O Clube das Desquitadas – O livro

O CLUBE DAS DESQUITADASQuando a Jéssica veio para São Paulo, ela me trouxe de presente o “O Clube das Desquitadas”. Eu não fazia ideia da existência desse livro e fiquei muito feliz em poder lê-lo porque, como já comentei no La Amora, adoro o filme. Mergulhei nas 557 páginas e pude entender um pouco mais de cada personagem. O livro foi publicado em 1992 e escrito por Olivia Goldsmith. A trama conta a história de quatro amigas que foram abandonadas e /ou traídas por seus maridos. Três delas se reencontram depois que uma comete suicídio. Quando param para analisar o passado, percebem que os homens que escolheram como companheiros, foram responsáveis por alguns “fracassos” que passaram na vida.

Juro que se eu tivesse lido o livro antes de assistir o filme eu diria que se trata de um drama. É uma história cheia de detalhes obscuros que não são retratados no filme. O livro traz personagens mais humanas, complexas e cheias de problemas. A carta de suicído que a Cynthia escreve, por exemplo, é de uma densidade sem tamanho. Ela conta que seu esposo, Gil, a obrigou cometer um aborto e que ele foi responsável pela ruína finaceira de seu pai. A filha de Annie no livro não é lésbica, ela tem síndrome de down e Annie alimenta uma relação de dependência.

Outros pormenores são também interessantes, Elise não é apenas aquela mulher linda e sorridente retratada por Goldie Hawn, ela é uma alcoólatra que passa por muitos apuros por não conseguir se controlar. Juro que no livro não há nada de engraçado nisso. Em um momento da história, ela dorme com um cara sem saber que se trata de um fotojornalista. E claro, ele a fotografa e a ameaça em troca de dinheiro. Brenda foi uma das responsáveis pelo enriquecimento de Morty e mesmo assim, vive praticamente sem dinheiro. Ela contrata Diana como sua advoga e, ao longo da trama, descobrimos que Brenda “nunca amou um homem de verdade”, que é uma lésbica presa no armário e que se apaixonou por Diana.

Gostei muito da forma que Olívia trabalha seus personagens, Aqui é possível também descobrir o outro lado da moeda, acompanhar como os homens se organizaram contra suas ex-esposas e o que pensavam delas. Confesso que às vezes o livro ficava arrastado… parece que ela deu atenção demais a detalhes muito pequenos e que não fariam diferença. De qualquer forma, é um livro gostoso, que aborda o universo feminino com delicadeza… Para ler o que escrevi sobre o filme, clique aqui.

O adultério não pode ser medíocre

Traição

Estava eu, stalkeando a Rosa Montero e vi que ela compartilhou no Facebook uma de suas publicações mais recentes no El País. Coincidência ou não, eu já estava decidida a traduzir e publicar aqui uma entrevista da Fanny Ardant que aborda o mesmo tema e apresenta uma perspectiva muito semelhante.

As duas falam sobre traição, companheirismo e lealdade e me parecem muito corretas nas ideias que defendem. Enquanto Montero comenta o caso do Ashley Madison (um site feito para adúlteros, que recentemente, teve informações vazadas), Fanny comenta sobre “Os Belos Dias”, filme em que ela interpreta uma mulher de 60 que mantém um relacionamento fora do casamento com um rapaz bem mais novo.

montero_rosaRosa Montero: “Adúlteros, mas leais. Como é difícil amar alguém, mesmo com o passar do tempo, e construir uma convivência duradoura,que não termine sendo tóxica. A vida é infinitamente complicada e uma das coisas mais complicadas da vida é manter as relações sentimentais e superar todo esse conflito permanente de um relacionamento. Como é difícil amar sem cair na rotina, sem culpar o outro por nossas próprias frustrações, sem devorar, tiranizar, sem se empobrecer, sem se irritar.

É algo tremendamente difícil, por isso é compreensível que cada um siga da melhor forma possível. Não existem regras para o êxito. Pessoalmente, penso que dão ao sexo uma importância desmesurada.Tenho pena de ver que uma simples aventura,que na realidade não significou nada, arruína casais que com muita luta e com muito amor, construiram um relacionamento juntos. A verdade é que eu não acredito que o ser humano nasceu para a monogamia ou para a monoandria. Pelo menos, não para a vida inteira. (…) Tenho a impressão de que quem reprime uma e outra vez seus desejos adúlteros, termina direcionando essa frustação e esse aborrecimento sobre o seu companheiro.


fanny ardant

Acho desonestos aqueles filmes que mostram o marido como um “velho acabado”, ou a esposa como uma “avó de bengalas” e o amante totalmente esplêndido. Isso pode acontecer, é claro… e é por esse motivo que muitos se separam ou se divorciam. Mas, o relacionamento de um casal é muito mais complexo. No filme, meu marido é também encantador. Gosto desse marido porque ele conhece bem a sua mulher, e compartilha com ela grande intimidade. Possui algo sólido e livre, não é apenas um burguês. Os dois se complementam, ele também é pai…é avô.

Quando Caroline vê Julien pela enésima vez ela pensa: “Vou aproveitar a situação, antes que ela se torne medíocre”. O adultério não pode ser sórdido, ele não suporta a mediocridade. Quando você queima certas coisas, é necessário que o faça de maneira extravagante. E assim que começa a ser sórdido, é hora de deixá-lo….