Almas Mortas

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Eu adoro “Almas Mortas” (William Castle, 1964). Acho que por ser fã da Joan Crawford, tento enxergá-la para além do personagem. É um filme trash,com cabeças de boneco rolando por todo o lado. Mas se a gente for parar pra pensar a história é até boa… que pesa mais para o drama do que para o terror. 

Joan Crawf

O filme conta a história de Lucy, uma mulher que flagrou o seu marido a traindo com outra . “Lucy Harbin pegou o machado e deu quarenta marteladas no seu marido e quando viu o que fez, deu quarenta e uma na namorada dele”. Ela passa por uma longa internação, porque é considerada louca. Quando retorna, depois de vinte anos, tenta se reaproximar de Carol, sua filha (que na época, foi testemunha do crime). A volta de Lucy causa uma reviravolta na cidade, já que uma série de assassinatos acontecem (as novas vítimas são decapitadas, os crimes são muito semelhantes ao cometido por ela anos atrás).

Almas Mortas foi classificado como um horror cujo subgênero se chamava “Psycho-Biddy” ou “Hang Horror”, tratavam-se de filmes que misturavam drama, thriller, vingança e humor negro. A característica principal desse sub-gênero eram as protagonistas: mulheres maduras e perigosas (algumas insanas, outras sob tremendo estresse). Almas Mortas segue bem essa linha, mas eu acho que tá mais para o entretenimento do que para qualquer outra coisa. É um filme bom de assistir, que te deixa vidrado… a gente vai mergulhando nos delírios da personagem e nem se importa com o fato de o plot principal ser facilmente decifrado. 

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Joan nunca aceitou muito bem a ideia de envelhecer diante das câmeras, talvez nem tivesse consciência do ridículo quando tentava se passar por uma jovenzinha, tendo quase 60 anos de idade. Almas Mortas retrata bem essa fase, a Joan aparece com um vestido coladinho, com uma super peruca e com aquelas sobrancelhas marcadas, fingindo ter uns trinta e poucos anos. Me parece que Joan foi daquele tipo de gente que faz tudo com muita vontade, daquelas pessoas que mergulham de cabeça num projeto… Tanto que no filme, com todo aquele ar decadente de película B, Joan consegue ser verossímil.

Li que Castle chegou a garantir a Joan que ela iria ganhar um Oscar. O filme nem indicado foi e passou muito longe disso. Joan teve carta branca para mexer em alguns detalhes que não a agradavam e alterar certas coisas, como o figurino, por exemplo. Foi Joan que escolheu Diane Baker, a atriz que interpretou sua filha, ela não queria uma atriz que a ofuscasse.

3 thoughts on “Almas Mortas

  1. Jason diz:

    Vi um doc falando sobre a Joan e acho que foi a própria Diane que falou que a cena que ela chora não estava no script, mas ela não aceitaria não ter a cena final do filme…XD

    Meu filmes preferidos dela são A Woman’s Face, Rain, Letty Lynton e Possessed (1931). Se ainda não viu, recomendo =)

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