La Señorita

La Senorita - Jacqueline Andere

La Señorita” é um suspense  mexicano, bem fraquinho e cheio de clichês… Mas eu assisti assim mesmo porque tem Jacqueline Andere contracenando com a Angélica Aragón! O filme foi produzido em 1993 e dirigido por Mário Hernandez. A trama começa no momento em que a polícia acaba de encontrar o cadáver de Domingas, uma mulher solitária, solteirona e extremamente rica. Há um consenso de que ela foi assassinada e então, eles iniciam uma investigação para descobrir o culpado. Na delegacia, a tia de Domingas aguarda a liberação do corpo e vai contando a história de como a sobrinha se tornou tão odiada pela população da cidade.

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O fato é que Domingas era extremamente rica e muito avarenta, ela vivia de emprestar e cobrar dinheiro de pessoas que a procuravam em um momento de desespero. É aí que aparece Angélica Aragón. Na história seu marido está cheio de dívidas e corre o risco de ir para a cadeia ou ser assassinado. Mas Domimgas é tão avarenta que não lhe empresta a quantia prometida, sempre querendo garantias grandiosas…

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A tia de Domingas explica que ela tem esse comportamento porque ficou traumatizada diante da morte do pai, que antes de morrer, perdeu sua fortuna e foi traído pelos amigos. Em seu leito de morte, ele disse a ela:  “Reprima seus desejos e coloque suas necessidades em primeiro lugar. Duvide de quem te adule porque quem o faz quer tirar algo de você. Não deixe o tempo te enganar e não se importe se alguém te chamar de avarenta, egoísta e sem coração. Recorde sempre disso, não te mostre compassiva nem generosa, porque as pessoas vão pensar que você é idiota e vão se aproveitar de você! As pessoas não te respeitam pelo o que você e sim pelo que você tem”

Enfim… algo acontece na vida de Domingas que a faz mudar bruscamente de atitude, mas… esse pequeno sinal de esperança pode ser fraco demais para torná-la uma pessoa melhor.

10 motivos para assistir “A Madrasta”

A Madrasta - Victoria RuffoQue eu sou uma noveleira de plantão, todo mundo já sabe… Pois é! Mas, apesar de ter assistido inúmeras novelas, eu possuo as minhas preferidas… e uma delas, é A Madrasta. Se você já viu, deve saber os motivos. Se gosta de novelas e ainda não assistiu, acho que vale a pena dar uma olhadinha neste post:

1) Muitos mistérios: Maria é uma mulher que foi acusada injustamente de um assassinato, pelo crime ficou presa muitos anos e foi afastada do seu esposo e filhos. Livre, ela decide voltar para a mansão onde morava, e assim investigar a verdadeira identidade do assassino. No decorrer da história outros crimes vão acontecendo e descobrimos uma enorme teia de motivações secretas, algumas bem bizarras!

2) Personagens complexos: Você não sabe muito bem quem é o vilão ou o mocinho da trama. Tem hora que você ama o personagem e tem hora que quer matá-lo. A maioria do elenco principal possui um segredo e é difícil não ir submergindo na tentativa de desvendá-los.

3) Núcleos bem definidos e atores luxuosos: Todos os ganchos levantados pela trama foram bem amarrados e finalizados com destreza. É basicamente o que falta em muitas séries por aí, que apresentam uma pergunta ao espectador, mas não lhes oferece a resposta. Esse aspecto se torna ainda mais problemático quando existem muitos personagens e núcleos envolvidos… resumindo: às vezes os autores e diretores se enrolam. Bom, é Salvador Mejía né pessoal… E acho que em grande parte, é dele o mérito de ter tão bons atores em cena: ele conseguiu reunir os grandes, como Sabine Moussier, René Casados e Cecília Gabriela… é como juntar Meryl Streep e Fernanda Montenegro num filme só…
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4) O casal de protagonistas, César Évora e Victoria Ruffo: Eu já mencionei quão incrível é o elenco, mas acredito que eles merecem um destaque. São encantadores. O César Évora sempre foi o ideal de homem pelo qual me casaria sem pestanejar. Aliás, como ele é charmoso! Sobre a Victória, que eu sei que arrasta milhões de fãs por aí (e não é por menos),  foi a primeira e única vez que a acompanhei em uma novela. Nunca vi outros de seus trabalhos. Ela tem olhos lindos e em cena, chora como ninguém.

5) Ciclo de vinganças! Falem a verdade… nós adoramos uma trama cheia de vinganças, com muita gritaria e tapas no rosto. Aqui é o que não falta, reviravolta atrás de reviravolta. Me lembro até hoje da cena em que a Maria sai da prisão e volta para a casa dos Sán Roman e todo mundo, a encara…boquiabertos!

6) “Víveme” era o tema da abertura. É uma música linda, daquelas de ouvirAmadrasta inúmeras vezes sem cessar, daquelas que dá vontade de sair cantando em voz alta (bem alta!) por toda a casa. A música era entoada por Laura Pausini, que a lançou em seu álbum “Resta in ascolto” em novembro de 2004.

Dois anos depois, o single venceu o Billboard Latin Music Awards na categoria “Canção Pop Latina Feminina do Ano”. Fora isso, também recebeu duas nomeações ao Prêmio Lo Nuestro. Não bastasse ser linda, tinha uma relação direta com a história narrada pela trama já que, entre outras menções, se referia a um objeto cheio de significados na história, um quadro: “Y te transformas en un cuadro dentro de mí. Que cubre mis paredes blancas y cansadas”

7) Rivalidade entre irmãs: A relação entre a Albinha e a Carmen era uma coisa bizarra, principalmente porque as duas tinham uma personalidade muito diferente e guardavam um segredo cabeludo. Jacqueline Andere e Margarita Isabel são um detalhe à parte, uma delícia vê-las contracenando, duas grandes atrizes. Bom… a Alba era absurdamente má, enquanto a Carmen era um amor… e a Alba, estava sempre censurando a Carmen em suas atitudes, uma relação que pode ser muito bem resumida nessa imagem:

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8) Cenas inesquecíveis: Essa novela é cheia de cenas de tirar o fôlego, tipo… o acidente da Alba,os segredos das irmãs sendo desvendado, o desaparecimento da Ana Rosa, a loucura do Demétrio, o julgamento da Maria! (…) 

9) Uma novela de sucesso: A novela foi um estouro, no México, aqui no Brasil  e internacionalmente. A Televisa chegou a criar um especial, contanto o que aconteceu com os personagens “dez anos depois”. E em 2007, quando foi reprisada, a novela ganhou um novo final!! Também, posteriormente à exibição foi lançado um dvd com um resumo de 11 horas da trama. 

la-madrastra-16_590x39510) Final surpreendente: Nós estamos acostumados em assistir tramas que giram em torno de um assassinato e, geralmente, o criminoso é o vilão. Pois, em A Madrasta, a identidade do assassino ficou muito bem guardada, até o final e como existia uma gama de possibilidades, já que praticamente todo mundo era um pouco o vilão, era realmente difícil saber o responsável. Eu sou absurdamente apaixonada pelo final, porque me remete à Psicose (de Hitchcock)…

sobre Maria Sorté…

Para finalizar o ciclo com as publicações sobre as minhas atrizes mexicanas favoritas (aliás, um ciclo meio involuntário, que começou sem eu perceber), vou falar sobre a incrivel María Sorté. Antes, só para situar, mencionei Daniela Romo, Jacqueline Andere, Helena Rojo e Diana Bracho. A primeira novela que assisti com Sorté foi “O Privilégio de Amar”, onde ela linda e ruivíssima, interpretava Vivian, uma mulher poderosa, que não só defendia Cristina (a mocinha) como também representava uma ameaça ao império construído pela Luciana Duval.maria-sorte-Outro dia eu estava vendo um vídeo no Youtube, onde ela (em um testemunho religioso) contava um pouco sobre sua vida e tragetória. O “Sorté” foi um apelido que recebeu quando estreou nos palcos. Um dia, logo na seu primeiro ensaio, Maria (que tem como sobrenome de batizo Harfuch Hidalgo) sentou-se em uma cadeira quebrada e caiu. Os companheiros disseram: “Isso é sinal de sorte”, e começaram a chamá-la assim, Maria Sorte – com o tempo, a mídia fez o seu trabalho, adicionando um acento no e e mudando a pronúncia.

Sorté nasceusorte004 em uma família pobre de Chihuahua e foi criada por mãe solteira. Logo depois de formar-se, começou a ministrar aulas em pequenas escolas municipais com o intuito de ajudar nas despesas. Seu pai faleceu quando ela tinha apenas 4 anos, era alcoólatra. Um de seus irmãos foi assassinado e o outro suicidou. Sua mãe faleceu quando ela estava iniciando a carreira e foi assim que ela passou a cuidar do irmão mais novo. No video, Maria contou que chegou a passar fome e por situações de miséria. Depois se mudou para a capital e, resolveu fazer um teste com uma amiga.

Conheceu uma companhia de teatro, onde começou a fazer pequenas participações em peças autorais e com poucos recursos. Logo foi convidada a fazer filmes e, posteriormente, novelas. Seu marido faleceu quando interpretava Vivian em O Privilégio de Amar, um de seus papéis mais reconhecidos. Ela conta que chegou a sepultar o marido e poucos dias depois, teve que voltar a trabalhar: “Não podemos esquecer as dores, porque todos sofremos perdas muito grandes, mas de alguma maneira temos que continuar nosso trabalho e o que fazemos na vida”

Colorina (1980) e El Malefício (1983) foram grandes sucessos, mas foi com “Mi segunda Madre (1989) que María Sorté estorou. Ficou tão, tão conhecida que chegou a protagonizar a novela seguinte “De frente al sol”. E, De frente al Sol foi tão popular que teve uma continuação “Mas allá del puente” (1992), onde ela revive a mesma personagem: Alicia Sandoval. Na novela, diversas cenas comprovam a popularidade do personagem. Nas tomadas externas, María Sorté era quase engolida pelo público, que enlouquecidamente, a gritava.

Ao longo dos anos, Sorté conquistou um publico fiel, participou de grandes novelas sorte007(como Amor Real e Entre el Amor y el ódio) e a nomeação de “primera actriz”. Bom, como não poderia ser diferente (parece moda lá no México) María Sorté também é cantora! Lembro que cheguei a baixar diversas músicas dela e que existe três que não saem da minha playlist: “Mas allá del puente”, “Esperame una noche” e “De frente al sol”. Isso mesmo, ela é a autora das músicas que tocavam na abertura das novelas. (A música “Sola” também é ótima!)

Pouco sei sobre sua vida pessoal. María Sorté foi casada durante vinte e dois anos com o politico Javier Garcia Paniagua, com quem teve dois filhos. Depois que ficou viúva, deu uma entrevista dizendo que não tem interesse em se relacionar com mais niguém: “Prefiero quedarme sin pareja. El señor García Paniagua fue el ‘amor de mi vida’, con muchos problemas, pero lo amé y ahora Dios ha llenado mi vida”.

Confessou que, no auge da carreira, sofreu uma grave crise de depressão que a afastou dos palcos e dos próprios filhos. Disse que na juventude tinha uma enorme gana por fama e dinheiro e que, mesmo com sucesso e reconhecimento, chegava em casa aos prantos. Sempre queria mais e nada era suficiente. Em certo momento de sua vida, começou a ter medo de tudo, não queria deixar que os filhos saíssem ou se afastar do marido. Em uma entrevista, onde ela recebe o programa Despierta América em sua mansão, Sorté conta que só conseguiu se recuperar depois que mudou de religião

Marcante por seus vestidos de cores fortes (ou brilhantes), por suas unhas enormes e pela preferência pelo vermelho, Sorté acabou criando um estilo próprio e, convenhamos, bem mexicano. Diferente da Diana Bracho e da Daniela Romo, ela é uma adepta e defensora das cirurgias plásticas e afirma que não tem objetivo de parar de mexer no seu rosto, não enquanto “precisar”.

María Sorté e Daniela Romo em "La Tempestad"
María Sorté e Daniela Romo em “La Tempestad”

Maria Sorté, assim como Helena Rojo é uma daquelas artistas que nunca sai do ar – que volta e meia está em uma produção nova. A última foi “La Tempestad” onde contracenava ao lado de ninguém mais, ninguém menos que Daniela Romo! Na trama, Sorté era Beatriz, a mãe adotiva de Marina. Pois, Marina tem uma irmã gêmea e as duas são filhas de Mercedes (Romo), que teve suas crianças roubadas. Um ótimo dramalhão, não? Ela também chegou a contracenar com Diana Bracho em Fuego em la Sangre, aqui, Bracho era a vilã e Sorté protegia as “mocinhas”.

Entre el amor y el ódio foi uma das minhas novelas preferidas, daquelas que eu assistia quando saia correndo da escola para não perder nenhum capítulo! César Evora e Susana González eram os personagens principais – e, como raramente acontece, não só tinham química como também formavam um casal super interessante. Acho que, pela primeira vez, me apaixonei tanto pela mocinha, quanto pelo mocinho.

Mas, o vilão dessa novela, ah! Não tinha igual. “Maciel”, um homem sem escrúpulos, tinha uma paixão doentia por Maria Magdalena (Sorté) e fazia de tudo para tirar qualquer um que entrasse no seu caminho. No início da trama ele se fingia de bom com o intuito de conquistá-la, chegou a instalar câmeras escondidas no seu quarto, para vigiar seus movimentos e claro, com segundas intenções. Finalmente, depois de bolar diversos planos, de assassinar vários personagens (inclusive, de manter um cadáver no seu quarto), Maciel (que era um fã incondicional de Napoleão) força um casamento com Maria Magdalena, onde finge proteger seus filhos, a domina financeiramente e fisicamente. É um dos personagens mais loucos e geniais que já vi, e Sorté tem grande destaque na trama, sendo um ponto crucial na conclusão da história.

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Maria, Pescadera: Na segunda temporada de Mujeres Asesinas, Sorté protagoniza um dos episódios  mais legais. No episódio ela interpreta uma mulher extremamente pobre, que precisa trabalhar vendendo peixes para continuar a bancar os tratamentos fitoterápicos da filha deficiente. O problema é que seu chefe é um cara folgado, que vive a assediando sexualmente e que a paga muito pouco. Maria começa a ter fortes dores nas mãos e precisa de uma licença médica, mas para isso precisa passar pela aprovação de uma fiscal (que tem um caso com o chefe e morre de ciúmes dela). É claro que ela não consegue e para piorar, é acusada injustamente de roubo. Com tantas “contras”, Maria acaba tendo um ataque nervoso e mata, sem querer, a fiscal da loja.

imagesEl Secreto de Alejandra: Uma novela controversa e polêmica. Tão polêmica que foi praticamente cortada antes da metade (se não me engano, a novela mais censurada pela Televisa) e acabou com apenas 25 capítulos. A trama falava sobre doação de órgãos, e Sorté interpretava duas personagens: Alejandra e María, que eram idênticas, mas que não tinham parentesco (meio Orphan Black, não?). Maria era uma atriz sem sucesso, que vivia ao lado de um marido violento. Alejandra, por outro lado, era uma milionária que estava em busca de um doador de órgãos para filho.

Alejandra não podia fazer essa papel porque estava com câncer terminal e então, pede para trocar de lugar com María.  Na época a SEGOB (uma secretaria do governo mexicano) enviou uma carta à emissora ordenando  que a novela fosse retirada imediatamente do ar. Com  a correria para acabar, os produtores decidiram transmitir uma nota no fim do último capítulo onde diziam: “Ojala que con el Secreto de Alejandra hayamos logrado despertar una inquietud de caridad en los corazones de la gente.  Si nuestras conciencias dormidas despertaran, habremos cumplido el principal objetivo de esta telenovela: La donacion de nuestros organos. Con nuestra muerte, salvemos otras vidas!

sobre a Jacqueline Andere…

Jacqueline Andere

Eu sei pouquíssimo sobre a biografia da Jacqueline Andere apesar de já ter lido muitas coisas sobre ela. Outro dia peguei na biblioteca da PUC o livro ‘ Melodrama’ de Silvia Oroz: e algumas passagens de texto me remeteram diretamente a ela, atriz que acompanhei em inúmeras novelas (algumas pela internet, outras transmitidas pelo SBT). Só para constar, Jacqueline nasceu em 1938 (possui 77 anos). Quando jovem estudou um período nos EUA  antes de voltar para o México para estudar cinema. Seu debut na sétima arte foi em 1958 no filme “Vestido de Noiva”, em 60 estreou na TV através da novela “Vida por vida”.

Resolvi relembrar alguns personagens que mais gostei. É o seguinte, andei lendo algumas páginas e descobri que há muito tempo “Jacky” (como é chamada carinhosamente pelos mexicanos)  ficou muito  marcada ao interpretar vilãs.  Mas nem sempre foi assim, Andere, no inicio da carreira, interpretava mocinhas sucessivamente. Isso só veio a acabar em “Sandra e Paulina”, novela de 1980, em que ela interpretou irmãs gêmeas (a clássica história: uma boa e uma má).


Sobre alguns personagens que gosto:

Bernarda Sainz de Guillén – (A Outra, 2002)

Maldosa que só, Bernarda era uma mulher rancorosa e de passado duvidoso. Quando jovem, começou a trabalhar nas lojas de Leopoldo junto com a sua prima Fabiana. Leopoldo (que já fora casado uma vez) se apaixonou por ela e a levou para casa. Bernarda juntou-se a Leopoldo já grávida de Eugênia (e o novo companheiro sabia da situação). Os dois simulam um casamento e depois de algum tempo ela engravida novamente: da sofredora Carlota.

Acontece que Leopoldo morre – há aquela cena dramática (interpretada por Chantal Andere, filha da Jacky), onde Bernarda entra no velório do amante segurando as meninas pela mão, em um dia chuvoso. Quando lêem o testamento descobrem que Leopoldo distribuiu sua herança para os três filhos (duas que teve com Bernarda e um que teve com a primeira esposa: Romano) – a única condição para que as filhas recebessem o dinheiro era se casarem, enquanto isso não acontecesse, o dinheiro ficava com a mãe. Enfim…a primeira esposa de Leopoldo morre e Romano promete se vingar de Bernarda.

Eu poderia ficar até amanhã falando sobre as reviravoltas da novela, que é uma delícia. Carlota cresce e se apaixona por Álvaro, mas a mãe faz de tudo para impedi-la de ficar com ele. Doente pelo dinheiro, Bernarda (vira um capeta) só de pensar em ver a filha casada. As interpretações são ótimas – em algumas cenas o que predomina é o bom humor (como em toda novela, tem coisa que não dá pra acreditar). Com os olhões esbugalhados (acho que gosto de olho grande) e cheios de lágrimas, Jacqueline fazia uma personagem tão sacana, de coração tão podre – que ficou carismática, com tanta loucura.

Os tapas que as atrizes trocavam eram de verdade. Yadhira Carillo teve que insistir muito para que Jacqueline Andere aceitasse – acreditava que as cenas se aproximavam mais do real. Andere relutou porque quando interpretava Beatriz de Martino em “Estranho Poder” deu um tapa em Érika Buenfil  e estourou o seu tímpano. Os gritos da Bernarda são os melhores, ela não se agüenta, humilha a filha até falar chega. Como toda boa e velha vilã, não poderá ter um fim diferente: morre em uma cilada, tentando pegar uma mala cheia de dinheiro.

Alba San Román – (A Madrasta, 2005)

Eu não sei se prefiro a Bernarda ou a Alba, as duas eram engraçadas demais (de tão “sem noção sabe?). A Madrasta foi uma novela divertida e cativante, muito por causa do enredo e por causa dos atores que são excepcionais. Nesta trama Jacqueline aparece mais uma vez como uma vilã, ou melhor: como uma mulher amargurada, vingativa e mal humorada. Na novela ela está sempre próxima da irmã Carmen, com quem divide um segredo.

A Albinha é um peste e desde o princípio da trama vive atrapalhando a vida de Maria (protagonista e heroína da historia). Maria vai presa, acusada de um crime que não cometeu. Sua prisão a afasta dos filhos e do marido. Quando sai da cadeia, ressentida e com sede de vingança, Maria volta a casa do marido (os “San Román”) para tentar ter a sua antiga vida de volta (e descobrir quem foi o real culpado pelo crime).

Dentre tapas, gritos e acusações: Alba está sempre se sobressaindo. Ela tem um tórrido amor pelo sobrinho, interpretado pelo lindo César Evora, por isso o influencia: o impediu de ajudar Maria (que ficou presa por vinte anos). Na casa há vários personagens que direta ou indiretamente possuem uma relação com Maria. Entre eles o filho da Alba, um menino tímido, sempre muito limitado pela mãe.

No final descobre-se que o garoto não é filho da Alba, e sim da irmã: Carmen. As duas tiveram um caso com o mesmo homem e engravidaram dele. Porém Alba perdeu o bebê e pegou o da irmã (que tinha medo de assumi-lo). O homem também mora na casa e é casado a sobrinha de Alba e Carmen.

Nuria Del Encino de Rivadeneira – (Mi destino eres Tu, 2000)

Gosto demais das produções da Carla Estrada. Na verdade acompanhei esta novela pela internet e não me liguei muito na história central. Comecei a vê-la por causa da Maria Sorte (outra atriz que adoro) e fiquei viciada ainda mais, ao saber que a Jacqueline Andere participava da trama. No início ela aparece muito pouco, seu personagem é quase uma coadjuvante (li que ela chegou a conversar com a Carla Estrada: disse que se não tivesse mais visibilidade na trama, deixaria de gravar a novela).

Bom, Nuria é uma mulher que guarda um segredo “cabeludo”. Durante anos se dedicou ao trabalho comunitário e nutriu uma amizade com Amparo Calderón (interpretada por Sorte). Amparo é a personagem problema: rica, depressiva e alcoólatra (e Nuria sempre está lá para segurar uma barra). Acontece que Nuria há anos atrás foi estuprada pelo marido da Amparo: Augusto (interpretado por Julio Alemán) e chegou a engravidar dele.

Augusto era melhor amigo do marido de Nuria e sempre a ameaçava muito (aliás, as ameaças duram até quase o final da novela). O cara se aproveita que Nuria guarda aquele segredo e então, sempre a assedia sexualmente. O problema é que o filho de Nuria com Augusto se apaixona pela Andrea, filha da Amparo (ou seja, os irmãos se apaixonam) e ela faz de tudo para impedi-los de ficar juntos, sem deixar claro o porque. Depois aparece outro rapaz no pedaço, Andrea se apaixona por ele e tudo se resolve.

Comecei a gostar da novela mesmo já no final, quando a história dá uma reviravolta e Nuria conta o seu segredo. Amparo não acredita em nada, diz que Nuria quer acabar com seu casamento – as duas quase saem no tapa. Mas nada do que Amparo pensa se leva em consideração porque ela sempre está alcoolizada.

A situação só muda mesmo quando Amparo se separa de Augusto e percebe que os assédios denunciados por Nuria são verdadeiros – ela precisa ver com os próprios olhos, para acreditar. Um dia quando foi conversar com a amiga (para brigar com ela mesmo), ela encontra Augusto falando todas as verdades e tentando estuprá-la (é muito estupro para uma novela só, enfim). Na verdade escrevi sobre essa personagem porque está é a única “mocinha” que me lembro de vê-la interpretando.


Enquanto escrevia um pouco sobre as novelas, me lembrei que vi dois filmes com ela que gostei demais.

O Anjo Exterminador – (Direção: Luis Buñuel, 1962)

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Acho que não preciso falar muito desse filme, que é um clássico. Jacky está novinha (nem tinha feito a operação cirúrgica no nariz ainda, estava bem diferente). Com as influencias surrealistas, Buñuel executa um trabalho brilhante. Uma grupo da aristocracia mexicana se une em um jantar e acabam ficando presos naquele ambiente. Porém não há nada que os impeça de sair (nada físico ou visível). Ficam lá por dias e suas características mais primitivas começam a aflorar: sexuais, físicas (improvisam inclusive, um banheiro na sala de jantar). As críticas a igreja são ótimas e o final do filme: delicioso.

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La Casa del Pelícano – (Direção: Sergio Véjar, 1978)

ImagemSe tem um filme mexicano que me surpreendeu pela complexidade e pelo realismo foi esse. Filme forte, que deu origem a diversos estudos sobre patologia clínica: algumas inclusive disponíveis no Google.

A história é a seguinte: Jacqueline Andere interpreta Margarita Ramirez, uma professora que vive com a tia em um pequeno bairro no México. Na cidade há um homem com sérios problemas mentais (interpretado por Frederico Falcón) que sempre assusta todo mundo – menos Margarita que é uma mulher doce e muito solista.

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Um dia, quando volta da escola se depara com o “louco” que a ameaça com uma faca e a estupra (ele bate nela, inclusive chega a cortar seu rosto: achei a cena bem forte para o contexto em que foi produzido). Margarita engravida e passa por um conflito: de abortar ou não. Com a tia religiosa sempre ao seu lado (e influenciando-a), decide gerar a criança e entrega-la ao orfanato assim que nascesse.

Quando ele nasce ela reluta em olhar para ele (evidenciando uma relação de ódio e amor) até que, quando o vê pela primeira vez, decide cria-lo. (A cena do parto é muito bonita, aliás, o filme todo é muito lindo). O menino cresce e Margarita se torna uma mãe possessiva. Se algum menino briga com ele, ela se intromete para defende-lo.

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O tempo vai passando e a relação se torna doentia, ninguém pode chegar perto do garoto (Spoiler, pra variar) até que ele fica adulto e se apaixona (por uma moça que na época foi interpretada pela então desconhecida Daniela Romo) decide ir embora. Margarita fica louca, faz de tudo para mantê-lo em casa, os dois chegam a se atacar fisicamente na cozinha. Margarita não aguenta, sofre demais com a ideia de perdê-lo e então e então, resolve mata-lo. PUTAFILME!

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Nascida em 1938, María Esperanza Jacqueline Andere y Aguilar começou a carreira artística aos quinze anos quando decidiu se mudar para os Estados Unidos e estudar artes cênicas. Quando voltou ao México, ingressou no Instituto Cinematográfico Teatral y de Radiotelevisión. Realizou alguns projetos como atriz experimental no teatro e no cinema estreou em 1958, com o filme: “El Vestido de Novia”. Em 1960, dois anos depois, conseguiu seu primeiro trabalho na televisão em “Vida por vida”. A partir daí a mãe da Chantal Andere não teve mais a sua imagem desvinculada da TV, tornou-se um rosto conhecido e admirado pelo público.

*Escrevi esse post em especial, porque há muito pouco (ou quase nada) sobre ela em sites brasileiros ou em português.