A força da amizade

A Força da Amizade

Li várias críticas negativas sobre esse filme e muitas delas são válidas. Apesar de trazer velhos clichês dos road movies, A força da amizade oferece uma trama agradável, com boas atuações e uma bela fotografia. De fato, aquela história de personagens que recebem lições de vida através de uma viajem não é uma novidade no cinema e a direção de Christopher N. Rowley (aliás, sua estreia) é um pouco imprecisa. É difícil não fazer uma comparação ao clássico ‘Thelma e Louise’ de Ridley Scott. As paisagens, os personagens femininos e até o figurino nos leva a lembrar dele (A Força da amizade chegou a ser apelidado de ‘Thelma e Louise na menopausa‘). Apesar de todas as contradições, Jessica Lange, Kathy Bates e Joan Allen apresentam uma boa química e são o que há de mais convidativo no filme.

Na trama, Jessica Lange interpreta Arvila Holden, uma mulher que acaba de ficar viúva e que para atender o pedido do marido, resolve espalhar suas cinzas. A decisão de Arvila desagrada Francine (Christine Baranski) que deseja que seu pai seja enterrado ao lado de sua mãe. Francine determina que se Arvila não concordar com o enterro e não lhe entregar as cinzas, venderá a casa (que seu pai lhe deixou através do testamento). Acompanhada das melhores amigas, Margie (Kathy Bates) e Carol (Joan Allen), Arvila resolve realizar uma viagem em seu Bonneville conversível para decidir o que fazer.

Bonneville

Apesar da situação ser um pouco mórbida (principalmente pelo fato de Árvila levar as cinzas do marido para todos os lugares e, inclusive, adormecer com elas) há um clima de euforia e aventura ao longo da viagem que deixa a trama mais agradável. Joan Allen e Kathy Bates interpretam personagens em contraponto, enquanto Carol (Allen) é uma mulher casada, extremamente religiosa e preocupada com a família, Magie é solteira e só deseja se divertir. Christine Baranski, com pouco destaque, é um elemento crucial da história e nos levanta questionamentos sobre Árvila. Independente de Francine ser arrogante, ela tinha o direito de se despedir do pai e não o fez pois Árvila a impediu – ao meu ver, esse é o momento mais dramático do longa.

Jessica Lange se sai muito bem, mas dessa vez um aspecto me chamou a atenção. O efeito do excesso de cirurgias plásticas em seu rosto é assustador. Em uma entrevista que vi, ela afirma que escolheu aparecer no filme com pouca maquiagem para trazer mais naturalidade e dor ao personagem. De fato, Árvila é o destaque da trama e acompanhamos de perto seu sofrimento, mas é justamente a ausência de maquiagem que nos possibilita reparar sua expressão muito marcada pela plástica.

O namoro de Magie com o caminhoneiro não foi bem desenvolvido, mas foi prazeroso vê-la se apaixonar e se entregar ao relacionamento. Gosto quando a Carol, em sinal de companheirismo e proteção, chama o caminhoneiro para conversar e pede que ele não brinque com os sentimentos de sua melhor amiga. Quando o jovem Bo apareceu para ajudá-las a concertar o pneu, eu achei que ele e Árvila teriam algum lance, apesar do clima (e da pouca química entre os dois), o fato de Arvila se inspirar na história dele para seguir seu caminho provavelmente uma das lições mais bacanas, a de persistir. É uma pena que esse filme seja tão difícil de encontrar, tanto para download quando em DVD.

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