É a minha vez de dizer não…

Estou começando a acreditar naquela frase que anda tão comum e sendo compartilhada tantas vezes pelo facebook e twitter. Na mensagem o autor diz que é preciso parar de se apegar e correr atrás, porque as pessoas gostam do que não tem. Pois é, eu ando mesmo achando que essa dica mágica funciona. Parece que o apego constante, a preocupação latente nos torna cada vez mais dependente de algo ou alguém que no fim das contas, não nos pertence. É claro que o desapego (principalmente quando gostamos pra caramba, estamos apaixonados e muitas vezes exigimos do outro o que ele não pode dar) não é um processo fácil, parece até desperdício dos nossos sentimentos. Você se apruma toda, fica horas arrumado uma roupa bacana e quando encontra com ele no corredor, não recebe nem um olhar. Ou então, passa a noite ligando para saber se aquela dor no pescoço dela melhorou e depois descobre que ela não atendeu a sua chamada porque preferiu (simplesmente), não atender.

Aí você percebe que está se anulando, que aquela situação vai ficando dolorida e desgastante demais. Você percebe que aquele lugar no seu coração, que você reservou faz tempo não será preenchido e que a relação se tornou uma via de mão única (só você cede, só você se preocupa). Você sempre escuta a sua amiga reclamar dos problemas com o marido, com o filho e quando a encontra para falar dos seus problemas (que também são muitos) recebe dela: “desculpe querida, estou com pressa!”. Talvez um amadurecimento seja necessário, chega um momento que ser gentil demais não está ajudando muito.

A personagem de Carmen Maura, Pepa, em “Mulheres a beira de um ataque de nervos” (filme de Almodóvar) é um exemplo gostoso de que essa procura constante da resposta específica que esperamos é inevitavelmente cansativa. Pepa se descobre grávida de Ivan e tenta ter dele as justificativas por tê-la abandonado. Mas ela vai se cansando, vai vendo que não precisa mais dele nem daquela situação melancólica toda. Ela percebe que é a sua vez de dizer: não, que ficar de braços abertos o todo o tempo, já não dá mais. Na verdade (se é que há alguma verdade neste contexto), você percebe que mudanças são necessárias e que elas não podem ser feitas ou tomadas por outra pessoa do que por você mesmo. 

 

A atriz Carmen Maura como Pepa em “Mulheres a beira de um ataque de nervos”