Vic + Flo viram um urso

Vic (Pierrette Robitaille) é uma mulher de sessenta anos que acaba de receber liberdade provisória da justiça. Em busca de abrigo, passa a viver com um tio – um senhor doente que sobrevive dependendo do cuidado dos outros.

Um dia Vic reencontra seu irmão, que lhe empresta certa quantia de dinheiro, a deixa responsável pela casa e vai embora. De certa forma, Vic passa a ser dona da residência – localizada no meio da floresta, longe da cidade, de tudo e de todos.

Seus dias de solidão acabam quando sua mulher, Flo (Valerie Donzelli), também recebe liberdade da prisão e passa a viver com ela. No entanto, Flo, que é mais jovem, deseja viver na metrópole, cercada lojas e pessoas.

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Confesso que a sinopse do filme não me chamou atenção. Fui fisgada pelo título: o uso do  símbolo + e dica de que elas viram um urso (?), me deixaram curiosa.  Não me arrependi, Denis Côté (também diretor em Alegria do Homem que Deseja), cumpre o que promete e realiza um belíssimo trabalho que, aliás, chama atenção pela fotografia.

Robitaille desempenha uma atuação incrivelmente densa, Vic não é um personagem qualquer – é amargo, repleto de mistérios e solidão. E o filme, em seu desenvolvimento, traduz o ócio das duas, a ausência de algo novo. A incessante  busca de Flo, que não se vê presa naquele lugar pelo resto da vida. Vic, por outro lado, apresenta uma dependência amorosa que chega a  ser doentia. Flo é uma mulher fria, direta e – diferente de Vic, está muito mais disposta a “vida” externa. Vic não só se encerrou naquela cabana no meio da floresta, ela se encerrou dentro de si mesma.

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Gosto especialmente do momento em que Vic, logo no inicinho do filme, se depara com dois garotos. Um deles toca um instrumento de sopro de maneira desafinada e pede dinheiro,  “Você só ganha se merecer”. Em suma, aquele garoto – que reaparece em um momento crucial, faz um prelúdio ou talvez até uma metáfora: a vida é repleta de imperfeições, de tropeços…

Aos poucos, Denis Côté insere outros sujeitos na trama que não só garantem a finalização do argumento como também criam uma expectativa. Falei anteriormente sobre o trabalho fotográfico. Impossível deixar de comentar sobre o tom azul que prevalece em praticamente todas as cenas e acentua os sentimentos dos personagens: dor, medo, tristeza, solidão.  Vic + Flo é um filme frio, é um filme azul.

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