Daniela Romo (mais uma vez)

O Choro é livreNunca, na história do La Amora foi publicado um texto tão grande assim. Também nunca demorei tanto para escrever, fui juntando as informações e deu nisso, nesse pequeno monstro. Para quem gosta da Daniela Romo (alô, Cássia!) espero que tenham paciência para lê-lo… Para o restante, o choro é livre… O texto, aliás, era pra ficar maior… mas resolvi publicar agora e depois… que sabem, publico uma segunda parte…

Há algumas semanas uma das publicações mais visitadas do blog é o artigo sobre a Daniela Romo, provavelmente porque esta é uma das únicas páginas em português sobre ela. Agora, mais do que nunca, um número alto de pessoas tem procurado por seu nome… felizmente Sílvio Santo resolveu transmitir Sortilégio (novela que foi comprada pelo SBT pouco tempo depois de ter sido lançada no México, mas que foi engavetada quando chegou aqui).

Daniela Romo Como disse na primeira publicação, Romo é uma paixão antiga, revigorada nos últimos tempos desde que encontrei um site que a mencionava. Isso foi em abril e agora, depois de tanto escutar suas músicas, assistir suas novelas, entrevistas, ler artigos, noticias e acompanhá-la pelas redes sociais, sinto-me com mais propriedade para escrever.

thais e CássiaUma das “coisas” mais legais que o “gostar da Daniela Romo” me trouxe foi a súbita, maravilhosa, espontânea e sincera amizade que fiz com a Cássia, uma menina incrível que também gosta da Daniela – e que sabe tudo sobre ela. Por consciência moramos relativamente perto e tivemos a sorte de nos encontrar pessoalmente (duas vezes! Outras virão, é claro) para conversar sobre o assunto.

Mas, vamos ao que interessa…Separei alguns tópicos, temas, para falar sobre as impressões e percepções que tenho sobre ela. Também, é claro, para compartilhar algumas informações.

As músicas e o romantismo

Daniela Romo atua no mundo da música desde os onze anos de idade, época em que cantava em um coral e participava de pequenas peças teatrais. Seu sucesso veio na década de 80 (especificamente em 1983) quando lançou seu terceiro disco com quatro grandes singles que perpetuam por sua carreira: Mentiras, Celos, Pobre Secretária e La Ocasión para amarmos.

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Foi uma estrela pré-moldada para agradar o público jovem. A enviaram aos EUA para estudar música, preparar o “look” e criar um cd direcionado. Sozinha, ainda na América, compôs as faixas do álbum definindo a sua predileção pelo romantismo. Suas letras são da típica garota oitentista e apaixonada. Com o sucesso estrondoso do terceiro cd, realizou um trabalho frenético de produção, alavancando outros hits referenciais em sua carreira, entre eles: Yo no te pido la luna, Enamorada de Ti, Duena de mi Corazon, Quiero Amanecer com Alguién, De mi enamorate.

trayectoria-daniela-romo-300x350Em entrevistas, Daniela mencionou as viagens marcantes que realizou por conta da turnê, uma delas ao Japão, onde foi surpreendida com um grande público que sabia cantar suas músicas. Naturalmente, o sucesso lhe trouxe poder… e dinheiro, uma reportagem na revista Hola revela que Romo comprou sua “primeira mansão” ainda na década de 80.

Curiosamente existiu uma rivalidade entre ela e Yuri, outra cantora mexicana que tinha exatamente o seu estilo: jovem e romântica. Não se sabe se a rivalidade surgiu de uma estratégia midiática, do público ou das cantoras. Recentemente, Yuri (que agora vive e segue sua carreira no Chile) se manifestou sobre o assunto: “Não tenho nada contra Daniela Romo, ela é uma belíssima e excelente pessoa, uma grande atriz e que também tem uma carreira preciosa como cantora. O Chile a ama, mas as gravadoras a apoiaram mais que a mim”. Segundo Yuri, ela foi boicotada pelas gravadoras, que preferiam Daniela por ela ter uma “imagem mais mexicana”.

Já com uma carreira estabelecida, Daniela optou por manter a linha romântica, criando letras apaixonadas. São poucas as faixas que fogem do tema, como “Que vegan los bomberos” (outro de seus hits), “Coco Loco” e “Todo, Todo, Todo”. Ao longos dos anos ela mostrou sapiência em relação a carreira, mantendo-se no topo e fazendo grandes parcerias, uma delas com Juan Gabriel (outro cantor que eu adoro e que inclusive, já mencionei sobre no La Amora).

Outra questão perceptível, que se nota claramente quando se faz uma comparação da sua carreira na década de 1980 x 1990 x 2000 é que ela desenvolveu um lado mais “sedutor” em suas músicas e videoclipes, prova de um amadurecimento e de uma autoconfiança conquistadas com o tempo. Romo transgrediu de “menininha” para “mulherão” sem cair na breguice, no apelativo.

Suas produções possuem um valor cultural inestimável, não é atoa que tenha recebido (em 2012) um prêmio por parte do Grammy Latino, em homenagem à sua carreira. (Aliás, recebeu o prêmio ao lado de grandes cantores, entre eles, Milton Nascimento). Uma de suas preocupações é a de ter em cada um dos shows um toque ‘mexicano’, são diversas as apresentações que fez repleta de penas (em referência aos índios) ou com mariachis, ou mesmo relembrando grandes cantores como Pedro Infante…

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A predileção por perucas

Cinquenta anos usando o mesmo estilo de cabelo, longos e lisos. É a sua marca. Existe um artigo antigo aqui no La Amora onde me refiro à uma entrevista cedida por Daniela em que ela afirma que “jamais cortaria o cabelo” porque para ela o cabelo se tornou um templo e para os fãs, um fetiche.  Encontrei, há algumas semanas, outra entrevista em que ela falava sobre a sua predileção por perucas, dizendo que sua visão sobre a possibilidade de mudar o estilo surgiu em 2001, quando foi convidada à participar da novela Manancial.perucas

De certa forma Manancial foi um marco em sua carreira, foi a primeira vez em que interpretou uma vilã – e, pela primeira vez, uma mulher mais “velha”. Na época, com 42 anos, Daniela se perguntou se deveria ou não aceitar o convite porque, preocupada com a imagem, passaria a ser ligada à figura da mulher madura… ela revelou que chegou a se perguntar: “Estou tão velha para interpretar uma mãe?”.  Quem conhece (ou, pelo menos acompanha) o mundo midiático entende essa preocupação: uma vez “mãe”, o caminho de volta é mais difícil. São inúmeros e extensos o caso de atrizes que envelheceram (ou que foram envelhecidas pela TV) e que nunca mais reviveram grandes personagens.

No caso dela, deu certo: Margarida foi um papel fundamental para destacá-la nas tramas televisivas e permitir que conseguisse outros grandes personagens, tornando-se finalmente uma “Primera Actriz”. Sua parceria com Carla Estrada rendeu também outro bom fruto: a vilã Dona Joana, da novela Alborada (também comprada pelo SBT, mas nunca exibida).

Bom… estou mencionando essas novelas por um motivo simples: Daniela interferiu pessoalmente no look de cada um dos personagens subsequentes à Manancial, e muitos deles traziam um acréscimo: as perucas (ou penteados marcantes, como o caso de Alborada e Triunfo del Amor).  Para se ter uma ideia, nos primeiros capítulos de Sortilégio ela utilizou três perucas diferentes e em La Tempestad, quatro! Eu, que não gosto das perucas que ela usa (especialmente a de Sortilégio) fui entender, tardiamente (e só depois de ler um artigo) que as novelas mexicanas, diferente das brasileiras, atendem ao gosto do kitsch por parte da audiência.

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Os mexicanos amam essa estética, amam o exagero – não estão nem aí com os estereótipos, pelo contrário: é isso que querem ver na tela. Como diria a própria Daniela Romo: “As novelas foram feitas para sonhar”… o público sabe que está vendo uma história fantasosa, portanto, não se incomoda com as perucas (com os looks, com as falas pedantes das mocinhas, com as cenas de amor…) – e mais: sentem falta delas.

 Margarida e os espelhos…

elmanantial1Como disse anteriormente, foi a Daniela que definiu o estilo da personagem Margarida, de Manancial. Desde o cabelo aos sapatos = tudo passou pelo seu crivo pessoal.  Daniela optou por utilizar referências do cinema clássico mexicano, inspirando-se em musas da sétima arte como María Felix e Dolores del Rio. As tranças, extremamente tradicionais, foram uma das características mais marcantes do personagem – que aliás, será trazida novamente às telas através de um remake chamado: “Las sombras del pasado”.

Em entrevista, cedida pouco tempo depois da estreia da novela (ainda em 2002), Daniela explicou suas escolhas: ‘Nas novelas que se passam no campo percebo que os personagem se vestem com looks muito contemporâneos, mas eu queria usar um look inspirado em María Félix ou em Dolores del Río – grandes personalidades… Assim comentei com a Carla Estrada (a produtora) e ela gostou da ideia. Analisei várias mulheres que vivem em fazendas e me dei conta de que são muito finas, elegantes e sempre conservam um look muito tradicional’

María Felix

María Felix

Margarida (ou “La Márgara, como foi apelidada) era extremamente vaidosa, um dos seus acessórios mais famosos era um colar, feito à mando de Daniela  (a joia foi guardada anos a fio por ela, até que este ano, foi presenteada a Alejandra Barros que vai assumir seu papel no remake)… Nesse colar existia um espelho, Margarida sempre se observava nele, principalmente quando ia praticar suas maldades, existe metáfora mais sutil e inteligente à vaidade?

Sobre os espelhos, Daniela explicou: “Criei Margarida com a ajuda de Mónica Miguel, que é uma grande diretora. Ela me ajudou a fazer a busca por Margarida e nessa busca encontrei uma mulher vaidosa, que gosta de espelhos porque lhe dão segurança já que se sente abandonada e sozinha… Assim mandei fazer dois espelhos, um se chama Margara 1 e o outro Márgara 2 – um é de ouro e outro é de prata, são os que a Margarida leva no pescoço.”

 Ainda sobre a personagem, ela esclareceu: “Margarida é uma mulher que está cheia de ressentimentos, ódio e egoísmo. É uma mulher que não tem relações sexuais nem amorosas com seu marido, ela vive e revive sua vida através de recordações e está motivada a continuar com algo que é uma farsa, continuar com um casamento que existe só por conveniência. Além disso, não tem como canalizar a falta de amor e sexo porque se dedica ao cuidado do filho, é uma mãe super protetora. O pior é que ela crê que está correta e não pensa duas vezes em socorrer o filho, o problema é que ela não o escuta.”

Interessante Daniela tocar nesse assunto, porque Margarita (sem dúvidas, o meu personagem favorito) exigia uma coragem substancial por parte da atriz, que diversas vezes fazia cenas com menções à masturbação. Margarida, ainda que amargurada e vingativa, era uma mulher forte que não se curvava diante de homem nenhum, nem mesmo diante do marido – que era um. monstro e, o mais poderoso da cidade.

daniela romoO câncer – divisor de águas

Daniela é uma artista extremamente midiática e como disse, demonstra uma sabedoria imensa em suas escolhas. Outro dia brinquei com minha mãe dizendo que se Daniela Romo tivesse um filho, o parto seria transmitido. Ok, não é para tanto… mas o câncer mostrou como Daniela é querida pelo público e pela crítica e como ela tem um jogo de cintura, se equilibrando perfeitamente entre esses dois mundos.

“A vida não é uma questão de sorte, é uma questão de morte”.

Ela descobriu que estava com câncer no seio em meados de 2011, época em que se preparava para lançar seu último cd, “Para Soñar”. Depois de identificado, o tumor foi retirado rapidamente e duas semanas depois da operação, Daniela começou a fazer quimioterapia. Todos os trabalhos de finalização do álbum foram interrompidos, assim como outros de televisão que ela planejava realizar.

Mesmo com rumores sobre a sua doença, Daniela só foi confirmar a informação no dia 04 de novembro do mesmo ano – em uma coletiva. A atriz contou que manteve a doença em segredo para não preocupar a sua mãe: “Sempre relacionamos a palavra câncer com dor, sofrimento e morte. Não queria que minha mãe (na época com 87 anos) me relacionasse a essas palavras. Nosso papel se inverteu, agora sou eu que tenho que cuidar e protegê-la, coisa  que ela sempre fez comigo, quando amamos queremos proteger… queremos evitar qualquer sofrimento”.

Desde então tem participado de campanhas de conscientização e encabeçado grandes trabalhos publicitários – de âmbito nacional e internacional. O câncer, segundo Daniela, mudou radicalmente a sua maneira de ver a vida, para eladanii foi um segundo nascimento. Aliás, foi fundamental para que se questionasse sobre a sua imagem e se transformasse em um ser humano melhor.

Foram diversas e extensas as entrevistas e coletivas em que Daniela se manifestou sobre a doença, em uma delas, bastante emocionada, conta que durante o tratamento fez muitos amigos que também padeciam do câncer- e que viu muito deles morrerem.

“A vida é uma até onde sabemos. Logo pensamos, sonhamos e queremos crer que existem outras. Provavelmente sim, é eu acredito nisso e desejo isso. Mas no instante em que você está em uma só vida… isso é o único que você tem, por isso é preciso abraçá-la, honrá-la, amá-la, agradecê-la e vive-la de mil maneiras. O amor é tantas coisas, o amor é a vida. É a prova de que você alcançou a verdade. Nós sofremos, choramos… mas a vida é uma, e está cheia de todas essas coisas: de sofrimentos, de presenças e ausências, de vazios… Mas é maravilhosa, é o único que existe. E é um mistério insondável, mas vamos cada dia nadando e submergindo nela…”

“Os meses para mim eram uma eternidade e hoje são apenas um instante. E em um instante, de repente, você se dá conta de que tem que agradecer todos e cada um que tocam a sua vida.”

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2 thoughts on “Daniela Romo (mais uma vez)

  1. susana diz:

    tambem adoro dani é uma das minhas cantora e atriz preferida ela a mamalena e angelica aragon são as minhas preferidas estou assistindo lety de las vias del amor e mais uma vez abalando as estruturas (que me cae la verdad de dios) e adoro aas suas reportagens sobre ela abraços

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