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Estou há meia hora na frente do computador, deitada de bruços, debaixo das cobertas e num quarto parcialmente bagunçado, tentado iniciar um artigo sobre simulacro e simulação, exigido pelo professor da faculdade. O fio de partida é um livro de Jean Baudrillard que me fez sentir mais burra do que o normal e que li mais de três vezes, insistindo numa coisa que eu não sei se ainda entendi. Em suma, segundo o livro, a realidade não existe e vivemos a cópia da cópia, o simulacro são signos sem vínculos com o real e a simulação recupera o conceito de mimese de Platão. No meio dessas informações frias e complexas, eu me sinto frustrada porque ao invés de esquentar meus poucos neurônios numa coisa que simplesmente não entra na minha cabeça, eu poderia estar agora terminando de ver a quarta temporada de Orange is the new black ou os inúmeros episódios de Master Chef que perdi. Esperei esse sábado loucamente durante a semana e fiz vários planos como arrumar o cabelo, passear pela Sé e ir ao Centro Cultural do Banco do Brasil assistir uma peça de teatro. Esse frio deprimente e um sono acumulado não me permitiram sair da cama e só tive coragem de levantar à 17h30, com os olhos inchados e com o cabelo sem escova, todo para o alto. Sem chance de preparar um almoço, foi miojo mesmo e um hambúrguer congelado da Sadia, que já vem com pãozinho e um queijo meio estranho… ou seja, um sábado deprimente. Daí ao invés de escrever o artigo, que precisa ficar pronto hoje, eu começo a escrever esse texto sem pé nem cabeça e que provavelmente não vai me levar a lugar algum e que ninguém vai ler, um alívio. Eu gostaria de estar no cinema agora, assistindo a um filme bem engraçado, junto com minhas amigas. Depois iríamos para casa, compraríamos um refrigerante, um chips e um doce e ficaríamos lembrando os tempos da escola, falando de alguns professores e colegas, comparando a vida deles e a nossa… tipo, João se casou e Ana já tem dois filhos. Tô me sentindo estranha hoje, mais depressiva e reflexiva do que o normal. Estou fazendo um exercício, que é muito difícil e que me ajuda a levar os dias. Eu tento não pensar muito naquilo que me incomoda ou que me deixa triste, parece bem idiota, mas até que funciona. Eu começo a pensar e logo penso que não posso pensar e aí penso em outra coisa. Eu li uma frase em algum lugar por aí e que faz todo sentindo: “depressão é um excesso de passado e ansiedade é um excesso de futuro”. O presente também estava nessa frase, mas eu esqueci o que o excesso de presente significa. Estava pensando que se eu pudesse escrever um livro ele se chamaria “Flores Colombianas para Brasília”, eu vi essa frase em algum lugar há muitos anos e ela não saiu da minha cabeça. Eu tenho o título, mas não tenho uma história. Quer dizer,tenho uma ideia do que aconteceria no final, com certeza algum tipo de canibalismo… como em Titus de Shakespeare ou em O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante. Esse título é genial é? Eu acho o Peter Greenaway muito foda. Meu primo me pediu a indicação de um livro essa semana, não sei porque, mas o primeiro que me veio em mente foi Ensaio sobre a Cegueira. Ele disse que começou a ler, que gostou e que não dá vontade de parar. Daí falei para ele repara na ausência de pontuação e no fato de que os personagens não tem nome, nenhum deles… como se o autor, Saramago, quisesse fazer com que o leitor também ficasse um pouco cego. Estou com saudade da minha família, sinto isso todos os dias. É, não sei… hoje eu tô estranha cara.

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