10 motivos para assistir “A Madrasta”

A Madrasta - Victoria RuffoQue eu sou uma noveleira de plantão, todo mundo já sabe… Pois é! Mas, apesar de ter assistido inúmeras novelas, eu possuo as minhas preferidas… e uma delas, é A Madrasta. Se você já viu, deve saber os motivos. Se gosta de novelas e ainda não assistiu, acho que vale a pena dar uma olhadinha neste post:

1) Muitos mistérios: Maria é uma mulher que foi acusada injustamente de um assassinato, pelo crime ficou presa muitos anos e foi afastada do seu esposo e filhos. Livre, ela decide voltar para a mansão onde morava, e assim investigar a verdadeira identidade do assassino. No decorrer da história outros crimes vão acontecendo e descobrimos uma enorme teia de motivações secretas, algumas bem bizarras!

2) Personagens complexos: Você não sabe muito bem quem é o vilão ou o mocinho da trama. Tem hora que você ama o personagem e tem hora que quer matá-lo. A maioria do elenco principal possui um segredo e é difícil não ir submergindo na tentativa de desvendá-los.

3) Núcleos bem definidos e atores luxuosos: Todos os ganchos levantados pela trama foram bem amarrados e finalizados com destreza. É basicamente o que falta em muitas séries por aí, que apresentam uma pergunta ao espectador, mas não lhes oferece a resposta. Esse aspecto se torna ainda mais problemático quando existem muitos personagens e núcleos envolvidos… resumindo: às vezes os autores e diretores se enrolam. Bom, é Salvador Mejía né pessoal… E acho que em grande parte, é dele o mérito de ter tão bons atores em cena: ele conseguiu reunir os grandes, como Sabine Moussier, René Casados e Cecília Gabriela… é como juntar Meryl Streep e Fernanda Montenegro num filme só…
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4) O casal de protagonistas, César Évora e Victoria Ruffo: Eu já mencionei quão incrível é o elenco, mas acredito que eles merecem um destaque. São encantadores. O César Évora sempre foi o ideal de homem pelo qual me casaria sem pestanejar. Aliás, como ele é charmoso! Sobre a Victória, que eu sei que arrasta milhões de fãs por aí (e não é por menos),  foi a primeira e única vez que a acompanhei em uma novela. Nunca vi outros de seus trabalhos. Ela tem olhos lindos e em cena, chora como ninguém.

5) Ciclo de vinganças! Falem a verdade… nós adoramos uma trama cheia de vinganças, com muita gritaria e tapas no rosto. Aqui é o que não falta, reviravolta atrás de reviravolta. Me lembro até hoje da cena em que a Maria sai da prisão e volta para a casa dos Sán Roman e todo mundo, a encara…boquiabertos!

6) “Víveme” era o tema da abertura. É uma música linda, daquelas de ouvirAmadrasta inúmeras vezes sem cessar, daquelas que dá vontade de sair cantando em voz alta (bem alta!) por toda a casa. A música era entoada por Laura Pausini, que a lançou em seu álbum “Resta in ascolto” em novembro de 2004.

Dois anos depois, o single venceu o Billboard Latin Music Awards na categoria “Canção Pop Latina Feminina do Ano”. Fora isso, também recebeu duas nomeações ao Prêmio Lo Nuestro. Não bastasse ser linda, tinha uma relação direta com a história narrada pela trama já que, entre outras menções, se referia a um objeto cheio de significados na história, um quadro: “Y te transformas en un cuadro dentro de mí. Que cubre mis paredes blancas y cansadas”

7) Rivalidade entre irmãs: A relação entre a Albinha e a Carmen era uma coisa bizarra, principalmente porque as duas tinham uma personalidade muito diferente e guardavam um segredo cabeludo. Jacqueline Andere e Margarita Isabel são um detalhe à parte, uma delícia vê-las contracenando, duas grandes atrizes. Bom… a Alba era absurdamente má, enquanto a Carmen era um amor… e a Alba, estava sempre censurando a Carmen em suas atitudes, uma relação que pode ser muito bem resumida nessa imagem:

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8) Cenas inesquecíveis: Essa novela é cheia de cenas de tirar o fôlego, tipo… o acidente da Alba,os segredos das irmãs sendo desvendado, o desaparecimento da Ana Rosa, a loucura do Demétrio, o julgamento da Maria! (…) 

9) Uma novela de sucesso: A novela foi um estouro, no México, aqui no Brasil  e internacionalmente. A Televisa chegou a criar um especial, contanto o que aconteceu com os personagens “dez anos depois”. E em 2007, quando foi reprisada, a novela ganhou um novo final!! Também, posteriormente à exibição foi lançado um dvd com um resumo de 11 horas da trama. 

la-madrastra-16_590x39510) Final surpreendente: Nós estamos acostumados em assistir tramas que giram em torno de um assassinato e, geralmente, o criminoso é o vilão. Pois, em A Madrasta, a identidade do assassino ficou muito bem guardada, até o final e como existia uma gama de possibilidades, já que praticamente todo mundo era um pouco o vilão, era realmente difícil saber o responsável. Eu sou absurdamente apaixonada pelo final, porque me remete à Psicose (de Hitchcock)…

sobre Maria Sorté…

Para finalizar o ciclo com as publicações sobre as minhas atrizes mexicanas favoritas (aliás, um ciclo meio involuntário, que começou sem eu perceber), vou falar sobre a incrivel María Sorté. Antes, só para situar, mencionei Daniela Romo, Jacqueline Andere, Helena Rojo e Diana Bracho. A primeira novela que assisti com Sorté foi “O Privilégio de Amar”, onde ela linda e ruivíssima, interpretava Vivian, uma mulher poderosa, que não só defendia Cristina (a mocinha) como também representava uma ameaça ao império construído pela Luciana Duval.maria-sorte-Outro dia eu estava vendo um vídeo no Youtube, onde ela (em um testemunho religioso) contava um pouco sobre sua vida e tragetória. O “Sorté” foi um apelido que recebeu quando estreou nos palcos. Um dia, logo na seu primeiro ensaio, Maria (que tem como sobrenome de batizo Harfuch Hidalgo) sentou-se em uma cadeira quebrada e caiu. Os companheiros disseram: “Isso é sinal de sorte”, e começaram a chamá-la assim, Maria Sorte – com o tempo, a mídia fez o seu trabalho, adicionando um acento no e e mudando a pronúncia.

Sorté nasceusorte004 em uma família pobre de Chihuahua e foi criada por mãe solteira. Logo depois de formar-se, começou a ministrar aulas em pequenas escolas municipais com o intuito de ajudar nas despesas. Seu pai faleceu quando ela tinha apenas 4 anos, era alcoólatra. Um de seus irmãos foi assassinado e o outro suicidou. Sua mãe faleceu quando ela estava iniciando a carreira e foi assim que ela passou a cuidar do irmão mais novo. No video, Maria contou que chegou a passar fome e por situações de miséria. Depois se mudou para a capital e, resolveu fazer um teste com uma amiga.

Conheceu uma companhia de teatro, onde começou a fazer pequenas participações em peças autorais e com poucos recursos. Logo foi convidada a fazer filmes e, posteriormente, novelas. Seu marido faleceu quando interpretava Vivian em O Privilégio de Amar, um de seus papéis mais reconhecidos. Ela conta que chegou a sepultar o marido e poucos dias depois, teve que voltar a trabalhar: “Não podemos esquecer as dores, porque todos sofremos perdas muito grandes, mas de alguma maneira temos que continuar nosso trabalho e o que fazemos na vida”

Colorina (1980) e El Malefício (1983) foram grandes sucessos, mas foi com “Mi segunda Madre (1989) que María Sorté estorou. Ficou tão, tão conhecida que chegou a protagonizar a novela seguinte “De frente al sol”. E, De frente al Sol foi tão popular que teve uma continuação “Mas allá del puente” (1992), onde ela revive a mesma personagem: Alicia Sandoval. Na novela, diversas cenas comprovam a popularidade do personagem. Nas tomadas externas, María Sorté era quase engolida pelo público, que enlouquecidamente, a gritava.

Ao longo dos anos, Sorté conquistou um publico fiel, participou de grandes novelas sorte007(como Amor Real e Entre el Amor y el ódio) e a nomeação de “primera actriz”. Bom, como não poderia ser diferente (parece moda lá no México) María Sorté também é cantora! Lembro que cheguei a baixar diversas músicas dela e que existe três que não saem da minha playlist: “Mas allá del puente”, “Esperame una noche” e “De frente al sol”. Isso mesmo, ela é a autora das músicas que tocavam na abertura das novelas. (A música “Sola” também é ótima!)

Pouco sei sobre sua vida pessoal. María Sorté foi casada durante vinte e dois anos com o politico Javier Garcia Paniagua, com quem teve dois filhos. Depois que ficou viúva, deu uma entrevista dizendo que não tem interesse em se relacionar com mais niguém: “Prefiero quedarme sin pareja. El señor García Paniagua fue el ‘amor de mi vida’, con muchos problemas, pero lo amé y ahora Dios ha llenado mi vida”.

Confessou que, no auge da carreira, sofreu uma grave crise de depressão que a afastou dos palcos e dos próprios filhos. Disse que na juventude tinha uma enorme gana por fama e dinheiro e que, mesmo com sucesso e reconhecimento, chegava em casa aos prantos. Sempre queria mais e nada era suficiente. Em certo momento de sua vida, começou a ter medo de tudo, não queria deixar que os filhos saíssem ou se afastar do marido. Em uma entrevista, onde ela recebe o programa Despierta América em sua mansão, Sorté conta que só conseguiu se recuperar depois que mudou de religião

Marcante por seus vestidos de cores fortes (ou brilhantes), por suas unhas enormes e pela preferência pelo vermelho, Sorté acabou criando um estilo próprio e, convenhamos, bem mexicano. Diferente da Diana Bracho e da Daniela Romo, ela é uma adepta e defensora das cirurgias plásticas e afirma que não tem objetivo de parar de mexer no seu rosto, não enquanto “precisar”.

María Sorté e Daniela Romo em "La Tempestad"
María Sorté e Daniela Romo em “La Tempestad”

Maria Sorté, assim como Helena Rojo é uma daquelas artistas que nunca sai do ar – que volta e meia está em uma produção nova. A última foi “La Tempestad” onde contracenava ao lado de ninguém mais, ninguém menos que Daniela Romo! Na trama, Sorté era Beatriz, a mãe adotiva de Marina. Pois, Marina tem uma irmã gêmea e as duas são filhas de Mercedes (Romo), que teve suas crianças roubadas. Um ótimo dramalhão, não? Ela também chegou a contracenar com Diana Bracho em Fuego em la Sangre, aqui, Bracho era a vilã e Sorté protegia as “mocinhas”.

Entre el amor y el ódio foi uma das minhas novelas preferidas, daquelas que eu assistia quando saia correndo da escola para não perder nenhum capítulo! César Evora e Susana González eram os personagens principais – e, como raramente acontece, não só tinham química como também formavam um casal super interessante. Acho que, pela primeira vez, me apaixonei tanto pela mocinha, quanto pelo mocinho.

Mas, o vilão dessa novela, ah! Não tinha igual. “Maciel”, um homem sem escrúpulos, tinha uma paixão doentia por Maria Magdalena (Sorté) e fazia de tudo para tirar qualquer um que entrasse no seu caminho. No início da trama ele se fingia de bom com o intuito de conquistá-la, chegou a instalar câmeras escondidas no seu quarto, para vigiar seus movimentos e claro, com segundas intenções. Finalmente, depois de bolar diversos planos, de assassinar vários personagens (inclusive, de manter um cadáver no seu quarto), Maciel (que era um fã incondicional de Napoleão) força um casamento com Maria Magdalena, onde finge proteger seus filhos, a domina financeiramente e fisicamente. É um dos personagens mais loucos e geniais que já vi, e Sorté tem grande destaque na trama, sendo um ponto crucial na conclusão da história.

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Maria, Pescadera: Na segunda temporada de Mujeres Asesinas, Sorté protagoniza um dos episódios  mais legais. No episódio ela interpreta uma mulher extremamente pobre, que precisa trabalhar vendendo peixes para continuar a bancar os tratamentos fitoterápicos da filha deficiente. O problema é que seu chefe é um cara folgado, que vive a assediando sexualmente e que a paga muito pouco. Maria começa a ter fortes dores nas mãos e precisa de uma licença médica, mas para isso precisa passar pela aprovação de uma fiscal (que tem um caso com o chefe e morre de ciúmes dela). É claro que ela não consegue e para piorar, é acusada injustamente de roubo. Com tantas “contras”, Maria acaba tendo um ataque nervoso e mata, sem querer, a fiscal da loja.

imagesEl Secreto de Alejandra: Uma novela controversa e polêmica. Tão polêmica que foi praticamente cortada antes da metade (se não me engano, a novela mais censurada pela Televisa) e acabou com apenas 25 capítulos. A trama falava sobre doação de órgãos, e Sorté interpretava duas personagens: Alejandra e María, que eram idênticas, mas que não tinham parentesco (meio Orphan Black, não?). Maria era uma atriz sem sucesso, que vivia ao lado de um marido violento. Alejandra, por outro lado, era uma milionária que estava em busca de um doador de órgãos para filho.

Alejandra não podia fazer essa papel porque estava com câncer terminal e então, pede para trocar de lugar com María.  Na época a SEGOB (uma secretaria do governo mexicano) enviou uma carta à emissora ordenando  que a novela fosse retirada imediatamente do ar. Com  a correria para acabar, os produtores decidiram transmitir uma nota no fim do último capítulo onde diziam: “Ojala que con el Secreto de Alejandra hayamos logrado despertar una inquietud de caridad en los corazones de la gente.  Si nuestras conciencias dormidas despertaran, habremos cumplido el principal objetivo de esta telenovela: La donacion de nuestros organos. Con nuestra muerte, salvemos otras vidas!

sobre Helena Rojo e seus lindos cabelos ruivos…

Helena Rojo é uma das minhas atrizes mexicanas favoritas, a acompanho há muito tempo, desde que o SBT exibiu a novela “O Privilégio de Amar” pela primeira vez (se não me engano, em 1998). Ano passado tive a felicidade de descobrir que três de suas novelas (Cuidado com el Angel, Por Ella soy Eva e El Privilégio de Amar) estavam sendo transmitidas concomitantemente na TV brasileira, uma pena não ter tido tempo para assisti-las.

ImagemRojo é uma mulher linda e mais do que isso, muito talentosa. Adoro seus cabelos ruivos e aquele olho meio “cor de mel” que ela tem… Quando eu era mais nova (não me perguntem como!) mandei uma carta pra ela e ela não só respondeu como mandou uma foto autografada, que guardo até hoje. Desde então comecei a reparar no quanto a Helena Rojo é atenciosa com seus fãs – e eu, particularmente, acho isso tão bacana! Não é da boca pra fora, nem porque eu a admiro muito, mas ela realmente é atenciosa. Não é de hoje que a Rojo sabe o nome de vários fãs, conversa em vídeo com eles, almoça e manda emails.

E a Helena Rojo é bem conhecida no Brasil, o que é também muito bacana. Há de convir que existe um preconceito velado em relação às tramas mexicanas, não sei por que falam tão mal dessas produções e se discute tão pouco sobre seus aspectos (afinal, as novelas mexicanas estão muito ligadas ao cinema melodramático que estourou na década de 1940).

Helena RojoEstava revendo um vídeo (dos inúmeros disponíveis no YouTube) de uma novela com a Helena Rojo chamada “Las Secretas Intenciones” e eu tinha me esquecido do show de interpretação que a Helena dá, principalmente nos últimos capítulos. Pensando nisso, fiz uma pequena listinha com as minhas novelas preferidas dos quais a Helena Rojo participou e vou colocá-las aqui, espero que vocês gostem.

*Antes, uma rápida biografia: María Elena Enríquez Ruiz nasceu em 18 de agosto de 1944 na Cidade do México. Na década de 60 começou a trabalhar como modelo e já em 1968 fez seu primeiro filme: “El Club de los Suicidas”. Trabalhou intensamente com cinema (dividiu a telona, por exemplo, com Peter O’Toole em “Foxtrot” e com Klaus Kinsky em “Aguirre a ira dos deuses”). Migrou-se para o mudo das novelas pela primeira vez em 1974, onde interpretou Isaura em “Un Extraño En Su Pueblo”. Daí não parou de dar a vida a grandes personagens (como Lucianal Duval, Augusta Curiel e Ramona Gonzaga) mostrando um grande jogo de cintura e um estilo eclético, não só na televisão como também no teatro. Hoje, aos setenta anos, Helena é considerada uma “Primera actriz”, possui seis prêmios TVy Novelas e está casada com Benjamín Fernández. Do seu casamento anterior (com Juan Ferrara) teve três filhos: Leo, Elena e Patricia – prometo melhorar essa biografia!

O Privilégio de Amar (1998)

Na primeira fase da trama, Luciana é uma garota pobre que trabalha como empregada na casa Ana Joaquina, uma mulher rigidamente católica e muito cruel. Luciana se envolve com João da Cruz, um seminarista (filho de Ana Joaquina) e acaba engravidando dele. João vai embora da cidade com o intuito de tornar-se padre sem saber que será pai. Sozinha e completamente desesperada, Luciana abandona sua filha em um lar adotivo comandado por freiras e também se muda da cidade. O tempo passa e Luciana se torna uma famosa e importante estilista. Casada e com dois filhos, Luciana Duval nunca esqueceu a filha que abandonou e vive atormentada tentando encontra-la. Enquanto isso, a órfã Cristina nutre o sonho de ser modelo e consegue um trabalho na Companhia Duval, sem saber que sua chefe é também a sua mãe. [ Criada por Delia Fiallo, a novela foi ao ar em 1998 substituindo “A Ursupadora”. Produzida por Carla Estrada e dirigida por Miguel Córcega. Dividiu-se em 155 capítulos ].

O privilégio de amarQuando revi a novela há pouco tempo atrás as cenas e os diálogos me pareceram datados. É claro, que agora, com uma perspectiva diferente, algumas coisas deixam de fazer sentido e simplesmente, perdem a sua magia. Na cena que eu assisti, a Cristina (Adela Noriega) pedia perdão a Deus por ter perdido a virgindade e o padre (Cesar Evora) lhe passava uma penitência e a repreendia fortemente pelo acontecido. Cristina chorava, desolada e culpada por ter se entregado “ao grande amor da sua vida, antes do casamento”. (É claro que naquela época todo o sentimentalismo que encharcava os diálogos faziam sentido, era uma sociedade diferente, de um país – que como sabemos – é muito conversador e católico. Mas hoje, a história parece um pouco pedante).

Apesar de tudo, ainda acredito que essa foi a melhor novela feita por Helena Rojo (e também a novela responsável por torna-la tão popular no Brasil). Seu personagem, Luciana Duval tinha uma característica sensacional que o diferia dos outros: Luciana não era um personagem maniqueísta, conseguíamos ter ódio e amá-la ao mesmo tempo e até certo momento da trama, não sabíamos se ela era má ou boa. O que eu consigo me lembrar dos velhos tempos, em que eu chegava da escola, nem tirava o uniforme e ia correndo pra sala é que eu tinha uma sentimento meio sádico em relação aos personagens – eu adorava quando eles se batiam, quando a Luciana se machucava e meio que sofria junto, vai entender? Eu também adorava imaginar a possibilidade de ver a Luciana e o Padre João da Cruz juntos, mesmo sabendo que ele tinha se entregado integralmente a Deus.blog-privi-02blog-privi-01Outro aspecto importante é que a trama trazia um elenco fortíssimo. Marga Lopez incrivelmente detestável (assim, como a Diana Bracho na primeira parte), Enrique Rocha (um amigo da onça), Maria Sorté, Nuria Bages, Andres Garcia – quero dizer, tinha muita gente foda e o melhor era que os plots secundários foram muito bem desenvolvidos e apesar do número enorme de personagens, cada um deve seu espaço respeitado. Só pra constar, essa novela tem um dos finais mais lindos que existem, amo a música e amo quando os atores descem a escada da mansão de mãos dadas e cumprimentam o público, como se fosse uma peça teatral.

Gente Bien (1997)

Gente BienGente Bien foi uma novela fantástica, repleta de erotismo, amor e traição, uma pena nunca que sido exibida no Brasil. Na história, Helena Rojo e César Evora apareciam mais uma vez como casal, mas não muito felizes. Os dois faziam parte da trama secundária, Helena interpretava Rebecca Balmori, uma mulher rica mas muito enferma – tinha problemas no coração. Seu marido, Jaime Dumas era um canalha mentiroso, ele tinha se apaixonado por Maria (a protagonista) e fazia de tudo para separá-la de Gerardo.

O interessante é que Rebecca sempre aparecia observando um aquário e só depois me dei conta do seu significado. Aos poucos Rebecca foi desconfiando de Jaime e tentou se separar dele (os dois tinham um filhinho muito fofo). Nos capítulos finais Rebecca sofre com uma crise na frente do esposo e ele se nega a lhe dar o remédio que salvaria sua vida. Rebecca morre, caindo sobre o aquário. (Aliás, a cena é fantástica, o personagem cai em câmera lenta enquanto cacos de vidro e agua despencam sobre seu corpo … a Lucy Orozco é muito foda mesmo). Jaime rapidamente se arrepende de não ter salvado Rebecca e reconhece que, na verdade, sempre a amou… mas aí já era tarde e ele então passa a ser atormentado pelo “fantasma” de Rebecca (falando assim parece trash, mas não é, foi muito bacana).

Retrato de Família (1995)

Retrato de FamíliaRetrato de Família foi uma novela pequena, com apenas 90 episódios. Lançada em 1995 e produzida por Lucy Orozco, a trama contava a história da família Mariscal Preciado, totalmente destroçada pela enorme rivalidade entre duas irmãs: Inere (Diana Bracho) e Cecília (Rojo). Cecília, na verdade, era uma mulher boa que se viu envolvida em uma teia de vinganças criadas por sua endiabrada irmã. Pra agravar a história, Cecília tinha uma filha (Elvira) que a odiava e a acusava de ter matado seu ex-marido, Augusto.  Como se não fosse possível piorar, Cecília se apaixona pelo último cara da terra que deveria: Esteban, namorado de Elvira.

A abertura dessa novela [que você pode conferir aí abaixo] é uma das mais legais que eu já vi, não sei se pela música ou apenas pelas pistas que deixavam sobre a trama.. Aliás, a trilha sonora era extremamente marcante, muito mesmo – me lembro de uma música até hoje. Em suma, quando se vê Diana Bracho e Helena Rojo juntas, não se pode esperar nada menos do que um show de interpretação e isso de fato se deu. Yolanda Andrade também estava muito boa, sua personagem era incrivelmente irritante e petulante, mas para o gosto da nação, teve o final que merecia: morreu.

Ao longo da história descobrimos que Irene sempre foi apaixonada por Augusto, daí nasceu a rivalidade em relação a irmã que ficou ainda mais violenta depois do seguinte fato: Irene era, na verdade, a mãe de Elvira e foi forçada pelos pais a deixá-la aos cuidados de Cecília, que não podia ter filhos, mas era casada e tinha uma situação financeira melhor. Aliás, quem era o pai de Elvira? Isso mesmo, Augusto! Finalmente Cecília consegue se casar com Estéban e ter um final feliz, enquanto Irene termina seus dias remoendo a morte da filha.

Las secretas intenciones (1993)

Helena RojoHelena RojoNão é uma das melhores novelas da Rojo, mas ela está incrivelmente linda e louca, por isso a menção. Mais uma vez, Helena Rojo integra uma novela produzida por Lucy Orozco, aqui como uma vilã chamada Antonieta Alcántara. A novela era bem romântica, mas trazia uma discussão bacana sobre loucura e sanidade. Transmitida em 1993 e com apenas 80 capítulos, a trama contava a historia de amor de Larissa Cardenal e Miguel Curiel.

Larissa era filha de Clara, uma mulher muito rica e maldosa que deixava seu desdém pela filha muito claro. Um dia Larissa tem um crise de nervos e é internada em uma clínica psiquiátrica. Miguel também foi internado na mesma clínica pois não conseguia ir bem na escola, nem se relacionar com os outros alunos. Na clínica, Larissa e Miguel se conhecem e se apaixonam.

Pois bem, onde entra a Helena? Antonieta era filha de uma enfermeira e vivia junto a mãe no hospital psiquiátrico. Lá ela conhece Carlos (pai de Larissa) e se apaixona perdidamente por ele. Os dois acabam tendo uma pequena relação, mas Carlos decide voltar para a família o que deixa Antonieta enfurecida e louca por vingança (alguém lembrou de Glenn Close aí? É, tipo isso). Daí Antonieta perseguia a família de Carlos e cometia horrores desmedidos, contra tudo e contra todos. A personagem teve um final FANSTÁSTICO: Vestida de noiva, ela tenta matar Carlos, mas não consegue. Abandonada e totalmente doida, se une a um bando de mendigos… sua fala final é: “Me voy a quedar sola”.

Ramona (2000)

Helena RojoGosto muitíssimo dessa novela por dois detalhes que podem parecer bobos, mas que fazem toda a diferença. Ramona foi uma novela de época, produzida por Lucy Orozco e Rosa Maria Martinez. A trama contava a história da família Moreno Gonzaga que participou das batalhas entre colonos (mexicanos) e imigrantes (americanos) durante o ano de 1847.

Guerra, morte e paixões proibidas foram cenário para essa pequena novela, de apenas 69 episódios. O primeiro detalhe que me agrada é que a novela trazia uma protagonista (interpretada por Kate del Castillo) forte e corajosa, que apesar dos clichês, resistia às obviedades das histórias românticas. O segundo é que a produção tinha um cuidado histórico e documental primoroso, tornando-se um registro romantizado da história do país.

Na trama Helena Rojo interpretava Ramona, mãe da protagonista que também se chamava Ramona. A “Donã Ramona” era uma mulher ultra conversadora que não admitia as aventuras amorosas da filha e fazia de tudo para que ela aceitasse um casamento arranjado. A carga dramática da personagem era muito forte. Ramona além de ser preconceituosa e violenta, carregava consigo um segredo que a atormentava há muitos anos, ela teve um caso extraconjugal e engravidou. A novela também é um retrato perfeito do papel secundário que as mulheres ocuparam ao longo da história, das proibições e dos preconceitos que sofriam.