Isabelle Huppert: Une vie pour jouer

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Certas coisas não mudam por aqui, é impressionante que mesmo depois de quatro anos com o blog no ar, eu ainda escreva sobre os mesmos temas. Ontem tive a felicidade de assistir o documentário Une vie pour jouer, sobre a carreira de Isabelle Huppert. Eu morria de vontade de assistí-lo e passei longos anos procurando por ele. O filme mostra os bastidores da vida da atriz, sua agenda corrida, sua preparação para entrar no palco, conta com alguns depoimentos e vídeos caseiros. Serge Toubiana, o diretor, acompanhou os passos de Isabelle durante um ano (época em que ela gravava A teia de chocolate de Claude Chabrol, A Professora de Piano de Michael Haneke e encenava a peça Medea Miracle). Confesso que esperava um pouco mais desse documentário, mas gostei muito das entrevistas em que ela fala sobre sua juventude e experiências. Ainda que conhecida como uma atriz “fria”, Isabelle me surpreende por sua intensidade e autoridade ao atuar.Para quem também gosta do trabalho dela, este post fica como sugestão… o documentário possui momentos bem interessantes sobre os bastidores dos filmes que ela fazia na época e umas lindas imagens da infância da atriz.

Krisha: uma tragédia familiar

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Há muito tempo um filme não me surpreendia tão positivamente como esse. Comecei a assistí-lo sem pretensão e caí de joelhos logo na primeira cena. A narrativa se baseia na história de Krisha, uma mulher que visita a família no Dia de Ação de Graças após um longo período de afastamento (provocado pelo alcoolismo). No primeiro momento, a câmera acompanha todo o seu trajeto até a casa da irmã e enquanto ela caminha, é como se estivéssemos caminhando atrás.  A proposta do filme é muito simples, mas carrega uma dramaticidade tão grande que é difícil ficar indiferente.

Krisha, com seus esvoaçantes cabelos brancos, olhos muito azuis e pele envelhecida, é um personagem tão complexo e forte, que provoca comoção. Aliás, mais do que isso: É também primordial o ambiente em que a história se passa (com um tom bem realista, com construções dos símbolos, com junções de improviso e personagens secundários marcantes). Mesmo quem nunca teve um familiar alcoólatra consegue compreender o desespero do personagem e dos que estão próximos dela, diante da situação.

Me emocionei muito com o reencontro de Krisha com a mãe, já bem debilitada pela velhice e pelo alzheimer. É impressionante o fato de que todas as cenas tenham sido improvisadas e que a velha senhora (que na vida real, é mãe da atriz e avó do diretor Trey Edward Shults) tenha participado de algumas cenas sem saber que se tratava de um filme.  No ápice do trama, no momento de desentendimento entre os familiares, a avó percebe que há algo de errado acontecendo e se manifesta. De acordo com a entrevista que vi do diretor, a manifestação da avó naquele momento foi completamente espontânea e foi filmada por sorte, pois onde ela estava (que era na sala de jantar), não havia espaço para colocar as câmeras no posicionamento ideal. Então, apenas uma câmera foi deixada lá só para fazer imagens de cortes.

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Sinceramente, é um dos melhores filmes que assisti este ano. A história de Krisha poderia se passar em qualquer lugar do mundo, é um tragédia familiar universal,  retratada com uma sensibilidade incrível. As recordações da família, a intimidade entre eles, as dores, as alegrias e os rancores, um filme marcante.