Malkovich, Malkovich, Malkovich!

O fotógrafo Sandro Miller se uniu a John Malkivich para recriar imagens famosas e lendárias. O resultado é sensacional e no mínimo, curioso. O projeto, que recebeu o nome de: “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters.” mostra não só um cuidado de composição, mas também de estética, afinal, foram feitas sem Photoshop. Confira!

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Dorothea Lange / Migrant Mother, Nipomo, California (1936), 2014

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Philippe Halsman / Salvador Dalí (1954), 2014

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Albert Watson / Alfred Hitchcock with Goose (1973), 2014

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Victor Skrebneski / Bette Davis (1971), Los Angeles Studio, 2014

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Andy Warhol / Self Portrait (Fright Wig) (1986), 2014

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Diane Arbus / Identical Twins, Roselle, New Jersey (1967), 2014

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Gordon Parks / American Gothic, Washington, D.C. (1942), 2014

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Sandro Miller, Yousuf Karsh / Ernest Hemingway (1957), 2014

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Bert Stern / Marilyn in Pink Roses (from The Last Session, 1962), 2014

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David Bailey / Mick Jagger “Fur Hood” (1964), 2014

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Herb Ritts / Jack Nicholson, London (1988) (A), 2014

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Edward Sheriff Curtis / Three Horses (1905), 2014

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Annie Leibovitz / John Lennon and Yoko Ono (1980), 2014

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Alberto Korda / Che Guevara (1960), 2014

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Arthur Sasse / Albert Einstein Sticking Out His Tongue (1951),

2014

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Irving Penn / Pablo Picasso, Cannes, France (1957), 2014

Ontem me deparei com um texto lindo e delicioso, escrito por  André J. Gomes da Revista Bula. Tomo a liberdade de compartilhá-lo aqui no La Amora

Amor de verdade acaba

Amor de verdade também acaba

Se preocupe não, moça. Não é você. Sou eu. Não tenho jeito pra esse negócio de amor. Acho lindo, acho lindo nas canções que você e eu amamos juntos. Mas na verdade, assim, no tempo duro de um dia depois do outro, o amor toca desafinado para mim, obrigatório, repetido, música com refrão meloso. Não é você, moça. Sou eu. É que eu não tenho muito que dar. Não rendo, não sei telefonar à noite, não sustento conversas sem assunto, diálogos sem tema. Não é você, linda, doce, cheia de graça. Sou eu. Vazio, triste, estranho.

Você já viu tanta gente tão certa de que o amor mesmo, amor no duro, não acaba? E se acaba é porque não era amor? Dá até inveja, né? Eu invejo mesmo essas pessoas. Queria ter certeza e amor que durassem para sempre. Mas não. Comigo ainda não é assim. Meu amor vem e vai. Começa agora, acaba amanhã, volta mais tarde.

Ser de ninguém é meu único jeito de ser alguém, minha querida.  Tomo remédio pros nervos e você não sabia. Sou dessa gente que precisa ser só, mesmo em comunidade, como unidade. Só. E você não queria. O sol que bate agora recende aqui dentro uma saudade dolorida do que já foi e do que sequer aconteceu. Minha cidade perdida, minha casa na infância, uma lambreta alaranjada que me leva a passear no quarteirão, o carro velho e batido do pai, a mãe que custa a voltar do trabalho, a alegria das avós.

Essa saudade, para mim, é o que mais se parece com o que tanta gente chama de amor. É só o que eu tenho, moça. E é tão pouquinho que mal dá pra mim sozinho. É um foguinho de palha que eu tento — ah, como eu tento! — alimentar e espalhar e incendiar o quarteirão. Mas não dá, minha amiga. Não deu. Meu amor anda pequeno. É uma saudadinha que dói mansa, um fio de água, um cheiro distante, um raio morno de luz patética quase apagando. É muito pouco. Não dá pra dois.

Você merece mais. Muito mais do que isso. Merece amor inteiro, forte, amor de casa grande, segura, quintal na frente, jardins e flores, pés de jabuticaba, caqui, laranja lima, limão galego. Eu tenho nada além dessa barraca de um só, montada na grama aqui e ali, esperando a hora de mudar e partir.

Foi bom, moça. Foi lindo. Você fica além de toda expectativa. Mas eu não dou conta. Preciso ir adiante, abrir o portão e liberar os cachorros que vivem cá dentro de mim. Se os deixo por aqui, trancados em casa, uma hora eles terão destruído tudo. Preciso conduzi-los à rua, deixá-los mijar nos postes, tombar as latas, rasgar os sacos, revirar o lixo alheio. E para isso eu tenho de ser só. Não por nada. Não é você, lembra? Sou eu. Para dar amor a alguém aí fora, eu antes preciso encontrá-lo aqui dentro. E aqui dentro ele se esconde tão bem, tão pequeno, que eu custo a achar. Vez ou outra eu encontro, mas ele logo se perde de novo, como bolinha de gude debaixo do sofá da sala. Como agora.

Se preocupe não, menina linda. Não é você. Sou eu. E isso é tudo. Agora vai, minha querida. Vai em frente. Vai ser feliz. Vai porque o mundo é seu. Eu, não. Eu ainda preciso ser de mim mesmo.