Party Girl

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Quando assisti o trailer de “Party Girl” fiquei fissurada na imagem da Angélique Litzenburger. Seus enormes olhos azuis contrastantes com o cabelo escuro e cacheado me pareceu um conjunto estranhamente exótico e belo. Fora que ela me remete muitíssimo a minha primeira professora, uma mulher italiana de olhos verdes e de pele morena chamada Ângela (não sei explicar, mas os traços são idênticos).. Procurei este filme por um longo tempo, uma frustração não encontrá-lo. Como raramente acontece, tive a sorte de assisti-lo no Centro Cultural de São Paulo, que realizava uma mostra chamada “Breve e inéditos”, um panorama retrospectivo de alguns dos melhores filmes lançados em 2015 e que não tiveram a devida chance de chegar ao público.

Uma prostituta idosa que não quer deixar de trabalhar

Dito tudo isso, vocês devem imaginar a minha ansiedade (e inexplicavelmente, certa emoção) ao assisti-lo. Eu realmente fiquei muito feliz. E mais ainda depois, quando saí da sala de cinema. Expectativas totalmente atendidas. O filme conta a história de Angélique, uma senhora que durante anos trabalhou como hostess em uma boate e que, por causa da idade, começa e enfrentar uma crise pela falta de clientes.  Angélique é o tipo de pessoa que não desiste tão fácil, ainda que tudo indique que ela deva fazer o contrário. Sem encontrar soluções, ela vai atrás de um velho e fiel cliente, Michel (Joseph Bour) e pede que ele volte a contratar seus serviços. Michel surpreende Angélique e a pede em casamento e, por impulso, ela aceita. Um acaba mergulhando na vida do outro e enquanto Michel precisa enfrentar os filhos de Angélique e suas manias, ela precisa encarar a vida pacata de Michel.

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“Party Girl”, vencedor da Camera D’or no Festival de Cannes 2014, tem um certo tom documental, autobiográfico e experimental. Foi dirigido por três jovens (Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis) que utilizaram membros da própria família como atores. Angélique é mãe de Samuel e na vida real é uma ex-prostituta com sérios problemas familiares em relação aos filhos. Senti o filme como uma homenagem à protagonista, há todo um tom de respeito por sua história e por sua figura…

Angelique é o tipo “porra-louca” que tenta, mas não consegue mudar. Como se sua natureza a fizesse causar estragos por onde passa. Sabe, enquanto assistia ao filme, muitos pensamentos rondaram a minha cabeça. A incessante luta de Angelique por permanecer trabalhando e se manter sexualmente interessante me faz pensar na negação do envelhecimento e no quanto isso pode pesar sobre os ombros da mulher.A solidão de Michel e a necessidade de encontrar um amor que o retribuísse. O sexo na velhice…

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