O Clube do Filme

David Gilmour é um crítico de cinema desempregado. Seu filho, Jesse, de apenas quinze anos, não vai bem na escola e recebe sucessivas reprovações.  Preocupado, David permite que Jesse largue a escola contanto que assista com ele – semanalmente – clássicos do cinema.  Juntos, pai e filho criam o “Clube do filme” e passam dias assistindo e comentando produções famosas como O Poderoso Chefão, A doce Vida, Uma Rua Chamada Pecado, Ladrões de Bicicletas, Tio Vânia Em Nova York (…). 

A história é sincera e envolvente, mais do que uma trama sobre pessoas que gostam de cinema, “O clube do filme” retrata a complexidade das relações humanas e familiares. Gilmour, que parece despretensioso, deixa bem claro que como pai, está sujeito a erros e acertos. Com essa convicção,  tenta fazer com que o filho perceba que amadurecer (seja amorosamente ou financeiramente) envolve um processo muito mais complicado do que ele imagina.

Imagem“Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga. Então, quando você recomenda com entusiasmo um filme a um amigo, e diz: “Ah, é bom demais, você vai adorar”, é uma experiência desconcertante quando você o encontra no dia seguinte e ele diz: “Você achou aquilo engraçado?”
 

Um livro para cinéfilos?

Li “O Clube do filme” aos pouquinhos, marcando e voltando em passagens (ou em dicas) que me pareciam interessantes. Percebi que existe uma gama de clássicos que desconheço e que preciso assistir urgentemente. De fato, foi isso que me prendeu ao livro, Gilmour citava um filme e comentava sobre a impressão que teve dele. Mesmo com comentários superficiais, ele conseguia me deixar curiosa para saber mais.

Em algumas passagens, por exemplo, o autor diz que poucas pessoas prestam atenção na beleza do poema final do velho em “A noite do Iguana” (de John Huston). Que existiu uma época em que Woody Allen só filmava filmes maravilhosos, como Crimes e Pecados (de 1989). Que a Lolita de 1997 criada por Adrian Lyne é muito melhor do que a de 1962 criada por Stanley Kubrick. Que Marlon Brando quase foi escalado para o papel do padre em O Exorcista, que Quentin Tarantino passou mais de cinco anos tentando vender o seu primeiro roteiro (…)

Por isso mesmo, acho que, apesar da história principal se basear na relação entre pai e filho (e não ter sido explorada suficientemente, talvez por não ter tanto espaço naquele contexto), o livro é direcionado a pessoas que gostam de cinema ou que, pelo menos, conhecem nomes de atores e diretores. Outra coisa divertida da história é que David e Jesse categorizam os tipos de filmes como: “Prazeres Culpados” (filmes ruins, mas que a gente adora) ou ” Filmes Superestimados”.

P.S. Sobre a relação entre pai e filho, uns aspectos me incomodaram um pouco. David pareceu passivo demais, enquanto Jesse fazia burrada atrás de burrada, sem receber punições. “Pai, usei cocaína ontem”. “Tudo bem filho, se você o fizer de novo, não assistiremos mais filmes juntos”… (WTF?!)

Para quem participa do Filmow, existe uma lista com os filmes citados no livro, onde você pode marcar quais já assistiu e quais pretende assistir:

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