A filha de Satanás, 1949

Annex - Davis, Bette (Beyond the Forest)_01

Não sei porque demorei tanto para assistir esse filme, sempre me chamou muita atenção a história e, especialmente, o aspecto da Bette. Até então, nunca tinha a visto com cabelos tão grandes e escuros e com tamanha sensualidade. “A filha de Satanás” foi lançado em outubro de 1949 e conta a história de Rosa Moline, uma mulher maquiavélica e alucinada pela ideia de sair do interior para se mudar para Chicago. Em busca do sonho, Rosa comete atrocidades e mesmo casada, não pensa duas vezes em seduzir um rico empresário com o intuito de fazê-lo tirá-la dali.

É desse filme a famosa fala “What a dump”, posteriormente reproduzida por Elizabeth Taylor em “Quem tem medo de Virginia Woolf”e considerada pelo American Fims Institute um das 100 melhores frases do cinema.  Aliás, esse filme marca o fim da relação de 18 anos entre Bette Davis e a Warner,. Bette estava descontente por ser obrigada a interpretar o papel e chegou a tentar abandonar as gravações, inclusive foi duramente crítica ao diretor King Victor (tentando fazê-lo ser demitido).

BetteDavisBeyondEsta é considerada a pior interpretação de Bette, o que me surpreendeu. O filme tem toda uma carga dramática e aborda assuntos obscuros para a época. Li algumas análises muito interessantes e uma delas evidenciava o fato da Bette interpretar um personagem mais jovem, de não estar bonita ou sensual e de nos convencer exatamente do contrário. Como um ciclo que esbarra no início de sua carreira, onde ela dava vida a personagens muito mais velhos e com pouco sensuais.

Rosa é um personagem de moral duvidosa e realmente “do mal”. Muito marcante são as cenas em que, ao se descobrir grávida, tenta praticar um aborto. Ao mesmo tempo, é quase como uma “anti heroína”, que mesmo com atitudes grotescas, nos faz ter empatia por sua necessidade quase sufocante de sair daquele lugar. Como um passarinho, tentando se livrar da gaiola.

beyond-the-forest

Se alguém acredita que durante a maior parte do filme a sua atuação não convence, é preciso constatar que é difícil ficar indiferente às cenas finais, onde ela alucinada pela febre, sai descabelada pelas ruas e com a maquiagem manchada, tentando desesperadamente alcançar o trem. Quase um prelúdio da Bette que conheceríamos em Baby Jane, 1962. Uma atriz incrível, sem medo de despojar-se de sua beleza para dar vida aos personagens.

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