato com elas, mas estamos conversando mais ultimamente e aquele sentimento de empatia não sumiu (e isso é tão bom!). A diferença é que agora já estamos ficando ‘velhas’, estamos terminando a faculdade, sentimos o peso das responsabilidades [emocionais / financeiras]. Aliás, dois membros novos se uniram ao clube: Cecília e Malu.

Não consigo acreditar na inexistência de energias, tenho pensado muito nisso também. Certas pessoas entram na nossa vida [e não pode ser atoa] pra deixar uma marca positiva – Juliana, Tetê, Alexandra, Cecília e Malu entraram na minha para isso, entende? Para deixar uma marca positiva…

Minha carta está ficando muito sentimental? Me desculpe, não resisti.

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Ontem fui visitar Tetê e tivemos a mesma conversa de sempre, aquela incansável que só os melhores amigos têm: perguntamos uma da outra, falamos da faculdade, tiramos algumas fotos [que envio em anexo], comemos brigadeiro pra não perder o costume e peguei um livro emprestado, aquele da Gabriela Leite ‘Mãe, filha, avó e puta’ – existe título mais sugestivo?

Quando cheguei em casa, fiquei pensando em Tetê e me lembrei da oitava série, de quando ela mudou de escola  – Como eu sofri! Éramos confundidas, algumas pessoas chegaram a acreditar que éramos irmãs (mesmo ela tendo os olhos e os cabelos claros). Éramos irmãs mesmo, quer dizer… somos.

Vou terminar a carta, o texto está tomando um rumo que, definitivamente, não sei onde vai dar. Essas são as fotos da casa da Tets, você vai ver que o dia de ontem foi repleto de surpresas boas, uma delas (a última foto) registra um momento interessante.  Reencontrei uma amiga que não via há anos. Trabalhamos juntas e depois, cada uma tomou seu rumo… ironicamente, ela é vizinha de Tetê, agora está casada e tem um filho lindo!

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Anjos da lei

Resolvi escrever sobre ‘Anjos da lei’ porque tive uma surpresa quando encontrei no Filmow, no IMDB e no Omelete uma boa recepção e diversas críticas positivas sobre o longa. Anjos da Lei (ou 21 Jump Street) é um filme de comédia, lançado em 2012, dirigido por Chris Miller e Phil Lord (também diretores em ‘Tá chovendo hambúrguer’). A trama conta a história de dois rapazes que eram inimigos no colégio, mas que se tornaram companheiros quando foram aceitos na Academia de Polícia. Particularmente, comecei a assistir o filme com muitas esperanças e o que vi foi um retalho de clichês e diálogos repetitivos.

Entendo perfeitamente quem gostou do filme, há alguns detalhes que, de fato, merecem atenção. Um deles é que os diretores de ‘Anjos da lei’ se inspiraram na famosa série policial da FOX (produzida nos anos 80 e que trazia Johnny Depp no papel de Tom Hanson). O que é bacana é que fizeram uma boa releitura da série e, na história, os personagens tem a oportunidade de retornar ao colégio (totalmente transformado) e reviver o passado.

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Como eu gosto do Jonah Hill! E como fico chateada ao vê-lo fadado ao mesmo tipo de papéis – em Anjos da lei, não acontece diferente. No início do filme, somos apresentados a Schmidt e a Jenko. Enquanto Schmidt (Hill) é um nerd gordinho e impopular, Jenko (Channing Tatum) é o garanhão da turma e o esportista mais popular da escola. Depois de já formados, os dois são colocados na mesma classe da Academia de Polícia e decidem se ajudar. Enquanto Schmidt auxilia Jenko com as provas escritas, Jenko ajuda Schmidt nas provas práticas/físicas. Quando se tornam oficialmente policiais, Jenko e Schmidt percebem que a vida profissional não é tão fácil assim e são surpreendidos por uma sequencia de insucessos ( a começar por uma péssima tentativa de prisão de um bando de motoqueiros).

Como castigo os dois são colocados em outra unidade e recebem uma missão: descobrir quem é o fornecedor das drogas que os garotos da escola da região estão usando. Agora, disfarçados, Jenko e Schmidt voltam ao colégio (dessa vez, como irmãos) e se empenham para descobrir quem é perigoso traficante. Ironicamente, a escola está remodelada, o que era popular há alguns anos atrás, deixou de ser. Assim, Schmidt (sempre rechaçado por ser nerd e amoroso) se torna o popular da turma, enquanto Jenko passa a andar com os nerds.

anjos-da-lei-640x480Apesar da proposta, ‘Anjos da lei’ reúne todos os velhos clichês, oferece um filme simples (mas uma opção para passar o tempo). Não bastasse ser impopular, nerd e gordinho, Schmidt atrapalha-se em seus romances e é praticamente ridicularizado em tela por seu ‘excesso de sentimentalismo’.  Jenko é bonitão e praticamente todas as mulheres se oferecem a ele (assim como a professora que não para de convidá-lo pra sair).  Ice Cube, no papel do chefe de polícia aparece como uma cara mal humorado, com boca suja e impaciente –  QUER MAIS CLICHÊ QUE ISSO? Pois é, você encontra: carros explodindo (ou não?) , meninas lindas dopadas, segregação escolar (grupo de teatro x grupo de estudos de química), professores politicamente incorrentos – e por aí vai…

As ligações perigosas: sobre o livro

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“O amor, o ódio, só tem o trabalho de escolher,

tudo está debaixo do mesmo tecto.

E pode até, fazendo existência dupla,

afagar com uma das mãos e ferir com a outra “

M. Merteuil

Entusiasmada com a narrativa, li o livro e fiz anotações sobre detalhes que me chamaram atenção. Um delas, e talvez até evidente, é que a Marquesa de Merteuil é um personagem muito mais pérfido e cruel do que parece ser no filme. Logo nas páginas iniciais, quando o Visconde revela o desejo de se relacionar com a Presidente de Tourvel, a Marquesa sugere que ele poupe se tempo, ‘tome sua virtude a força’ e atenda seu pedido de desonrar a jovem Cecília Volanges. Em uma carta da Madame de Volanges, fica muito claro porque as outras mulheres a admiram: não só por sua beleza, mas também por conseguir resistir [como assim dizia] aos terríveis encantamentos do Visconde – e não ser domada por nenhum homem.

Em boa parte do livro, o Visconde e a Marquesa se empenham em fazer com que Cecília e Dancey se encontrem, ao mesmo tempo, morrem de tédio das infindáveis e tolas declarações de amor. Já na segunda parte da trama, a Marquesa decide denunciar a troca de cartas entre os jovens apaixonados por puro divertimento, para ela não existe amor sem obstáculos e é dessa forma que, ironicamente, ganha a confiança de Cecília, Dancey e da Madame de Volagens.

Assim como no filme, as passagens mais interessantes se dão entre o Visconde de Valmont e a Marquesa de Merteuil. As cartas trocadas por eles estão repletas de ironia, sensualidade e duplo sentido. Além disso, os dois analisam os outros personagens friamente (até com certo deboche) e garantem o ritmo da narrativa. O Visconde de Valmont também merece seu destaque, sua insistência em relação a Presidente de Tourvel é admirável, assim como a sua astúcia. Um fato que me chamou a atenção foi que o Visconde só decidiu tirar a virgindade de Cecília após descobrir que sua mãe escrevia cartas denunciando-o a Presidenta (e não apenas, para agradar a Marquesa).

Provavelmente é uma impressão minha (pois não achei menção a isso em nenhuma página da internet), mas é o seguinte: durante algumas passagens, o Visconde e a Marquesa me pareceram apresentar certos interesses homossexuais, um exemplo é quando o Visconde relata um fato que lhe ocorreu quando estava na casa da Viscondessa M: ‘Os beijos da Viscondessa deixaram-me indiferente, mas confesso que o de Vressac me deu prazer’. Em outro momento, a Marquesa cita Cecília mas não se refere a ela como amiga e sim como uma leve paixão e que se fosse homem teria prazer em cortejá-la (a carta logo me lembrou da famosa cena do filme ‘Segundas Intenções’ – filme de 1999, também baseado no livro, onde Kathryn Merteuil (interpretada por Sarah Michelle Gellar) e Cecile (Selma Blair) se beijam.

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A Marquesa me pareceu muito mais sábia e maquiavélica do que o Visconde. Em uma passagem do livro, o Visconde pede que a Marquesa não dê atenção a Prévan, um homem que disse publicamente que a conquistaria. Ela se nega a atender seus pedidos, diz que dormiria com Prévan para satisfazer sua própria vontade e que ninguém iria ficar sabendo. [A Marquesa mede suas forças com o Visconde, não atende seu pedido e ainda lhe provoca ciúmes]. O fato é que a Marquesa arma para Prévan e faz com que o encontro dos dois se pareça a uma tentativa de estupro – Prévan acaba preso.

Na primeira e na segunda parte, Cecília nos leva a crer que é uma moça inocente (mesmo com todas as desconfianças e insinuações da Marquesa), porém depois que perde a virgindade com o Visconde (inclusive, depois de descobrir que ele dormiu com a sua mãe), a personagem praticamente transforma-se e passa a ser o que as palavras do Visconde definem bem: ‘tão sabia quanto o mestre’. 

[ O desfecho ] Não há muito o que comentar das cartas dos outros personagens, eles são fundamentais para o desenvolvimento da trama, mas a Marquesa e o Visconde se sobressaem, eles são os manipuladores. A presidente de Tourvel, que em grande parte da obra tenta fugir dos próprios desejos e manter sua virtude é humilhada por Valmont e acaba morrendo (em uma mistura de dor, decepção e cólera). O Visconde, como sabemos, morre em uma batalha com Danceny, que seu muda de Paris com medo de perseguições. O que não nos é contado no filme é que Cecília implora que a mãe lhe coloque em um convento e decepcionada com o amor, se torna freira. A Marquesa,depois da humilhação no teatro, pega varíola, fica com o rosto completamente desfigurado (e ainda perde um olho) e nas palavras da Madame de Volagens, fica hedionda:  ‘O marquês de ***, que não perde a ocasião para uma maldade, dizia ontem, falando dela, que a doença a virara do avesso, e que tinha agora a alma estampada no rosto. Infelizmente todos acharam que a expressão era justa’ (Carta CLXXV, p.358)

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Marquesa de Merteuil uma feminista?

‘Eu sempre soube que nasci para dominar o seu sexo

e vingar o meu’

Confesso que estou encantada com a história, viciada no livro e no filme… participei de algumas discussões, revi outras interpretações e li vários artigos/publicações na internet sobre a trama. Lola Aronovich, autora do blog ‘Escreva, Lola, Escreva’, nos presenteou com duas publicações sobre a trama e foi questionada por uma leitora se a Marquesa poderia mesmo ser considerada uma feminista. Lola chamou atenção para o fato de a Marquesa ter consciência do seu papel desprivilegiado na sociedade e de se esquivar da situação. Outro detalhe, sabiamente observado por ela é que a Marquesa foi a única a receber um castigo (o Visconde e a Presidente morrem, Cecília vai para o convento – o que não é mostrado no filme) enquanto a Marquesa é humilhada publicamente.

Particularmente, não sei se ‘feminista’ é um termo adequado, ainda assim, concordo que a Marquesa de Merteuil representa as mulheres (e sua condição desigual a dos homens) com bastante êxito. Não só ela, as outras personagens também o fazem muito bem. Oprimidas pelos contratos sociais (como o casamento), pela igreja, condenadas ao silêncio, levadas a negar os desejos e os próprios prazeres, responsáveis por apresentar uma reputação de pureza, uma atitude passiva e vários outros aspectos que poderíamos citar por horas.

Outro Blog que eu adoro e que também levanta um questionamento interessante é o ‘Há sempre um livro a nossa espera‘, da Cláudia Soares Dias.  Ela se pergunta sobre a causa e as motivações sociais que levaram a Marquesa apresentar tal personalidade. Para Cláudia, essa personalidade se dá porque Merteuil possuía uma grande dificuldade em lhe dar com rejeições e apresentava (quando adolescente) uma forte curiosidade em relação a sexualidade que esbarrava nas restrições religiosas e sociais. No entanto, não acho que essa personalidade se limite apenas a uma curiosidade, mas também a uma necessidade de ‘auto-proteção’, antes de se tornar viúva, ela ainda estava sujeita às vontades do marido, ainda estava presa a figura masculina e foi só com a sua morte que ela pôde se reinventar.

Em uma passagem do filme, o Visconde faz a seguinte pergunta a Marquesa:

Visconde: Eu frequentemente me pergunto como você conseguiu se inventar

Marquesa: Bem, eu não tive escolha, tive? Sou mulher. Mulheres são obrigadas a serem muito mais cheias de recursos que homens. Vocês podem arruinar nossa reputação e nossas vidas com algumas poucas palavras bem escolhidas. Portanto, é claro que eu tive de inventar não apenas eu mesma, mas também formas de fuga que ninguém pensou antes. E eu fui bem-sucedida porque sempre soube que nasci pra dominar o seu sexo e vingar o meu

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No livro, essa passagem se dá na carta LXXXI, justamente quando o Visconde tenta convencer a Marquesa de que ela não deve se relacionar com Prévan. Austera e confiante, ela explica sua trajetória para mostrar que não teme nenhum homem (e que não aceita ordens). Merteuil também fala (com certo deboche) da sua superioridade sobre o Visconde: ‘Que tem o Visconde feito que eu não tenha ultrapassado mil vezes? Seduziu, perdeu mesmo muitas mulheres: mas que dificuldades teve a vencer? Que obstáculos a ultrapassar? Onde está o mérito que verdadeiramente lhe caiba?”

Reproduzo uma parte da carta que é uma síntese da história de Marquesa e que nos ajuda a descobrir um pouco mais da sua personalidade… (Olha, é um pouco grande… eu sei, mas vale muito a pena!)

Entrando na sociedade num tempo em que, criança ainda, as circunstâncias me condenavam ao silêncio e a inacção, delas soube tirar proveito para observar e refletir. Enquanto me julgavam estouvada ou distraída, não dando ouvidos à verdade dos ensinamentos que me dispensavam, eu recolhia cuidadosamente tudo o que procuravam esconder-me.

Essa curiosidade útil, ao mesmo tempo que servia para me instruir, ensinava-me ainda a dissimular. Obrigada muitas vezes a esconder dos olhos dos que me rodeavam os motivos que me chamavam atenção, experimentei pousar os meus no que me agradasse; o resultado desde logo foi ter adotado aquele olhar sem constrangimento que o Visconde tantas vezes me gabou. Animada por este primeiro êxito, tratei de regular, pelo mesmo processo, os diversos movimentos do meu rosto. Se sentia qualquer apreensão, estudava-me até assumir um ar de serenidade, ou mesmo de alegria, levei o meu zelo ao ponto de a mim própria causar dores voluntárias, para durante esse tempo procurar a expressão de prazer. Com o mesmo cuidado e maior custo, exercitei-me a reprimir os sintomas de uma alegria inesperada. Foi assim que consegui tomar sobre a minha fisionomia aquele domínio que algumas vezes admirou em mim.

Eu era ainda muito nova, e quase sem interesse, mas só tinha de meu os próprios pensamentos, e indignava-me a ideia de que mos pudesse roubar ou surpreender contra minha vontade. Munida dessas primeiras armas, experimentei servir-me delas. Não me satisfazia a não me deixar penetrar: divertia-me mostrar-me sob formas diferentes. Dominando os meus gestos, observava as minhas falas. Uns e outras eram regulados segundo as circunstancias, ou mesmo segundo as minhas fantasias. Desde então, a minha maneira de pensar pertenceu-me a mim só, e não mostrei nunca senão o que me era útil deixar ver.

Este trabalho sobre mim própria fixou a minha atenção sobre a expressão dos rostos e o carácter das fisionomias, e adquiri esta mirada penetrante, na qual a experiência todavia me ensinou a não me fiar inteiramente, mas que, em todos os casos, raramente me enganou.  

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Ainda não tinha quinze anos, possuía já os talentos a que a maior parte dos nossos políticos devem a sua reputação, e encontrava-me ainda nos rudimentos da ciência que pretendia adquirir.  (…) O meu desejo não era gozar, era saber. O desejo de me instruir sugeriu-me os meios.  Senti que o único homem com quem podia falar sobre esse assunto, sem me comprometer, era o meu confessor. E logo tomei o meu partido. Passei por cima dessa pequena vergonha e gabando-me duma falta que não tinha cometido, acusei-me de ter feito tudo o que fazem as mulheres. Tal foi a verdade que ideia exprimia. A minha esperança não foi de todo iludida, nem inteiramente realizada, o receio de me trair impedia-me de me esclarecer. Mas o bom do padre pintou-me o mal tão grande que eu concluí que o prazer devia ser extremo e ao desejo de o conhecer sucedeu o de o saborear.

Não sei onde esse desejo me teria conduzido, e, faltando-me por completo a experiência, uma única oportunidade ter-me-ia talvez perdido. Felizmente pra mim, minha mãe anunciou alguns dias depois que eu ia casar-me. A certeza de que ia saber extinguiu imediatamente a minha curiosidade, e cheguei virgem aos braços do Sr. De Merteuil. Era com tranquilidade que esperava o momento que tudo devia ensinar-me, e foi-me preciso reflectir para mostrar confusão e receio. A primeira noite, que geralmente se tem uma ideia tão cruel ou doce, apresentava-me apenas uma ocasião de experiência: dor e prazer, tudo eu observava com exatidão e nessas diversas sensações via apenas fatos para recolher e meditar.  

Este gênero de estudo depressa começou a agradar-me; mas, fiel aos meus princípios, e sentindo, talvez por instinto, que ninguém devia estar mais longe da minha confiança do que o meu marido, resolvi, pelo simples fato de que era sensível, mostrar-me impassível a seus olhos. Esta frieza aparente foi, ao longo do tempo, o fundamento inabalável da sua cega confiança. Juntei-lhe, após uma segunda reflexão, o aspecto estouvado que a minha idade autorizava; e nunca ele me julgou mais criança do que nos momentos em que com mais audácia eu o iludia.

Entretanto, devo confessá-lo, deixei-me primeiro arrastar pelo turbilhão do mundo, e entreguei-me inteiramente às suas distrações fúteis. Mas ao fim de alguns meses, tendo-me o senhor de Merteuil levado a partilhar as suas tristes férias no campo, o medo do aborrecimento fez com que me voltasse o gosto do estudo; e encontrando-me rodeada apenas de pessoas cuja distância de mim me punha ao abrigo de toda a suspeita, aproveitei a ocasião para dar um campo mais vasto às minhas experiências.

 Foi ali, principalmente, que obtive a certeza de que o amor que nos louvam como a causa dos nossos prazeres é apenas, quando muito, o seu pretexto. A doença do senhor de Merteuil veio interromper tão doces ocupações; foi necessário segui-lo à cidade, onde ele ia procurar socorros. Morreu, como sabe, pouco tempo depois; e embora, no fim de contas, eu não tivesse de me queixar dele, nem por isso senti menos vivamente o preço da liberdade que a minha viuvez ia proporcionarme, e a mim própria prometi aproveitar bem essa liberdade. Minha mãe contava que eu entrasse num convento, ou voltasse a viver com ela. Recusei uma e outra solução; e tudo o que concedi à decência foi voltar ao mesmo lugar no campo, onde me restavam ainda algumas observações a fazer.

 Essas observações ganharam força com o auxílio da leitura; mas não julgue que foram todas do gênero que supõe. Estudei os nossos costumes nos romances; as nossas opiniões nos filósofos; procurei mesmo nos mais severos moralistas o que eles exigiam de nós, e soube assim o que se podia fazer, o que se devia pensar e o que era preciso parecer. uma vez fixada sobre esses três pontos, só último apresentava algumas dificuldades na sua execução; esperei vencê-las e medirei nos meios.

 Começava a aborrecer-me dos meus prazeres rústicos, demasiado monótonos para a minha imaginação; sentia uma necessidade de coquetismo que me reconciliasse com o amor; não para verdadeiramente o sentir, mas para o inspirar e o fingir. Em vão me haviam dito e eu tinha lido que não se podia fingir esse sentimento; eu via, no entanto, que para o conseguir bastava juntar à inteligência de um autor o talento de um comediante. Experimentei os dois gêneros, e talvez com algum êxito; mas em lugar de procurar os vãos aplausos do teatro, resolvi empregar na minha felicidade o que tantos outros sacrificavam à vaidade.

 Um ano se passou nessas diversas ocupações. Como o meu luto já me permitia voltar a aparecer, regressei à cidade com os meus grandes projetos; não esperava o primeiro obstáculo que aí encontrei. Aquela longa solidão, aquele retiro austero tinham lançado sobre mim uma aparência de virtude que amedrontava os nossos galãs; mantinham-se afastados e deixavam-me entregue a uma multidão de aborrecidos senhores, que pretendiam todos a minha mão. O embaraço não estava em recusá-los; mas várias dessas recusas desagradavam à minha família, e eu perdia nessas questões internas o tempo que prometera a mim mesma gastar tão agradavelmente.

 Fui pois obrigada, para atrair uns e afastar os outros, a pôr em relevo algumas inconsequências e a empregar em prejudicar a minha reputação, o cuidado que pensava aplicar em conservá-la. Consegui-o facilmente, como pode imaginar. Mas não me sentindo arrebatada por nenhuma paixão, fiz só o que julguei necessário, e medi com prudência as doses da minha leviandade. Logo que atingi o fim que me propusera voltei ao ponto de partida e fiz promessas de emenda a algumas daquelas mulheres que, não podendo ter pretensões a agradar, se pavoneiam com as do mérito e da virtude. Foi um lance de dados que me valeu mais do que eu esperava.

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Aquelas reconhecidas donas arvoraram-se em minhas apologistas; e o zelo cego que empregaram para louvar o que elas chamavam a sua obra chegou ao ponto de, à menor frase que alguém se permitisse a meu respeito, todo o partido da virtude gritar contra o escândalo e a injúria. Pelo mesmo processo consegui ainda a aprovação das mulheres que pretendiam agradar, as quais, persuadidas de que eu renunciava a seguir carreira idêntica à sua, me escolheram para alvo dos seus elogios, todas as vezes que queriam provar que não diziam mal de toda a gente.

 Entretanto, a minha anterior conduta tinha atraído os apaixonados; e, para me equilibrar entre eles e as minhas infiéis protetoras, mostrei-me como uma mulher sensível, mas difícil, a quem o excesso de delicadeza fornece armas contra o amor.

Então comecei a desenvolver no grande teatro os talentos que dera a mim própria. O meu primeiro cuidado foi o de adquirir o renome de invencível. Para chegar a isso, os homens que não me agradavam foram sempre os únicos de quem simulei aceitar as homenagens. Empreguei-os sutilmente em alcançar por meio deles as honras da resistência, enquanto me entregava sem receio ao amante preferido.

 Mas a esse a minha fingida timidez não permitiu nunca que me seguisse na sociedade; e os olhares do mundo fixaram-se, desse modo, no amante recusado. Sabe, meu amigo, que levo pouco tempo a decidir-me; é por ter observado que são quase sempre os cuidados anteriores que revelam o segredo das mulheres. Por muito que se faça, o tom nunca é o mesmo, antes e depois do acontecimento. Esta diferença não escapa ao observador atento, e achei menos perigoso enganar-me na escolha do que deixar-me penetrar. Ganho ainda com esse procedimento afastar as evidências, que fornecem os únicos elementos para nos julgarem. Estas precauções, e ainda a de nunca escrever, não entregar nunca uma prova da minha derrota, poderiam parecer excessivas; a mim nunca me pareceram suficientes. Desci ao fundo do meu coração, e nele estudei o dos outros. Soube assim que não há ninguém que não conserve aí um segredo que não deve ser revelado; eis uma verdade que a Antiguidade parece ter conhecido melhor do que nós, e da qual a história de Sansão poderia ser apenas uma engenhosa alegoria. Nova Dalila empreguei sempre, como ela, o meu poder em surpreender esse importante segredo.

Quantos Sansões modernos não tive eu já com a cabeleira sob a minha tesoura! E a esses, deixei eu de temer; são os únicos que me tenho permitido humilhar algumas vezes. Mais subtil com os outros, a arte de os tornar infiéis para evitar parecer-lhes volúvel, uma fingida amizade, uma aparente confiança, alguns rasgos generosos, a ideia lisonjeira que cada um conserva de ter sido o meu único amante, tudo serviu para obter o seu silêncio. Por fim, quando esses meios me faltaram, soube, antes de romper, abafar de antemão, sob o ridículo ou a calúnia, a confiança que esses homens perigosos pudessem obter. O que lhe estou dizendo, tem-me o Visconde visto praticar constantemente; e duvida da minha prudência! (…)

O que esperar da terceira temporada de American Horror Story?

Pra quem é fã de American Horror Story (tanto quanto eu) e sabe que estamos desde o dia 3 de Janeiro sem nenhum episódio novo, há algumas novidades interessantes que nos esperam. A próxima temporada, que recebeu o título ‘Coven’ (algo próximo a Convenção) está sendo gravada a todo vapor em New Orleands e, ao que tudo parece, não vamos nos decepcionar. Como já se sabe, Ryan Murphy deu algumas dicas durante a segunda temporada sobre o que a próxima história abordaria. Muito se especulou sobre o tema e acertou quem apostou em bruxas! (Lembram-se da cena em que a Irmã Eunice/Possuída coloca uma música no toca discos, ‘I put a spell on you’, pois é, essa foi uma das dicas. A outra foi quando Judy, completamente enlouquecida por causa dos eletrochoques, disse ao Kit que pegaria seu chapéu e sairia voando dali. E a terceira apareceu quando Judy pegou uma vassoura e ficou rodopiando com ela).

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O elenco: Dessa vez, a terceira temporada de AHS conta com um elenco reforçadíssimo! Além dos rostos já conhecidos como Jessica Lange, Frances Conroy, Lily Rabe, Taissa Farmiga, Sarah Paulson e Evan Peters, outros atores de peso se uniram ao cast. Alexandra Breckenridge (a Moira jovem), Jamie Brewer (a Addie, na primeira temporada) e Denis O’Hare (Larry) estão de volta, além deles, Patti Lupone, Christine Ebersole, Kathy Bates, Angela Bassett, Emma Roberts, Sir Maejor e Gabourey Sidibe já estão confirmados.

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Sobre a história e os personagens, o que sabemos?

  • Jessica Lange interpretará uma bruxa chamada Fiona. Em uma entrevista, a própria atriz afirmou: “Alguns dos personagens serão figuras históricas, eu interpreto uma bruxa que vai e volta no tempo, por isso, estou em lugares e vivo histórias diferentes. Como só filmamos poucas cenas, ainda não sei ao certo como o personagem será. Outro fato importante é que nessa temporada, Lange interpretará a mãe de Sarah Paulson, que na trama recebeu o nome de Cordélia! Lange será uma das bruxas mais poderosas e terá uma escola onde treina principiantes, o perfil da personagem é tão ácido quanto o da Constance.
  • Bates interpreta Madame Lalurie, uma mulher da alta sociedade de Louisiana que é uma serial Killer e que tortura seus escravos. Curiosamente, o bisavô de Kathy Bates foi médico de Andrew Jackson, vizinho de Lalure. “Eu acredito que meu bisavô tenha passado por aquele lugar antes dela sair”.
  • Dessa vez, Frances Conroy terá uma participação na série, ela estará presente em dez episódios (dos treze) da temporada. Sua personagem também será uma bruxa e melhor: uma antiga rival de Fiona, personagem da Jessica Lange. Ela também será mãe da Taissa Farmiga que, ao que tudo parece, viverá novamente um par romântico com Evan Peters.
  • Bassett será Marie Laveau, uma mulher especialista em voodoo. “Enquanto estive em New Orleans fiz uma pesquisa e descobri que as pessoas tinham muito respeito por ela. Minha personagem foi uma mulher que nasceu em 1801, viveu até os 80 anos e que era muito influente na cidade.“
  • Patti Lupone não será uma bruxa como pensávamos, em entrevista, a atriz revelou que seu personagem será algo parecido com Piper Laurie em ‘Carrie, a Estranha’, uma mulher extremamente religiosa, é provável que ela apareça para ‘caçar as bruxas’.
  • Como a própria Jessica Lange afirmou em entrevista, a história se passará em vários períodos de tempo, mas a principal se centra em uma batalha entre dois tipos de bruxas (um deles, as bruxas de Salém). Ryan chegou a afirmar que quer algo mais luxuoso e que dessa vez, pretende pegar mais leve. A série trará um romance parecido com Romeu e Julieta e terá um perfil cômico.

Confiram algumas imagens do set de gravação:

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E pra terminar, confiram os  teasers promocionais que sairam!

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