Doidas Demais

Um breve resumo da comemoração do meu aniversário de 14 anos = Goldie Hawn + Susan Sarandon.

Banger_sistersBom, é que no meu aniversário de 14 anos pedi que minha mãe me levasse ao cinema. Eu não fazia ideia que “Doidas demais” estava em cartaz, aliás, nem sabia da existência desse filme. Mas aí, chego lá e vejo um poster enorme e começo a tremer as pernas. Lembro que a classificação era de 16 anos e minha mãe deu um jeito de fazer com que eu entrasse para assistir. Aliás, lembro que ela dormiu o filme inteiro.

A história é bem fraquinha, mas dá pra divertir um pouco. Acho que é por isso que gostei tanto do filme naquela época e nem me liguei na quantidade de piadas de sacanagem que tem. Só lembro que eu saí do cinema com a sensação de que aquele tinha sido o melhor dia da minha vida. Nossa, eu fiquei tão feliz!

A Goldie Hawn é uma graça, sério! É incrível como ela carrega o filme nas costas e praticamente rouba a cena de todo mundo. Particularmente, achei o personagem do Geoffrey Rush um pouco desnecessário e chato, ainda que ele seja uma peça para ligar certos pontos da trama e contribui para a criação de um pequeno suspense.

THE BANGER SISTERS, from left: Susan Sarandon, Goldie Hawn, 2002, © Fox Searchlight
THE BANGER SISTERS, from left: Susan Sarandon, Goldie Hawn, 2002, © Fox Searchlight

Sobre o filme…

Suzette (Goldie) e Lavinia (Susan) eram duas amigas aventureiras que na década de sessenta colecionavam fotografias “bem comprometedoras” de astros do rock. A presença das duas nos shows e as loucuras que cometiam as fizeram ser apelidadas de “The Banger Sisters” (termo que, segundo o Google, está relacionado com “Headbanger”, uma palavra usada para designar a subcultura de fãs de heavy metal e suas variantes).

Passaram-se vinte anos e a vida das duas tomou rumos bem diferentes: enquanto Suzette continuava a levar uma rotina louca e sem rumo, Lavínia se tornou uma dona de casa chique e blasé.  Suzette precisa de dinheiro e recorre a amiga, mas quando a encontra, fica chocada com a sua mudança.


Ah! E dêem uma olhada no meu diário de quando eu tinha quatorze anos, eu já gostava de fazer listas, já era apaixonada pela Susan Sarandon e amava assistir o Oscar.

Thaís DiárioThais

O Clube das Desquitadas

ClubedasDesquitadasSe eu fizesse uma lista com filmes a indicar para todas as minhas amigas, “O Clube das Desquitadas” estaria nela – na segunda posição. Antes só viria Thelma e Louise. Eu perdi as contas de quantas as vezes eu assisti esse filme e acho que não sei explicar a sensação boa que tenho quando o assisto. Tenho ele em dvd e é uma das minhas preciosidades. Existem muitos aspectos que me fazem gostar de “O Clube das Desquitadas” a começar por cinco das minhas atrizes favoritas: Goldie Hawn, Bette Midler, Diane Keaton, Stockard Channing e Maggie Smith.  – E sim, eu tenho muitas atrizes favoritas.

É incrível como elas possuem uma sintonia e como conseguem fazer histórias dramáticas parecerem tão engraçadas. Aliás, este é um mérito de quem concebeu a trama, fazer o público rir, mesmo diante de histórias tão tristes.  Hoje, estudando um pouco sobre a construção de arquétipos, vejo que esse filme tem tanto equilíbrio, exatamente por causa da boa construção dos personagens. Acho que no fundo, toda mulher (e talvez, todos os homens) possuem um pouco de cada uma das protagonistas.

Para quem nunca assistiu, acho que vale um breve resumo. Trata-se da história de stockard-channing-firstwivesclub-5quatro amigas que, na juventude, estudaram juntas. Anos depois, uma das amigas (a Cynthia) comete suicídio. No velório, Elise, Brenda e Annie se reencontram e descobrem que a vida de cada uma delas tomou rumos bem diferentes. No entanto, as quatro possuem algo em comum: foram traídas ou abandonadas por seus respectivos maridos.


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Não se trata de uma luta contra os homens, ainda que uma interpretação superficial nos faça entender isso. Acho que a história por trás de cada uma das personagens é muito mais complexa. A começar pela concepção errada (e muito difundida) de que ao amadurecer, a mulher perde o seu valor, seu potencial de sedução. Elise tem um problema muito evidente em relação à beleza. A quantidade de intervenções cirúrgicas demonstra (de uma forma muito ácida e engraçada) sua insegurança. Mas, afinal… qual é a mulher que não se preocupa em estar bela?  O fato é que somos ensinadas e sofremos uma certa pressão por estar belas. Não só as mulheres, os homens também! – Aliás, sobre a Elise, vocês sabiam que quem iria interpretá-la era a Jessica Lange? Mas, ela desistiu na última hora.

the first wiveA Annie por outro lado é aquele tipo de mulher que foi ensinada a se comportar. A não gritar fora de hora, a se desculpar todo o tempo. O mundo pode estar desmoronando, mas você precisa manter a pose. É mais fácil achar e dizer que está feliz, viver a aparência, do que reconhecer o fracasso. Não sou muito chegada nessa personagem porque acho ela um pouquinho histérica…

A Bette Midler, ah! Bette Midler… De verdade, eu amo essa mulher, as caras e Brendabocas que ela faz… e adoro a Brenda – me identifico, rsss. Vejo um crítica à concepção que encara as donas de casa de uma maneira pejorativa. Uma das amigas se tornou atriz em Hollywood e nem por isso, teve uma vida menos merda do que a da Brenda. A Brenda é o centro das piadas, é a gordinha, e “gordo sofre”. Praticamente todas as piadas envolvem o peso dela e, em certo ponto,ela passa a fazer piadas com o próprio peso – mas, com um tom bem sarcástico e delicioso.

And don’t tell me what to do
And don’t tell me what to say

Por fim, depois de tanto falar… acho que a mensagem final, transmitida por “You Don’t Own me“, música imortalizada na voz da Lesley Gore, diz muito e diz o necessário.  Não existe nada mais importante que a liberdade, e mulheres (e homens), se valorizem! 


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