Uma relação delicada

Assisti mais um filme da Isabelle Huppert e fiquei, mais uma vez, encantada com a competência dessa atriz. Digo competência porque ela me parece muito segura e entendida do que quer fazer e do que é preciso ser feito. Admiro muito o artista que abre mão da beleza e do glamour para representar um personagem. Como a Bette Davis, por exemplo, que quando jovem e no auge da carreira, raspou os cabelos para interpretar a Rainha Elizabeth I. Huppert faz isso neste filme, lança-se corajosamente a interpretar uma cineasta que sofreu um AVC e ficou com sequelas na fala, no caminhar…

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Numa mistura de autobiografia e metalinguagem, o filme conta a história de Maude, uma cineasta que sofre uma hemorragia cerebral e fica com severas limitações físicas. Em busca de restabelecer a carreira e a vida pessoal, Maude mergulha em um projeto televisivo e acaba se relacionando com um dos atores, mas sofre pelo relacionamento extremamente abusivo, que a deixa em situação de ruína financeira.

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Li inúmeras críticas do filme e concordo com as que dizem que apesar da presença da Huppert e de sua interpretação intensa, o filme passa despercebido por apresentar personagens antagonistas pouco desenvolvidos e por ter uma abordagem superficial de certos acontecimentos. Como um pequeno quebra-cabeça, Catherine Breillat (a diretora) vai nos indicando certos fatos, sem trabalhá-los muito, apenas com poucas pinceladas. E logo, estamos em outra cena, em uma situação bem diferente.[É isso…talvez esse espaçamento seja um problema. Eu não sei, conheço muito pouco do trabalho da Breillat, mas acredito que esse tipo de narrativa possa ser uma de suas marcas.]

No filme, Viko, o personagem com que Maude se relaciona é odioso do começo ao fim e é realmente difícil e incômoda a maneira com que ela vai liberando seu dinheiro, ainda que ele a trate super mal. Há uma dor no personagem que não é dita explicitamente, só se percebe nos pequenos detalhes, na baixa auto-estima, no medo de não conseguir voltar a ser quem era.  Ao mesmo tempo, é uma mulher que busca forças para continuar vivendo, sobrevivendo e existindo.

Bom… eu gostei do filme, mas esperava mais. Você já assistiu? Me conta aí o que achou!

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