O tiro que não saiu pela culatra, 1989

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Ser pai ou ser mãe deve ser algo absolutamente difícil. Ultimamente tenho me questionado muito sobre a maternidade (se seria capaz de gerar um filho saudável e fazê-lo feliz, como seria a vida financeiramente e etc). As minhas amigas se tornaram mães e eu sempre piro quando penso no assunto. Temos 25 anos (uma delas 24, na segunda gravidez) e, enquanto elas parecem decididas do que querem e da vida que escolheram, eu ainda me sinto sem rumo, cheia de dúvidas sobre qual passo tomar. Outro dia li inúmeras matérias sobre mulheres que odeiam ser mães (esse é um papo para outra publicação), mas fiquei intrigada demais com isso… também teve o lance da Carmen Maura, (você pode ler aqui), que disse que amava os filhos, mas se pudesse voltar no tempo, não engravidaria novamente.

O assunto me fez lembrar de um filme. Há muito queria escrever pelo menos uma notinha sobre ele, mas eu sempre me esqueço e vou colocando outros assuntos à frente. “O tiro que não saiu pela culatra” de 1989 é uma comédia americana que conta a história de quatro irmãos (família Buckman) e de seus filhos. O título original é “Parenthood”, algo como… paternidade. É um filme que mescla drama e humor, muito legal por mostrar as imperfeições de cada pai (e mãe) e como eles se esforçam para  proporcionar o melhor para os filhos.

Gil, o personagem de Steve Martin, por exemplo, tem em seu histórico um péssimo relacionamento com o pai. Por isso ele tenta fazer de tudo para não entrar em conflito com os filhos, mesmo quando um deles enfrenta sérios problemas na escola. Por outro lado, Helen (interpretada por Dianne Wiest) é uma mãe divorciada que não consegue se comunicar direito com os dois filhos, Julie é rebelde e só pensa em namorar. Gary, deseja se reaproximar do pai e quebra a cara quando descobre que o pai tem outra família e não se preocupa com ele.

Nathan e Susan tentam criar a filha perfeita, são extremamente zelosos, exigentes e criam a menina como um ratinho de laboratório, feita para ser a melhor em tudo. E tem também Larry, que andava afastado da família, e quando volta…conta para todos que é pai e que o menino vai morar com ele.

Gosto muito da personagem da Dianne Wiest, a Helen. Há todo um questionamento sobre a vida sexual dela, como se depois de ter filhos crescidos, seu desejo sexual estivesse adormecido. Tem uma cena em que a família está reunida e a luz simplesmente acaba, daí o Gil encontram o vibrador dela e por engano, pensa que é uma lanterna, é muito engraçado!!, especialmente pela reação da família e dela, que não deixa a peteca cair. E o Gary, filho da Helen… tadinho, de cortar o coração. O menino super esperançoso por encontrar o pai e a decepção que sofre é grande demais…

AMO ESSE FILME, super indico! rss

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9 filmes sobre adoção

Ontem uma colega me pediu uma dica, disse que precisava de nomes de filmes sobre adoção pois queria assistir com umas crianças do colégio. Imediatamente lembrei de alguns, mas percebi que nunca prestei atenção sobre o tema. Em princípio, a ideia me pareceu fácil, mas quando fomos (juntas) colocar os títulos no papel conseguimos enumerar – sem a ajuda da internet, é claro – apenas nove! E, aliás, nem todos são infantis (o que me deixou um pouco frustrada). Relendo os títulos, não duvido que existam filmes mais apropriados…de qualquer forma, foi assim que a listinha ficou, dêem uma olhada:

1) O menino de ouro

ImagemNão sou muito fã desse filme porque além de inverossímil, carrega – em exagero – muitos clichês relacionados a drama familiares. Ainda assim, ele encabeça a lista porque é uma boa escolha para quem quer discutir adoção com uma criança. Além disso, o filme transborda humor, amor e magia e pode servir como passatempo. “Menino de ouro” é um filme de 2011, dirigido por Jonatah Newman, protagonizado por Toni Colette, Maurice Cole e Ioan Gruffudd. A trama conta a história de Alec e Zooey, um casal traumatizado pela morte de seu único filho. Anos depois do acidente eles decidem adotar uma criança e fazem uma rápida visita a um orfanato, lá avistam um menino lindo chamado Eli, mas não o levam para casa. Pouco tempo depois, Eli (que tem apenas sete anos) aparece inesperadamente na porta deles e afirma que a partir daquele momento serão uma família. Mesmo relutantes (já que não assinaram nenhum papel de adoção) o casal aceita Eli na casa. A chegada do garoto que provocas inúmeras surpresas e transformações na vida do casal.

2) O destino de uma vida

ImagemHá algum tempo comentei sobre esse filme no La Amora (confira!) e o coloco na lista porque  merece atenção. O Destino de uma vida (Losing Isaiah, 1995) é um daqueles dramalhões que te prendem do início ao fim. O longa conta a história de Khaila (Halle Berry), uma viciada em drogas que abandona o filho em um lixão. Por sorte, o garoto é salvo e vai parar no hospital. Lá, a assistente social Margaret (Jessica Lange) emocionalmente abalada pelo caso, decide adotá-lo. Passam-se dois anos, Khaila se reabilita e descobre que o filho, o pequeno Isaiah está vivo e então, decide recorrer à justiça por sua guarda. Ao longo da trama, a briga pela criança se torna também uma briga racial.

3) A estranha vida de Timothy GreenA estranha vida de TimothyEsse filme tem uma fotografia belíssima, é muito fofo e cheio de lirismo (aliás, tem uma pegada bem parecida com “Menino de Ouro” só que sem os exageros). A produção, dirigida por Peter Hedges, conta a história de Cindy e Jim (interpretados por Jennifer Garner e Joel Edgerton), um casal que já tentou de tudo, mas que não consegue ter filhos. Um dia os dois escrevem todas as características que gostariam que uma criança tivesse, colocam numa caixa e a enterram no quintal. Na manhã seguinte aparece na porta da casa um menino – já crescido – chamado Timothy Green. O garoto, além de ter misteriosas plantas crescendo em seus pés, possui todas as características que Cindy e Jim colocaram na caixa. Encantados, Cindy e Jim o levam para casa e passam a tratá-lo como filho, a medida em que cresce, Timothy transforma a vida de todos ao seu redor.

4) Meu Malvado Favorito

Meu malvado favoritoImperdível, encantador, delicioso! “Meu Malvado Favorito” é uma animação de 2010 que conta a história de Gru, um homem estranho que tem a ambição de ser o maior vilão do mundo. Enquanto disputa com Vetor pelo posto, Gru conta com a ajuda dos minions (uma multidão de bichinhos doidos, engraçados e amarelos!). Um dia, Gru se depara com três meninas orfãs que tentam lhe vender biscoitos, para não ser incomodado Gru as adota. Aos poucos ele vai sendo conquistado pelas garotas e começa a questionar seu plano maléfico de roubar a lua.

5) O pequeno Stuart Little

Stuart Litlle

Me sinto um pouco velha quando penso que assisti esse filme no cinema, quando tinha oito anos…anyway.  O pequeno Stuart Little tem uma daquelas lições deliciosas de que o amor e a união vencem no final, mesmo que um membro da família seja um rato. Produzido em 1999 e dirigido por Rob Minkoff, o filme conta a história do Sr e da Sr. Little, um casal que decide adotar uma criança e dar um irmãozinho para George. Um dia, os Little vão a um orfanato e se deparam com um rato que foi abandonado por seus pais e decidem adotá-lo. A chegada do pequeno traz muitas confusões para casa, a começar por Snowbell, o gato da família e por George, que não o aceita.

6) Juno

juno1Juno aborda diversos assuntos complexos (como gravidez na adolescência, barriga de aluguel e adoção) sem deixar que nenhum desses temas seja representado superficialmente, por isso o seu mérito. Produzido em 2007 e dirigido por Jason Reitman, o filme conta a história de uma jovem de 16 anos que engravidou acidentalmente e não sabe se deve criar a criança, abortar ou doá-la. Sem o apoio dos pais, nem do namorado, Juno pensa em abortar mas logo desiste da ideia. Com a ajuda de uma amiga procura por uma família perfeita para seu filho e acaba conhecendo Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal financeiramente estável que não consegue engravidar.

7) Matilda

still-of-mara-wilson-in-matildaNão sei se preciosa falar muito sobre esse filme, afinal… é um clássico! Matilda é um filme de 1995, dirigido por Danny DeVito. A trama conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças. Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

8) Uma família inesperada

Uma familia inesperada

Assisti esse filme há muito tempo, muito tempo mesmo, mas ficou grudado na memória. Em princípio não ia colocá-lo na lista porque tinha a impressão que seria difícil encontrá-lo, mas fazendo uma pesquisa rápida, descobri que ele é fácil de achar – inclusive, está disponível no Youtube (com legendas em português). Na trama, Stockard Channing interpreta Barbara Whitney, uma mulher independente que namora um pintor e não é muito chegada em crianças. Um dia, sua irmã aparece e pede que ela cuide de seus filhos já que não sente amor por eles e não tem nenhum pingo de responsabilidade. Preocupada com as crianças, Bárbara as leva pra casa e se vê em um beco sem saída porque não faz ideia de como cuidar delas. Ao longo do tempo, Barbara cria um laço de amor com os meninos e começa a se dar bem com eles. Inesperadamente,  a irmã de Bárbara volta e tentar recuperá-los. Desesperada, Bárbara trava uma batalha judicial para impedir que sua irmã leve seus filhos embora.  (Produzido em 1996 e dirigido por Larry Elikann).

9) Chá com Mussolini

Cher (10)A primeira vez em que vi esse filme, achei muito chato… Depois revi e fui prestando atenção nos detalhes, no cuidado com o cenário e com a reconstrução de época, além as atuações belíssimas (palmas para Maggie Smith!) e dos diálogos marcantes. É um filme que vale a pena! A trama conta a história de Luca Innocenti, um menino que perdeu a mãe muito cedo e que não é reconhecido pelo pai (já que nasceu “fora do casamento”). Lucas acaba sendo criado por sua babá Mary e ao longo dos anos, desenvolve um apreço pela arte (principalmente pela influencia de Elsa, uma americana colecionadora de quadros). As mulheres que o cercam vivem comentando sobre política, fazem críticas ferozes quanto a sociedade e debatem acerca da situação do país. (Filme de 2000, dirigido por Franco Zeffirelli.

Dei uma pesquisada na internet e acho que esses três sites podem ajudar em boas dicas sobre filmes relacionados a esse tema:

* Filhos Adotivos

* Portal da Adoção

*Angaad (Associação Nacional dos Grupos de Apoio à adoção)

 

Sobre cinema, bruxas e poções

Engraçado, repararam que eu estou com mania de fazer listas? Pois bem, então vamos a mais uma: Bruxas.  [Ok, eu sei que estamos longe do Halloween ou qualquer data do tipo, mas é que outro dia eu fiquei horas conversando com uma querida amiga sobre a fórmula: bruxas+ cinema e nos lembramos de diversos filmes e personagens relacionados ao tema. Eu também sei que existem inúmeras dessas listas iguais ou parecidas a essa em outros sites, mas me deixem divertir um pouco vai!].

1) A Bruxa Má do Oeste: “Voe, voe, voe!”Não é atoa que ela vem na primeira posição da lista. Em 1939, Margaret Hamilton imortalizava a ideia (muito explorada no cinema e na literatura) de que bruxas são feias e narigudas (é claro, aos poucos esse imagem foi mudando, mas demorou.) Em “O Magico de Oz”, filme mais famoso da Judy Garland, a Bruxa Má do Oeste tenta vingar a morte da irmã, a Bruxa má do Leste (que morreu esmagada por uma casa que apareceu do nada!). De quem era a casa? Isso mesmo, de Dorothy. Só pra constar, Margaret Hamilton leva mais uma vez o mérito, nenhuma atriz queria fazer a bruxa. Hamilton (que sempre era colocada em segundo plano, fazia papéis pequenos e chegou a passar necessidades pela falta de trabalho) aceitou logo de cara e, convenhamos, fez um trabalho inesquecível.

Bruxa do Oeste 2) Winie, Sarah e Mary: Eu já falei aqui (diversas vezes, eu sei!) do quanto adoro o “Abracadabra” e… Fala sério, é uma delícia de filme, não? A trama conta a história de três irmãs (famosas bruxas de Salem) que são ressuscitadas após 300 anos por dois adolescentes que se negavam a acreditar em “lendas do Haloween”. As irmãs enfrentam diversas dificuldades para se adequarem ao mundo contemporâneo e se unem para roubar a juventude de pequenas e indefesas criancinhas. Clássico da Disney!  [Aliás, a Bette Midler está sensacional, não tem como não se apaixonar pela Winie – minha preferida – ou por suas falas e trejeitos engraçados].

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Hocus Pocus3) Elvira (a Rainha das Trevas!): Cara, como eu adoro a Elvira (e como eu fico com raiva dessa nova geração que nem sabe qual é a do personagem – fiquei parecendo muito velha falando assim?). Cassandra Peterson estava linda e aliás, que peitos inesquecíveis. Elvira é sexy e decadente, e recebe uma inusitada herança: uma mansão que fica localizada em Fallwell, uma cidade pequena e repleta de pessoas conservadoras. A bruxa decide reformar a casa e vende-la para depois mudar-se para Los Angeles e realizar o sonho de ser famosa, mas nesse meio tempo, encontra diversos empecilhos: a começar pelo “Tio Vincent” que faz de tudo para roubar o seu livro de receitas. [Cena Memorável: Elvira tentando fazer uma sopa e, de repente, sai um bicho monstruoso da panela!]

eLVIRA4) Eva: “Segurem essa titiquinha!!!” . Se existe um filme de bruxas que me marcou, definitivamente seu nome é “Convenção das Bruxas”. Primeiro porque, desde “A Família Addams” eu nutria um amor lunático por Anjélica Huston e segundo porque toda vez que ele passava na Sessão da Tarde minha mãe me deixava faltar de aula para vê-lo  (eu realmente gostava muito).  O filme conta a história de Luke, um garotinho de dez anos que viaja com a avó para a Inglaterra após a morte de seus pais. Ao chegar no hotel, ele descobre que há uma estranha convenção acontecendo por ali. Diversas bruxas do mundo inteiro estão reunidas para receberem uma poção mágica que transforma crianças em ratos. Luke tenta avisar aos adultos sobre o que se passa, mas ninguém acredita nele até que o pequeno decide resolver a situação sozinho.

EVA5) Sally, Gillian, Frances e Jet. Já li diversas críticas negativas em relação a “Da magia à sedução”, pois eu… acho uma fofura! Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) fazem parte de uma família de bruxas que foram “amaldiçoadas”: todos os homens com que se envolvem, morrem. Protegidas por suas velhas e excêntricas tias, as duas se vêem envolvidas em uma rede de paixões da qual não conseguem se desevencilhar. Enquanto Sally tenta levar uma vida normal ao lado de suas duas filhas, Gillian se envolve com um homem violento que coloca a segurança de sua família em risco.

da magia a seduçãotumblr_mvjzw8ivcz1slwpnwo1_5006) Minerva McGonagall: Não poderia deixar de citá-la, a professora McGobagall, interpretada por Maggie Smith: é meu personagem preferido na saga de Harry Potter, aliás, adoro os momentos em que ela se transforma em gata. Severa, justiceira e disciplinadora, Minerva acompanhou e ajudou o jovem Harry e seus amigos em diversos momentos, tornando-se um personagem muito querido. Gosto muito do trabalho da Maggie Smith nesse filme, poucos sabem que ela sofreu de câncer durante as filmagens e sentia dores terríveis na coluna. Nessa mesma época ela precisou sofrer uma cirurgia e por causa da doença se afastou definitivamente do teatro, coisa que a deixou muito abalado porque Smith sempre amou os palcos.

maggie smith 7) Sukie, Jane e Alex: O quê dizer de um filme que traz uma mistura de Susan Sarandon, Cher, Michelle Pfeiffer, Jack Nicholson, magia, sexo e humor?

tumblr_mj83o7mkOz1rtg76ko1_250susan sarandonDirigido por George Miller e produzido em 1987, “As Bruxas de Eastwick” conta a história de três amigas  que se reúnem todas as quintas-feiras para assistir filmes e fofocar, normalmente elas discutem sobre homens e sonham em encontrar um perfeito par romântico. Entediadas com a pacata vida que levam na pequena cidade de Eastwick e diferente dos moradores conservadores da redondeza, as amigas chamam atenção de Daryl Van Horne, um homem misterioso e extremamente rico, que acaba se envolvendo com as três (ao mesmo tempo!). É claro que o caso não passa despercebido pela vizinhança que faz de tudo para atrapalhar a vida do grupo. A medida que se envolvem com Daryl (que é, na verdade, o próprio demônio em pessoa), as mulheres passam a desenvolver poderes e fazem de tudo para satisfazer seus desejos.

Uma lição de amor

Uma lição de amor é um daqueles filmes que se assiste com o lenço do lado. É difícil segurar as lágrimas em um longa tão dramático e bem construído. A trama traz a história de Sam (Sean Peann), um pai solteiro com deficiência mental que cria com a ajuda dos amigos sua pequena filha, Lucy (Dakota Fanning). Quando Lucy completa sete anos e começa a superar a inteligência do pai, uma assistente social decide colocá-la em um orfanato. Desesperado, Sam procura a ajuda da advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) para tentar recuperar a guarda da filha.

 Dirigido e roteirizado por Jessie Nelson (Lado a Lado, Corina uma babá perfeita), ‘I am Sam’ (título original em inglês) é uma produção que acerta na abordagem, no roteiro bem construído, na fotografia, nas atuações e na incrível trilha sonora. Falando assim, parece até exagero, mas o fato é que Nelson fez um trabalho notório: soube utilizar câmera subjetivas, construiu uma iluminação perfeita e criou uma atmosfera respeitável: apesar do tema denso, a perspectiva é leve e dinâmica.Uma lição de amorSean Penn está incrível, se sobressai de todas as formas. Inclusive, há quem diga que ele improvisou grande parte de suas falas, o que torna o seu trabalho ainda mais admirável. Dakota Fanning por sí só já é uma delícia de se ver em tela, a garota esbanja fofura e inteligência e não fica pra trás quando contracena com monstros do cinema americano, entre eles Dianne Wiest.

Quem acompanha o La Amora sabe que Wiest é um dos meus grandes amores e é fato que, apesar da atriz ter uma participação pequena no filme, sua personagem – uma pianista com transtorno compulsivo que não sai de casa há 28 anos e ajuda Sam a criar Lucy – é marcante e fundamental para a trama. Michelle Pfeiffer – que mulher linda! – teve a inteligência de não deixar seu personagem cair no clichê e fez de Rita (uma advogada atribulada e com problemas familiares) um personagem forte e carismático.

I am Samtumblr_mcyp43Xolx1qbnr62o1_500Uma das questões que o filme levanta – e que talvez não fique bem claro no início – é a relação entre pais e filhos (não só entre Sam e Lucy), o argumento é muito mais abrangente do que isso. Os diálogos, em sua maioria com um toque sentimental, nos coloca contra a parede quando pergunta: existe alguém perfeito quando o assunto é a criação dos filhos?  Quem é mais bem sucedido: Rita – uma advogada de sucesso que não tem tempo para ficar com o filho ou Sam, um doente mental que trabalha em uma cafeteria e tem uma filha que é apaixonada por ele?

Sam faz de tudo para ficar perto da filha, ele até se muda para uma casa ao lado onde ela vive com os pais adotivos e arruma outro emprego para complementar a renda. O interessante é que não há ‘vilões’ nessa historia, apenas diferentes pontos de vista. A mãe adotiva tenta conquistar Lucy de várias maneiras e por fim reconhece que, apesar do retardo de Sam, Lucy teve o principal: amor.

Filme lindo e delicioso, daqueles que a gente não se cansa de ver. Boa pedida num dia chuvoso… 🙂

It’s a man’s world

O título da publicação é sugestivo mas refere-se ao filme que vi na semana passada com a Dianne Wiest e Whoopi Goldberg. “O sócio” (1996, dirigido por Donald Petrie ) é uma adaptação da produção francesa de 1979, “L’Associé” que conta a história de Laurel Ayres, uma mulher imagesnegra especialista em mercado financeiro que apesar do talento, não consegue ascender na carreira. Depois de perder um cargo importante para um colega golpista e menos competente que ela, Laurel pede demissão e decide abrir uma empresa e para isso, recebe ajuda de Sally (Wiest), uma super secretária.  Mesmo com tanto talento e dedicação, Laurel não consegue encontrar um sócio para sua empresa (primeiro porque ela é mulher e segundo porque é negra). A empresária então, decide inventar um sócio (um homem, mais velho e branco) que lhe garante visibilidade aos negócios, mas que lhe traz sérios problemas.

Há dois aspectos que me chamaram atenção logo no início do filme. A música ‘It’s a man’s world, criada e mundialmente conhecida na voz do James Brown é cantada por uma mulher. Outro ponto interessante é que o trabalho gráfico da abertura é uma referência aos monitores de computador de fósforo verde. É engraçado ver todo aquele aparelhamento, que provavelmente na época eram de última geração e que hoje estão totalmente ultrapassados. Os computadores ainda tinham aquelas letrinhas verdes subindo pela tela e os celulares eram enormes.

 DiannewiestO filme é leve e carrega alguns clichês, mas nada que comprometa o efeito surpresa da trama. Logo no início, acompanhamos o desgaste que Laurel enfrenta para conseguir um acordo com sócios importantes da empresa para a qual trabalha. Ironicamente, seu colega de trabalho, burla as regras e leva o mérito de ter conseguido novos parceiros. Há uma conversa interessante que acontece quando Laurel vai atrás dele e pergunta qual foi o motivo de tê-la passado para trás. Ele então responde: “Você nunca seria vice-presidente e sabe muito bem porque”. É nesse momento que Laurel se demite da empresa e resolve abrir seu próprio negócio. Outro aspecto interessante é que, desde a primeira cena, Sally está presente na tela. No entanto, sua figura é tão secundária que ela aparece de relance, com poucas falas, arrumando as mesas ou a gravata do chefe. Ninguém lhe dá o devido valor ali, nem mesmo Laurel.

Laurel abre a empresa e encontra conflitos usuais. Ninguém quer ser seu sócio, independente da sua capacidade. Tudo porque ela não possui nome, ou seja, não é conhecida na área. Inesperadamente, Laurel recebe uma visita de Sally. Ela tenta fingir que está tudo sobre controle, mas Sally logo percebe o problema da colega. Ainda descrente que Sally poderia ajudá-la, Laurel pede que Sally vá embora. A secretária então diz: “O feminismo ainda não chegou em Wall Street”. Sally liga para uma amiga, a secretária de um importante empresário e consegue marcar um horário para Laurel com ele. Só então Laurel percebe o valor da doce secretária e então a convida para trabalhar com ela.

o sócioOutra passagem que eu gosto muito no filme acontece quando Laurel chega em casa devastada pelo insucesso da primeira tentativa da empresa. Sua vizinha bate em sua porta e pergunta: “Você tem sua carreira, mas quando chega em casa o que tem?” e Laurel responde: eu tenho Independência. Mas para isso ela teve que mentir: teve que dizer que sua empresa também é administrada por um homem (que não existe) chamado “Cuty”. Sua credibilidade agora depende dele e ela passa a burlar os encontros, fingindo que o Senhor Cuty está viajando ou que ele tem pavor de ser visto publicamente. Enquanto acompanhamos o crescimento da sua empresa, o colega de Laurel (aquele que a passou para trás) começa a enfrentar problemas no serviço. Na teoria ele é um ótimo especialista, mas na prática, não dá conta.

Como todo bom filme de comédia dos anos 90, O Sócio tem lá seus clichês. O primeiro e inevitável é a secretária gostosa que dorme com os homens por interesse. “Querem levar a gente pra cama e essa é a nossa força”.  O outro é a jornalista interesseira e irresponsável que não mede esforços para conseguir uma entrevista com o senhor Cuty. “Para escrever sobre a Laurel, a imprensa precisa conhecer o Cuty”

WhoopidiannewiestLaurel faz de tudo para esconder a inexistência do Cuty, mas a situação fica da vez mais insustentável. Ela descobre que Sally já sabia que Cuty era uma invenção e então conta com a sua ajuda para forjar a morte do sócio. As duas (em uma cena divertida e surreal) colocam uma caveira de mentira em um carro com um explosivo. O feitiço acaba virando contra o feiticeiro e elas são acusadas de matá-lo.

Brilhantemente, para fugir das acusações, Laurel resolve dar vida a Cuty e se traveste de um homem branco. Sem duvidas, seu surgimento é um dos momentos mais agradáveis da trama. Há uma premiação que acontece em um clube onde só é permitida a entrada de homens. Laurel entra no clube, mas ninguém a reconhece. O grande vencedor do premio é o Senhor Cuty e ela, sem pensar duas vezes, vai recebê-lo. Já no inicio do discurso ela diz uma frase que me agrada muito: “O termo exclusivo significa excluir”. Outra coisa que eu gosto muito é que no bar, todos os garçons são negros e são eles que começam a aplaudi-la.

Ficha técnica:

O Sócio / The Associate
Direção: Donald Petrie
Elenco: Whoopi Goldberg, Dianne Wiest e Eli Wallach
Gênero: Comédia
Duração: 108 min.

Whoppi Goldberg totalmente travestida e irreconhecível como Cuty,

Whoppi Goldberg totalmente travestida e irreconhecível como Cuty,

Escada para protagonista

Dianne wiest Ontem encontrei um site americano dedicado ao trabalho teatral da Dianne Wiest. Há inúmeras entrevistas e críticas jornalísticas disponíveis onde ela fala sobre aspectos da carreira e da vida particular. Encontrei também no Google Books um livro escrito por Rosemarie Tichler e Barry Jay Kaplan “Actors at Work’, onde ela fala como decidiu seguir a carreira e quais foram os seus melhores desempenhos. Em um dos artigos do site, bastante descritivo aliás, Wiest comenta sobre Helen Sinclair, personagem que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1995. A jornalista descreve o enorme apartamento de Dianne no Upper West Side em NY e conta que a atriz apareceu para a entrevista com o cabelo escuro, estilo anos 30. Com seu marcante tom de voz, Dianne conta para a entrevistadora que pensou em desistir do papel (escrito por Woody Allen, especialmente para ela), por que não conseguia fazer o que ele exigia: falar alto. Ela reuniu-se com Allen e disse que não se importaria se fosse dispensada. Ele então insistiu docemente e disse que nenhuma faria aquele papel se não fosse ela.

A entrevista foi realizada pouco tempo depois que Dianne ganhou o Oscar e pela quantidade de matérias disponíveis  no site (realizadas na época) fica muito claro o assédio que o ator sofre depois que ganha um prêmio desses. Dentre inúmeras coisas, Wiest disse foi bailarina até os 19 anos, quando decidiu se tornar atriz. Ela já havia feito alguns trabalhos no teatro, mas foi exatamente Woody Allen que trouxe visibilidade para sua carreira já que ele a escalou para A Rosa Púrpura do Cairo, seu primeiro trabalho no cinema. Gosto especialmente o que ela revela sobre Tiros da Brodway pois há uma admiração muito grande em suas palavras.

Para ela, Helen Sinclair foi um desafio inigualável: tanto de entonação, quanto corporal. Ela brinca que o beijo de John Cusack é muito bom, apesar de estranhar sua pouca idade.Wiest estava com 47 anos e Cusack com 28. Ela revelou que Allen intencionalmente a fez parecer mais velha na trama, para evidenciar a diferença de idade entre os personagens.  Cusack mais tarde afirmou que sempre achou Dianne Wiest belíssima e atraente, portanto, não teve nenhum problema em beijá-la. Ele chegou a brincar que nada se iguala ao beijo em que deu em Anjélica Huston em Os Imorais (filme em que ela interpretava sua mãe e, depois do beijo, cortava sua garganta). Dianne então conta que a entonação que usava no filme quase estouravam os microfones, era como transpor o teatro para um pequeno cenário.

Dianne Wiest e Woody Allen

A jornalista então pergunta sobre planos futuros e ela diz que não há nada em mente além de ser mãe em tempo integral. Dianne, na época, viva com suas duas filhas (uma de sete e outra de três anos) e dizia que tudo mudara depois de tê-las adotado. A jornalista a chama de mãe solteira e Wiest reforça que essa foi a melhor escolha da sua vida. Na entrevista, a atriz reflete sobre um ponto que me chamou atenção (e que inclusive é ao que se refere o título dessa publicação). Ela dizia que não nutria mais ilusões de receber um trabalho de destaque e que se sentia muito feliz e orgulhosa pelo papel que Hollywood lhe reservara: o de coadjuvante. Para Wiest, na idade em que ela se encontrava, nunca iriam contratá-la para atuar em um filme de ação ou um filme sensual, mas que ela se contentava com isso (e que se sentia grata).

No livro “Actors at Work” há também um belo trabalho descritivo: os autores contam que a aguardavam em um pequeno e chique restaurante de Nova York e que ela chegou perfeitamente na hora marcada. A atriz sentou-se em uma enorme mesa preta e logo foi contando que havia se acidentado no set de filmagens do filme “Dedication”, de 2007, onde ela fazia o papel da mãe da atriz Mandy Moore. Dianne aceitou as uvas que o garçom lhe oferecera e disse que só iria comer depois da entrevista. Ela também se desculpou inúmeras vezes por não ser muito boa em dar entrevistas.

No decorrer da conversa, Dianne conta como começou a trabalhar em Law & Order e porque decidiu sair. Dianne participou de 48 episódios entre 2000 e 2001 onde fazia o papel de Nora Lewin, uma promotora de justiça. Ela dizia que aceitou o convite de Dick Wolf sem saber exatamente onde estava se metendo. O início do trabalho já foi desestimulante pois ninguém lhe explicou direito qual a origem do personagem, suas motivações: tudo era automatizado e repetitivo. Em um episódio a promotora decide sentenciar um menor de idade a pena de morte. Dianne negou filmar essa cena porque sabia do peso de uma narrativa como aquela, sendo transmitida para milhões de pessoas. Ela também afirmou que chegaram a dizer que ela tinha um caso com Samuel Waterston e que dentre vários murmúrios, diziam que ela estava sendo beneficiada por ser amante do ator. Decidiu então, largar o programa.

Os autores voltam a lhe fazer uma pergunta recorrente: o que ela sente quando lhe chamam de atriz coadjuvante. Dianne brinca que nunca foi sexualmente atraente. O autor a corrige e diz: “você não é uma Marilyn Monroe, mas é muito bonita”. Ela então volta a comentar que essa pretensão de ser destaque já saiu de sua mente faz tempo. Hoje Dianne pode escolher onde, como e com quem quer atuar e esse, sem dúvidas, é um beneficio de poucos.

Em suma, o que me levou a escrever essa publicação é que desde que comecei a acompanhar o trabalho de Wiest, fiquei inquieta ao perceber o quanto ela foi deixada de lado. O único filme em que me lembro de vê-la como protagonista foi “Obrigada, Doutor Rey” de 2002, ainda assim dificílimo de achar (e pouco divulgado). O fato de ser coadjuvante não a incomoda o que de alguma forma, é um alívio. Acho que uma atriz com um repertório como o dela, não pode (de jeito nenhum) cair no esquecimento.

In Treatment: Paul e Gina

pAUL E GINA

Paul e Gina, 2ª Temporada: Na segunda temporada, o surgimento de Paul no escritório de Gina é tão inesperado quanto na primeira. Mas dessa vez, o enfoque da relação dos dois está ainda mais interessante. Paul surge pedindo que Gina aceite depor em seu favor. Um de seus pacientes cometeu suicídio e ele foi processado por negligência. Na verdade, o processo é um grande risco para Paul: caso seja julgado como culpado precisará pagar uma fortuna e ainda, perde a licença. Ele afirma diversas vezes que está cansado dos pacientes e que não quer continuar com o trabalho. Seus questionamentos são diretamente jogados sobre Gina, como se ele buscasse nela, a solução para os seus problemas. Os diálogos, como na primeira temporada, são carregados de um coloquialismo muito interessante que reforça a ideia de familiaridade entre os dois. Além disso, o clima fica ainda mais empolgante com o encontro de Paul com Tammy Kent. (Tammy foi uma antiga namorada de Paul e “coincidentemente” é paciente de Gina).

O livro de Gina foi um sucesso de crítica, mas Paul afirma que ainda não está preparado para lê-lo. O primeiro encontro dos dois é apenas amigável e mesmo assim, Paul volta a questiona-la sobre a psicologia. “Você não se cansa de escutar as pessoas?” Sua presença naquela sala, como diria momentos depois continua sendo um pedido de ajuda (ainda que repleto de arrogância). Paul revela que sua vida é um grande caos (está se separando da mulher, tem problemas com os pais e quer largar à carreira). Há uma extensa reflexão sobre a temporada anterior: Paul afirma que não entende como se deixou cegar de amor por uma paciente (Laura) e de alguma forma, se permitiu ultrapassar as barreira éticas da profissão (o que Gina ‘religiosamente’ chamava de essência).

A segunda temporada expõe discussões muito mais interessantes e é impossível não prender a atenção em cada episódio. Um conhecido meu, que inclusive indicou a série, disse uma coisa certíssima: os diálogos são à base da produção inteira e talvez, por isso, temos a impressão de ser um programa lento. Na verdade, In Treatment não é uma série pra qualquer um: as cenas são carregadas de diálogos e reflexões complexas sobre a vida, sobre a família, sobre a morte, etc…

Em um dos episódios, Paul está completamente desnorteado porque não sabe o que fazer com o pai doente. Suas lembranças o fazem recordar das diversas crises nervosas da mãe, que era bipolar. Enquanto Paul via sua mãe definhar emocionalmente, seu pai (que era médico) se encontrava com outras mulheres.  A dor reprimida pelo personagem quase transborda em seus diálogos. Ele se nega a visitar o pai, com medo de ser rejeitado novamente. Gina percebe claramente que Paul transfere esse medo para os filhos: ele teme não ser um bom pai.

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Paul: Eu sinto ódio dele.
Gina: O seu ódio nasceu para você se proteger da rejeição. Você não tinha escolha, ele era o único que tinha escolha dentro daquela casa.
 

O pai de Paul falece e todo o sentimento sobre o passado vem à tona. Com muita raiva, Paul se lembra de sua ausência e de seu descomprometimento com a família. Ele começa a se questionar se o amor que o pai tinha por ele era verdadeiro. Sabiamente, Gina o faz pensar sobre o outro lado da moeda. Um médico que não consegue curar a própria mulher percebe seu fracasso e acaba refugiando-se em outras coisas. “A morte deixa muitas perguntas sem respostas, ninguém nasceu pronto para ser pai”. Paul começa a destruir o muro sobre seus sentimentos, confessa que pediu perdão ao pai antes de vê-lo morrer. Gina então tem uma reflexão belíssima. Ela afirma: “Uma das coisas mais confusas em problemas emocionais em uma família é que pode parecer injusta e aleatória. Como um acidente em uma estrada. Todos estão no carro, mas você foi o único que atravessou o vidro”.

 Meu pai me amava, então ele fez o que pode?
-Não, seu pai te amava e ele fez o que fez… E você o amou e o odiou porque ele te ignorou. Não se pode racionalizar o amor.
 
ginapaul
 

Na segunda temporada há também um momento marcante. Apesar das inúmeras ofensas que escuta de Paul, Gina sempre se porta com elegância e paciência. Só há um momento em que ela não consegue se segurar e acaba discutindo com ele. Paul volta a repetir que Gina é uma mulher fria, que não se preocupa com os pacientes e que não dá a mínima para o que eles estão sentindo. Ele a acusa de ser uma psicoterapeuta ortodoxa que julga seus pacientes ao invés de ajudá-los. Gina não aguenta a pressão e finalmente diz o que realmente acha de Paul. Depois de chama-lo de idiota e de “pé-no-saco”, Gina revela que a terapia dele avançou muito pouco e que seu trabalho tem interferido no seu comportamento. Por fim, conclui que Paul quer que Gina faça o papel de pai (autoritária), que Gina o rejeite para que ele possa se sentir inocente e que ela diga quem ele é e o que fazer. “Você vem aqui toda semana e despeja em mim as mesmas porcarias de sempre.’

O último encontro do dois é de uma sutileza muito grande. O episódio inicia-se com Gina lendo uma carta onde Paul renuncia a profissão e assume sua responsabilidade sobre a morte do paciente. Ela guarda a carta na gaveta e tranca como garantia de que aquelas afirmações nunca sejam publicadas. No encontro, Paul relembra os tempos de faculdade, quando ele e os colegas estavam apaixonados por Gina. Eles queriam saber onde ela morava, se era casada e se tinha filhos. Um dia, Paul encontrou Gina e seu marido em um restaurante e ficou se perguntando porque ela estava casada com ele.  Os dois se lembram de como brigavam na sala de aula. “Você discutia sobre tudo o que eu falava”, “Sim, mas você nos fazia discutir, essa era a sua técnica”. Depois de insistir muito, Paul descobre que Gina tem um encontro, que ela está tentando recomeçar.

 
Paul: Você é uma excelente terapeuta Gina, eu não sobreviveria sem você.
Gina: Obrigada. Paul, esta seria a hora em que eu deveria dizer: ‘A minha porta está sempre aberta’, mas eu não vou dizer isso.
Paul: Eu entendo…

Sinédoque, Nova York

synecdoche new yorkOntem de madrugada me peguei chorando por um filme sem pé nem cabeça. Hoje de manhã fiz a mesmíssima coisa. Como disse num post anterior, desde que vi “A Estranha vida de Timothy Green” senti uma vontade incontrolável de assistir os filmes da Dianne Wiest. “Sinédoque, Nova York” entrou na lista. Já tinha visto ao trailer e já li inúmeras críticas. Porém o filme foi uma surpresa boa, boa até demais. Me atrevo a dizer que é um dos melhores filmes que eu já vi na vida. Pensei muito sobre o que escreveria sobre ele. Não há uma receita pronta, uma sinopse simples e fechada. Não há uma interpretação exata, uma formula. No grupo de cinema que participo, disseram que Charlie Kaufman fez um filme que te dá sensações diferentes a cada vez que for revisto. Se você o assistir daqui há dois anos, terá uma ideia diferente da mensagem final.

Kaufman é conhecido pelos seus roteiros absurdos e viajados como “Adaptação” e “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Mas esse é o primeiro em que trabalha como diretor. Não fica atrás dos outros. Existe uma polêmica muito grande sobre o longa: no mesmo ano, por exemplo, ganhou o prêmio de melhor e de pior filme. Alguns dizem que é inexpressivo, exagerado. Outros (dos quais eu faço parte), dizem que é uma obra prima. Acontece que o filme tem um forte tom fatalista e Kaufman não economiza nas metáforas (tanto dramáticas, quanto plásticas e ideológicas). Além disso, o roteiro não é linear (na trama se passam quarenta anos e você quase não percebe).  Esse “no-continuum” deixou muitos espectadores perdidos por aí. Eu fui um deles. Me perdi e me encontrei diversas vezes enquanto assistia.

Quero muito falar sobre as impressões que tive sobre o filme, mas antes de tudo, tenho que admitir uma gafe. Quando vi o título, pensei que Sinédoque se referia a uma cidade ou a um estado. Após uma rápida pesquisa, descobri que sinédoque (ou synecdoche, em inglês) é uma figura de linguagem muito parecida com a metonímia. É quando a parte refere-se ao todo. Um exemplo seria: “eu não tenho um teto para dormir”, o teto refere-se à casa. Talvez a sinédoque do filme trata-se justamente da peça de teatro que o personagem principal passa a vida tentando concluir. Talvez a palavra nos impulsione a refletir que aquele mundo ficcional criado pelo personagem é a sinédoque de NY, ou do mundo, ou da vida. Pode ser isso. Pode não ser nada disso.

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Sinédoque, Nova York conta a história de Caden (Philip Seymour Hoffman ) um dramaturgo hipocondríaco casado com a pintora Adele(Catherine Keener) com quem tem uma filha de quatro anos, Olive. Desde o inicio da trama temos indícios de que o casamento não vai bem. Adele aparenta um aspecto cansado e desinteressado diante aos problemas do marido. O cenário (uma casa pequena e escura), ajuda a acentuar o clima de desconforto dos personagens. No dia da estreia da peça de Caden, Adele diz que precisa ficar em casa para terminar suas pinturas. Quando ele chega em casa, entusiasmado com o sucesso de crítica, encontra a mulher e a amiga, Maria, em pleno êxtase após usarem drogas. Os dois visitam uma terapeuta e em uma de suas confissões, Adele afirma que queria que o marido morresse, para que assim pudesse recomeçar a vida,sem se sentir culpada.

Caden é uma figura simpática e é muito claro a sua predisposição em tentar compreender a esposa. No entanto, Adele, totalmente angustiada, decide viajar por uma semana para a Alemanha, levando junto a amiga Maria e a pequena Olive. Inicia-se na trama uma narrativa desconexa. As doenças de Caden começam a sobressair em sua pele, o tempo parece não ser mais o mesmo. Em um dos ensaios da peça, Caden recebe uma “cantada” de Hazel (Samantha Morton), a garota da bilheteria. Apesar das investidas, Caden afirma que é um homem casado e que sua mulher está há uma semana na Alemanha. Ela por sua vez, responde: “preciso lhe comprar um calendário já que ela está na Alemanha há um ano”.

synecdoche_new_york12Caden tenta inúmeras vezes falar com a mulher. Em uma dessas, por telefone, Adele o chama de “Ellen” e por fim, afirma que ficou famosa. Ele então recebe uma inesperada notícia: ganhou um grande prêmio que irá financiar sua próxima obra, não importa o quanto for gasto. Caden encontra um enorme galpão, onde reproduz Nova York e contrata milhares de atores para encenar a peça. Como ele mesmo diz, a peça será sobre morte, sobre a vida, sobre os encontros e sobre os sentimentos. Quanto mais vai produzindo, mais vai sendo imergido por uma tristeza inigualável.

Com um impecável trabalho metalinguístico, Caden contrata atores para encenar figuras do seu cotidiano. Atrás de uma perfeição inatingível, o dramaturgo perde anos de sua vida, tentando montar uma peça que provavelmente não será encenada. Para cada personagem, ele escreve todos os dias, um bilhetinho, onde determina o que deve ser feito. Essa precisão detalhada, confunde-se com seu cotidiano perturbado e infeliz. Ele anda, anda, mas não consegue sair do lugar. Nesse meio tempo, Caden casa-se com Claire (Michelle Williams), uma das atrizes da peça. Desolada, Hazel (a garota da bilheteria) decide abandonar o projeto e se casar com outro homem. O tempo passa, Caden tem outra filha, mas não consegue deixar de se perturbar sobre o paradeiro de Olive.

Caden aguarda o atendimento médico no hospital e folheando umasynecdoche revista, vê uma foto da filha Olive (agora com onze anos) com os braços e grande parte do corpo tatuado de enormes flores vermelhas. Desolado, Caden vai à Alemanha para entender o que está acontecendo com a filha e consegue descobrir qual é o apartamento da ex-mulher.  Ele bate na porta, mas ninguém o atende, até que uma senhora (já muito velhinha) pergunta se ele se chama Helen. Caden responde que sim. A mulher então lhe entrega a chave e diz que Adele pediu que ele (ou ela?) fizesse toda a limpeza.  Caden passa a frequentar a casa e sempre encontra as mesmas condições: o chuveiro ligado, lençóis desarrumados e um vaso sanitário para limpar. Ele também encontra cartas de Adele direcionadas a Helen, onde ela vai lhe contando sobre a vida.

Ao mesmo tempo, o dramaturgo tenta continuar com o seu trabalho e todos os dias vai ao galpão para organizar os ensaios. Desolada, sua atual mulher: Lucy resolve abandoná-lo e passa a namorar com outro homem (um ator que conheceu quando decidiu largar a peça do marido). Ironicamente, Hazel (a garota da bilheteria) que também se casou, teve filhos e se distanciou de Caden, pede para voltar a trabalhar com ele, já que está desempregada. Nesse meio tempo, Caden encontra Olive, sua filha. Olive está morrendo, as tatuagens (feitas por Maria) provocaram sérias infecções em seu corpo. Em uma cena dramática, Olive pede que Caden lhe peça desculpas por tê-la abandonado. Ele diz que nunca a abandonou, quando na verdade, sua mãe, fugiu com Maria para a Alemanha. Ainda assim, Olive insiste que Caden repita a frase: “Me desculpe por abandonar você para manter uma relação homossexual com Eric”. Olive morre e não perdoa o pai.

Hazel passa a atuar como a secretária de Caden. Ela o ajuda a contratar um ator para interpretá-lo e dentre outros personagens, também o ajuda a encontrar uma atriz para interpretar Helen (a mulher da limpeza). Mas o tempo está visivelmente passando para o produtor e para os atores. Mesmo assim, Caden não sabe o que fazer com a peça. Muitos atores morrem, outros abandonam o espetáculo. A própria Hazel acaba falecendo pouco tempo depois, intoxicada pela fumaça da casa onde morava. Caden está definhando, já está velho, cansado, sem cabelos e sem saúde. A atriz que interpreta Helen então sugere: vemos trocar de lugar: eu interpreto Caden e vou dirigindo você, enquanto você interpreta Helen.

Metáforas:

Todo o filme, como disse anteriormente é muito subjetivo. As metáforas, portanto, estão sujeitas a diversas interpretações e pontos de vista. A mais interessante delas é a casa que pega fogo. Ao que tudo indica, Kaufman queria evidenciar que sempre sofremos as consequências dos nossos atos, todas as nossas escolhas condicionam o nosso futuro. Quando Hazel decide morar em uma casa que pega fogo ela sabe que pode morrer intoxicada (e é justamente o que acontece). A metáfora também pode estar ligada ao discurso do padre:” Há um milhão de pequenos textos… anexados a cada escolha que você faz. Você pode destruir sua vida, cada vez que você escolher”

Outro belo momento acontece quando Caden vê a caixa que deu de presente para Olive no lixo e como não consegue lacrimejar, usa um colírio para tentar ilustrar sua dor. Kaufman ironiza a artificialidade do cotidiano, a banalidade com que tratamos nossas dores e decepções mais profundas. Aliás, me lembrei de outra cena interessante: Quando Caden visita Olive (que está morrendo no hospital) ela o obriga a dizer que a abandonou para viver um caso homossexual com um homem chamado ‘Erick’. No final do filme, vemos a empregada Ellen com o marido e dizer que ‘Erick’ a odeia.

Frases Marcantes:

 – Mas enquanto está vivo, você espera em vão, desperdiçando anos por um telefonema ou uma carta ou um olhar de alguém ou alguma coisa para fazer tudo certo. E isso nunca vem… ou parece vir mas não vem realmente. Então você passa seu tempo em vago arrependimento… ou vaga esperança que alguma coisa boa virá adiante. Algo para fazer você se sentir conectado. Algo para fazer você se sentir inteiro. Algo para fazer você se sentir amado. E a verdade é… eu sinto tanta raiva! E a verdade é… eu sinto tanta porra de tristeza! E a verdade é… eu tenho me sentido tão magoado por muito tempo. E por muito tempo eu venho fingindo que estou bem apenas para seguir adiante, apenas para… Eu não sei por quê. Talvez porquê ninguém queira ouvir sobre meu sofrimento… porquê eles tenham os seus próprios. Foda-se todo mundo. Amém.”

– “O que esteve antes com você, um excitante e misterioso futuro está agora atrás de você. Vivido, entendido, decepcionante. Você percebeu que não era especial. Você tem lutado em sua existência e agora está deslizando silenciosamente para fora dela. Esta é a experiência de cada um. De cada um. Os detalhes dificilmente importam. Cada um é cada um. Assim, você é Adele, Olive, Hazel, Claire. Você é Ellen. Toda a miserável tristeza dela é sua. Toda a solidão dela. O cabelo cinza, como palha. As mãos dela, feridas e vermelhas. São suas. É tempo de você entender isso. (Ande). Como as pessoas que adoram você e param de lhe adorar. Como se morressem, como se seguissem em frente… Como se você as tirasse, como você tirou sua beleza, sua juventude. Como se o mundo esquecesse de você, como você identificasse sua transitoriedade. Como se você começasse a perder suas características, uma por uma. Como se aprendesse que não há ninguém olhando você, e nunca houve. Você pensa apenas em dirigir, não vindo de algum lugar, não chegando em algum lugar: apenas dirigir. Contando o tempo. Agora você está aqui. São 7:43. Agora você está aqui. São 7:44. Agora você está… chegando. ‘

-“Talvez um novo titulo.’Doenças infecciosas em bovinos’. O título significa muitas coisas.Você verá,significa muito.” / A Obscura Lua, Iluminando um Obscuro Mundo”

Setembro

Não sei por que, mas nunca fui muito fã dos filmes de Woody Allen. Dois deles em especial me pareceram muito bons. São justamente os que foram classificados pelos críticos como filmes trágicos, produções que vão em contraponto ao costume de Allen conhecido por realizar comédias românticas e satíricas.

O primeiro é “A outra”, filme de 1988 estrelado por Mia Farrow e Gena Rowlands. O segundo, “Setembro” de 1987. Desde que assisti “A estranha vida de Timothy Green” senti uma vontade imensa de rever os filmes com a Dianne Wiest e por isso, não tive como fugir de Woody Allen. Comprei doze de seus filmes sendo que cinco deles são do diretor.

Dianne Wiest , Mia Farrow

Comecei ontem por “Setembro”. Ironicamente, o filme que me encantou pela proposta cenográfica e pelos diálogos é um dos mais rejeitados e esquecidos. Setembro traz Mia Farrow como Lane, uma mulher emocionalmente fragilizada que não consegue se livrar das marcas dolorosas do passado. Lane sofre um colapso emocional e decide se mudar para a casa onde passou a maior parte da infância.

Lá ela conhece e começa a se relacionar com Peter (Sam Waterston), um escritor em crise. Toda a história se passa dentro da casa da mãe de Lane que também é ambientada por Stephanie (Dianne Wiest), melhor amiga de Lane, Howard (Denholm Elliott) um velho professor aposentado, Diane (Elaine Stritch) mãe de Lane e Lloyd (Jack Warde), seu namorado.

Gostei do filme porque é melancólico, mas com um tom realista.  Os diálogos são tão teatrais quanto literários e a previsibilidade não é, de forma alguma, um ponto negativo. Allen trabalha bem os conflitos humanos e representa a realidade crua, sem floreamentos. É interessante como ele cria uma teia de relacionamento entre os personagens que quase transborda pela tela.  Lane está tão emocionalmente frágil quanto às outras pessoas daquela casa, o problema é que ela se esvai enquanto eles se reprimem.

Há três vertentes importantes no filme, a primeira é o relacionamento entre Lane e Diane. Depois de abandonar o marido, Diane começou a se relacionar com um “bandido”. O homem era um alcoólatra e constantemente batia nela. Após presenciar toda aquela situação doentia que envolvia a mãe, Lane (aos quatorze anos) decide matá-lo. Desde então, sua vida não foi a mesma.

Todo o sentimento de culpa é ainda agravado por uma sensação constante: Lane chegou aos cinquenta anos e não teve uma vida de sucesso. Diante desse turbilhão de emoções, a presença da mãe a incomoda cada vez mais. Diane, por outro lado, parece não se importar tanto com a dor da filha. Seu maior aborrecimento é a velhice, sente-se como uma jovem de 21 anos aprisionada no corpo de uma idosa.

Setembro

A segunda é a relação entre Peter e Stephie. Peter manteve um relacionamento com Lane, deixando-a completamente apaixonada. Mas a chegada de Stephie muda a situação. Peter se encanta por Stephie e passa a assediá-la. Ela, por outro lado, é uma mulher casada e com filhos e se esquiva de Peter o tempo todo, principalmente porque Lane, sua melhor amiga, se apaixonou por ele.

Achei belíssima a forma em que Stephie foi se entregando a Peter. Após uma discussão acalorada com o marido pelo telefone, Peter a procura e ela veemente se nega a sair com ele, até que de repente, fecha a porta e o beija.

Desde então, os dois passam a se encontrar escondido. Peter propõe que fujam juntos para Paris.  Apesar de toda paixão, Stephie sabe que não consegue abandonar os filhos e o marido. Quando os dois são descobertos por Lane, Stephie confessa que sabia do interesse de Peter e que o alimentava. Ela ficou encantada por sua inteligência e queria se sentir desejada.

O problema é que Stephie se apaixonou de verdade e ficou atraída pela enorme fragilidade do escritor. Peter, por outro lado, também confessa que só namorou Lane porque estava inseguro, precisava de alguém que o estimulasse a escrever o livro. Os três acabam submersos por uma destrutiva teia de paixão e manipulação.Dianne wiest, setembro

A terceira vertente é o sentimento não correspondido que Howard, o professor aposentado, nutre por Lane. Howard se apaixonou cegamente por ela, mas tinha medo de se declarar porque não queria fragilizá-la ainda mais. Mas Lane não sente nada, simplesmente nada. Ele chega a perguntar se a idade a incomoda já que é mais velho do que ela. Lane explica que não é isso, o problema é que está apaixonada por outra pessoa: Peter.

Toda a ação acontece tendo como pano de fundo muita dor, desejo, decepção e medo. A decisão de Lane de vender a casa faz daquele momento o único e o último entre aquelas pessoas. Mas apesar de todo o drama, de toda angústia que sentem, não há como parar de viver. Como Stephie diria: Setembro está chegando e é preciso seguir em frente, manter-se ocupada te fará esquecer os problemas.

Filmes da Infância, parte 1

Como disse em um post anterior, resolvi criar uma lista de filmes gostosos da minha ( e de muitas outras pessoas) infância, comecei falando do meu favorito “A Família Addams”: alguns desses filmes  se tornaram clássicos, outros cairam no esquecimento… vale a pena conferir:

1) Edward Mãos de Tesoura (1990):

O filme dirigido por Tim Burton me trazia um sentimento estranho. Aquele clima de romance e fantasia me fizeram acreditar por muito tempo que a neve realmente vinha das mãos (ou tesouras?) daquele personagem apaixonante. A delicadeza das músicas de Danny Elfman e a simpatia da personagem de Dianne Wiest (Peg), me fizeram chorar muito. Vocês se lembram daquela cena em que a Kim (Winona Ryder) dança na neve e ele sem querer, corta a mão dela? Claro que lembram… Cara, que sentimento aflitivo! Mas se tem uma coisa da qual não consigo esquecer são os cortes de cabelo e os bonecos que ele fazia nos jardins. Aquela cena em que o velho inventor morre, e o deixa sozinho naquela mansão escura me sensibilizou tanto, que ficava me perguntando o que o Edward faria “incompleto”. Sempre que passava na Sessão da Tarde eu não perdia e tempos depois comprei o DVD para guardar com uma das minhas melhores recordações. O filme recebeu o Oscar de melhor maquiagem em 1991 e foi o primeiro em que Johnny Depp e Tim Burton trabalharam juntos.

 

·O cantor Michael Jackson comprou as famosas mãos de tesoura quando foram leiloados

·Os primeiros esboços do filme foram escritos como um musical.

·A maquiagem de Johnny Depp levava cerca de 1h45 minutos para ficar pronta.

·O filme é um fábula moderna inspirada em: A bela e a Fera, e O fantasma da Ópera e Frankenstein.

2) Os Batutinhas (1994): Continuar a ler