Audre Lorde – Não existe hierarquia de opressão

Conheci a Audre Lorde outro dia, pelo Facebook. Depois de ver um vídeo sobre suas reflexões, me interessei em estudar suas teorias (quero muito, muito mesmo ler o que ela escreveu ). O seu texto sobre hierarquia de opressão me tocou profundamente, uma visão sobre movimentos sociais que até então, não tinha me atentado. Vou compartilhar o texto por aqui, porque é engrandecedor e tem muito a nos ensinar:

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Eu nasci negra e uma mulher. Estou tentando me tornar a pessoa mais forte que consigo para viver a vida que me foi dada e ajudar a efetivar mudanças em direção a um futuro aceitável para o planeta e para minhas crianças. Como negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças — incluindo um menino — e membro de um casal inter-racial, com frequência me vejo parte de algum grupo no qual a maioria me define como devassa, difícil, inferior ou apenas “errada”.

Da minha participação em todos esses grupos, aprendi que opressão e intolerância de diferenças aparecem em todas as formas e sexos e cores e sexualidades — e que entre aquelas de nós que compartilham objetivos de libertação e um futuro viável para nossas crianças, não pode existir hierarquia de opressão. Eu aprendi que sexismo e heterossexismo surgem da mesma fonte do racismo.

“Ah”, diz uma voz da comunidade negra, “mas ser negra é NORMAL!”. Bom, eu e muitas pessoas negras da minha idade lembramos de forma soturna dos dias em que não costumava ser!
Simplesmente não consigo acreditar que um aspecto de mim pode se beneficiar da opressão de qualquer outra parte da minha identidade. Eu sei que pessoas como eu não podem se beneficiar da opressão sobre qualquer outro grupo que busca o direito a uma existência pacífica. Em vez disso, nós nos subestimamos ao negar a outros o que derramamos sangue para obter para nossas crianças. E essas crianças precisam aprender que elas não têm de ser umas como as outras para trabalharem juntas por um futuro que irão compartilhar.

Dentro da comunidade lésbica eu sou negra, e dentro da comunidade negra eu sou lésbica. Qualquer ataque contra pessoas negras é uma questão lésbica e gay, porque eu e milhares de outras mulheres negras somos parte da comunidade lésbica. Qualquer ataque contra lésbicas e gays é uma questão de negros, porque milhares de lésbicas e gays são negros. Não existe hierarquia de opressão.

Eu não posso me dar ao luxo de lutar contra uma forma de opressão apenas. Não posso me permitir acreditar que ser livre de intolerância é um direito de um grupo particular. E eu não posso tomar a liberdade de escolher entre as frontes nas quais devo batalhar contra essas forças de discriminação, onde quer que elas apareçam para me destruir. E quando elas aparecem para me destruir, não demorará muito a aparecerem para destruir você.

Fonte: Literatura Interseccional

Coragem e Inteligência: Protagonismo Feminino em #CopyCat

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Passeando pela Neflix, encontrei um filme com a Sigourney Weaver que até então, nunca tinha assistido. “Copycat – A vida imita a morte” (1995) é uma trama de suspense sobre um assassino em série que persegue uma mulher, especialista em crimes. Weaver interpreta a Drª Helen Hudson, a personagem que sofre a perseguição. Por causa de um ataque que sofreu, Helen desenvolveu síndrome do pânico e passou a não sair de casa [ela largou todo o trabalho que fazia, deixou de fazer as palestras e se isolou]. As coisas mudam quando vários assassinatos começam a acontecer na cidade, o assassino reproduz crimes que ficaram mundialmente famosos. Daí, a polícia aparece, mas não consegue desvendar as pistas e por isso, recorre à Helen, que entende do assunto e que está interligada a cada um dos crimes [As pistas deixadas pelo assassino são endereçadas a ela.] A narrativa cumpre com seu dever: é um suspense cheio de mistérios e de momentos de tirar o fôlego. Na verdade, o que mais curti no filme foi o protagonismo feminino. Apesar do trauma, Helen é uma mulher forte, corajosa e acima de tudo: muito inteligente. Para ajudá-la, uma policial linha dura chamada M.J (interpretada por Holly Hunter), que enfrenta os criminosos cara-a-cara e que maneja a arma como ninguém.

Sobre a vida, o fim… e o amor

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A cada dia que passa, sinto a vida mais frágil. Antes fosse coisa de filósofo de boteco, mas é real. Tão real, que me assusta ao desespero. Que me provoca calafrios, me faz ficar em silêncio, pensativa. Não é um medo puro e simples da morte, é a percepção de um tempo perdido que não volta mais. A gente fica adulto e se dá conta de que um dia tudo termina, que certos momentos são passageiros e que as pessoas também se vão. Meu tio faleceu e ao receber a notícia daqui, longe da família, levei tanto susto que larguei todo o trabalho que estava fazendo e fui chorar no banheiro. Mas não era um choro qualquer, era um choro de desespero… eu acho. A tristeza que me tomou naquele momento, de total surpresa, foi tão grande que não sei explicar…. uma tristeza por todos eles, porque além de pensar no meu tio, em toda a sua história, também pensava em seus filhos ( meus primos) e na minha tia. E ao mesmo tempo, me colocava no lugar deles. Queria poder abraça-los e transmitir todo o amor que sinto por eles. Eu os amo muito, muito mesmo. Dele, só me restam memórias boas e um respeito enorme, por ter sido um grande pai, um bom esposo. Quando ainda morava em Minas ele sentava na minha cama e sempre falava sobre faculdade, tecnologia, carros. Ele amava tanto os meninos… tanto! Briguei com um amigo naquela semana, que não me via há muito tempo e veio me visitar aqui em casa e reclamou, porque eu estava calada demais. Mas eu não conseguia… não conseguia nem queria falar, foi a primeira vez que perdi um familiar próximo. Eu sabia que um dia aconteceria com a gente, mas não assim, agora, do jeito que foi. E mesmo ele doente, eu achava que iria se recuperar, que iria voltar para casa e receber o cuidado da família. Triste, muito triste (eu só consigo pensar nessa palavra).

Dica de leitura: Dez Mulheres

Capa Dez mulheres.inddHá muito tempo um livro não me emocionava tanto como este. Mesmo com uma montanha de textos para ler para a faculdade e com a correria do dia-a-dia, me dediquei a essa leitura com um prazer indescritível e me sensibilizei tanto, que chorei no ônibus, a caminho do trabalho… “Dez mulheres” conta a história da reunião das pacientes da terapeuta Natasha, mulheres de diferentes classes sociais, idades e vivências. Todas tão humanas e universais, que poderiam existir em qualquer lugar do mundo. Neste caso, o cenário é o Chile, aliás, muitos Chiles… cada um em conformidade com a perspectiva de determinado personagem. O livro aborda tantos temas, que é difícil definir: amor, sexualidade, doenças, relações familiares, maternidade, solidão, dinheiro… Tantas questões não resolvidas, tantos traumas, alegrias e tristezas. Eu realmente me senti participante da história, apaixonada com a narrativa. Depois deste livro, me interessei muito pelo trabalho da autora, Marcela Serrano, a quem desconhecia. Do pouco que li sobre sua biografia, já admiro.Dentre as diversas entrevistas que vi e li dela, destaco uma de suas frases:“Definirse feminista es definirse ser humano”.

Disseminar e Reter: reinterpretando a ação do homem na paisagem

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Caos: uma cidade cinza, repleta de prédios, carros e pessoas em constante movimento. São Paulo: uma megalópole com onze milhões de habitantes, retratada através de um filme (chamado “Disseminar e Reter”) que tem a construção do Minhocão como tema principal. Este é o cenário escolhido por Rosa Barba, artista italiana, que se propõe a analisar a relação do homem com o ambiente em que vive. Sobre o Minhocão, ela afirma: “Fico impressionada que, segundos depois que o trânsito é fechado, as pessoas imediatamente tomam conta do lugar”.

Criado durante a ditadura militar, em 1970, o Minhocão foi alvo de muitas críticas; tanto que ficou conhecido como “cenário da arquitetura cruel”. Sua origem vem da São João (no centro da cidade), considerada a Quinta Avenida paulista. Na década de 30 e 40 o local era um dos redutos boêmios da cidade, com cinemas e lojas requintadas, cercado por bairros escolhidos pelos barões de café como: Santa Cecília e Higienópolis. A cena veio a ruir com a construção do Minhocão, que provocou uma drástica desvalorização imobiliária e aumentou a degradação do local.

No filme, a autora cria a junção de imagens com um texto escrito por Cildo Meireles (artista plástico), cuja narrativa aborda a cultura de oposição à grande mídia e analisa a importância do papel do espectador perante a arte. Em entrevista ao jornal “The Guardian”, Barba conta que escolheu Meireles por reconhecer nele a força da voz que vem da rua e por se impressionar com sua proposta: analisar a realidade, fugindo das metáforas.

Enquanto o vídeo mostra imagens da cidade de São Paulo, fotos antigas, documentos e pessoas caminhando no Minhocão, escutamos a voz de Meireles, que fala sobre comunicação. Ele defende a criação de uma nova linguagem de expressão que vai contra a ideia do culto do objeto, um projeto cultural de cunho social que possa encarar o espectador não como consumidor (que é uma pequena fatia do público com poder aquisitivo) mas como participante. A ideia é criar um circuito, pensar em mecanismos de circulações que buscam a troca de informações e que tenha uma essência oposta à da grande mídia (como a TV e o Rádio). O projeto enfrentaria uma elite, que possui sofisticação tecnológica, alta soma de dinheiro e poder.

O Minhocão pode ser encarado como um dos sintomas da pós-modernidade: é um dos efeitos da industrialização da cidade e traz consigo uma proposta progressista, é um símbolo da transição e ruptura do velho para o novo. Em “Reflexões sobre Pós-Modernidade”, Renato Ortiz ajuda-nos a entender melhor essa questão ao relacionar os dois temas: arquitetura e pós-modernidade.

De acordo com o autor, a Pós-Modernidade é um rearranjo dos processos sociais e societários, é o momento em que a relação entre o homem e o mundo e do homem consigo mesmo estão em processo de mutação. A arte e a arquitetura refletem este processo e merecem atenção porque a cidade faz parte da memória coletiva, é a história sendo percebida na materialização dos monumentos, ruas e edifícios que pertencem à uma comunidade.

Ortiz explica que no Modernismo existiu um esforço para impor uma única verdade, a ideia de progresso e desenvolvimento passou a ser ligada à de felicidade humana. O Pós-Moderno,em contrapartida, reflete a ideia de uma imaginação democrática, a estética atende a emergência de um novo contexto social onde há uma descentralização da produção de consumo, do poder e das relações sociais.

 Na arquitetura, isso não é diferente. A arquitetura moderna é univalente, utiliza poucos recursos materiais e abusa da geometria do ângulo reto: estilos racionais e universais, adequação de formas arquitetônicas ao industrialismo das sociedades de massa. Já o Pós-Modernismo rejeita o compromisso dos modernistas com o desenvolvimento social, recusa a universalização das formas. A casa não é uma máquina de morar,o homem passa a ser integrado nesta ideia.

 * Disseminar e Reter  é uma das obras expostas na 32ª Bienal de Arte de São Paulo.

Noite final menos cinco minutos

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Encontrei este curta-metragem no YouTube, depois de uma longa procura pelos trabalhos realizados pela atriz Magali Biff. Desde que a vi no teatro, fiquei apaixonada. Assisti o filme umas três vezes, sempre sob o efeito das cenas impactantes. A narrativa (super experimental) me remete às notícias sobre bullying que a gente vê todos os dias nos jornais.  “Noite final menos cinco minutos” foi lançado em 1993 e dirigido por Débora Waldman; é sem dúvidas, um curta que incita à reflexão.

Em cena, Magali aparece dirigindo um Marverick preto, visivelmente desconexa do ambiente. Numa sequência com poucos diálogos, percebemos o incômodo e a solidão do personagem, que de repente se depara com um rato e parece sentir carinho por ele. Fico me perguntando, seria compaixão ou… identificação¿ No âmbito do grotesco, ainda vemos a personagem tentar um contato social com outras pessoas, quando acaba vomitando. O mais interessante é a indiferença das pessoas que a cercam. Ela está numa espécie de festa, mas ninguém repara nela e isso aumenta o clima de estranhamento. Me incomodou perceber a invisibilidade do personagem, que não se enquadra naquele mundo e ao mesmo tempo, entender o motivo do seu desespero…

Orlan e Stelarc: bodyart

Nas últimas aulas que tive na pós-graduação, estudamos a relação da tecnologia e a arte. Dentre inúmeros temas, o professor falou bastante sobre a BodyArt…fiquei impressionada com os exemplos, tanto que fiz uma série de anotações sobre o assunto, olha só:

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O desafio da bodyart é usar o corpo não só como objeto de representação, mas também como objeto de exploração (ou para fazer intervenções). Dentre várias inspirações deste movimento, está Marcel Duchamp que afirmava que “tudo pode ser utilizado como obra de arte”. Como exemplos interessantes, que unem a arte e a tecnologia, cabe citar: Stelios Acardiou (conhecido como Stelarc) e Orlan, artista francesa.

As obras de Stelarc, artista australiano, são compreendidas como o expoente máximo da bodyart cibernética. Seus primeiros projetos de imersão virtual se iniciaram em 1968 através dos chamados “Compartimentos Sensoriais”: o público era convidado a usar lentes especiais e a entrar em cubículos repletos de imagens, onde eram atacados por luzes, sons e movimentos. Anos depois, o artista decide testar os limites de seu próprio corpo e realiza, em 1979 numa galeria em Tóquio, uma performance onde é suspenso com ganchos de ferro, em público e ao ar livre. Como explica Daniela Labra, esta foi uma das obras mais impactantes do artista:

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“Sua intenção sempre foi testar limites do corpo, e numa de suas ações mais impactantes, realizada numa galeria de Tóquio em 1979, Stelarc passou três dias imobilizado entre duas grandes tábuas suspensas, com as pálpebras e a boca costurados com linha cirúrgica. Após a experiência, no entanto, confessou que seu maior problema não foi alguma dor, e sim a dificuldade que teve para bocejar, pois isso não estava previsto acontecer.”

 O corpo humano é considerado por Stelarc como algo ineficiente, não durável e obsoleto. Dentre suas obras, destacam-se duas que refletem sobre a ideia de prótese, arte e tecnologia. Em 1980, o artista ligou ao seu braço uma mão mecânica idêntica a humana e que tinha um sistema de feedback tátil para dar a sensação de toque. O objeto era feito de alumínio, aço inox, acrílico, látex, eletrodos, cabos e bateria, com movimentos controlados pelos sinais dos músculos. A alusão da mão, sem dúvida, nos remete a um ciborgue.

 O outro experimento se chama “Orelha no Braço”, um projeto iniciado em 1997. Stelarc implantou uma prótese de orelha em seu braço com o objetivo de modificar a arquitetura de seu corpo permanentemente e chegou a afirmar: “A prótese não pode ser vista como sinal de falta, mas como sintoma do excesso” – Ou seja, ao invés de ser utilizada como substituição, a prótese deveria ser utilizada como um amplificador das potencialidades do corpo.

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As obras e performances realizadas por Orlan também apresentam um campo fértil de possibilidades para análises e reflexões, trata-se de uma artista que se manifesta não só através de intervenções corporais como também através de textos, instalações e vídeos. A autora do “Manifesto Carnal”, que possui um par de chifres na testa, é conhecida por suas intervenções cirúrgicas feitas para figurações e desfigurações.  Além da inquietação sobre o resultado de suas intervenções, o que Orlan propõe é uma análise sobre o processo: ela chama atenção para a metamorfose.

Em “A reencarnação de Santa Orlan” (1993), ela realizou uma série de nove cirurgias plásticas transmitidas ao vivo pela televisão onde colocava implantes no queixo, na testa, nas bochechas e ao redor dos olhos. Mesmo anestesiada, continuava lúcida a ponto de fazer pinturas com o próprio sangue. Neste caso, o seu corpo foi utilizado como um espaço de reflexão contra as imposições estéticas e ao martírio feminino. Mesmo chocando o público pelo radicalismo, a artista provoca a reflexão sobre questões de identidade de gênero, refletidos em seu trabalho a qual categoriza como auto-retratos.

*Para ler o texto da Daniela Labra sobre o Stelarc, clique aqui

Witch, lembram dessa revista?

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O Dia das Bruxas, comemorado ontem, me fez relembrar muitas coisas da minha infância e adolescência. Comentava com uma amiga do trabalho o quanto me encantava (e ainda me encanta) a história de bruxas, magias e poderes.  Engraçado, porque lembrei que o meu quarto tinha um abajur que quando ligado, refletia a sombra de bruxas voando em vassouras… Nas prateleiras, deixava um conjunto de pequenas bruxas de biscuit com velas coloridas.  Para falar a verdade, o gosto pelo assunto continua… mas nunca passou disso, quero dizer, não estudei profundamente sobre o tema (como aquelas pessoas super informadas sobre história, pedras, magias, nomes…. entende?).

Da minha adolescência, tenho uma lembrança boa de colecionar as revistas W.I.T.C.H, que tinha uma sequência de histórias em quadrinhos sobre cinco jovens bruxas que estavam descobrindo seus poderes e se adaptando ao dilemas da vida adulta. Era uma delícia, eu lembro que cuidava dos brindes como se fossem pequenos tesouros: os anéis, as essências e os colares… tudo bem guardadinho. O título da revista era uma combinação dos nomes das meninas: Will, Irma, Taranee, Cornelia e Hay Lin. Cada uma delas tinha um poder relacionado aos cinco elementos: Madeira, Metal, Água, Terra e Fogo. Lembro que não conseguia definir muito bem de qual mais gostava… me identificava  muito com a Taranee, que era tímida, mas tinha o poder de ler mentes.

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Era muito bom! Tenho saudade desse tempo, de quando a minha mãe me ligava do serviço e dizia: “Já comprei sua revista, levo para você hoje à noite”, e eu ficava louca para ler a continuidade das histórias. Não sei muito bem o que fiz delas, mas tenho quase certeza que doei para alguém.

*A revista foi publicada pela primeira vez na Itália, em abril de 2001. Desde então, foi vendida em mais de cinquenta países e traduzida em mais de vinte línguas. revista original foi encerrada em outubro de 2012, na edição 139. No Brasil, a revista foi publicada pelo Abril Jovem, e teve sua publicação encerrada em dezembro de 2009, na edição 95.