Escalade

Um grupo de jovens mal intencionados visitam Alice Nabat (a diretora do colégio onde estudam) para tentar fazer com que ela altere os resultados das provas finais. A diretora, que está fazendo aniversário, não percebe a malícia dos alunos e acaba convidando-os para o seu apartamento. Inicia-se um jogo de sexualidade e manipulação.

Alex, Lola, Gea e Hervé filmam Alice (sem que ela perceba) e a colocam em uma posição forjada e comprometedora. Alex, que apresenta características de um psicopata, agrava a situação ao não permitir que diretora saia do apartamento, mantendo-a em cativeiro. Alice, no entanto, nega-se a alterar os resultados da prova e os alunos, sem saber o quê fazer,  perdem o controle da situação.

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Escalade, 2011, é um filme de suspense com pitadas de terror psicológico. A direção de Charlotte Silvera é concisa, seca, assim como o desenvolvimento da trama. Ao assisti-lo, logo me lembrei de “Tentação Fatal”, uma produção americana de 1999, estrelada por Katie Holmes e Helen Mirren. Em Tentação Fatal, três alunos sequestram a professora de história, Mrs Tingle, para fazer com que ela mude as notas do trabalho final. Apesar das inegáveis semelhanças, Escalade é um filme muito mais denso e cruel.

Estava com saudades da Carmen Maura, foi bom revê-la em um personagem tão interessante (aqui, ela fala francês praticamente o tempo todo). Ao longo do filme, percebemos que Alice possui um comportamento ambíguo. Ao mesmo tempo em que não confia em seus alunos, envolve-se com eles – especialmente com Alex, com quem chega a ficar a sós no quarto e permite ser tocada na cintura e nos joelhos.

Carmen MauraOs quatro alunos possuem características marcantes, mas Hervé (interpretado por Thomas Sagols) se sobressai. Além de ser ridicularizado pelos colegas, o garoto alimenta uma paixão platônica por Alice. Hervé acaba tomando um porre, não consegue se controlar e não só se declara como também se masturba na frente da diretora. Sem dúvida, uma das cenas mais incômodas do filme – tirando a cena final, é claro, que também é bastante perturbadora.

A iluminação e o cenário aumentam a sensação de fobia, além disso, o aspecto teatral – diálogos marcantes, trabalho corporal dos atores – faz com que a tensão aumente. Em suma, Escalade é um bom filme, mas não excelente. Há um clima de incerteza, pouca veracidade… ao mesmo tempo em que a diretora nos dá um choque de realismo, ela nos coloca em dúvida sobre a atitude dos garotos.

*O filme foi gravado em 2004, mas por causa de dificuldades de pós produção, só foi lançado em 2011. As gravações também foram problemáticas, contavam apenas com cinco atores, não tinham um cenário próprio e (pelas palavras da própria Carmen), fazia um frio desgraçado.

P.S Existe uma cena interessante (spoiler!) onde a personagem da Carmen Maura quase consegue fugir, é incrível como aquela mulher atua, não dá pra descrever –  porque é uma cena que merece atenção

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