Guia Politicamente Incorreto da América Latina

Terminei de ler o Guia Politicamente Incorreto da América Latina no mês passado, mas perdi a deixa e acabei não escrevendo sobre ele no La Amora. Com ele descobri que sei muito pouco (ou quase nada) sobre a história da América Latina e me impressionei com algumas revelações dos autores, Leandro Narloch e Duda Teixeira. Lembram que eu tinha comentado sobre “O Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”? Pois é… eu não sei qual foi publicado primeiro, o fato é que seguem a mesma estrutura e possuem uma narrativa irônica, direta e meio coloquial (o que é uma delícia, porque permite uma leitura mais fluída, menos trabalhosa e descompromissada).

LaAmoraGuiaPoliticO livro apresenta uma visão diferente da história oficial dos grandes nomes do cenário político e social da América Latina (Che Guevara, Evita e Perón, Pancho Villa, Salvador Allende…) e desconstrói a imagem de herói que muitos deles carregam há anos.

O meu capítulo favorito é o que fala sobre a Evita Perón, sobre a sua fama de bondade que escondia a vida luxuosa, cercada de roupas, joias e propriedades caríssimas. “A madona dos descamisados”, que distribuía notas de dinheiro ao povo, conseguiu construir sua imagem através do patrocínio governamental (e que, aliás, flertava com o fascismo). Evita  morreu aos 33 anos, vitima do câncer no colo do útero. Deixou uma herança superior a 8,5 milhões de dólares. Ah! E fiquei muito surpresa quando os autores contam que Perón gostava de sair com garotinhas de treze anos…

A verdade é que aprendi muito com esse livro, passei a olhar o Pancho Villa, por exemplo, de uma maneira bem diferente. Este foi um herói moldado por Hollywood e usou do “falso coitadismo” para se popularizar. Segundo os autores, Pancho Villa dizia que era de origem pobre e analfabeto, quando  estudiosos confiram que ele  veio de uma família “que desfrutava de certa abundância” e que Pancho estudou até a escola primária.

Da história dos Incas, Astecas e Maias, pouco me surpreendeu. Talvez porque já conhecia um pouquinho… Acho que não é muita novidade o fato de que lutavam entre sí. Mas aqui, eles são retratados como mais cruéis como de fato a “história oficial” conta. Eu não imaginava, por exemplo, que os Incas chegaram a impor a religião deles aos povos conquistados anteriormente a chegada dos espanhóis.

A história do Haiti é muuuito interessante, é incrível e eu…. gente, eu confesso, que nunca li nada sobre! A vida de Julien Raimond ou de Jean Kina… que foram escravos e que escravizaram.  É muito louco pensar na organização dos escravos de São Domingos que conseguiam organizar revoltas simultâneas, sem a facilidade de comunicação que conhecemos hoje em dia…

Por fim, acho legal evidenciar uma reflexão feita pelos autores que me lembra muito o que Jorge Castañeda diz em livro (do qual já escrevi aqui). Sobre o coitadismo, a mania que os latinos possuem de lamentar… De não conhecer bem seus próprios heróis e de ter a cultura como forma de resistência. Mas, principalmente, de achar que a América Latina é “abrangente e homogênea”, quando há mais diferenças do que semelhanças entre os países…

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