auto-análise

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Ultimamente fico estressada com quem me força sair de casa. Estão fazendo muito isso comigo e não sei o motivo. Quer dizer, sei sim. Me mudei para São Paulo há um ano, mudei meus hábitos e muito do que fui não existe mais. Dentre as coisas que ficaram está o gosto pela leitura e pelo cinema. As pessoas que me conhecem há muitos anos, aquelas lá de Nova Lima, sabem que eu não saio de casa se não tiver um bom (bom mesmo) motivo. Não troco os meus livros por uma multidão que não se parece comigo, só vou em shows quando o cantor me agrada e não porque “é de graça”. Fico irritada em ter que gastar cinquenta centavos com um evento que não gosto, mas estou juntando dinheiro para pagar os cento e sessenta reais de ingresso para a peça que vou assistir mês que vem. Adoro andar pela Paulista aos domingos e sempre penso no quanto seria bom se os meus amigos estivessem aqui comigo. Tô estudando e trabalhando muito e cada vez com mais preguiça de gente com conversa boba, tipo… “o meu crush gosta de morango”. Ah vá! Também estou com preguiça de gente que fala demais sobre signos. Estou revendo minhas necessidades e valores. Nunca tinha perdido ninguém, até que um familiar morreu e mostrou o quanto a vida pode ser curta (e bela). E triste. Me mostrou o quanto a vida dos que nós amamos é valiosa. Gosto muito de escrever e acho que escrevo mal, por isso sempre releio as publicações que faço aqui, sempre acho um erro gramatical ou de ortografia e me odeio durante algumas horas. Uma vez criei uma página de Facebook para este blog, uns amigos curtiram e também algumas pessoas que não conhecia. Fiquei fissurada nas pessoas que não conhecia, querendo saber o que elas acharam do blog e porque curtiam (eu ia até o perfil delas para fuçar). Achei isso meio doentio, apaguei a página e resolvi nunca mais fazer uma. O meu horário preferido é 17h30, acabei de me dar conta disso enquanto voltava para casa. Um horário que me remete a infância, quando saía da escola e ia andando pelas ruas arborizadas da cidade (e o caminho tinha muita árvore mesmo) até chegar e encontrar um café com pãozinho de sal me esperando. O vento gostoso batendo no rosto e a ansiedade ao esperar a minha mãe voltar do trabalho. Hoje andei para casa pensando, quando eu morrer, espero que seja às 17h30.

4 thoughts on “auto-análise

  1. Nayara Rosolen diz:

    Parabéns pelo texto!!! Me identifiquei muito com a parte das pessoas quererem arrastar para um lugar que elas nem sabem se queremos ir hahaha Também sou assim! Raramente troco meu sossego por uma saída, só se valer muito a pena e for algo que eu queira. Amei suas palavras ❤️
    Beeeijos

  2. Vera diz:

    Venho pensando muito sobre essa vontade de ficar em casa.. A linha tênue entre ser um hobby e ser ‘se fechar pra vida’, estar deprimida.
    Quero tentar balancear e me ver feliz de novo com o meio termo.
    Meu horário favorito, não sei, mas amo o sol se pondo das 18, com vento de chuva, mas sem chuva, só calor.

  3. cassiavribeiro diz:

    Descobri tbm depois que comecei a trabalhar que 17:30 é para mim o melhor horário hahaha. Acho todos nós passamos por essa fase um dia, de não querer sair, não fazer nada. Eu por exemplo nunca saí dela hahahaah E realmente tem coisas bobas que com um tempo começam a nos tirar do sério, faz parte do amadurecimento.

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