Quando Joanne Milne ouviu pela primeira vez

Como disse em outra publicação, estou um pouco afastada do La Amora. Ando muito ocupada com um projeto que está tomando todo o meu tempo, mas não resisti… precisava publicar sobre o assunto.

Nesse mundo de informações, de vídeos e de imagens que é a internet, a gente se vê bombardeado com coisas inúteis. Parece uma tendência, mas diariamente nossas páginas nas redes sociais ou nossos emails recebem matérias e fotos que dão medo, que dão nojo, que divertem… Poucos, como o caso desse vídeo, emocionam.

* A britânica Joanne Milne (40 anos) nasceu surda, em consequência de uma doença chamada Usher, ficou cega aos vinte anos por causa da mesma enfermidade.

 

Milne, com sua simplicidade e com sua emoção sincera, nos faz lembrar da importância dos detalhes, da beleza da vida, das cores, do som… Difícil não se emocionar. Difícil não se colocar no lugar dela, difícil não se perguntar: ‘E se fosse comigo?

Feliz por nada (e por tudo!)

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Sempre fui uma leitora assídua de Martha Medeiros. Desde Divã, fiquei impressionada com a sensibilidade da autora que de maneira direta, diz coisas profundas e atuais. Em um passeio pelo Belas Artes, aqui em Belo Horizonte,  tive a felicidade de ganhar da minha mãe o livro  ‘Feliz por nada’, o ultimo produzido pela autora. Das crônicas que li tirei pedaços gostosos, análises e críticas que, resumindo, dizem tudo (rs!). Em um dos meus textos preferidos do livro, “Amigo de si mesmo”, ela diz o seguinte:

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“Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que os bons amigos fazem: perdoam” (…) “Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar ao outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”, “ Salve-se dos seus traumas de infância”, “Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo”.

Publiquei no facebook ontem o mesmo texto do último post, onde falo sobre o quanto essa semana tem sido importante – de como é difícil confiar em alguém e quebrar a cara. Foi um desabafo, talvez. O lado positivo é que isso refletiu em alguns amigos que rapidamente responderam a publicação (inclusive amigos muito queridos, que não vejo há anos).  Alguns me disseram que estavam passando exatamente pela mesma coisa: confiar em alguém e quebrar a cara. Outros me disseram: “Isso faz parte da vida, aprender a viver”. Minha ex-professora de historia  (de quem eu gosto demais), disse algo terminantemente correto: exigimos muito do outro e isso pode ser um reflexo, exigimos muito de nós mesmos.

O fato é que o texto de Martha Medeiros veio a calhar. Principalmente quando ela diz que precisamos parar de pensar um pouco, de ver fantasmas onde não tem. E parar de ter dó de si mesmo, de viver do passado, de continuar discussões que não fazem mais sentido. A  verdade (se é que existe alguma verdade em situações como essa), é que esperamos demais do outro, e fatalmente nos decepcionamos. Hoje estava chorando porque alguns dos meus amigos não foram como eu queria que fossem. E agora sou levada a pensar: eu sou exatamente o protótipo que eles fazem de um amigo? Provavelmente não. E não adianta ficar chorando, ficar irritado, como diria a minha avó: a vida e assim mesmo, ela dá e tira muito rápido.

Um brinde aos que por escolha, sairam minha vida. – E um brinde maior ainda, aos que por escolha, permaneceram.