sobre Anjélica Huston

ANJELICA HUSTON

Dentre as inúmeras paixões que tive de atores e atrizes, Anjélica Huston foi a primeira. Tenho lembranças muito fortes da sensação de encanto e admiração que sentia quando assistia seus filmes, uma magia e uma entrega meio lúdica e muito característica de crianças. Eu matei aula duas vezes na minha vida (durante a infância): uma foi por causa de um caderno que ganhei da minha avó e que ela dizia que eu só poderia escrever nele depois da escola – então eu fingi que estava passando mal, só pra ir pra casa.

A segunda foi quando um filme da Anjélica passou na Sessão da Tarde. Fiz um acordo com a minha mãe e mentimos para a diretora dizendo que eu tinha consulta médica. Vocês não imaginam quão incrível foi sair da sala de aula e encontrar minha mãe do lado de fora do portão. Na minha memória ficou vivo o momento em que desci as escadas correndo e como fugitivas, pegamos um taxi para ir pra casa e sentamos no sofá para assistir o filme. Minha mãe tem uma magia que não sei explicar, ela consegue ser  incrível em todos os momentos da minha vida.

200_s

Há poucos dias li comentários muito cruéis sobre a atual aparência da Anjélica, memes bem maldosos e comparações infelizes. Como se envelhecer fosse um crime. O que é meio irônico porque a própria Anjélica dizia que teve muita dificuldade para inciar a carreira porque era considerada feia e desajeitada demais.  A imagem dela como Mortícia Addams e como Eva Ernest (Convenção das Bruxas) serão sempre uma das minhas referências de beleza e elegância, eu adorava os movimentos que ela fazia com as sobrancelhas e as unhas vermelhas, enormes. E a voz, o tom….

Eu assisti muitos (muitos) filmes da Anjélica, em tempos de locadoras eu era aquela louca que ligava para perguntar qual filme dela tinha no catálago. E não importava quão longe fosse, eu dava um jeito de ir buscar (ou minha mãe, na verdade, que pedia um amigo para locar). Me surpreendia muito assistí-la em papéis dramáticos que fugiam da imagem “gótica sensual” a qual estava acostumada.

Grifters Anjelica Huston as Lilly Dillon

Os imorais, por exemplo, foi um filme que ganhei da minha mãe em VHS (e eu tinha lá meus 10 anos) e do qual tive pesadelos! Passaram-se quinze anos e eu nunca mais vi esse filme, mas se me perguntarem, lembro perfeitamente da cena toalha e da cena em que ela beija o John Cusack – que era filho dela no filme. Uma história perturbadora demais para uma criança.

Em tempos de pouca  internet (quase nenhuma, para falar a verdade), o que eu sabia da Anjélica eu descobria através de revistas.Uma delas eu guardava a sete chaves, o título da matéria era ‘A idade da loba” e contava como era a vida de Anjélica, em sua enorme mansão, rodeada de gatos . Foi através dela que descobri quem era seu pai, John Huston (famoso diretor americano) e quem era seu odioso namorado, que a trocou por uma mulher bem mais jovem… Jack Nicholson – sério, eu odiava ele por causa da Anjélica. HAHA.

Fiquei muito curiosa em relação aos dois livros autobiográficos que a Anjélica lançou, mas aparentemente é difícil encontrar por aqui. Mesmo assim, li algumas reportagens, resenhas e vi muitas entrevistas dela que me apresentaram curiosidades que não imaginava. Segundo ela, por exemplo, o pai vivia ausente porque viajava muito para realizar os filmes, mas ao mesmo tempo quando estavam juntos ela sentia que existia uma proximidade muito grande. Ela conta também que seu pai desacreditou sua carreira de modelo e dizia que ela não era bonita o suficiente para modelar, principalmente porque tinha ombros largos demais. Viveu por muito tempo na Irlanda, teve uma infância tranquila e abastada.

Vi uma entrevista muito emocionada em que Huston conta, visivelmente magoada, sobre sua relação com Jack. Aliás, uma relação de 17 e intensos anos. Na entrevista ela dizia que foi difícil seguir em frente depois de descobrir a postura do ator. Para ela, mais duro ainda foi o fato da traição ser quase como um “evento público”,  ela sofreu um assédio enorme da imprensa e leu coisas muito maldosas. Na sua concepção, ela procurava nos homens a mesma imagem que tinha do pai, estava acostumada em ser abandonada e ter por perto um homem controlador. Tudo mudou quando se casou com Robert Graham Jr, artista plástico… finalmente ela percebeu que era possível ter alguém que a amasse verdadeiramente e que cuidasse dela.

 

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One thought on “sobre Anjélica Huston

  1. Vera diz:

    Lembranças escondidas no fundo da memória sobre Anjelica Huston: ‘Convenção das Bruxas’ e ‘A Familia Adams’.
    Como não amar uma mulher que define medo e infância (nessa ordem)?!

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