Vamos falar sobre Marília…

Marília Pera

Marília é linda, uma das verdadeiras damas da dramaturgia brasileira. Outro dia ouvi alguém falando sobre ela (não me lembro quem), mas a pessoa chamava atenção ao fato de ela ter uma linhagem artística, seus pais eram atores e ela cresceu atrás das coxias dos teatros, participando de peças desde muito novinha. Acho que Marília é uma daquelas atrizes que existe no imaginário coletivo há muito tempo. Pelo menos, na minha memória, ela está presente desde que eu me entendo por gente.

Ela é grande, sabe dosar o drama e a comédia, canta, dança… e, convenhamos, é elegante pra caramba né?! Eu sempre fui apaixonada pela Marília, algo em seu estilo me lembra a Susan Sarandon. Vou confessar que teve uma época em que fiquei com um pé atrás quando ouvi dizer que ela recebeu uma indicação a um prêmio de melhor atriz coadjuvante de uma revista e se negou a aceitá-lo, com a justificativa de ser uma atriz grandiosa demais para ser considerada coadjuvante. Não sei se é verdade ou boato, mas me causou estranhamento.

Tive a felicidade de assistir muitos filmes com ela, infelizmente, não vi tantas novelas. Por exemplo; eu adoraria assistir “Brega e Chique” em que ela interpreta a Rafaela. Acho o cabelo dela na novela maravilhoso, e o estilo, as roupas! Ahh! Chiquérrima! Ao mesmo tempo, existe algo de “povão” nela, uma essência meio abrasileirada (existe esse termo?), que a permite contar a história de um personagem pobre, marginalizado, com tanta verdade e dor, e alegria. Ela tem aquilo que a Anna Magnani tem, a capacidade técnica de sair do humor e ir para o drama sem ficar caricata, forçada…o chamado tour de force. É, sem dúvida, uma das minhas atrizes brasileiras preferidas!

O viajante

“Deus.. se Deus existir é certo que está me vendo nesse momento, empurrando uma cadeira de rodas numa estrada poeirenta de Minas. Deus existe, mas não me vê. E nem se importa com o que eu faço...”

O Viajante, 1999 – Eis um filme que não esqueço, tem uma cena que ficou grudada na minha memória, achei triste… tão triste (e ao mesmo tempo, tao linda!). A história, que se passa no interior de Minas Gerais, foi baseada num romance inacabado de Lúcio Cardoso. Marília interpreta Donana, uma viúva rica, solitária e extremamente orgulhosa, que passa os dias cuidando de seu filho doente. A chegada de Rafael desperta nela uma paixão arrebatadora, mas ao mesmo tempo em que a seduz, ele também está interessado na jovem Sinhá (interpretada por Leandra Leal). Donana é um personagem muito dramático, atormentada pela doença do filho, especialmente por ter nele um empecilho para viver seu idílico romance. Enquanto Donana se entrega facilmente a Rafael, Sinhá é um desafio para ele… é jovem, inteligente e contestadora.

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Polaroides Urbanas, 2008: Esse filme foi dirigido por Miguel Falabella e ao meu ver tem um enorme “quê” Almodovariano. É uma trama baseada numa peça do próprio Falabella chamada “Como encher um biquíni selvagem” que traz uma série de personagens femininos, comuns, com problemáticas que se entrelaçam. Marília é o fio de partida da trama e encabeça o elenco. No filme ela interpreta duas personagens, Magda e Magali = irmãs gêmeas. Só que uma rica e outra pobre. Uma comédia dramática que levanta uma discussão sobre diferenciação de classes. A Marília está estonteante, mas gosto mesmo é da trama que envolve a Natália do Vale, cujo personagem tem uma filha que é mais próxima da empregada do que dela. 

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