Senhora

paulo-elaine-senhora-f2Senhora é um clássico da literatura nacional, um dos últimos romances escritos por José de Alencar. Lembro de tê-lo lido duas vezes, uma na época da escola e outra já formada, quando descobri que existia um filme baseado na história, protagonizado pela Elaine Cristina. (Eu adoro a Elaine Cristina!) Fazia tempo que eu queria comentar sobre esse filme, sobre este livro…é que se trata de uma história muito linda, o livro é delicioso de ler e o filme é uma adaptação muuuuito bem feita e fiel. Não sei se quem já leu percebe isso, mas eu enxergo um tom meio feminista e uma enorme crítica ao casamento por interesse (lembrando que a história é ambientada do no século XIX).

O livro foi lançado em 1875, dois anos antes da morte do autor. A trama conta a história de Aurélia, uma jovem pobre e muito bonita. A mando de sua mãe, Dona Emília, ela passava os dias na janela com o intuito de conseguir encantar algum rapaz (de preferência, rico). É claro que, se fosse por Aurélia ela se casaria com Fernando, sua grande paixão. Fernando e Aurélia chegam a ficar noivos, mas ele desfaz o casamento para se casar com Adelaide, uma moça rica.

O destino dá uma guinada e Aurélia tem a notícia, através de um tio interesseiro eelaine-chicoMartins-cinema-Senhora trambiqueiro, de que herdou uma fortuna. O fato é que Dona Emília chegou a se relacionar com Pedro Camargo, um filho bastardo de um fazendeiro importante da região. Só depois da morte de Pedro e depois da morte de Emília, é que Aurélia teve acesso ao dinheiro.  Afortunada e com sede de vingança, Aurélia dá uma missão para o tio. Fazer com que Fernando deixe de se casar com Adelaide para se casar com ela. É claro, ela oferece uma grande quantia em troca dessa “negociação”.

A loucura disso tudo é que Fernando aceita, casa com Aurélia com a falsa ideia de que agora, finalmente, seriam  felizes juntos. Mas Aurélia, com um enorme rancor no peito, só pensa em se vingar de Fernando, humilhando-o dentro de casa e fazendo dele escravo de suas vontades.

Sobre o filme: produzido em 1976 e dirigido por Geraldo Vietri. Um filme que apresenta um trabalho primoroso de reconstrução histórica, e que por infelicidade, caiu em esquecimento… Flávio Galvão, Elaine Cristina e Paulo Figueiredo dão o tom certo aos personagens, seguram a carga dramática de cada um deles e deixam a trama ainda mais bela. Especialmente Elaine, que está bem melancólica e muito firme.


Tempos do Lobo

loboAssisti “Tempos do Lobo” naquela época em que eu tinha uma fissura pela Isabelle Huppert, quando fazia listas dos seus filmes e passava a madrugada lendo suas entrevistas. Este longa, produzido em 2002, é um dos frutos da parceria de Huppert com Michael Haneke (que também dirigiu Amour e A Professora de Piano). A trama conta a história de um casal que decide se refugiar na sua casa de campo após a cidade onde moram ser atingida por um desastre. Ficam sem comida, sem água, muitas pessoas morrem e então, eles não veem outra alternativa a não ser se mudar. Quando chegam, descobrem que a casa foi ocupada por estranhos.  O mais interessante é que Haneke não tem interesse algum em retratar o desastre, mas os efeitos desse desastre sobre as pessoas.

A Isabelle Huppert é bem conhecida por retratar seus personagens com frieza, alguns a chamam de “rainha do gelo”. E aqui não poderia ser diferente, ela está super centrada e pouco emotiva. Na trama ela interpreta Anne Laurent, a matriarca. Depois de um infeliz acontecimento a família se vê encurralada, numa sociedade completamente animalesca e desestruturada, a única opção que eles possuem é tentar se safar, de uma maneira violenta… ou não.

isabelle-huppert

Esse filme me incomodou muito mais do que “A professora de piano”, onde ela interpreta uma mulher masoquista, assombrada por suas fantasias sexuais. É que aqui, tudo me parece muito mais cruel. Aliás… a história me lembrou muito “Ensaio sobre a Cegueira”.  Em resumo, as duas obras tratam da tentativa de sobrevivência diante de uma situação inesperada. É o homem se tornando bicho. É a dominação de um grupo sobre o outro.

Lembro que existiu uma grande polêmica envolvendo o filme.  Em determinada cena, alguns cavalos são mortos. Acontece que os cavalos realmente foram assassinados, só para fazer a cena. E tem também a cena em que a Huppert é estuprada, bem perto dos filhos… uma cena muito TENSA! Sabe, eu gosto muito do Haneke… não sou entendedora de cinema, mas posso dizer sem pestanejar que ele é um dos meus diretores favoritos. Ele também dirigiu Amour, Violência Gratuita e Caché.

En agua de mar

fonte- sickpage
fonte- sickpage

Rodeadas de agua por todas partes
el mar naufragó dentro de cada una,
el faro, en vez de guiarnos, nos desencaminó,
golosas, sólo queríamos
lo que todas pedimos,
amanecer al mundo
desfloradas a besos.

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Elena Poniatowska