Callas Forever

callas-forever- fanny ardant

Não sei nada da história da Maria Callas, infelizmente. Do pouco que sei, aprendi com o último filme da Fanny Ardant que assisti, dirigido por Zeffirelli. Ainda assim, assisti com um pé atrás porque sabia que se tratava de uma história fictícia criada pelo diretor, que era amigo íntimo de Callas. Bom, o filme possui muitas inspirações em fatos que realmente aconteceram, mas me pareceu uma versão muito romantizada.

920x920Callas Forever conta o fim da vida da que foi uma das maiores e mais reconhecidas cantoras de ópera do mundo. Mostra o momento em que ela estava em profunda depressão por causa da morte de Onassis, época em que sua voz já não era a mesma e em que ela se encontrava em um enorme conflito interno – não queria sair de casa, não queria ser vista e tinha decidido parar de cantar. Sua última apresentação no Japão, em 1974, foi o ápice do seu problema. Isso porque Callas exigia muito de sí mesma e como a sua voz já não tinha a qualidade que existia na juventude, sentia que tinha se humilhado publicamente.

Zeffirelli, ao tomar conhecimento da situação da amiga, sugere que ela volte aos palcos. Como ele sabe que seu maior temor é expor uma voz já desgastada, propõe a utilização de um procedimento que mescla audios gravados por Callas na juventude com a sua voz na “atualidade”. Depois de muita insistência Callas aceita a ideia e sente-se entusiasmada com a possibilidade de voltar a cantar. Mas, ao longo do trabalho, ela passa por um conflito de valores porque entende que utilizar esses procedimentos tecnologicos em sua voz não é honesto com seu público.

1669727-maria-callas-par-fanny-ardant

Callas Forever é um filme grande, daquele bem produzido, bem ensaiado. Mas falta alguma coisa nele, mesmo com a Fanny em toda a sua dramaticidade, há um “quê” de artificialidade na história. Principalmente, no momento em que Callas decide voltar aos palcos e aventura-se a sair de casa. Também no personagem que Zeffirelli, interpretado por Jeremy Irons, criou sobre sí mesmo, me pareceu que ele colocou na boca do personagem tudo aquilo que não conseguiu falar com Callas na realidade. Em uma cena, por exemplo, Callas está reclusa em sua casa e Zeffirelli entra em seu quarto, a acorda e diz: “Quero que você saiba que possui muitos amigos para te apoiar. Eu sou um deles”.


kinopoisk.ru

kinopoisk.ru

callasforever

Minha gente, o que dizer sobre a Fanny neste filme?

  1. ELA ESTÁ LINDA!
  2. A carga dramática da situação da personagem, não impediu que Fanny mostrasse seu brilho. De alguma forma você percebe que ela, como atriz, está muito satisfeita ao interpretar o papel.  Aquele enorme sorriso, e um olhar que não deixa mentir. Fanny parecia em êxtase.
  3. E ela como Carmen, encarnando a cigana esfaqueada em praça pública… JESUS!

Antes de assistir o filme, eu fiz uma pequena pesquisa na internet e encontrei um artigo muito legal de autoria da Sônia Pedroza, pela UFRJ. Eu devo ter o lido umas três vezes e achei muito legal a relação que ela estabelece entre o filme e uma discussão presente na Escola de Frankfurt, especialmente ligada à Adorno e Walter Benjamin (arte x indústria). Para ter acesso, clique aqui.


2 thoughts on “Callas Forever

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s