A identidade cultural na pós-modernidade

Oi gente! Estou lendo “A identidade cultural na pós-modernidade”, de Stuart Hall. Como de costume, fiz algumas anotações e um pequeno resumo. Acho que me ajuda a estudar e a lembrar dos pontos mais importantes. Vou fazer uma série de publicações sobre este livro, uma sequência… pra me ajudar a estudar e claro, para compartilhar informações. O livro é pequenino, dividido em seis capítulos e com apenas 56 páginas.

O livro se volta para questões como: Que pretendemos dizer com crise de identidade? Que acontecimentos recentes nas sociedades precipitaram essa crise? Que forma elas tomam? Quais são suas consequências potenciais?


Identidade-cultural

O homem da sociedade moderna tinha uma identidade bem definida e localizada no mundo social e cultural. No entanto, uma mudança estrutural está fragmentando e deslocando as identidades culturais de classe, de sexualidade, de etnia, de raça e de nacionalidade. As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio. Se antes elas eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, hoje se encontram com fronteiras menos definidas, o que provoca no indivíduo uma crise de identidade”


1- A Identidade em questão 

A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social, em essência o argumento é o seguinte:  as velhas identidades que por tanto tempo estabilizaram o mundo social estão em declínio. Surgem novas identidades e o indivíduo moderno está fragmentado, até então, ele era visto como um sujeito unificado.

A crise de identidade: Perder o sentido de sí. Deslocamento das estruturas e processos centrais da sociedade moderna. Abalo das referências que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social. As identidades modernas estão sendo descentradas, isto é: deslocadas e fragmentadas.

“A identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza” – Kobena Mercer

Identidade Social


1.1 – Três concepções de identidade

A) Sujeito do Iluminismo: Concepção humana de um indivíduo totalmente centrado, unificado. O centro consiste no núcleo interior, concepção muito individualista do sujeito e de sua identidade.

B) Sujeito Sociológico: Reflexo da crescente complexidade do mundo moderno e consciência de que o núcleo interior não é autônomo nem autossuficiente, mas formado na relação com “outras pessoas importantes para ele”, que mediavam sentidos e valores. Interação entre o eu e a sociedade. Concepção interativa da “identidade” e do “eu”.

C) Sujeito Pós Moderno: O sujeito, previamente encarado como tendo uma identidade unificada e estável está se tornando fragmentado, composto não de uma, mas de várias identidades,  algumas vezes contraditórias e não resolvidas. A identidade deixa de ser fixa, permanente e passa a ser uma celebração móvel: formada e transformada continuamente e não biologicamente. 

“Se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda história sobre nós mesmos ou uma confortadora narrativa do eu”


1.2- O caráter da mudança na modernidade tardia

globalizaçãoA questão da identidade também está relacionada ao caráter da mudança na modernidade tardia, em particular, ao processo de mudança conhecido como globalização e seu impacto sobre a identidade cultural:  para Marx, a modernidade – [é o] permanente revolucionar da produção, o abalar ininterrupto de todas as condições sociais, a incerteza e o movimento eterno. Todas as relações fixas e congeladas são dissolvidas, todas as relações recém formadas envelhecem antes de poderem ossificar-se. “À medida em que áreas diferentes do globo são postas em interconexão umas com as outras, ondas de transformação social atingem virtualmente toda a superfície da Terra”

SOCIEDADE TRADICIONAL X SOCIEDADE MODERNA

– Tradicional: O passado é venerado e os símbolos são valorizados porque contém e perpetuam a experiência de gerações. A tradição é um meio de lidar com o tempo e o espaço, inserindo qualquer atividade ou experiência particular do passado, no presente e no futuro, os quais, por sua vez, são estruturados por práticas sociais recorrentes.

– Moderna: Sociedade de mudança constante, rápida, abrangente e contínua.  Possui uma forma altamente reflexiva de vida, na qual as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz das informações recebidas sobre aquelas próprias práticas, alterando, assim, constitutivamente seu caráter.

“A sociedade não é, como os sociólogos pensaram, muitas vezes, um todo unificado edownload bem delimitado, uma totalidade, produzindo-se através de mudanças evolucionárias a partir de sí mesma, com o desenvolvimento de ma flor a partir de seu bulbo. Ela está constantemente sendo descentrada ou deslocada por forças fora de sí mesma.” – O deslocamento tem características positivas: desarticula as identidades estáveis do passado, mas abre possibilidades para novas articulações”

Palavras-chave: Descontinuidade, Fragmentação, Ruptura e Deslocamento.


1.3 – O que está em jogo na questão das identidades?

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Erosão da identidade mestra – Nenhuma identidade singular (ex, raça ou classe social) pode alinhas todas as diferentes identidades como uma identidade mestra, única, abrangente, na qual se pode basear uma política de forma segura.

– Bibliografia: A Identidade Cultural na pós-modernidade. Stuart Hall; tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: Lamparina, 2014.

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