[A esposa] E a anulação do eu

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Quando terminei de assistir este filme, uma frase me veio à mente: “Cuidado com o que tolera, você está ensinando como as pessoas devem tratá-lo”. O longa conta a história de Joan (Glenn Close), que viaja para Estocolmo com o esposo — ele acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a jornada, Joan começa a questionar sobre todos os esforços que fez para manter o casamento e a carreira do marido, deixando a sua em plano secundário.

Ao aceitar o Globo de Ouro, Close fez um discurso bem emotivo, evidenciando como o papel feminino na família nuclear patriarcal foi, em diversos aspectos, marginalizado. Em geral, essa questão não é novidade para ninguém. Mas, de certo, ainda propõe reflexões pontuais e importantes sobre gênero. Mas o filme vai além, e talvez esteja aí a sua grandiosidade. Não me parece que a discussão de gênero seja a mais forte da produção (ainda que caminhe para tal, pois é fato que muitas mulheres são condicionadas à ideia do casamento perfeito).

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Mas aqui, vejo uma discussão sobre uma condição muito humana, de homens e mulheres, que deixam seus desejos, sonhos e vontades de lado, em prol de um posicionamento mais adequado à sociedade. O filme me soa forte pela frustração da protagonista, que não teve coragem, determinação para se posicionar em sua defesa. Por outro lado, há todo um contexto que a influenciou a ter tal comportamento, por ser o mais aceitável, por ser o esperado… Nisso, volto à frase citada acima: ela se moldou tanto ao padrão social, que naturalizou um comportamento escroto do marido, dos filhos (e dos que a cercavam).

Mas, o que mais me chama atenção em tudo isso, é a empatia que o filme nos faz ter pelo casal. É muito claro a relação de abuso entre os dois, mas também o companheirismo e a cumplicidade que eles construíram ao longo desses 40 anos (o que justifica bastante a atitude final de Joan). Particularmente, gosto muito da Glenn Close e acompanho o seu trabalho há anos. Estou na torcida para que ela ganhe o Oscar, mesmo acreditando que esta não seja, nem de longe, a sua melhor atuação.

E você, já assistiu este filme? O que achou da trama? Não deixe de comentar este post, adoraria saber a sua opinião.

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