coffeegirls

Créditos da imagem: Laura Breiling

Ainda não sei me comportar diante do meu colega de serviço machista e desinformado. Desde o momento em que o conheci e depois dos minutos que passamos juntos, pedi em silêncio que nossos horários não encontrassem. Do pouco que nos conhecemos, sinto por parte dele uma incompreensão das seriedades e das bobeiras que diz. No fundo é uma boa pessoa (ou pelo menos me parece) e sinto que ele não consegue se desvincular dessa irritante mania classificatória e estereotipada de mulheres porque está em uma situação de conforto. As vezes brinco que ele funciona vinte e quatro horas como um radar, reparando nas meninas “bonitas que comeria ou não” ou que “enfiaria a piroca”. Sempre quando ele diz uma coisa dessas eu me lembro do caso da Rose Marie Muraro quando um cara falou que não se casaria com ela porque ela era feia e lésbica demais. E a Muraro, em resposta, dizia que não passou na cabeça do cara que ELA não queria se casar com ele porque ele era feio e barrigudo demais. Quer dizer, quando o meu colega vai parar de achar que todas aquelas mulheres estão disponíveis para ele ou que devem ser  classificadas como comíveis ou não. “É a natureza dos homens”, ele me disse hoje de tarde no elevador. É que eu fiz uma cara meio assustada quando ouvi  um grupinho de homens atrás de nós comentando que “mulheres depois dos trinta e cinco não podem ser encaradas com seriedade”.  Nesses momentos eu penso em todas (e tantas)  meninas e mulheres que não se encaixam(e por vezes não querem se encaixar) neste limitado esteriótipo construído sobre o corpo e a imagem feminina e no que todas elas (nós) poderiam e temos a dizer para esses caras.

3 thoughts on “

  1. Rancho do Peregrino diz:

    Desculpe-me, mas trata-se de um problema que não afeta somente a natureza dos homens. (Não existe isso de natureza masculina/feminina). Não se trata da “natureza do homem”, portanto. A questão para mim é muito simples: como os país (onde está incluída a mãe) educaram esse garoto? Como ele está sendo educado na escola? Como está sendo educado pela sociedade (tv, internet e a rua)? Enfim… Não somos o que somos, somos o que fazem e o que fazemos de nós. E somos o que fazemos com o que fizemos e fizeram de nós. Abraços

  2. Martha Ivers diz:

    Primeiro lugar: estou MORRENDO de saudades de ti! Entrei por aqui e encontrei um texto teu para ler, coisa que eu não fazia a horas.

    Enquanto lia teu post, me identificava com a situação. Já tive amigos com essa perspectiva de pensamento e é difícil de lidar. De um lado existe a vontade de conversar, de “”””educar”””; de outro de dar uma bela de uma porrada porque não somos obrigadas. Vivemos cheias de complexos, de medos, de expectativas que estão introjetadas em nós que simplesmente não dá vontade de bancar a professora para esses caras.

    Penso em quantas vezes nós não engolimos esses comentários, tentamos colocar aquela docilidade que nos foi ensinada, afinal mulher não é grossa né, e responder educadamente. Eu já não sei se essa é a melhor alternativa, hoje mesmo um homem veio me encher o saco enquanto eu esperava o trem, e ele só entendeu que estava sendo invasivo quando outra mulher gritou bem alto com ele. Lembro sempre daquela frase “nunca confunda a violência do oprimido com a do opressor”. Enfim, são apenas divagações…

    Às vezes dá vontade simplesmente de sumir.
    Cada dia para nós mulheres é de resistência.

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