O privilégio dos loucos

O priviilegio

Se me perguntassem se aquele ato performático em que uma mulher engole e depois vomita tinta em Lady Gaga é arte eu não saberia responder. Afinal, o que é arte? Se me perguntassem se uma música de Valesca Popozuda tem menos ou mais valor cultural do que uma erudita, eu não saberia responder. Afinal, quem define esses valores tão subjetivos?

Outro dia fui convidada para participar de um encontro de poetas. Pessoas que amam literatura e que dedicam horas de seus dias lendo e escrevendo. O evento era aberto, o povo foi convidado. Na plateia, escritores, e no palco também. O povo não foi.

O homem que abriu o evento conversava diretamente com o público (os escritores) e dizia: “Nós temos o privilégio dos loucos!” Eles, aplaudiam. Quando permitiu que os outros subissem no palco, advertiu: “Todo mundo quer ler e mostrar seu trabalho. Sejam breves e deem espaço ao outro’. Seguiram-se as apresentações, algumas cômicas, outras faziam uma ode à infância, algumas falavam da historia da cidade… Liam, se apresentavam e se aplaudiam.

Saí me perguntando se aquela reunião era, de fato, um encontro artístico ou se aquelas pessoas eram apenas narcisistas. Não sei como funciona essa relação do poeta ou do escritor com sua obra, se ele precisa que alguém o leia e o aplauda. Realmente não sei. E também continuo sem uma definição para arte – a minha tendência é acreditar que a arte é algo que toca no coração das pessoas, que as faz chorar ou rir, que as questiona… não me importa, juro que não me importa se seja através da Valesca Popozuda ou de Vivaldi.

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2 thoughts on “O privilégio dos loucos

  1. Franz diz:

    todos precisamos de um momento em que nos fazem sentir que somos importantes: há muitos que o usam para ganhar a vida outros que a usam para fazer política (a história de Hitler na ascensão ao poder, por exemplo).

    Arte (para mim) é aquilo que nunca com a minha criatividade e o meu trabalho seria capaz de fazer. Se olho uma peça de arte, seja um livro ou música ou uma performance ou uma foto ou uma quadro, ou umas cadeira desprezadas pela sala, pergunto-me sempre isso. a maior parte das vezes o que vejo não é arte, mas um artista em construção. quer dizer, apresentam-se coisas que na maior parte das vezes ainda não tem o suor, o esforço e a experimentação para vir a ser arte.

    por exemplo, quantos quadros pintou Miró até chegar a produzir arte?

    mas diz-se que é arte. não concordo. arte implica criatividade (alguma), mas muito esforço e dedicação.

  2. Bru diz:

    ”A arte é algo que toca no coração das pessoas, que as faz chorar ou rir, que as questiona…” Concordo, na minha opinião tudo pode ser considerado uma arte, não tenho certeza se essa minha afirmação é correta, alias o que é correto? O fato é que, o que sentimos, ou tentarmos colocar em alguma coisa os nossos sentimentos, seja musica, dança, desenhos, livros… tudo para se expressar. Isso é arte; E essa vontade de se expressar vem dês de sempre, posso estar errada, posso estar certo. Ou talvez nenhum dos dois.
    Adorei seu texto <33

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