800 Balas

800 Balas é um filme que faz chorar. É um filme que te faz torcer pelo anti-herói e desperta aquele velho sentimento de que ‘ser diferente é mais interessante’. É um brinde aos que não se encaixam e, mais que isso, defende a busca pelos sonhos e por uma vida mais prazerosa. Pode parecer piegas, mas não é… Alex de la Iglesia (com o seu humor inteligente e perspicaz) já havia me conquistado desde que assisti La Comunidad e Las Brujas de Zugarramurdi, mas com 800 balas, ele assumiu outro patamar… entrou para a minha lista de diretores favoritos.

800

O filme se passa em um pequeno povoado da Espanha, em que um grupo de figurantes de cinema (especialmente, os de bangue-bangue) sobrevivem através de shows que fazem aos turistas. A rotina dos atores é ameaçada por agentes imobiliários que querem fazer uma grande construção no local. O líder do grupo é Julián (Sancho Garcia), um homem bruto e teimoso, que pode influenciar diretamente nos rumos da “possível construção”, isso porque o seu neto é filho de Laura (Carmen Maura), uma das donas da agência. – Complexo, não?

Difícil não gostar do filme, que mistura pitadas deliciosas de sátira e saudosismo. 800 Balas é uma clara homenagem aos faroestes. A menção à Clint Eastwood no filme não poderia ser mais bela, terna (e muito bem bolada) O que mais me impressiona é como o Iglesia consegue fazer “bom humor”, aquele que consegue te fazer rir e te emocionar ao mesmo tempo, sem cair em armadilhas, sem parecer forçado…

800-1Sancho Garcia é a grande estrela do filme e, de certa forma, também é homenageado na trama. Garcia, que faleceu em agosto de 2012, foi um ator muito popular na Espanha, com uma extensa carreira que perpassa tanto pela televisão, quanto pelo teatro e cinemas. Um dos seus personagens mais famosos foi Carlos Zárate, em La Máscara Negra – em que vivia um homem corajoso, justiceiro e viril – tudo o que o Julián, seu personagem em 800 Balas, queria ser.

Julián, no entanto, é um homem que abdicou da vida e da família para viver em um mundo de sonhos. Largou a casa e a esposa e foi fazer o que sempre gostou – e “Ai de quem” o contrariasse. Talvez por isso tenha dado tanto certo com o seu neto, que fugiu de casa especialmente para conhecê-lo e que, assim como ele, vive uma vida fantasiosa. Acontece que fatores externos o forçam a tomar uma atitude, o forçam a viver a realidade. Julián, então, cai em sí… no mundo real, sua figura é patética e ridícula… à criança é permitido viver de sonhos, aos adultos não.

2605386_orig

Advertisements

2 thoughts on “800 Balas

  1. Jessica diz:

    Oi, querida, há quanto tempo não venho aqui! Queria arrumar um tempinho para comentar no teu blog com a decência que ele merece.

    Pode deixar que te conto como conheci a Isabelle, sim. Eu tinha ido assistir a uma peça com ela no dia anterior. Aí fiquei esperando ela sair, meio medrosa, pois tinha a mesma sensação que tu de frieza. Por incrível que pareça ela foi bastante cordial até (nem se compara com a Fanny…), assinou o programa da peça. Quando ela estava dando as costas para ir embora, decidi pedir para ela tirar uma foto comigo. Depois te mostro. FOi tão estranho, ela parecia tão pequena, tão frágil e diferente do que a gente imagina. Vi algumas rugas no rosto dela, fiquei pensando em como os filmes nos enganam de certa forma. Lembrei daquele teu post sobre a Sister Jude/Jessica e como essas mulheres envelhecem. A Isabelle me parece alguém que envelhece com muita dignidade e sabedoria.

    Assista “Os belos dias” (filme em que a Fanny está loira), acho que tu vai gostar bastante. Tem tudo a ver com a velhice e também com as coisas que deixamos de lado ao longo da vida. Me lembrou bastante uma frase de um livro em que a personagem dizia: “Às vezes tenho a sensação de que a vida passa como um trem à minha frente”.

    Acho tão triste o que fazem conosco na vida adulta. Ou pelo menos tentam fazer. Parece que seriedade está sempre associada a conter emoções. Você é sério se deixou de lado essas coisas de “adolescente”. Lembro que em uma das minhas aulas comentei com meus alunos sobre a turnê do Fleetwood Mac, como estava feliz com aquilo. Eles pareceram não entender o valor… pros outros ser fã parece simplório e boboca. A nossa essência Olivia de Havilland atravessa todas as esferas da nossa vida, mas ser fã está sempre nos exigindo mais e mais coração para aguentar tudo, acredito. Um dia ainda morro com a Barbara.

    Aguardando ansiosa teu comentário sobre Mildred Pierce. Foi um livro que me quebrou as pernas, não estava esperando algo tão cru e realista. Que bela surpresa!

    Sabe que meu melhor amigo viu “Las brujas de Zugarramundi” e adorou? Agora que tu falou sobre outro filme desse diretor fiquei realmente curiosa! A opinião de vocês é sempre importante para mim. Logo de cara me identifiquei com o Julián, mas ao contrário dele ainda não tenho um emprego na indústria dos sonhos, rs. Quer dizer, quem precisa de emprego quando a gente já vive 24h em outra dimensão? É sempre tão fácil escapar para o cinema, ele está lá, imóvel e jamais nos decepciona. Estou começando a respeitar mais os faroestes, grande parte por causa da Barbara que foi a rainha deles. É um gênero tão interessante! Tem um filme dela maravilhoso, chama-se “Forty guns”, um dos últimos em que ela está sensacional. Ela tem uma presença tão forte e que casa tão bem com esse gênero. Ainda quero ver alguns filmes do Clint, da época faroeste, sou um pouco nula nesse aspecto. Tenho que deixar a preguiça de lado, baixar e ver.

    https://www.youtube.com/watch?v=oXAemTSuT4Q Sente a tensão sexual dessa cena em pleno faroeste!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s