Change moi ma vie

Change Moi Ma vie

Um filme triste, retrato do quanto a vida pode ser injusta e infeliz para alguns. Nina é uma atriz fracassada, acostumada a ouvir nãos. É tão fracassada, que por não ter dinheiro nem para um cafezinho, tenta o suicídio. Ingere vários calmantes e é encontrada por um jovem atleta, desacordada em praça pública. A história não poderia ser mais irônica, já que ele, também é praticamente o reflexo do fracasso. Sami é um refugiado que vive de maneira irregular na França e sonha em se tornar corredor profissional.

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O problema é que a vida lhe deu uma rasteira e sem conseguir trabalho, longe da família e dos amigos, começou a se prostituir. A complexidade do filme está justamente nos questionamentos morais que Sami precisa enfrentar no trabalho, primeiro porque para ganhar dinheiro e chamar atenção, se veste de mulher. Segundo, porque não é gay. Para sobreviver ele se permite viver situações degradantes (e digo, degradantes mesmo). Moralmente, dia após dia, ele morre um pouco. Tanto que Nina parece gostar realmente dele, mas não consegue lhe despertar interesse, de acordo com o próprio Sami, ele foi perdendo a graça de viver.

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Chamo atenção para o fato de que não é uma história homofóbica, pelo contrário. Líria Bégera, a diretora, levanta uma enorme discussão de gênero e critica diretamente a transfobia. Um verdadeiro dedo na ferida. A diretora me pareceu não querer fazer julgamentos, apenas retratar a marginalidade dos refugiados e a dificuldade de criar uma intertextualidade cultural. Fora, é claro, abordar a complexidade da vida e das relações humanas. 

Se é um filme que te interessa, e se você não gosta de spoiler, por favor, não continue a leitura. Eu diria que o filme é também sobre solidão, sobre o “sentir-se só” e sofrer por isso. Sami me parece um homem que chegou tão fundo no poço, que simplesmente não consegue mais sair. Nina também é muito solitária, mas para ela, apesar de tudo, ainda há uma esperança. Ao contrário do amigo/amante, ela não desistiu de viver. Gosto especialmente da cena final, em que os dois personagens conseguem encontrar equilíbrio através de um lindo trabalho metafórico

Screen Caps –

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O amor perfeito…

Richard Gere Shall we dance

Na minha visão, não muito romântica sobre a vida, o amor perfeito é parecido com aquele retratado no filme “Dança comigo?”. Lembram da cena em que Richard Gere sobe as escadas rolantes segurando uma rosa e vai ao encontro da Susan Sarandon? No filme os dois são marido e mulher, vivem um casamento dos sonhos: possuem dois filhos, dinheiro, não brigam… E mesmo assim, ele sente um vazio existencial, sente falta de algo que não sabe do que se trata. Então, ele entra em uma escola de dança e sente-se imensamente feliz, mas tem vergonha de contar para a esposa porque acredita que ela já lhe dá felicidade demais.

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O problema é que ela começa a imaginar que ele esta a traindo e, desconfiada, contrata um detetive. O filme todo é uma delícia, ele impressionado com a beleza e o mistério da professora de dança (interpretada por Jennifer Lopez) e se envolvendo amistosamente com os poucos alunos que restam na escola. Mas, aquela cena… a cena do Richard Gere subindo a escada com as rosas na mão, aquela é, ao meu ver, o signficado do verdadeiro amor. Mesmo depois de anos de casado, do cansativo cotidiano, da mesmice, do fato de ter que dormir com a mesma mulher todos os dias, de ouvir os mesmos problemas, sempre, da rotina… ele escolhe ela, ele escolhe voltar, ele escolhe ficar, escolhe aquela mulher. Ninguém o força, nada o obriga. Ele volta porque quer, ele a beija porque a deseja, ele se declara porque a ama.  É o ato de não abrir mão de uma vida construída em conjunto, é olhar para o passado e valorizá-lo.

(P.S: Dança comigo é um filme lindo, sensível e divertido. Um filme para se ver em companhia ou sozinho. É um filme sobre amor, simplesmente. Do marido pela esposa, do noivo pela noiva, da mãe pela filha, da dona de um salão pela dança. É um filme sobre persistência, sobre sacrifícios em prol de um bem maior.)