Mamãezinha, querida?

Sempre que assisto aos filmes estrelados por Joan Crawford me pergunto se ela fez aquelas coisas terríveis com a filha. Pouco depois da morte da atriz, Christina lançou um livro que narrava o terror que passou (durante anos) ao lado da mãe, a quem descrevia como uma pessoa obsessiva e violenta. Li o livro por duas vezes e aquelas palavras me pareciam muito verdadeiras, até que recentemente vi uma entrevista da Christina, já na casa dos sessenta anos, debochando (e muito) da Joan. Achei a atitude horrível! Fui pesquisar pelos outros filhos da Joan e encontrei diversos vídeos onde eles contradiziam tudo o que a Christina falava.
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A verdade é que nunca vamos ter certeza do que aconteceu e que é difícil não ficar curioso sobre as histórias contadas. Mamãezinha Querida é um livro autobiográfico lançado por Christina Crawford em 78, onde ela conta como sua mãe, uma das maiores atrizes Hollywoodianas, infernizou a sua vida. Desde espancamentos com cabides de ferro à ataques de fúria no jardim. Joan Crawford foi retratada como uma mulher histérica e com sérias variações de humor.  

Na entrevista que vi, Christina dizia ter odiado o filme e que não concordava com os exageros retratados na história. Dizia que como já tinha vendido os direitos sobre a obra, não tinha como intervir na montagem dos personagens. Mas falava como alguém em posição de conforto, que ganhou uma grana com todo aquele show de horrores e que ainda, conseguiu a fama (que sempre desejou). Só para constar, Chistina dedicou-se a vida de atriz , mas teve que se contentar com papéis medíocres.

É muito louco pensar que a Joan Crawford, antes de morrer, chegou a dizer que Faye Dunaway era a única atriz que poderia interpretá-la com maestria. E mais estranho ainda é pensar que Dunaway aceitou o papel que colocaria em xeque a imagem de Joan e que este trabalho tenha lhe rendido amargos resultados (os críticos caíram matando e ela chegou a ganhar o Framboesa de Ouro).

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O filme ficou conhecido por seus exageros e pela interpretação caricata que da Faye. Pior ainda foi a caracterização, uma maquiagem calcada nas duas grandes marcas da atriz: a boca (que era aumentada pelo batom) e as grossas sobrancelhas. Mesmo com as inúmeras referências, como as ombreiras que Joan tanto amava, a personagem de Faye não conseguiu transmitir glamour, mas uma imagem patética que beirava ao ridículo. Independente de ser ou não retratada como maquiavélica, Joan merecia mais.

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Li o livro quando tinha quinze anos, lembro que ficava andando com ele pela escola e lendo durante o recreio. A narrativa é toda em primeira pessoa e retrata desde a infância de Christina até a sua juventude. E é muito interessante o fato de ela sempre evidenciar que mesmo com todas aquelas patifarias que sofria, amava a mãe e a perdoava por seus atos de covardia. Christina critica muito a hipocrisia da mãe, que fazia tudo em função do marketing pessoal. Seus aniversários eram luxuosos e contava sempre com a presença de famosos. No fim da festa, Christina era obrigada a doar todos os seus presentes para as crianças carentes e só podia escolher um. Sua revolta era ter de se mostrar feliz diante das câmeras, mesmo destroçada de raiva.  (Prometo reler e escrever um post só sobre o livro!)

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Da Joan, nunca saberemos a versão. Mas existem algumas coisas interessantes sobre sua história que nos ajudam a entender um pouco de sua personalidade. Joan foi filha de mãe solteira e teve uma infância pobre (muito, muito pobre), sua mãe era viciada por limpeza e a ensinou sem “muito carinho” a melhor maneira para se arrumar a casa. Em uma entrevista que li dela, bem antiga, a atriz dizia que gostava de limpar a própria casa e o fazia como a mãe tinha ensinado: começando sempre pela cozinha.

Como mulher solteira, a atriz enfrentou sérios problemas para adotar os filhos na Califórnia. Precisou passar por vários processos e comprovar que era capacitada para ser mãe, até que resolveu viajar para outros lugares (Nevada e NY), com leis menos rígidas com o intuito de “agilizar as coisas”. Christina foi adotava em 1940, Christopher em 1942 e Catherine e Cynthia em 1947.

Joan morreu de câncer em maio de 1977, em seu apartamento em Manhattan. Sabia que Christina estava escrevendo sobre ela e tinha o pressentimento de que não eram boas palavras. Em conversa com seu amigo publicitário, John Springer, chegou a dizer: “Acho que Christina está usando o meu nome para ganhar dinheiro, será que ela acha que vou deixá-la financeiramente desamparada ou que vou desaparecer logo?”  No fim das contas, pouco antes de morrer, Joan Crawford mudou todo o seu testamento, deixando o resto de seu dinheiro para Catherine e Cynthia, para sua secretária Betty Baker e para associações de caridade que mais gostava.

Oura ironia é a de que Bette Davis, grande inimiga de Joan, ficou do seu lado quando o livro foi publicado. Bette dizia não acreditar em nenhuma daquelas palavras, que Joan não teria feito nada disso e que o livro deveria ser jogado no lixo. Mais irônico ainda é que a própria Bette Davis passou por essa situação, quando sua filha Bárbara escreveu horrores sobre ela no livro “My Mother’s Kepper”.

Amigos pessoais da Joan diziam que foi bom este livro ter sido publicado depois de sua morte, pois se ela estivesse viva isso teria despedaçado seu coração.

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