onde Amy e Nina se encontram…

AMYENINA

Glória Pires já dizia que o documentário sobre a vida da Amy Winehouse era “tocante, e triste… muito triste”. Sabe, eu até concordo com ela, quando terminei de assistir fiquei com uma sensação de tristeza. Não só por sua morte, mas também pela forma que levou a vida. O documentário foi lançado em 2015 e dirigido por Martin Curtis, curiosamente o mesmo que fez um filme sobre a vida do Ayrton Senna. “Amy” é repleto de registros curiosos, cheio de vídeos caseiros, fotografias antigas, gravações. Um verdadeiro presente para os fãs, um trabalho lindo e ao mesmo tempo, aterrorizante.

A sensação que o filme me deu foi a de que Amy era uma garota simples, que valorizava muito sua liberdade, que gostava de andar tranquila pelas ruas, de cantar sossegada nos bares e rodeada de amigos. Parece que a fama foi uma explosão em sua vida, como se tudo tivesse acontecido rápido demais. Como quando vem um carro na contramão e te atinge em cheio, e você sai muito ferido. O lance das drogas é realmente muito triste, mais triste ainda é que ela praticamente agonizava em praça pública e a imprensa adorava. Lembro muito bem de uma foto em que Amy tinha acabado de brigar com namorado e aparecia com o rosto todo ferido, com o sapato rasgado e com o nariz com pó… quantas reproduções aquela imagem deve ter tido?

A figura Amy me passa a impressão de ter a mesma força (e ao mesmo tempo, a mesma fraqueza) da Nina Simone, que por sinal, só fui conhecer a história também através de um documentário, produzido pela Netflix. Eu vivia escutando suas músicas no meu carro, mas nada sabia sobre seus contextos. A vida da Nina Simone ficou na minha cabeça por muito tempo, principalmente por causa dos relatos de abuso que sofria do marido. Fiquei assombrada quando ela disse que ele a amarrou, espancou e a estuprou… E convenhamos, a Amy também viveu um relacionamento abusivo e, fora o namorado, vivia à sombra do pai (explorador).

Nina e Amy também se esbarram na preocupação que tinham com a qualidade de suas músicas. Eram humildes. Reconheciam que tinham talento, que cantavam bem, mas achavam que não era suficiente. Eram intensas, e isso ninguém pode negar. Eram mulheres incríveis, atormentadas por demônios interiores. Amy era depressiva, tinha distúrbios alimentares e sérios problemas de auto-estima. Nina era bipolar, agressiva.

Diferente da Amy, Nina me parecia querer provar algo para alguém. Talvez (e provavelmente por ter crescido em um ambiente de forte segregação). Para ela parecia importante mostrar que tinha dinheiro, que cantava nos melhores lugares, que tinha uma casa bonita… mesmo com tanta tristeza dentro do seu lar. Depois de ler e procurar sobre ela, algo aconteceu comigo. Ouvir a voz da Nina me dói.

 

5 thoughts on “onde Amy e Nina se encontram…

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