Minha mãe e eu

Minha mãe e eu

A aparência é uma ponto difícil para toda mulher, a gente se olha no espelho e pensa que há sempre algo a melhorar. Comigo também é assim, mas eu nunca estive tão bem, tão segura e satisfeita como estou agora. Hoje de manhã, a caminho do serviço, me vi refletida em um vitrine… meus olhos se toparam com o meu rosto no espelho e por um momento eu vi a minha mãe. Engraçado porque toda a vida, desde a infância, sempre me disseram que eu e meu pai somos fisicamente muito parecidos. Talvez os olhos, a sobrancelha grossa… Não sei, só sei que era algo que me deixava imensamente chateada e frustrada. Ao mesmo tempo era a única coisa que espontaneamente me ligava a ele.

Me parecer fisicamente com a minha mãe é um presente. E hoje fui para o serviço pensando nisso, pensando no fato de eu nunca ter falado a ela o quanto eu a acho bonita, o quanto eu a acho linda. Minha mãe tem os olhos mais lindos do mundo, não são claros nem escuros, são grandes e vivos. Minha mãe tem um sorriso lindo e tem as mãos lindas. E um cabelo… ah, eu amo o cabelo dela. Eu acho que nunca deixei o meu cabelo crescer por influência dela, sabe aquele tipo de hábito dos pais que a gente vê e repete inconscientemente? Pois é, mais ou menos isso. Mas também porque cabelos curtos me passa a ideia de liberdade e de praticidade.

Minha mãe é uma pessoa linda, por dentro e por fora e me ensinou as melhores coisas do mundo. Me ajudou a ser quem sou e aceitou de forma incondicional, todos os meus defeitos e fraquezas. Ultimamente tenho pensando muito em espiritualidade e quando me vem uma dúvida (se espiritualidade é algo que existe mesmo) penso em nós duas: temos uma comunicação que supera as convenções. Conhecemos uma a outra de uma maneira inexplicável, se não fôssemos mãe e filha, seríamos irmãs gêmeas (daquelas que sente o que a outra sente).

Acho que é por isso que eu tenho tanto medo de perdê-la, é porque ela é melhor metade de mim. É porque ela está presente nas minhas melhores lembranças e me ensinou as coisas mais bonitas da vida. Minhas recordações de infância são em sua maioria muito boas, lembro de quando minha mãe me levava para o terraço para ver as estrelas, lembro de quando eu e ela íamos brincar sozinhas na pracinha ou quando ela, mesmo cansada do serviço, inventava histórias para dormir…

Minha mãe foi e é uma mãe completa, daquelas que se doam. Porque hoje, adulta, penso que o que a minha mãe fez por mim foi exatamente isso: ela deixou de sair para ficar comigo, deixou de comprar coisas para ela para comprar para mim, dormiu na pior cama para que eu dormisse na melhor – ela doou a sua vida por mim. E eu não tenho como agradecê-la senão amando-a como a amo.

4 thoughts on “Minha mãe e eu

  1. Thais dos Reis diz:

    Foi difícil ler tudo até o final sem chorar,não pelos elogios feitos para mim,mas pela emoção que causamos uma na outra e será sempre assim.
    Quando vi você saindo hoje a noite me vi com os meus vinte e três anos,realmente somos parecidas.Agradeço a Deus ser sua mãe amiga irmã.

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