Fogueira da Paixão, 1947

fogueira-de-paixo-dvd-joan-crawford-van-heflin-691501-MLB20339853289_072015-F

Ganhei esse filme em dvd quando fiz quinze anos, fazia parte do box organizado pela Warner em homenagem à Joan Crawford (ganhei o da Bette Davis também). Esse foi o primeiro que vi, tem uma boa história (ainda que eu o ache mais fraco que os outros). Não sei, algo não me agradou tanto nele.  Mas sempre quando me lembro da atuação da Joan Crawford e do que li sobre essa produção, fico admirada. Impossível não se sentir impactado com as primeiras cenas, em que Joan (sem maquiagem), aparece deitada em um leito, atormentada e confusa. Do que li, lembro que diziam que a Joan foi uma das poucas atrizes que topou aparecer sem maquiagem, fora que interpretar personagens com problemas psiquiátricos era um tabu, ninguém queria colocar a mão no fogo.

Possessed3

possessed-009

Na trama Joan interpreta Louise, uma enfermeira contratada para trabalhar na casa de David (Van Heflin), por quem se apaixonada perdidamente (de uma maneira assustadoramente exagerada). Quando percebe que ele não irá retribuir seu carinho, Louise acaba namorando e se casando com outro cara, Dean (Raymond Massey).   Mas o amor continua e assim, ela desperta a desconfiança de sua enteada, Carol (interpretada por Geraldine Brooks).

É um drama-psicológico interessante, com uma narrativa cheia de flashbacks e com um toque noir. Um filme feito para a Joan Crawford, ela realmente toma conta de tudo, chama a atenção. Gosto muito das cenas em que a paranoia toma conta de Louise, dos momentos em que a ela se torna violenta e fica na defensiva.

Os mortos – James Joyce

os_mortos_capaO nome de James Joyce sempre me aterrorizou, já li muitas críticas classificando-o como um dos escritores mais difíceis de todos os tempos. Então, corria dele. No mês passado li “Os mortos”, um pequeno conto que Joyce escreveu (aos 25 anos). A edição que tenho em mãos é a da Companhia das Letras e Penguin, Coleção de Grandes Amores. Além de “Os Mortos” o livro também traz o Monólogo de Mary Bloom e outro pequeno conto, “Arábias”.

Sempre quis ler esse conto, o fato é que quando criança era fã louca da Anjélica Huston e o seu pai, John Huston, produziu um filme baseado nessa história (ainda não vi o filme, mas estou em busca dele!). Não sei se é uma justificativa muito louvável, mas essa é a verdade.

Então… li o livro e fiquei realmente apaixonada, foi uma leitura rápida… mas me senti como se eu tivesse imersa naquele ambiente, naquela festa de Natal, na conversa entre os convidados, no salão.  O conto, que se passa na Irlanda, acompanha a chegada de Gabriel Conroy e da esposa Gretta à casa das tias solteironas, professoras de piano. Gabriel sente um carinho imenso por elas e é tradição ajuda-las a recepcionar os convidados. O conto é basicamente um resumo da festa, dos diálogos, das danças, do discurso de Gabriel, da conversa de Gretta com as amigas…

Algo muda quando, depois da festa, já em um hotel, Gretta conta para Gabriel um caso de sua juventude. Ela se lembra de um garoto que conheceu e que era apaixonada por ela e que por “sua causa” (indiretamente, digamos…) ele faleceu. Gabriel fica abismado porque desconhecia esse perfil melancólico da esposa, muito menos dessa história.

Agora, só uma observação sobre Arábias: Os mortos é um conto grandioso, mas Arábias me agradou igualmente por ser muito singelo. Conta a história de um adolescente apaixonado pela irmã de um amigo. Essa garota está louca para ir à um bazar, mas a família a proíbe. Então, ele faz de tudo para ir nesse bazar comprar um presente pra ela. ♥

Sobre o monólogo de Molly Bloom eu nem comento, li algumas páginas e queria pular da ponte. Fluxo de Consciência grau mil, muito difícil! Mas interessante, procurei por algumas análises e resenhas, entendi mais ou menos…. kkkk