As Diabólicas

Pela primeira vez, escrevo sobre um filme aqui no La Amora do qual não li nenhuma análise, artigo ou sinopse. Sobre “As diabólicas” a única coisa que sei é que foi dirigido por Henri Clouzot, que foi gravado na década de 1950 e que foi um dos precursores do estilo de suspense e terror, que se popularizou posteriormente através de Alfred Hitchcock. [A verdade é que eu queria fazer um texto mais limpo, fugir de qualquer influência, falar só sobre o que eu senti ao assisti-lo, entende?]Les-DiaboliquesPois bem, eu não tinha conhecimento sobre “As diabólicas” até que a Jéssica (do Indiscreet Talkin) disse que esse é um de seus filmes favoritos. Vi, revi e fiquei com uma sensação muito forte: a de que todas as mulheres que viveram na década de 30, 40 e 50 foram bonitas. Aliás, a de que até as feias eram bonitas. Soa como exagero, e eu sei que é, mas existia uma elegância, uma classe (ou seja lá o que for), que não existe mais. Feliz das que nasceram naquela época. Reparem em Simone Signoret (com aquele cigarro sexy no canto da boca), que linda!

“As diabólicas” conta a história de duas professoras que se unem para assassinar o pérfido e sádico diretor da escola. O caso não poderia ficar mais sombrio se uma não fosse sua esposa, Christina (Vera Clouzot) e a outra, a sua amante, Nicole (Simone Signoret). Depois do crime, as duas resolvem jogar o cadáver na piscina da escola e se surpreendem quando funcionários decidem limpá-la: o corpo desapareceu!

As diabólicasDesde o início, algo me pareceu bem claro e no fim do filme, pude comprovar que estava certa. Acho que o diretor deu diversas pistas sobre a trama e sobre os personagens, uma delas são as roupas. Christina, com aquelas tranças e com vestidos bem comportados, nada se parecia com Nicole, muito mais sensual, corajosa e traiçoeira. Enquanto Christina mantinha o ar de “garota bem comportada”, Nicole sustentava uma postura de “bad girl”. Aliás, não acho que a personalidade de cada uma seja um mero aspecto, querendo ou não, Christina é a esposa, quero dizer… como esposa, ela tem um lugar “superior” a amante.

Logo quando Nicole aparece em cena, com um dos olhos roxos por ter apanhado do amante, eu senti que o filme era muito mais denso do que qualquer outro que já assisti dessa época. Não só pela violência física, mas pela evidente relação sexual entre os três personagens principais. O filme tem um lado bem “pervertido” que, provavelmente, não deve ter sido bem recebido pela crítica. Essa coisa de censura, de deixar o dito pelo não dito, me encanta nesses filmes – é como um quebra-cabeça a ser decifrado.

Senti um desconforto imenso em três cenas: A primeira foi quando o diretor obrigou Christina a engolir a comida e dar exemplo aos alunos. A segunda foi a cena do caixote, quando elas tentam sair com o corpo e levá-lo até escola e a última, a mais surpreendente: foi a cena das lentes! Essas cenas geniais me deixaram muito angustiada.

tumblr_lks8fcGKU11qciafbo1_r1_500 Quando elas estão na casa da Nicole, prontas para matar o diretor, eu senti que o aspecto “sufocante” tinha aumentado. Talvez, porque elas saíram da escola e se deslocaram para um espaço bem menor e mais apertado. Finalmente, quando colocam o morto dentro da banheira e o cobrem com um plástico tudo parecia ter ficado mais tranquilo: até que aquelas gotas não paravam de cair, fazendo um barulho extremamente incômodo: como se as lembrasse, “Enquanto vocês estão aí, deitadas, tem um corpo na banheira”. – Essa cena me deu calafrios.

Fiquei deslumbrada com a sequência em que Christina corre pelo corredor, gostei tanto que voltei para assistir de novo. A câmera, dando zoom em seus pés, que se enrolavam na camisolas – e a luz das janelas… Muitoooo show! Me lembrou de um filme com a Joan Crawford, onde ela tem um pesadelo e sonha que esta fugindo…. E, a Vera Clouzot também é uma mulher linda – brasileira, aliás. Li, não sei aonde que, assim como a personagem, sofria de problemas no coração e faleceu em decorrência a esses problemas (mas, não me lembro quais).

tumblr_lz3skypw3x1qcay1ao1_500P.S: As Diabólicas também me remeteu a um outro filme, ” A cerimônia”, com Isabelle Huppert e Sandrine Bonnaire… nele as duas também planejam um crime e há um clima meio homoerótico …

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