sobre a Eliete Cigaarini

ÍndiceEntão a Eliete Cigaarini esteve em Belo Horizonte com a peça Tribos e eu não fui vê-la. Não, porque eu não quisesse, é claro. Simplesmente não deu… fiquei sabendo em cima da hora e quando fui comprar os ingressos, estavam esgotados. Fiquei (e ainda estou chateada) queria muito (muitíssimo) vê-la…. Ah droga! Como eu queria!!

Cigaarini está presente nas boas memórias que tenho da infância… da época em que eu, ainda pequena, sentava sozinha na sala e ficava vidrada na TV assistindo novela. Lembro da doçura da Carmencita e do quanto eu torcia para que ela e o Carlos ficassem juntos. Esse, foi um dos primeiros romances pelo qual me encantei… romance, aliás, que termina de uma forma tão triste.

Éramos Seis foi um grande novela, uma produção muito querida pelos saudosistas (como eu).  É uma pena que eu ainda não tenha lido o livro, mas de qualquer forma é uma história que me encanta.  Eu também era apaixonada pela Adelaide, me identificava com personalidade dela… Aliás, também adoro a Bete Coelho, acho que ela tem um charme único, uma voz encantadora.

Engraçado é que outro dia revi algumas cenas de Éramos Seis, por causa da Eliete, e a Carmencita me pareceu muito chata e egoísta, fazendo exigências descabidas ao Carlos… A verdade é que eu amei a novela ainda mais depois de revê-la, porque ela faz um retrato das imperfeições humanas, das dores que cada um traz no peito… Ahhh a Eliete atua tão bem, queria poder vê-la mais – seja na TV, no teatro (que é um pouco mais difícil) ou no cinema… Digo que o teatro é difícil porque a maioria das produções que ela participa (pelo menos, foi o que me pareceu) se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro…


Lembro que levei um susto quando a vi em Malhação, quando ela apareceu super Eliete gata como a mãe do Dado Dolabella… acho que foi a primeira MILF da minha história. Da mesma forma, eu não perdia nenhum capítulo (só para vê-la). Acho que a personagem se chamava Helena (ou Laura), e ela sofria vários abusos do marido até que decidiu largar a casa. Na trama, ela procura o filho e é acolhida pela família do Guilherme (amigo do filho), daí ela começa a ter uma relação meio proibida com o Guilherme, porque ele era super novinho…

Faz muito tempo que assisti, não consigo me lembrar do final da trama.

Ah Caramba! E eu assistia (e gravava) A Pequena Travessa, só por causa dela também. Mas, eu lembro que ficava muito incomodada com a Fernanda, a personagem que ela interpretava. A Fernanda tinha sido traída e passou por humilhações inimagináveis e mesmo assim, aceitou voltar com o marido. Queria que ela tivesse sido mais forte, mais corajosa, que tivesse seguido a vida sozinha ou encontrado um outro homem que a valorizasse mais. Acho que a minha veia feminista sempre falou muito alto, mesmo na infância…

eliete-cigaarini (4)Pensando bem, eu acho que Eliete deve ter se acostumado a interpretar mulheres traídas… A Sílvia, em Laços de Família, por exemplo… impossível não lembrar o que aquela mulher passou. – E eu ficava muito puta, porque mesmo depois de tudo, a Silvia ainda ficava enchendo a bola do marido, cara!! – E no final, ela não fica com ele… droga!


Não tive oportunidade de acompanhar suas novelas mais recentes da Record, falta de tempo… Mas, Louca Paixão. CARA! DE TODOS OS PERSONAGENS QUE ELA INTERPRETOU, ESSE FOI O QUE MAIS ME IDENTIFIQUEI  –   e eu me lembro muito dessa novela!!

– Caramba, sou tão noveleira assim?

Ela era uma agente penitenciária linha dura, meio masculina… a Aracy!! Lembro que ela colocava o terror nas presidiárias e era culiada com o diretor do presídio, que era um cara super corrupto.


Tá… esse post  não saiu da forma que eu queria. Acho que eu poderia ficar até amanhã, escrevendo sobre tudo o que vi com ela, e não é o caso. A verdade é que a admiro muito como atriz, a acompanho sempre e admiro muito o seu trabalho – principalmente no teatro, que infelizmente nunca vi, mas acompanho tudo o que ela lança. Sei das aulas que ministra, do valor que ela dá ao que faz.  Ela transparece  uma sensibilidade muito grande,  e um domínio, uma sabedoria… sabe? Espero, muito mesmo, que ela continue atuando, dirigindo, escrevendo. Que ela não pare, NUNCA.

 PUTZ, e eu já ia quase me esquecendo… ela me lembra muito a SUSAN SARANDON

O dia em que vi Jessica Lange

Jessica Lange em São Paulo Há quatro anos, quando fiquei encantada por Jessica Lange (e encarei um longo período fazendo maratonas de seus filmes) eu não poderia imaginar a possibilidade de vê-la pessoalmente, tão de pertinho.  No ano passado fiquei sabendo que ela viria ao Brasil falar sobre o seu trabalho fotográfico, mas não me organizei para uma viagem…  Inusitadamente, o MIS (Museu de Imagem e Som de São Paulo), que iria recebe-la, passou a divulgar o evento nas redes e pediu que os interessados enviassem um pequeno currículo. Os selecionados teriam um lugar garantido no bate-papo. Mandei o meu, sem muitas expectativas… e na segunda-feira, um dia antes do evento, fiquei sabendo que eu estava entre  os selecionados.

Foi como se eu tivesse ganhado na loteria. Fiquei como criança, imaginando a possibilidade de vê-la tão de perto. Na verdade, eu chorei feito um bebê. Então, sem ter nada organizado, viajei para São Paulo. Fui recebida pela Anna Bella, minha querida amiga (que estudou comigo na PUC) e tive a felicidade de estar acompanhada da minha mãe, que me ajudou em praticamente tudo. Eu tenho horror à metrô, e em São Paulo fui “obrigada” a usá-lo.  Minha mãe, como sempre, foi a melhor companhia que eu poderia ter.

em são pauloliberdadeEstávamos exaustas, oito horas de viagem e um São Paulo enorme, nebulosa e latejante nos chamava para conhecê-la. Em apenas poucas horas isso seria impossível, é claro. Mas, do pouco que vimos, deu para sentir o gostinho da cidade grande.  Andamos pela Liberdade, conhecemos a Av. Paulista, a Augusta… a Livraria Cultura! E depois, fomos correndo para o Museu… Ficamos plantadas do lado de fora por algum tempo, quando chegamos – e já esperávamos por isso, descobrimos que alguns fãs da Jessica tinham chegado às 6h da manhã na tentativa de participar do bate-papo.

Livraria Cultura

bellaaJessica veio falar sobre o seu trabalho como fotógrafa e da sua exposição “Unseen”. Eu já conhecia a história de algumas fotos, da sua relação com a fotografia e do seu amor pelo México e achei engraçado (mas, não tão surpreendente) o fato de que muitos dos que estavam lá não faziam ideia do seu trabalho como fotógrafa e foram ao Museu especialmente para ver a “Suprema”. Muitos jovens, entre os seus 17 e 20 anos… é realmente surpreendente o poder que a televisão tem e o quanto a carreira da Jessica foi revigorada depois de American Horror Story, indiscutível.


As pessoas que não conseguiram entrar na sala assistiram a entrevista por um telão, do lado de fora… Os participantes da sala receberam um fone que permitia a tradução instantânea. Nas primeiras cadeiras, críticos, jornalistas e estudantes… todos me pareceram incomodados com aquela “festa” dos fãs, estavam sérios e sóbrios demais, enquanto nós… imersos na loucura de ver Jessica Lange.

nasalaQuando a Jéssica entrou, os aplausos e gritos não paravam… Posteriormente li uma matéria que explicava a situação perfeitamente: os fãs da Jessica a trataram como uma pop star. E, muitas pessoas vieram de longe para vê-la… vocês podem imaginar a loucura que foi?

Bom…fotos e vídeos não estavam permitidos, eu tirei algumas escondidas, mas elas ficaram bem ruins… Jessica é linda e me pareceu muito tímida, olhava para baixo o tempo inteiro, fala baixo e sempre solta pequenos sorrisos no canto dos lábios.

jssjessicalangeelange1Jessica mostrou que ama e domina fotografia e, pude perceber que ela não queria falar sobre AHS. Não respondia perguntas sobre o assunto, não autografava dvds ou cadernos… nada, com a imagem da série. Alguns fãs conseguiram, mas foram poucos. Ela fez muitas reflexões interessantes, em uma delas por exemplo, Lange questionava a necessidade de tirar fotos (selfies) o tempo inteiro… “Quem se importa?”

Por fim, ela ficou em um espaço onde dava autógrafo e permitia que as pessoas a fotografassem. Eu já estava exausta. Não da exposição, é claro, mas da viagem, dos passeios… Minha mãe salvou o dia, e conseguiu um autógrafo! Enfim… já escrevi demais, só tenho a dizer que foi maravilhoso, marcante, muito muito muito bom!

auto

A última sessão

“Encontro de dois.
Olho no olho.
Cara a cara.
E quando estiveres perto
eu arrancarei
os seus olhos
e os colocarei no lugar dos meus.
E tu arrancara
os meus olhos
e os colocara no lugar dos teus.
Então, eu te olharei com teus olhos
e tu me olharas com os meus.”

– Jacob Levy Moreno

A ÚLTIMA SESSÃO 1 - DNGEu tinha me esquecido do sensação maravilhosa que é ir ao teatro e fico feliz por tê-la relembrado nesta semana, com uma peça tão linda.

Na quinta-feira fomos assistir “A última sesssão”, no Sesc Palladium. A peça, escrita por Odilon Wagner, conta a história de um grupo de amigos idosos que se reúnem em um restaurante para almoçar. Ao longo do encontro eles vão revelando suas histórias, suas mágoas e segredos e são envolvidos em uma trama pautada por muito amor e traição.

Os diálogos são deliciosos, cheios de lirismo, de saudosismo e leveza. Impossível não se divertir com a personagem interpretada por Laura Cardoso, uma mulher super bem resolvida (sexualmente) ou se emocionar com Amanada (Nivea Maria), a mulher traída. Ou se compadecer por Maria Tereza (Miriam Mehler) – cara, como essa atriz é incrível! E Sônia Guedes… ela é muito foda!

Ver aqueles atores tão incríveis, contanto histórias tão densas e, principalmente, ter o privilégio de estar lá… assistindo, não tem preço. Vê-los assim, pulsando, extremamente inteligentes, atualizados… Mandando o recado de que a velhice não é o fim, que há ainda muitas possibilidades – que ainda há muito o que viver e experimentar… foi lindo.

Aliás, saí do teatro com uma vontade imensa de ler Shakespeare, em especial “A Tempestade”.

 

Adeus, maridos

E então, o primeiro livro de março foi lido. “Adeus, maridos”, um conjunto de histórias de mulheres que decidiram largar o casamento para viver com outras mulheres. É um livro leve, descomplicado e que me ajudou a ver o feminismo de maneira mais profunda.

A introdução é uma das coisas mais interessantes que li nos últimos tempos, Marge Frantz explica como o condicionamento cultural (seja nas repreensões, sanções ou suposições), fez com que as mulheres, há muitos séculos, fossem levadas à acreditar nos privilégios do casamento – o que em parte, não é de todo falso. O problema está no que ela chama de “heterossexualidade compulsória”, a crença de que todas as mulheres e homens nascem heterossexuais.

2015-03-11 22.20.49Nós queríamos acreditar que éramos “normais” ou, que viveríamos vidas “normais”. Queríamos ser aceitas: temíamos as críticas e os castigos sociais, tínhamos medo, principalmente da perda de apoio econômico, empregos ou filhos. Casamos.”

Essa introdução me abriu os olhos para muitas coisas, aprendi muito. Eu não fazia ideia, por exemplo, que o fim da Guerra Civil (que trouxe uma aceleração na urbanização e na industrialização), fez com que muitas mulheres da classe média se tornassem independentes, o que permitiu que abrissem mão da vida doméstica. Segundo Frantz, foi nessa época em que o movimento feminista se autodenominou pela primeira vez e foi também nessa época que surgiu a palavra “lésbica”.

A depressão da década de 1930 foi terrível para as mulheres. Diziam que se elas abandonassem seus empregos, existiria vagas suficientes para os homens. Agora, imagina o quão difícil foi para as lésbicas: “algumas casaram porque não viram alternativa possível”. Um outro aspecto, que até então eu nunca tinha pensado sobre… é na importância dos bares para a criação da identidade homossexual. Lá eles se sentiam seguros, os bares gays foram o berço de uma nova cultura, de um senso de comunidade.


 As histórias são sensacionais, surpreendentes. Muitas se passam na década de 1960 e 1980. Lembrando que o livro foi publicado em 1991 – e mesmo com alguns avanços, está claro que ainda falta muito. As organizadoras, Deborah Abbot e Elle Farmer, também dão a contribuição com suas histórias, as  duas foram casadas com homens e depois assumiram a homossexualidade.

O que pude perceber é que a maioria das histórias perpassa por um caminho de culpa e medo. Pelo temor da não aprovação dos pais, dos ex-maridos e principalmente dos filhos.

A maioria das mulheres são maduras, algumas de 50, 70 anos… e é impossível não se apaixonar pela história de muitas delas. Em um dos relatos, por exemplo, uma mulher negra conta como na década de 1950, tomou coragem para largar o marido e assumir o relacionamento dela com uma dance girl, também negra, que conheceu em um bar noturno. Ou a mulher, que perdeu a guarda dos três filhos para um marido extremamente violento e ainda foi mandada embora de casa.

“Eu ainda acredito no casamento”

Foi uma das frases que vi repetida vezes no livro (não todas com essas palavras, mas com esse sentido). Em suma elas continuam defendendo a vida a dois, mas seguindo a liberdade sexual.

♡ Thelma e Louise♡

Thelma e Louise]Acho que todo mundo deve ter algo que tenha o marcado na vida. Seja um objeto, uma música, um livro, um lugar… no meu caso, um filme. Eu sempre, desde o comecinho do blog, quis escrever sobre Thelma e Louise. Engraçado, porque já comecei vários rascunhos e nenhum deles foi para frente. E eu sei o porque disso, é que esse foi um filme que me marcou profundamente e que me traz tantas lembranças e sentimentos que eu poderia escrever um livro… quer dizer, eu tenho uma lista infindável de filmes que amo, que assisti mil vezes e que tenho na minha coleção, mas Thelma e Louise é diferente. É o meu filme preferido, de todos os tempos.

Eu ainda era criança quando vi Susan Sarandon e Geena Davis pela primeira vez, juntas, naquele belíssimo e enorme thunderbird. As duas me ajudaram a construir uma imagética (falei o termo certo?) da mulher perfeita. Na minha cabeça a mulher perfeita era e é a mulher livre… e a viagem de Thelma e Louise é exatamente atrás disso, elas buscavam por liberdade.

thelmaHoje, já crescida, acho que me pareço mais com a Louise (e é ela que, ironicamente, era a minha personagem favorita). Louise, a garçonete quarentona e solteira, inteligente, um pouco arrogante… e triste. Louise me parecia tão triste. A Thelma, por outro lado, vivia uma vida medíocre e também infeliz ao lado do marido controlador.  Mas Thelma era como aquele passarinho preso na gaiola, que nunca conheceu o exterior e que, como uma criança, estava descobrindo o mundo. Thelma é a imagem da inocência e ao mesmo tempo, da teimosia… e mesmo com todos os problemas conseguia dar a volta por cima, tinham um tom engraçado, meio louco, meio atrevido…

thelmaDepois de muito tempo é que eu fui saber que Thelma e Louise é um filme feminista. Até então, nunca tinha parado para pensar nisso. Nunca parei para reparar nos detalhes e também não sabia que tinha sido roteirizado por uma mulher, a Callie Khouri.

Quando eu vejo esse filme é como se naquele carro, estivesse mais uma passageira: eu.  Ao longo dos anos, lendo muitos artigos, sites… eu vi que eu era uma, entre milhares, que são apaixonadas pelo filme. E concordo plenamente com o que a jornalista Melissa Silverstein, do site “Women and Hollywood” disse: “Thelma e Louise é uma referência para tantas pessoas porque nunca foi recriado. Quando o filme é um sucesso, é usual ser refilmado várias e várias vezes”.  Ou seja, quando você pensa em Thelma e Louise as imagens que vem a mente já estão meio que… “pré-determinadas”, são as do filme,  né? Não há outro, não há dúvida…

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A cena do estupro de Thelma foi algo aterrorizante para mim, quando criança. Ainda o é, hoje… Revendo o filme, fico pensando na forma em que retrataram a violência sexual, no jeito que mostraram o quanto é um crime terrível e odioso..  Aliás, que as duas sofreram né? Não é difícil perceber como a Louise ficou traumatizada com o que aconteceu com ela no Texas. Aliás, é exatamente isso que a fez fugir, não confiar na polícia. Provavelmente ela denunciou o estupro e não recebeu nenhum auxílio ou respaldo.

Muitos criticam a postura do policial que conversava com elas, muitos dizem que ele era “bom demais”. Não sei, sabe, acho que também é uma forma sutil de retratar um lado mais humano do homem (como gênero mesmo). Elas foram traídas e maltratadas por praticamente todo homem que apareceu em cena, menos por ele. Ele era o único que sabia o que tinha acontecido com a Louise no Texas..

A Callie Khouri, em 2001, se manifestou publicamente sobre o filme e disse que sempre foi criticada por causa do estuprador ter sido assassinado.  Segundo ela as pessoas se incomodam quando duas mulheres são retratadas no cinema como personagens inteligentes e que assumem o controle do próprio corpo. ” Os vilões sempre morrem em praticamente todo o filme…. aquele cara era o vilão e ele foi assassinado. O fato de uma mulher tê-lo assassinado fez com que isso gerasse controvérsias”.

Aliás, muitas feministas chegaram a afirmar que esse filme não pode ser considerada feminista porque elas morrem no final, como se fossem punidas. Eu, acho que foi uma forma de redenção.. .imagine, se tivessem sido presas? Ou, alguém acredita que depois de tudo, elas sairiam ilesas?

filmequethaisamaHum… Já falei que o filme foi gravado em 1991, e que a Susan estava grávida (e só descobriu depois?). Outra coisa interessante é que o filme foi um “boom”, recebeu várias indicações ao Oscar. E Genna e Susan foram indicadas na mesma categoria!! E, Hans Zimmer… meu amigo, a sua trilha sonora me faz chorar até hoje!


Genna Davis e Susa24 anos se passaram e o filme rendeu bons frutos, ainda hoje considerado um clássico. E, sem dúvidas, foi uma produção marcante na carreira das duas, que são super politizadas e socialmente engajadas. Sobre a Susan eu acho que nem preciso falar porque já publiquei um milhão de post falando sobre as suas manifestações sociais e sobre o seu engajamento… agora sobre a Geena eu nunca comentei.

Vocês sabiam que a Geena Davis possui um instituto chamado “Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia” e que sempre está fazendo colocações e análises super importantes sobre o papel das mulheres no meio midiático? Ontem mesmo, por exemplo, em uma reunião da ONU em NY ela mostrou dados interessantes (para não dizer outra coisa), segundo ela: “Se incluirmos personagens femininas na medida em que tem sido feito nos últimos 20 anos, só alcançaremos a igualdade em 700 anos”


No ano passado as duas se reuniram para fazer uma sessão fotográfica no Hollywood Reporter, vocês viram?

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Acidentes Acontecem

3cf36daf24e75cac5b2067db2bbc4342_jpg_290x478_upscale_q90Acidentes acontecem e nem sempre por nossa culpa. E na maioria das vezes, não estamos preparados para enfrentá-los. Eles acontecem para nos deixar em alerta, para nos lembrar que estamos vivos. Acidentes também podem ser felizes, porque não é só de tristeza que se vive a vida. Coisas boas acontecem, mesmo que demorem um pouco mais. Eles nos lembram que ter alguém do lado é sempre reconfortante, mesmo com amigos ou com uma família disfuncional. E nos mostram que esquecer certas dores é algo difícil, talvez até impossível, mas que há que deixa-los um pouco de lado para seguir em frente. Ou, pelo menos, sobreviver.

“Acidentes Acontecem”, é um filme independente, produzido em 2009 e de humor 2008_accidents_happen_004negro. Um filme lindo, delicado e triste. A trama conta a vida da família Conway, que foi marcada por acidentes. Um deles, extremamente traumático. Aos seis anos, o pequeno Billy testemunha a morte do vizinho em um acidente durante um churrasco. Ele reage se atirando contra uma árvore e batendo a cabeça. Para tirá-lo desse estado, sua mãe, Gloria, sugere um passeio para toda a família. Mas a noite termina com um trágico acidente que mata a irmã de Billy e deixa seu irmão Gene em estado vegetativo. Ao longo dos anos, as consequências desse desastre assombram a vida do restante da família. Eles descobrem que se esconder da dor não faz com que ela vá embora e aprendem a lidar com a vida e suas perdas em toda a sua complexidade.

Há séculos tinha visto a capa desse filme em algum lugar, não consegui encontrar e também não fiz tanta questão. Mas, ultimamente estou revendo alguns filmes da Geena Davis, que desde muito cedo, está na minha memória como a eterna Thelma. Em ‘Acidentes Acontecem’, a vi pela primeira vez, como nunca a tinha visto. Na pele de uma senhora, uma mãe inconsolável, em um papel intenso e complexo. É um filme triste, que me deixou com lágrimas nos olhos no final. Uma família perfeita que sofre um enorme acidente, e cada um a sua maneira, tenta sobreviver a ele. Seja o pai, que se distancia, a mãe que se esconde ou o filho que se torna agressivo.

sobre Raffaella Carrà

Já faz um tempo isso, mas não poderia deixar de comentar…eu estava vendo o The Voice da Itália, sobre a história daquela freira que ficou famosa e rodou meio mundo. Me assustei ao perceber que um dos jurados era ninguém mais ninguém menos que Raffaella Carrà! Com os mesmos cabelos platinados na altura dos ombros, a voz meio rouca e as roupas brilhantes, lá estava ela, em seu estilo característico.

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Não sei se vocês já ouviram falar sobre ela… Carrà fez muito sucesso na década de 70, e é uma daquelas artistas completas, sabe? Quero dizer, que passou por diversos meios, que realizou muitos trabalhos (seja na atuação, na dança, ou na música…) e construiu uma carreira de dar inveja. Gosto muito da Carrà porque além de exôtica, ela tem um perfil meio contestador, sensual e desinibido. Acredita que no início da carreira, ela foi muito criticada pelo Vaticano? Isso porque foi a primiera mulher a mostrar o umbigo em frente as câmeras!!

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Eu não sei se poderia classificá-lo assim, mas seu estilo me parece meio kitch, por causa daquelas cores fortes e vibrantes, dos brilhos… É tipo um “brega-chique”, sabe?

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As músicas da Carrà fizeram muito sucesso não só na Itália… Você encontra no Youtube, por exemplo, versões infindáveis de suas letras, seja em alemão, inglês, espanhol ou francês. Aliás, os espanhóis possuem um caso de amor com ela, que fez uma série de discos especialmente para eles. E o Brasil também não ficou de fora, viu? Dá uma olhada no show dela chamado “Fantasia Brasile”, onde ela canta UPA NEGUINHO e ZAZUEIRA:

Carrà também é um ícone gay e, desde muito novinha, dava uma pincelada sobre homossexualidade em suas músicas. Um exemplo é a “Tanti Auguri”(considerada um “hino gay”), que tem uma versão em espanhol chamada “Hay que venir al sur”. Olha só essa parte da letra:

para enamorarse hay que venir al sur
lo importante es que lo haygas com quieras tú
y si sufre no lo pienses más
espera que te pase y vuelvete a enamorar

Recentemente uma de suas músicas voltou às paradas de sucesso. Bob Sinclair deu uma “nova vida” a “Far L’Amore” que virou hit de baladas….

Nos mais, é isso… além de ter estudado na Academia Nacional de Dança da Itália, ter se formado em cinema (e participado de vários filmes), ela ainda foi apresentadora vários programas como Pronto, Raffaella?Buonasera Raffaella e Domenica e Carràmba! Che sorpresa (líder de audiência)…. Para saber mais sobre ela, leia esse texto aqui, que não é lá muito bom porque está traduzido, mas tem umas informações muito bacanas sobre ela.

Alborada

Alborada Há muito tempo deixei de acompanhar novelas. Talvez pela correria do dia-a-dia, ou por falta de paciência. Mas, nos últimos meses, por causa dessa euforia em relação à Daniela Romo, assisti pelo Youtube a novela mexicana Alborada, produzida em 2005 e dirigida por Carla Estrada.

Estou encantada com duas questões: pela grandiosidade da produção (seja o cenário, roupas, estudo de época) e pelo enredo – diferente dos melodramas que estamos tão acostumados, a trama é de uma qualidade inquestionável e de uma brutalidade também.

Lucero é a mocinha. Ela e Fernando Colunga são o casal principal, que passam por uma epopeia para ficarem juntos. Ela Maria Hipólita e ele, Luiz. Mas, diferente da expectativa, Luiz é um homem rude, cheio de defeitos e manias e Hipólita foi mãe solteira, que desistiu de um casamento porque o seu marido era “afeminado”. Estamos falando de uma trama que se passa antes da independência mexicana, por volta de 1800.

Entre cenas de inquisição e escravismo, vemos um México religiosamente fervoroso (e, como em muitos lugares do mundo), repleto de preconceitos (se é assim que posso dizer).  Outra coisa também incrível é a forma que o machismo é retratado, as mulheres não possuem voz, sofrem abusos de todos os tipos e de todos os lados.  E… esteticamente a novela também é incrível, seja pela cenário escuro e cheio de velas, pelas roupas impecáveis ou pelos detalhes. (As cenas de quando eles vão ao banheiro ou tomam banho são realmente sensacionais).


Así es y así será!

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Doña Juana Arellano, a personagem interpretada por Daniela Romo, é incrível. SÉRIO! Viúva, amarga e desleal, ela teve coragem de trocar o filho pelo sobrinho, para garantir que o filho tivesse um título melhor. O problema é que os dois crescem juntos e o tratamento que ela dá para o filho (que, todos pensam que é sobrinho) é bem diferenciado. Deu para entender? Não, né?! Mas ok, há outras coisas mais interessantes: a começar pelo fato de que Daniela estava tão imersa no personagem, que ela mesmo fazia a sua maquiagem, ela escolheu suas roupas e seus penteados. E, mesmo fora dos cenários ou em casa, pedia para ser chamada de Juana.

Outra coisa sensacional é que ela treinou durante meses uma postura para caracterizar Juana. A produtora pediu que ela passasse a olhar para as pessoas debaixo para cima, para acentuar uma imagem misteriosa.

Lucero DanielaRomoJuana morreu de cancrum (ou cancro). Ver a decadência da personagem, antes tão linda e  poderosa, é incrível. Ela não só perde o poder e o dinheiro, como também a saúde. Para isso, Daniela emagreceu dez quilos. [Pois é, essa é uma outra questão super interessante, a forma que retrataram as doenças típicas da época. Diego, o filho da Juana, morreu de sífilis… por exemplo].

Ah, e a Juana tinha empregada que a seguia para todos os lados e era a sua companheira (e cúmplice). Modesta era uma índia (e rolava muita descriminação contra os índios sabe?), mas estava com a Juana há muito tempo, e a Juana fazia com que todos a respeitassem. Ah sim… e eu já ia me esquecendo, a “bengala” que a Daniela usava era de ninguém mais, ninguém menos do que Porfirio Diaz!!

Enfim, a novela é super incrível, recomendo demais…

– Leituras de 2015

Eu sou uma leitora descontrolada… Outro dia, estava fazendo as contas e percebi que estou lendo sete livros ao mesmo tempo. SETE.  Acho que é por isso que inicio muitas leituras e nunca consigo terminá-las. Abandono um e vou para outro e assim, consecutivamente. Imagine, que bagunça. Aí pensei, esse ano vou me organizar, vou criar metas, fazer minhas listas… ter um controle, sabe?

Adoro canais literários, daqueles que as pessoas contam o que leram no Youtube, já viram?  Aliás, gosto de alguns e fico com o pé atrás com outros…  Em um canal que vi, por exemplo, a menina falava que tinha lido 11 livros em um mês. ONZE. E eu me pergunto, como? E os livros eram grossos, cara… como?

Então, a minha meta era ler três livros por mês… Mas, até agora só li dois. DOIS.  HAHAH, vou dar um jeito. De qualquer forma, acho que essa publicação vai servir para isso… para eu ter um controle, sabe? Também aceito sugestões, rs…

Leituras de 2015

Janeiro: – A louca da casa

Fevereiro: – O moedor

Março:  Adeus maridos / Guia Politicamente Incorreto da América Latina / Toda Nudez Será Castigada

Abril: –  Éramos seis / Não sou uma dessas

Maio: Festa no Covil / Fulaninha e Dona Coisa