Helen Mirren

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Minhas atrizes favoritas (e seus respectivos filmes que são os meus favoritos)

Ta aí, estou com mania de fazer listas… comecei a escrever sobre as minhas atrizes favoritas e sobre os seus filmes e deu nisso. Pra não me estender muito, escolho cinco filmes que mais gosto de cada uma.. dêem uma olhada:

ImagemDianne Wiest

1)      Edward Mãos de Tesoura
2)      A Gaiola das Loucas
3)      Sinédoque, NY
4)      Setembro
5)      O Tiro que não saiu pela Culatra
 

ImagemSusan Sarandon

1)      Thelma e Louise
2)      Fome de Viver
3)      Os últimos passos de um homem
4)      Lado a Lado
5)      O Óleo de Lorenzo
 

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Isabelle Huppert

1)      A Professora de Piano
2)      Oito Mulheres
3)      Madame Bovary
4)      Um Assunto de Mulheres
5)      Má Mere
 

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Bette Davis

1) O que terá acontecido a Baby Jane?
2) Vitória Amarga
3) Vaiosa
4) Pérfida
5) A Malvada
 

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Joan Crawford

1) O quê terá acontecido a Baby Jane?
2) Acordes do Coração
3) Os desgraçados não choram
4) Johnny Guittar
5) Almas Mortas
 

ImagemDeborah Kerr

1) Os Inocentes
2) Narciso Negro
3) Bom dia, tristeza
4) Tarde demais para esquecer
5) A noite do Iguana
 

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Shirley Maclaine
 
1) Muito Além do Jardim
2) Minha doce gueisha
3) Infâmia
4) Irma La Douce
5) Laços de Ternura
 

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Judi Dench

1) Notas Sobre um Escândalo
2) Sua majestade, Mrs Brown
3) O violonista que veio do mar
4) O exótico hotel Marigold
5) 007 Skyfall
 

Helen Mirren

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1) O Cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante
2) Mães em Luta
3) Tentação Fatal
4) De porta em porta
5) Colapso
 

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Jessica Lange

1) Normal
2) Titus
3) Geração Prozac
4) Terras Perdidas
5) Mais que um crime
(+ O Destino bate à sua porta)
 

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Glenn Close

1) Albert Nobbs
2) Atração Fatal
3) Um Canto de Esperança
4) Marte Ataca
5) A Casa dos Espíritos
 

Anjelica Huston

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1) A Família Addams
2) Acerto Final
3) Tudo por um sonho
4) Para sempre Cinderela
5) Convenção das bruxas

10 filmes de comédia para assistir durante as férias

O título dessa publicação está um pouco sugestivo, mas a verdade é que esses são os filmes que eu assisti nas primeiras semanas das minhas férias e que eu adorei. Sou apaixonada por comédias (boas comédias) e não é de se espantar que volta e meia publico sobre filmes desse gênero aqui no La Amora. Segue a listinha que eu fiz:

Imagem1) Família do Bagulho: Apesar de receber um título questionável aqui no Brasil, “We’re the Millers” (Nós somos os Millers, em inglês) é uma comédia divertida, com uma trama no mínimo curiosa e com situações muito engraçadas. Produzido em 2012 e dirigido por Rawson Marshall Thurber (também diretor em “Com a bola toda” e “Usina dos sonhos”), o filme conta a história de David Clark (Jason Sudeikis), um vendedor de drogas que é obrigado pelo seu chefe (interpretado por Ed Helms) a viajar para o México e fechar uma negociação que envolve um grande carregamento de maconha.

Para passar despercebido, David decide formar uma “falsa” família e convida a stripper Rose O’Reilly (Jennifer Aniston) para ser sua esposa, a delinquente Casey (Emma Roberts) e seu vizinho Kenny (Will Poulter) para fingirem que são seus filhos. O filme é uma ótima pedida e possui situações muito engraçadas, sem forçar a barra e sem ser clichê. Jason Sudeikis está em sua melhor forma, irônico e descompromissado.

Imagem2) Até que a sorte nos separe: Tino (Leandro Hassum) e Jane (Danielle Winits) é formam um casal de classe média que sofrem uma drástica mudança na vida após ganharem cem milhões na loteria. O casal, que anteriormente enfrentava certas dificuldades financeiras, passou a gastar desenfreadamente e viver, com seus dois filhos, uma vida cercada de luxo e desperdício. O problema é que toda a ostentação leva Tino a falência e ele, após dez anos de riqueza, precisa aprender a economizar. Com ajuda do seu vizinho Adelson, um homem perfeccionista e solidário, Tino tenta reverter à situação e pagar as dívidas que fez com o banco. Porém Tino é pego de surpresa novamente quando descobre que sua mulher está grávida do terceiro filho e não pode sofrer nenhum tipo de trauma, dessa forma ele faz de tudo para esconder da mulher que estão falidos.

Há inúmeras discussões sobre o papel do gênero de comédia no cinema brasileiro. É inegável que filmes de humor vendem mais no país e atraem um publico gigantesco enquanto produções experimentais, alternativas e dramas, ficam em segundo plano. Apesar das inúmeras críticas ao gênero (e ao caminho que a indústria cinematográfica brasileira tem tomado) é difícil resistir à um filme tão interessante como esse. O fato é que Roberto Santucci acertou na mosca e trouxe a tona um longa que brinca com os sonhos de milhões de brasileiros e, de alguma forma, se aproxima da realidade. Só pra constar, Leandro Hassum está maravilhoso e leva o filme nas costas. Hassum é exagerado e provoca risadas assim que aparece em tela. Kiko Mascarenhas também merece destaque, assim como Danielle Winits que não deixa a peteca cair. Ótimo filme!

The-Family-poster-04Jun20133) A Família: Na primeira vez que eu vi esse filme (produzido em 2013 e dirigido por Luc Besson) eu fiquei puta da vida porque não consegui achar graça em nada. Revendo o longa outro dia, percebi que eu provavelmente não estava prestando atenção porque apesar do clichezão é possível dar umas risadas. “The Family” conta a história de Giovanni Manzoni (Robert De Niro), um ex-integrante da máfia italiana que entrou para o programa de proteção as testemunhas e, após algumas alterações, foi transferido junto a família para a França.

Sua mulher, interpretada por Michelle Pfeiffer e seus dois filhos, Belle (Dianna Agron) e Warren (John D’Leo) precisam se adaptar à nova vida, mas são extremamente violentos e pouco convencionais. Os hábitos da máfia voltam à tona e trazem problemas a Giovanni que é perseguido pelos antigos colegas que querem vê-lo morto. Há todo um exagero que faz com que o clima do filme fique mais engraçado, em uma cena, por exemplo, Maggie não consegue encontrar pasta de amendoim e como vingança explode o supermercado – WTF!!?

RED2 4) RED 2 – Aposentados e Ainda mais Perigosos: A sequência de RED mantém a ironia do filme anterior, tem muitas cenas ação, sátira e humor e o elenco está ainda mais rico. Além de levar o nome de grandes lendas do cinema americano (Helen Mirren, Bruce Willis, John Malkovich e Mary-Louise Parker) a segunda parte também traz Byung-Hun Lee, Antony Hoipkins e Catherine Zeta-Jones no elenco.  Gosto especialmente desse filme porque ele debocha do gênero e ao mesmo tempo, consegue equilibrar o suspense e o humor sem exagerar na dose.

Em RED 2, Bruce Willis volta a viver Frank, um ex-agente que tenta levar uma vida normal ao lado de Sarah (Parker), sua namorada. No entanto, o excêntrico  Marvin (interpretando pelo brilhante Malkovich) avisa a Frank que alguém vai tentar matá-lo. Frank, que a principio não dá a mínima para Marvin, é sequestrado e levado a um interrogatório onde é quase assassinado. Decido a tirar a namorada de perigo, Frank entra no jogo e se aventura em um viagem para descobrir quem quer matá-lo e porquê. Nesse meio tempo ele reencontra antigos parceiros, entre eles Victoria (Mirren) que surpreendentemente recebeu uma missão: matar Frank.

Universidade Monstros 5) Universidade Monstros: Se o primeiro filme (Monstros S.A.) é uma delícia, o segundo nem se fala. A animação, dirigida por Dan Scanlon, é uma retrospectiva dos anos de faculdade de Mike Wazowski e Sullivan, que antes de se tornarem funcionários na Monstros S.A. (e antes mesmo de conhecer a Boo) não se davam bem. Enquanto Mike era um jovem perfeccionista e estudioso, Sullivan só se interessava por esportes, era arrogante e não se preocupava em estudar.

Após um incidente em um importante teste, Mike e Sullivan precisam se unir para não serem expulsos da faculdade e por isso, decidem participar da Olimpíadas de Sustos. O problema é que a equipe que arrumam é composta por monstros desajustados e que não assustam ninguém. (Só pra constar, o segundo fica pé a pé com o primeiro, é divertidíssimo e te prende do início ao fim).

A MENTUIRA6) A Mentira: O filme é uma releitura de “A Letra Escarlate” e, com  dinamicidade, conta a história de Olive Penderghast, uma menina que criou uma grande mentira e acabou perdendo o controle sobre ela. Olive, uma estudante do ensino médio, disse para a melhor amiga – Rhi (Alyson Michalka) que saiu com um rapaz durante o fim de semana, quando na verdade ficou em casa. Marianne (Amanda Bynes), a garota mais carola e caxias da escola, escuta a conversa e deduz que Olive não é mais virgem, espalhando a historia por todo o colégio.

O pequeno boato transforma-se em um gigante problema e coloca a reputação de Olive em jogo. Pouco tempo depois, seu amigo gay (que já não aguenta mais ser zuado pelos amigos) pede que Olive o ajude a perder a fama de afeminado. Olive topa ajudá-lo e finge transar com ele, fazendo com que todos pensem que ele é heterossexual. Outros garotos (também desajeitados) descobrem a farsa e pedem o mesmo favor a Olive, que assume a personalidade de “vadia” e aceita falar que dormiu com os garotos em troca de pequenos favores.

Delícia de filme, muito diferente daquelas comédias adolescentes e bobas que a gente costuma assistir. É difícil imaginar outra atriz tão perfeita para o papel quanto Emma Stone, que dá um show de carisma. Will Gluck e Bert V. Royal (respectivamente o diretor e o roteirista do filme) foram extremamente sábios ao produzirem um filme engraçado, leve e sem apelação. Patricia Clarkson e  Nick Penderghast estão hilários como os pais sem noção da Olive.

Crood7) Os Croods: Delícia de filme, com gostinho nostálgico e perfeito para ser assistido junto a família. Produzido em 2013 e dirigido por Kirk DeMicco e Chris Sanders, ‘Os Croods’ se passa na pré-história e retrata o cotidiano de uma família liderada pelo pai, Grug, que morre de medo do mundo exterior e faz de tudo para proteger a família. Eep, filha adolescente de Grug, adora caçar e vive confrontando o pai, que não a deixa sair.

A vida dos Croods sofre uma grande transformação quando a caverna onde vivem é afetada por um “terremoto” (não sei se aquilo pode ser chamado de terremoto, então…) e eles não conseguem mais voltar para a caverna. Com a ajuda do aventureiro Guy, a família se desloca em busca de uma nova casa e acabam vivendo enormes aventuras.  – O filme é muito divertido e é uma gracinha!!! Adorei os personagens, principalmente a Vovó que é linha dura e a Eep, que foge do estereotipo das “princesinhas da disney” (esse filme não é da disney, mas tá) e é extremamente valente.

Jackss 8) Vovó sem Vergonha:  Quem é fã da série Jackass não pode perder esse filme! Johnny Knoxville, com toda a sua mistura de genialidade e imbecilidade, estrela o filme onde interpreta Irving Zisman, um senhor de 86 anos que, após perder a esposa, se reencontra com a filha que não via há tempos. Irving é pego de surpresa quando sua filha vai embora e o deixa sozinho, responsável por cuidar de Billy, seu neto.

Os atores encenam situações hilárias, grotescas e polêmicas e são observados por pessoas comuns, que não fazem ideia de que tudo se passa de um filme. As cenas mostram como as pessoas ficam surpreendidas (e constrangidas) em situações absurdas, quase inimagináveis.  [Exempos: Billy bebe cerveja em público, Irving faz cocô na calça e fica com o pênis preso em uma máquina de refrigerante.] O bacana dessa produção é que, diferente dos outros filmes dos Jackass, há uma trama linear que sustenta e liga os acontecimentos, fazendo com que a atmosfera de deboche fique ainda mais interessante.

Fantastico medo9) Um Fantástico Medo de Tudo: Simon Pegg é brilhante e ele está ainda mais sensacional (e versátil) nesse filme de humor negro que brinca com a paranoia de Jack, um escritor de livros infantis, que é contratado para escrever um romance de mistério. Ao fazer pesquisas para seu livro, Jack mergulha em casos de assassinato que aconteceram na era vitoriana e passa a duvidar de tudo e de todos que o cercam, desenvolvendo um fantástico medo de tudo.

Vivendo praticamente em clausura, Jack recebe um convite de um executivo de Hollywood que se interessa por seu roteiro. “O que deveria ser sua grande chance rapidamente se transforma em sua grande tragédia, pois Jack é forçado a enfrentar seus piores medos, dentre eles, amar, lavar roupa e assassinos seriais.”

Diferente e original, ” Um fantástico medo de tudo” dirigido por Chris Hopewell e Crispian Mills, é um filme sensível e inteligente, que possui diversas referências (tanto cinematográficas quanto literárias) e consegue fazer rir e emocionar ao mesmo tempo. Vale ressaltar o tom experimental da produção que deixa o filme ainda mais interessante – fora a trilha sonora, que acentua o clima de suspense e satiriza os filmes de terror.

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“Nós temos o amor que achamos merecer.”

10) As vantagens de ser invisível: A verdade é que eu não sei bem se esse filme pode ser classificado como drama ou comédia (acho que ele fica no meio do caminho). O fato é que é uma boa opção para quem quer se emocionar e se divertir com uma história linda e muito bem produzida. Não é atoa que o filme tenha conquistado um público tão grande, a sensibilidade de Stephen Chbosky sobressai às telas e é ainda mais enriquecida com com atores tão bons (Emma Watson, Ezra Miller e Logan Lerman).

Chbosky (que também é o autor do livro que inspirou o filme) soube aproveitar a densidade psicológica dos personagens e realizou uma abordagem profunda de questões importantes na adolescência – e em todos os períodos da vida, como amor, sexo, drogas e amigos.

O filme conta a história de Charlie, um garoto de quinze anos que acaba de entrar no ensino médio, mas que ainda se recupera de uma forte depressão (pois perdeu o melhor amigo). Charlie, que tem tendências suicidas e é extremamente tímido faz amizade com Patrick e Sam, dois ‘veteranos’ que já conhecem a rotina do colégio.  (P.S. A menção a Rocky Horror Picture Show é demais!!)

Atrás da Porta

Quando soube que “Atrás da porta” estava em cartaz no Belas Artes em Belo Horizonte, não pensei duas vezes e fui ao cinema no mesmo dia. Duas coisas me chamaram a atenção: Helen Mirren e Istvan Szabo, que dentre outros filmes, dirigiu o belíssimo “Adorável Júlia”. A produção é inspirada na obra da escritora húngara Magda Szabo e roteirizada por Andrea Vészits. Apesar de apresentar uma boa história, o filme deixou certo desconforto quanto ao desenvolvimento técnico, principalmente pelas cenas desnecessárias e pela ambientação questionável.

A história se passa na Hungria na metade do século XX e retrata a vida Magda (interpretada por Martina Gedeck), uma escritora que precisa de uma empregada para cuidar da casa onde mora com o marido Tibor (Károly Eperjes). Depois de muito procurar, Magda encontra Emerenc (Mirren), uma senhora que atende a todas as qualificações exigidas mas que é misteriosa e rabugenta. Emerenc aceita o trabalho mas impõe duas condições: que não questionem seu passado e que nunca entrem em sua casa.

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No início, Emerenc é apenas uma estranha. Ela limpa, cozinha e sai sem dizer nada. A relação das duas começa a ficar mais íntima quando Magda ganha um cachorro e apenas Emerenc consegue domesticá-lo. O cão se torna um pretexto para que as duas iniciem uma conversa e finalmente se tornem amigas. Tibor está sempre ausente (aliás, a figura masculina é secundária na trama) e a presença de Emerenc na casa se torna cada vez maior.

Magda e Emerenc são duas mulheres completamente diferentes. Enquanto Magda vive em uma casa confortável, com um marido que a ama, é jovem e feliz, Emerenc é uma velha solitária e rancorosa, que tem um passado misterioso e que trabalha duro para conseguir o próprio sustento. Apesar da distância, as duas estabelecem uma bela relação de empatia e de confiança.[As estranhas manias de Emerenc são o principal chamativo da personagem. Todos os dias, durante anos, ela varre as ruas (mesmo com uma tempestade de neve caindo). Silenciosa, ela caminha pelo bairro sem deixar que se aproximem da residência. Ela morre de medo de chuva e de trovões. Na casa de Magda, é ela que determina o que está sujo e o que não está, ela discute com os patrões e aos poucos invade um espaço que não é seu – Tibor não concorda com tanta intimidade e chega a demití-la, mas Magda percebe que não consegue mais viver sem Emerenc].

A curiosidade de Magda sobre a vida de Emerenc cresce cada vez mais. Por diversas vezes ela tenta descobrir o que há de tão secreto na casa e sempre é impedida pela empregada. Emerenc confessa alguns detalhes sobre o seu passado que, talvez, justifiquem seu estranho comportamento. Quando pequena resolveu fugir de casa e levar a irmã mais nova consigo. No meio do caminho as duas enfrentaram uma tempestade e sua irmã acabou falecendo (atingida por uma árvore), fato que nunca foi perdoado por sua mãe. Durante a guerra, trabalhou como empregada em diversas casas e teve um romance ‘proibido’. Emerenc adotou uma criança e foi mandada pra fora de casa pelo pai por ser mãe solteira.

Nesse meio tempo, enquanto a carreira de Magda começa a decolar, a saúde física e mental de Emerenc começam a cair. Totalmente fragilizada, Emerenc se nega a ser internada, com medo que invadam sua casa e descubram seu segredo. Ela pede que Magda prometa nunca deixar que ninguém entre no local. Ironicamente, no dia em que Magda vai a uma premiação, os vizinhos e a polícia decidem entrar na casa de Emerenc para forçá-la ir ao Hospital.

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De fato a fotografia é um destaque da produção, principalmente nos flashbacks que recontam o passado de Emerenc e onde percebe-se um cuidado quanto aos cenários ao ar livre. Ainda assim, há uma sensação persistente de que alguma coisa está faltando ali (e que se acentua quando descobrimos o que está atrás da porta). Percebe-se um desconforto por parte dos atores e pouca química acontece quando Mirren e Martina Gedeck estão em cena.  Apesar dos enganos e de não ser tão marcante, ‘Atrás da Porta’  é um filme interessante de assistir.

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Bon appetit

POST EM CONSTRUÇÃO

A vontade de falar sobre a temática desses filmes não é nova. Desde o início do Blog fiquei me perguntando como abordar um assunto tão complexo e ao mesmo tempo, tão curioso. Quem me conhece sabe da paixão que tenho pelo filme dirigido em 1989 por Peter Greenaway: O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante.  Com o tempo conheci outros filmes que abordam (também de forma surpreendente) uma função natural e cotidiana do ser humano: COMER.

Como este texto é apenas uma singela análise (mas contém imagens, vídeos e spoilers), recomendo que não leia se tiver curiosidade de assisti-los. Nesta publicação vamos falar de: Titus, Estômago e O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante. Não se engane com os títulos, a história de cada um deles é muito interessante e todos os três valem a pena serem vistos (e revistos).

O que esses filmes tem em comum?  Pois eu respondo agora: Canibalismo. Não há nada de novo quando se trata do ato “comer”, muito menos de “comer gente”.  Os astecas sacrificavam e comiam os guerreiros prisioneiros de guerra de outras tribos. No Brasil, índios Pacura da Amazônia engordavam seus companheiros para depois comê-los. Casos como o Armin Meiwes ou Fritz Haarmann chocaram o mundo e estamparam os jornais. No cinema, não foi diferente.

Quando fui assistir O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante pensei que a minha melhor surpresa seria ver Helen Mirren numa versão sensual e despojada, mas o  filme vai muito além da atuação de Mirren: Greenaway tem um trabalho artístico tão forte, que consegue fazer com que os atores passem a fazer parte do cenário (e vice-versa).

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A história se passa no restaurante Le Hollandais, cujo dono Albert Spica (belissimamente interpretado por Michael Gambon) é um sangrento mafioso que adora comida francesa e janta todos os dias no mesmo lugar. Sua mulher, Georgina Spica possui um paladar mais afinado e sempre recebe pratos especiais feito pelo simpático chefe de cozinha Richard Borst. No mesmo restaurante, Giorgina conhece o bibliotecário Michael (Alan Howard): Os dois começam um fervoroso caso e são acobertados pelo chefe de cozinha.

Como um déspota, Albert escolhe os pratos conforme seus desejos, come enquanto conversa (ou grita), esparrama bebida pela roupa, bate na mulher, grita com os capangas e mata ali mesmo quem o desafia. Seu tom de raiva ilustra sua enorme ambição por poder. Aliás, todos os capangas que estão ali, sentados a mesa entorno de Albert ilustram muito bem a junção de medo e ambição: estão naquele restaurante celebrando o interesse e a insegurança.

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O assombroso delírio proposto pelo filme é a junção de situações chocantes: Logo no começo, há uma cena escatologica: vemos um homem nu entre cachorros. Sua feição é de evidente tortura. Albert o obriga a comer o cocô dos animais e depois o abandona ali, sem nenhuma piedade. Em outro momento, Albert descobre o segredo da mulher e obriga uma criança (que era um informante dos amantes) a comer os botões da roupa até confessar onde Giorgina estava escondida.  Ele chega até o amante e o obriga a comer as páginas do seu livro preferido, até matá-lo sufocado.

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Se há algo magnífico, que me encanta nesse filme, é a arte com as cores. Com uma mistura lírica entre ópera, comida e pintura, os personagens (como disse antes) passam a fazer parte do cenário. Quando estão comendo, o ambiente é todo vermelho: inclusive a roupa dos personagens. A cor do banheiro é branca, a da cozinha é verde e a da biblioteca: marrom e dourado. E quando transitam entre os ambientes, as roupas também vão mudando de cor.  O diretor explicou a escolha:

A cozinha é verde porque representa a floresta de onde vem todo o alimento; o restaurante é vermelho por ser onde toda a violência ocorre; o banheiro, onde os amantes fazem amor pela primeira vez, é como o paraíso, e como tal ele tinha de ser branco; tem uma breve sequência no hospital que é iluminada com amarelo porque para mim é a cor das crianças, dos ovos, dos recém-nascidos; e finalmente a cor da biblioteca que é ouro, representando ‘a época dourada do aprendizado’, o idílico tempo em que tudo no Jardim do Éden era maravilhoso

O quadro “Banquete dos Oficiais da Companhia da Guarda de São Jorge”, do holandês Frans Hals (1580-1666), que fica pendurado na parede do restaurante é o sinal mais evidente do perfil (e ligação) artístico do diretor. Há também um garotinho (aquele que é obrigado a comer botões), que aparece em momentos do filme, cantando uma música lírica e trágica: simboliza o coro das tragédias gregas, que Greenaway explica brilhantemente: No mundo antigo, os romanos e os gregos sempre pensaram que a alma residia no abdômen; apenas os cristãos acreditavam que ela habitava o peito. As civilizações primitivas ensinaram que a barriga é o centro do corpo e sua própria gravidade, mas o cristianismo subverteu esse princípio ao considerar o coração como o âmago do homem”.

Pois então, chegamos ao momento mais aflamado da história. Georgina vive com o amante um sentimento que não tinha quando estava com Albert: sente-se livre, sem medo. Ao chegar à biblioteca e encontrar Michael morto, rodeado de livros e folhas de papel é tomada por uma ânsia desesperadora. Deita-se ali mesmo, junto ao corpo do amante e chora sua infelicidade de não conseguir protegê-lo.  Com muito custo, convence o chefe de cozinha a preparar o seu prato mais inusitado: o corpo de Michael.

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Como um ritual de despedida, entra com o corpo assado do amante e obriga o marido a comê-lo. Ironiza que não seria nenhum sacrifício, já que o próprio Albert prometera que mataria e comeria o homem que se atrevesse a dormir com Georgina. Esse momento é indescritível, há uma riqueza de detalhes tamanha: desde a música às roupas. A inversão de papeis ocorre justamente aí: Agora quem tem medo é Albert, é ele que se sente inseguro e incrédulo

– Jesus!

– Não é Jesus, Albert é o Michael… Meu amante!

Georgina obriga o marido a começar pelo pênis do amante.

-“Bon appetit, Albert.That’s French”  (bom apetite, é francês).

Final III[5]

Tantas vezes Helen Mirren

Se existe uma prova viva da importância que o Oscar pode trazer para uma carreira artística é a inglesa Helen Mirren. Depois de ganhar o prêmio de melhor atriz em 2007, sua imagem tornou-se badala nos filmes e tapetes vermelhos de Hollywood. Mirren, que já interpretou rainhas Elizabeth’s mais de quatro vezes tem uma trajetória muito interessante e fez ótimas participações em filmes que, de uma forma ou outra, acabaram caindo no esquecimento.

O primeiro filme que vi com Helen Mirren (e que revi no domingo passado) foi “Tentação Fatal”, de 1999 com Katie Holmes. Sabe aqueles filmes que marcam a adolescência? Pois esse é um deles. Mirren interpreta a malévola Mrs. Eve Tingle, uma professora de história que só sabia maltratar os alunos. A mulher era tão assombrosa que quando caminha pelo corredor da escola, todos saem correndo (inclusive o diretor).

Acontece que Leigh Ann Watson, uma aplicada aluna, precisa tirar nota boa em história para conseguir uma bolsa de jornalismo na faculdade.  Leigh fica seis meses fazendo pesquisas documentadas e escreve 365 páginas retratando o diário de uma mulher medieval, acusada de bruxaria. A menina que precisa de uma nota A, ganha nota C da bruxa Mrs Tingle.

A única coisa que ela tem a fazer é ir bem na última prova escrita. Um belo dia, quando fazia aulas extras, seu colega de turma, Luke, rouba a prova escrita e oferece a Leigh. A garota, sempre certinha se nega a aceitar, mas a professora pega os dois “no pulo” e coloca a culpa em Leigh, que teme perder sua bolsa e consequentemente a oportunidade de ir a faculdade.

Nessa mesma noite, ela e dois amigos decidem ir a casa da Mrs Tingle explicar o que aconteceu. Mas a situação foge completamente do controle, Mrs. Tingle chega a bater em Luke e durante uma discussão e chama a polícia. Para tentar detê-la, os alunos então decidem amarrá-la na cama e chantageá-la até convencê-la a mudar de ideia.

O que eu gosto na Helen Mirren é que ela não tem medo de mostrar seu envelhecimento nem gosta de ficar escondendo seus fios brancos. E se tem um filme em que ela está linda e grisalha é em Matadores de Aluguel de 2006,  dirigido por Lee Daniels.

O filme é bem obscuro, mas com uma proposta dessas não poderia ser diferente. Conta a história de Rose (Mirren) que é uma assassina de aluguel e que está com um câncer, prestes a morrer.  Rose possui um parceiro, Mickey (Cuba Gooding Jr) e os dois são contratados para matar Vickie (Vanessa Ferlito). Acontece que Rose não sabia que Vickie estava grávida e quando mira a arma para matá-la percebe que sua bolsa estourou. Naquele momento, Rose tem uma crise de consciência e salva a garota

Ao salvá-la, acaba se metendo em uma enrascada, simplesmente porque o mandante do assassinato é um dos bandidos mais influentes da área.  A relação entre Rose e Mickey é muito complexa. Rose era ex-mulher do pai de Mickey e depois de assassiná-lo, começou a cuidar do garoto. Mickey foi crescendo e os dois começaram a se relacionar, inclusive sexualmente. Então, Rose torna-se mãe e mulher de Mickey…

Helen interpreta a assassina Rose.

Matadores de Aluguel é sim obscuro, mas Rose não é (juro que não) o personagem mais obscuro interpretado por Helen Mirren. Fiquei em dúvida entre dois deles, mas elegi a Caroline de Uma estranha passagem em Veneza, filme de 1990 com um elenco da pesada:  Rupert Everett, Christopher Walken e Natasha Richardson.  O filme conta a história de um casal que vai passar férias românticas em Veneza.

No dia em que chega, o casal dorme até mais tarde e depois, não consegue encontrar nenhum bar aberto.  Então, conhecem Robert que os leva até um bar (do qual é proprietário). Uma sucessão de acontecimentos fazem com que os dois acabem se hospedando na casa de Robert. Lá, conhecem Caroline, esposa de Robbert que é emocionalmente instável e que vive com uma dor nas costas misteriosa. O filme só fica bom lá para o final, quando você descobre a “estranha passagem” envolve sexo, voyeurismo e  sadismo.

Eu queria falar sobre “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante”, mas esse filme merece um post único, pra falar só dele. Então aí vai mais uma dica (e a última): Colapso, de 1996 ou “Loosing Chase” (a tradução literal ficaria “Perdendo Chase).  O filme ficou bem conhecido no cenário lésbico por conter um “clima” de romance entre Chase e sua enfermeira.

Na verdade o filme foi feito pra televisão e é de uma delicadeza tamanha. Conta a história da dona de casa Chase Philips (Helen Mirren) que sofre de crises nervosas. O coitado do marido tenta fazer de tudo para agradá-la e para deixar a família unida. Assim, contrata uma “Ajudante de mães”: Elizabeth, interpretada por (Kyra Sedgwick).

Mas Chase é rude o tempo todo, humilha Elizabeth e fica tentando mostrar que ela não é necessária naquela casa. Com calma (e com o tempo), Chase e Elizabeth estabelecem um forte relacionamento de confiança. Chase acaba se abrindo com Elizabeth e conta sua história. Elizabeth por sua vez, também se abre e conta suas feridas… E as duas se apaixonam.