[Leitura] Um homem morto a pontapés

Um homem morto a pontapésEsta foi provavelmente uma das leituras mais difíceis que realizei no ano passado. O livro me chamou muita atenção por causa do título e do autor – que até então, desconhecia. “Um homem morto a pontapés” traz uma novela e uma coletânea de contos com temas bem inusitados (homofobia, bruxaria, canibalismo…). Na verdade, a minha maior dificuldade foi com a linguagem, que por vezes era bem maçante (especialmente “Débora”, que é um pequeno romance).

O conto que dá título ao livro é, sem dúvidas, o melhor. A história é também muito interessante, mas a narrativa tem um “quê” a mais (já que é cheia de interjeições de diferentes personagens). Na história, o personagem principal lê uma matéria de jornal sobre um homem que morreu a pontapés. Ele meio que “pira”, fica obcecado com a história e começa a investigar o ocorrido. Até que é divertido, porque tudo o que ele faz é através de indução.

O conto sobre as bruxas é quase uma historinha de terror para adultos. Tem também a história de uma mulher que possuía dois corpos – é um texto muito louco, escrito em primeira pessoa. [Essa é a minha citação favorita]: “Mi espalda, mi atrás, es, si nadie se opone, mi pecho de ella. Mi vientre está contrapuesto a mi vientre de ella. Ten­go dos cabezas, cuatro brazos, cuatro senos, cuatro piernas, y me han dicho que mis columnas vertebrales, dos hasta la altura de los omóplatos, se unen allí para seguir –robuste­cida– hasta la región coxígea. Yo-primera soy menor que yo-segunda.”

Para além dos contos, o que chama atenção é a história do autor. Pablo Palácios, equatoriano, publicou o livro em 1927 (ele tinha apenas 21 anos!). Os contos marcaram a literatura hispano-americana ao apresentar um novo estilo narrativo e de linguagem. Ele faleceu em 1947 e viveu seus últimos anos num hospital psiquiátrico. Por muitos anos sua obra foi interpretada como “louca demais”. Isso porque, como mencionei anteriormente, ele escrevia sobre temas ainda intocados, a ficção (narrada daquela forma) era uma novidade [ é o que hoje conhecemos como literatura do absurdo].

Em suma, o livro é pequeno e de rápida leitura.

Como disse, não me agradou muito… mas acredito que é sempre bom conhecer novos autores.  

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