Sobre cinema, bruxas e poções

Engraçado, repararam que eu estou com mania de fazer listas? Pois bem, então vamos a mais uma: Bruxas.  [Ok, eu sei que estamos longe do Halloween ou qualquer data do tipo, mas é que outro dia eu fiquei horas conversando com uma querida amiga sobre a fórmula: bruxas+ cinema e nos lembramos de diversos filmes e personagens relacionados ao tema. Eu também sei que existem inúmeras dessas listas iguais ou parecidas a essa em outros sites, mas me deixem divertir um pouco vai!].

1) A Bruxa Má do Oeste: “Voe, voe, voe!”Não é atoa que ela vem na primeira posição da lista. Em 1939, Margaret Hamilton imortalizava a ideia (muito explorada no cinema e na literatura) de que bruxas são feias e narigudas (é claro, aos poucos esse imagem foi mudando, mas demorou.) Em “O Magico de Oz”, filme mais famoso da Judy Garland, a Bruxa Má do Oeste tenta vingar a morte da irmã, a Bruxa má do Leste (que morreu esmagada por uma casa que apareceu do nada!). De quem era a casa? Isso mesmo, de Dorothy. Só pra constar, Margaret Hamilton leva mais uma vez o mérito, nenhuma atriz queria fazer a bruxa. Hamilton (que sempre era colocada em segundo plano, fazia papéis pequenos e chegou a passar necessidades pela falta de trabalho) aceitou logo de cara e, convenhamos, fez um trabalho inesquecível.

Bruxa do Oeste 2) Winie, Sarah e Mary: Eu já falei aqui (diversas vezes, eu sei!) do quanto adoro o “Abracadabra” e… Fala sério, é uma delícia de filme, não? A trama conta a história de três irmãs (famosas bruxas de Salem) que são ressuscitadas após 300 anos por dois adolescentes que se negavam a acreditar em “lendas do Haloween”. As irmãs enfrentam diversas dificuldades para se adequarem ao mundo contemporâneo e se unem para roubar a juventude de pequenas e indefesas criancinhas. Clássico da Disney!  [Aliás, a Bette Midler está sensacional, não tem como não se apaixonar pela Winie – minha preferida – ou por suas falas e trejeitos engraçados].

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Hocus Pocus3) Elvira (a Rainha das Trevas!): Cara, como eu adoro a Elvira (e como eu fico com raiva dessa nova geração que nem sabe qual é a do personagem – fiquei parecendo muito velha falando assim?). Cassandra Peterson estava linda e aliás, que peitos inesquecíveis. Elvira é sexy e decadente, e recebe uma inusitada herança: uma mansão que fica localizada em Fallwell, uma cidade pequena e repleta de pessoas conservadoras. A bruxa decide reformar a casa e vende-la para depois mudar-se para Los Angeles e realizar o sonho de ser famosa, mas nesse meio tempo, encontra diversos empecilhos: a começar pelo “Tio Vincent” que faz de tudo para roubar o seu livro de receitas. [Cena Memorável: Elvira tentando fazer uma sopa e, de repente, sai um bicho monstruoso da panela!]

eLVIRA4) Eva: “Segurem essa titiquinha!!!” . Se existe um filme de bruxas que me marcou, definitivamente seu nome é “Convenção das Bruxas”. Primeiro porque, desde “A Família Addams” eu nutria um amor lunático por Anjélica Huston e segundo porque toda vez que ele passava na Sessão da Tarde minha mãe me deixava faltar de aula para vê-lo  (eu realmente gostava muito).  O filme conta a história de Luke, um garotinho de dez anos que viaja com a avó para a Inglaterra após a morte de seus pais. Ao chegar no hotel, ele descobre que há uma estranha convenção acontecendo por ali. Diversas bruxas do mundo inteiro estão reunidas para receberem uma poção mágica que transforma crianças em ratos. Luke tenta avisar aos adultos sobre o que se passa, mas ninguém acredita nele até que o pequeno decide resolver a situação sozinho.

EVA5) Sally, Gillian, Frances e Jet. Já li diversas críticas negativas em relação a “Da magia à sedução”, pois eu… acho uma fofura! Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) fazem parte de uma família de bruxas que foram “amaldiçoadas”: todos os homens com que se envolvem, morrem. Protegidas por suas velhas e excêntricas tias, as duas se vêem envolvidas em uma rede de paixões da qual não conseguem se desevencilhar. Enquanto Sally tenta levar uma vida normal ao lado de suas duas filhas, Gillian se envolve com um homem violento que coloca a segurança de sua família em risco.

da magia a seduçãotumblr_mvjzw8ivcz1slwpnwo1_5006) Minerva McGonagall: Não poderia deixar de citá-la, a professora McGobagall, interpretada por Maggie Smith: é meu personagem preferido na saga de Harry Potter, aliás, adoro os momentos em que ela se transforma em gata. Severa, justiceira e disciplinadora, Minerva acompanhou e ajudou o jovem Harry e seus amigos em diversos momentos, tornando-se um personagem muito querido. Gosto muito do trabalho da Maggie Smith nesse filme, poucos sabem que ela sofreu de câncer durante as filmagens e sentia dores terríveis na coluna. Nessa mesma época ela precisou sofrer uma cirurgia e por causa da doença se afastou definitivamente do teatro, coisa que a deixou muito abalado porque Smith sempre amou os palcos.

maggie smith 7) Sukie, Jane e Alex: O quê dizer de um filme que traz uma mistura de Susan Sarandon, Cher, Michelle Pfeiffer, Jack Nicholson, magia, sexo e humor?

tumblr_mj83o7mkOz1rtg76ko1_250susan sarandonDirigido por George Miller e produzido em 1987, “As Bruxas de Eastwick” conta a história de três amigas  que se reúnem todas as quintas-feiras para assistir filmes e fofocar, normalmente elas discutem sobre homens e sonham em encontrar um perfeito par romântico. Entediadas com a pacata vida que levam na pequena cidade de Eastwick e diferente dos moradores conservadores da redondeza, as amigas chamam atenção de Daryl Van Horne, um homem misterioso e extremamente rico, que acaba se envolvendo com as três (ao mesmo tempo!). É claro que o caso não passa despercebido pela vizinhança que faz de tudo para atrapalhar a vida do grupo. A medida que se envolvem com Daryl (que é, na verdade, o próprio demônio em pessoa), as mulheres passam a desenvolver poderes e fazem de tudo para satisfazer seus desejos.

Fearful Pranks Ensue – 3×04

Estou com esse texto há dias no meu computador, mas demorei muito para publicá-lo. O fato é que eu queria ter assistido o episódio mais uma vez para ter certeza que captei todos os detalhes. Intitulado “Fearful Pranks Ensue”, o 3×04 foi – a meu ver – o episódio mais quente da temporada (até agora, né?). Há inúmeras reviravoltas, várias revelações e situações que me deixaram de queixo caído. Pra completar, a rivalidade entre Marie e Fiona ficou ainda mais acirrada.

American Horror Story

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O episódio inicia-se em 1961 com um crime, no mínimo, revoltante: um garotinho negro foi perseguido e enforcado por três homens brancos. O menino era filho de uma das funcionárias da Marie Laveau que ao descobrir o que se passou, fez um ritual de voodoo e levantou mortos do túmulo. Os zumbis foram atrás dos assassinos e os despedaçaram até a morte. Já no presente, descobrimos o grotesco hábito de Spalding: que coleciona bonecas assustadoras. Temos, nesse episódio, a visão de Spalding sobre a morte de Madson e entendemos melhor sobre como ele se empenhou a ajudar Fiona a escondê-la.

AHS COVEN

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Fiona escuta um barulho estranho do lado de fora da casa e encontra Queenie machucada. Queenie diz que tentou se livrar do Minotauro, mas que acabou sendo ferida por ele. Fiona a leva para dentro da casa, acorda Cordélia e pede por ajuda. Os medicamentos de Cordélia não funcionam e Queenie acaba morrendo, Fiona logo intervém e a ressuscita. Fiona entra em seu quarto, exausta depois de ressuscitar Queenie e se depara com Madame LaLaurie muito assustada. LaLaurie explica que o Minotauro estava atrás dela e que Queenie a salvou.  Do outro lado da cidade, Marie está em seu salão de beleza e recebe uma caixa estranha. Quando abre se depara com a cabeça do Minotauro – que a Fiona matou – e fica enfurecida.

DOIS

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Zoe, ainda aterrorizada pelo assassinato que Kyle cometeu, promete tirá-lo da casa. Enquanto prepara a comida, avista um veneno para ratos – parece que ela tinha a intenção de matá-lo. Quando vai lhe entregar o prato de comida, percebe que Kyle desapareceu.

Marie planeja a sua vingança e afirma que a trégua entre as bruxas terminou. Ela relembra o trato que fez com a antiga suprema, ‘nenhum lado cruzaria o lado do outro assim derramariam menos sangue’. (…) “mas a trégua acabou, se nós não lutarmos não podemos em nossas camas e esperar pela morte, porque é isso que está em jogo. E eu não tenho tempo pra discutir com você. Ou você está comigo ou está contra mim. E se for a última opção, é melhor ficar fora do meu caminho.”

Enquanto Cordélia fica em casa cuidando da Queenie, seu marido se encontra com a amante (a linda da Alexandra Breckenridge está de volta!). Os dois transam e logo depois ele o mata, com um tiro na cabeça! – alguém mais se lembrou da primeira temporada?

Kyle

Zoe

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AHS COVEN

Nan, depois de não ouvir mais os pensamentos de Madson, conclui que ela está morta e chama o conselho. Eles vão até a escola para investigar o que aconteceu com Madson e acabam se deparando com Queenie machucada. A presença do conselho traz importantes revelações sobre o passado e nos ajuda a entender o porquê da  rivalidade entre Fiona e Myrtle Snow.

Em 1971, quando Fiona foi nomeada a Suprema, Myrtle sentia que algo estava errado – e deduzia que Fiona havia assassinado a velha suprema. Ela convocou o conselho e pediu que eles realizem uma investigação. Myrtle também fez uma ‘magia’ para que Spalding não conseguisse mentir, assim ele iria revelar o que de fato aconteceu. Ao descobrir sobre a magia, Spalding chama Fiona e conta que sempre a amou, depois: corta a própria língua.

Já no presente: Myrtle ainda não engoliu o fato de Fiona ser a suprema, ela pede que Spalding escreve em um papel o nome da bruxa que foi a responsável por cortar a sua língua. Surpreendentemente, Spalding escreve: Myrtle Snow. Chocada, Myrtle acusa Fiona de matar Madson e Cordélia a interrompe e diz que isso não seria possível, porque Madson tinha problemas cardíacos.

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Marie faz uma sessão de voodoo e levanta alguns mortos que vão até a escola – provavelmente atrás da Fiona – um dos zumbis é a filha da Madame Lalaurie. Fiona e Cordélia vão a um bar conversar, Cordélia se ausenta e vai ao banheiro, de repente, uma pessoa de capuz joga algo em seus olhos (acho que era ácido). Spalding aparece vestidos em roupas muito estranhas e depois, vemos em seu quarto (junto a bonecas) o corpo de Madson!

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Download:

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Promo do próximo episódio:

Terras Perdidas

Terras Perdidas (A Thousand Acres) é um belo filme e ainda que pese pelo argumento melodramático, continua servindo como representação das imperfeições e inquietudes humanas. A famosa frase de Tolstoi (afixada nas primeiras páginas de Anna Karenina) resume bem o argumento do longa: “As famílias felizes são todas iguais; mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.

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O enredo foi baseado no livro de Jane Smiley (que por sua vez, inspirou-se na clássica obra de Shakespeare: ‘O Rei Lear’) e conta a história da família Cook – que por três gerações cuidaram de uma fazenda com mais de mil acres em uma das regiões mais férteis de Iowa. Larry (o patriarca) percebendo sua incapacidade em administrar os negócios por causa da velhice, decide dividir a terra entre suas filhas (Rose, Virginia e Carol). Carol, a mais nova, questiona a decisão do pai e não aceita a divisão. Larry, que não gosta de ser contrariado, deserda Carol e impede que ela se aproxime da fazenda. A decisão de Larry desencadeia diversas situações desagradáveis e traz à tona segredos dolorosos.

Jocelyn Moorhouse (também diretora em Colcha de Retalhos) usa sabiamente os cenários externos e explora o tom emotivo através do perfil literário. Virgina (a irmã mais velha) narra a história e além de contextualizar o espectador, exprime um olhar participativo (em primeira pessoa) sobre o que se passa. Diferente de Carol (interpretada por Jennifer Jason Leigh), que é financeiramente independente e se mudou para outra cidade ainda muito jovem, Rose e Virginia construíram suas casas junto a seus respectivos maridos ao lado de Larry – que é praticamente um tirano – e tiveram que conviver com suas imposições.

Michelle Pfeiffer e Jessica Lange (que recebeu uma indicação ao Globo de Ouro) são as precursoras da trama e junto a Jason Robards trazem realismo ao enredo. Virginia e Rose possuem personalidades diferentes mas confraternizam sentimentos semelhantes em relação ao pai e de alguma forma, se acostumaram a viver em uma sociedade ortodoxa e machista. Um dos grandes méritos de Moorhouse é o respeito pelo aspecto psicológico dos personagens – ela constrói inter-relações que permeiam a passividade e a violência (o que, de fato, acontece na vida real).

Jessica Lange Michelle

Larry já não é uma figura simpática e se torna menos convidativo quando descobrimos que abusou sexualmente das filhas mais velhas. A dramaticidade do diálogo se dá porque Rose incita Virginia a confessar que também foi abusada sexualmente por ele. É interessante observar a discrepância de personalidades: enquanto Virginia acreditava que precisava aceitar a atitude do pai, Rose confessa que se sentia seduzida. As duas dividem um rancor enorme em relação a ele e, diferente de Carol, tiveram que aprender a lidar com a repulsa por causa da necessidade de convivência.

A carga dramática da trama é acentuada pelos problemas que contornam o universo particular de Virginia e Rose. Enquanto Virginia possui um casamento infeliz e não consegue ter filhos, Rose apanha do marido e precisou retirar um seio por causa do câncer que a acometeu anteriormente. Nesse ponto as duas se esbarram novamente pois acabam tendo uma relação extraconjugal com o mesmo homem (interpretado por Colin Firth). Rose que tem uma postura mais fria revela que sabia do que se passava e não se importava com a situação, em contrapartida, quando Virginia descobre que a irmã também se relacionava com ele, leva um choque e além de mostrar-se culpada (por causa do marido) reprime seu desejo e se distancia do amante. – Gosto desse momento da trama porque o espectador também é  pego de surpresa: não só pelo fato das duas dormirem com o mesmo homem, mas também pela postura insensível de Rose.

Carol volta a conversar com o pai e em uma reviravolta, entra com um processo contra as irmãs. A briga em família toma proporções maiores quando as pessoas da cidade passam a defender o velho Larry, acreditando que suas filhas mais velhas são na verdade, duas oportunistas. É interessante a discrepância entre gêneros, o machismo chega a tal ponto que o advogado de Rose e Virginia sugere que elas usem vestidos para transparecer um comportamento mais feminino e tradicional.

As sessões com o juiz se tornam uma oportunidade para que os quatro lavem as roupas sujas, Rose revela sobre o abuso sexual e Carol não acredita nela. Enquanto isso, a relação entre Rose e Virginia se torna cada vez mais forte e as duas percebem que, apesar de todos os problemas, podem contar uma com a outra. Tudo piora com a morte do marido de Rose e com o retorno inesperado do câncer de mama. Virginia é colocada a prova e começa a repensar sobre o que fazer da própria vida.

The Replacements – 3×03

O terceiro episódio de American Horror Story me surpreendeu.  Como disse anteriormente, achei o segundo episódio fraco e não tive paciência de revê-lo. Li várias matérias e entrevistas sobre a série durante a semana e em uma delas, Jessica Lange afirmou que a quarta temporada será a sua última participação em AHS (e que pretende fazer um ou dois filmes antes de se aposentar). Lange chama atenção para um aspecto: a protagonização feminina em Coven [os únicos “homens” que apareceram – até agora – não falam].

Ela também evidenciou um aspecto que resume bem o que acontece no terceiro episódio: Fiona percebe a sua decadência e faz de tudo para se manter no poder. De fato, um dos grandes méritos do Ryan Murphy é fazer aflorar o lado ‘humano’ dos seus personagens. Se você gosta de AHS e pretende assistir o episódio, não leia o texto porque é um pequeno resumo do que aconteceu e “contém spoilers”.

Jessica Lange

O episódio inicia-se com Fiona em uma situação completamente distorcida de tudo o que ela tenta transparecer, ela está frágil e mistura medicamentos com bebidas. Através de um flashback (que se passa em New Orleans, 1971) ela se lembra de como se tornou a mais poderosa das bruxas.

Em um encontro com a sua mentora (na época, a suprema), a jovem Fiona conta que sente que seus poderes estão crescendo e se manifestando de várias formas. Fiona afirma que será a próxima suprema e sua mentora tenta dissuadi-la. Fiona descobre que sua mentora está com diabetes, um sinal de que logo será substituída. “Eles dizem que quando a nova suprema começa a florescer, a velha suprema começa a decair”.  Fiona mata a velha suprema com um corte na garganta, a situação é testemunhada por Spalding, o mordomo.

Já nos tempos atuais: Fiona percebe que não chama mais atenção dos homens como antigamente, ela está com problemas de saúde e não consegue encontrar a fórmula da vida eterna.

Coven

Coven

Jessica Lange Coven

Zoe vai até a casa da mãe de Kyle e descobre que ela está sofrendo muito pela falta do filho. A mãe de Kyle chegou revelar que quase tentou o autoextermínio, ela também contou que a morte do pai de Kyle foi muito pesarosa para os dois e que desde então, Kyle assumiu diversas responsabilidades na casa.  Em outro cenário, acompanhamos a chegada de Joan Ramsey (uma religiosa fervorosa) e seu filho – que chama a atenção das meninas, principalmente de Madson.

Taissa Farmiga

Madame LaLaurie chora ao descobrir que o atual presidente dos EUA é negro e Fiona lhe diz que a partir de agora, ela será a nova empregada da casa. Apesar de se sentir humilhada, Lalaurie obedece à ordem de Fiona (principalmente porque não deseja ser enterrada). No entanto, Lalaurie se nega a servir Queenie e Fiona que “odeia racistas”, afirma que ela será a escrava pessoal da Queenie e terá que fazer todas as suas vontades.

Kathy Bates Jessica Lange

Jessica Lange Coven

Zoe vai até a casa de Misty Day buscar Kyle. Misty que ficou amiga de Kyle nega-se a deixá-lo ir [parece que ela tem ciúmes da Zoe], mas Zoe insiste que ele precisa voltar para a mãe que está sofrendo a sua falta. Misty não gosta da situação, mas concorda com Zoe e a faz prometer voltar.  Madson e Nan vão visitar o filho de Joan Ramsey e Joan percebe que há algo errado com as meninas. Madson queima suas cortinas e ‘acidentalmente’ faz com que uma faca voe até a parede.

Joan procura Fiona e diz que se as meninas entrarem em sua casa novamente ela irá processá-la, Fiona não se intimida mas começa a duvidar que Madson é a nova suprema e fará de tudo para impedi-la.

Lily Rabe Evan Peters

Lily Rabe

Zoe entrega Kyle para sua mãe, mas ele está diferente: além de não falar, está cheio de cicatrizes pelo corpo. Depois de deixá-lo lá, temos a inusitada revelação: a mãe de Kyle abusa sexualmente dele.  Cordélia procura Marie Laveau e pede que ela a ajude a engravidar. Primeiro Laveau cobra um preço caríssimo e Cordélia diz que fará de tudo para conseguir a quantia. Depois Laveau zomba de Cordélia e diz que não faria esse trabalho por nenhum dinheiro já que  ela é filha de sua maior inimiga: Fiona. [Cordélia, completamente humilhada, descobre que Fiona encontrou com Laveau e fez renascer uma antiga inimizade].

Angel Basset

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A mãe do Kyle liga para Zoe pedindo ajuda, ela percebe que há lago muito errado com o filho. Zoe vai ao seu encontro, mas é tarde demais: Kyle a matou. Madame Lalaurie e Queenie são surpreendidas pelo Minotauro, Lalaurie (que sabe que o bicho está atrás dela a mando de Laveau) implora ajuda a Queenie. Surpreendentemente, Queenie vai ao encontro do Minotauro e faz sexo com ele!! (parece que ele, de alguma forma, a machuca).

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Por fim, Fiona se aproxima de Madson e finge que irá ensiná-la a usar seus poderes. As duas saem juntas, jogam sinuca e bebem durante toda a noite. Quando chegam a escola, Fiona conta como se tornou suprema e diz a Madson que, provavelmente, ela será sua substituta. Fiona revela que tem câncer, lhe dá uma faca e pede que Madson a mate. Madson nega-se, então Fiona pega e faca e mata a Madson!!! Como no começo do episódio, Spalding testemunha o assassinato e se compromete a dar sumiço no corpo.

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The Replacements – 3×03

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Legendas: http://insubs.com/?legenda=3854

Promo do próximo episódio:

Bitchcraft – 3×01

American Horror Story Coven estreou ontem em grande estilo. A verdade é que o primeiro episódio foi, sem dúvidas, um dos mais dinâmicos se comparado com as últimas temporadas. Como sou viciada, já assisti e fiz download do episódio poucos minutos depois, tomo a liberdade de fazer um pequeno resumo do capítulo (e, se você não gosta de Spoiler, por favor nem comece a ler!). [E você vai reparar que o texto é mesmo um resumo e não uma resenha. São 3 horas da manhã agora e eu não tive tempo de digerir tudo, a impressão que tenho é que dessa vez, AHS vai centrar muito nas relações entre ”mãe e filha”, na figura feminina e vai usar e abusar do sarcasmo, do deboche…]

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O primeiro episódio, intitulado Bitchcraft, se inicia em 1834 – a terrível Madame LaLurie (Kathy Bates) apresenta suas filhas em um encontro social e logo depois, se banha sangue. Lalurie descobre que uma de suas filhas se envolveu com um escravo e para castigá-lo, afirma que ele a estuprou. Não bastasse, ela o leva a um calabouço onde lhe prende, retira seus órgãos e lhe obriga a usar uma máscara de Minotauro. Enquanto acompanhamos o pesadelo do escravo, vemos outros em situações parecidas (ou piores!).

A história muda de tempo e ambiente. Acompanhamos Zoe (Taissa Farmiga) e seu namorado que vão fazer sexo pela primeira vez. Zoe, acidentalmente, mata seu namorado com sua vagina e recebe a notícia, através de sua mãe, que é uma bruxa e que será encaminhada a escola “Miss Robichaux”. Ao chegar, Zoe tem um desagradável encontro com as colegas de turma, as três (Queenie, Madson e Nan) fingem que vão matá-la. Depois da brincadeira, a professora da escola se apresenta: Cordelia Foxx (Sarah Paulson). Ela afirma que quer ensinar as meninas como controlar seus poderes e antes de qualquer coisa, a sobreviver. Cordelia conta para as meninas o caso de Misty Day, uma bruxa que não conseguiu se defender e acabou queimada.

Lily Rabe- American horror Story

Lily RAbe- American Horror Story

Pouco tempo depois, conhecemos Fiona (Jessica Lange). Fiona – que é a suprema, ou seja, a mais poderosa das bruxas e a que possui todos os poderes – encontra-se com um médico para pedir que ele lhe dê um remédio para deixá-la mais jovem. Tempos depois a acompanhamos em seu apartamento, onde ela se droga. Fiona é visitada pelo médico e enlouquecida de raiva (porque os remédios que ele lhe deu não fizeram efeito), o beija e suga a sua juventude. [Aliás, o nome do episódio Bitchcraft é justamente um prelúdio do que acontece com ela, que percebe que não é mais jovem e que provavelmente, será sucedida].

Na escola, as meninas – enquanto jantam – comentam sobre os seus poderes. Madson (Emma Roberts) conta que é uma atriz de cinema e que chegou a matar um homem. Queenie (Gabourey Sidibe) é como se fosse uma boneca Voodoo de verdade e Nan, consegue ler pensamentos. Na escola, há um estranho e enigmático mordomo, que é mudo.

Jessica Lange

Jessica Lange - Fiona

Jessica Lange, Fiona

Fiona vai até a escola e enfrenta a filha, Cordélia. Ela quer ensinar as alunas a lutar e prepará-las para um combate. Ao contrário da mãe, Cordélia (obedecendo ao Conselho das Bruxas) acredita que as meninas precisam aprender a controlar seus poderes e viver pacificamente. Cordélia pede que a mãe se afaste e afirma que ela é indesejada naquele lugar, em contrapartida, Fiona traz suas malas e diz que não sairá dali.

Zoe e Madson vão a uma festa. Zoe conhece Kyle Spencer (Evan Peters) e os dois se apaixonam ‘a primeira vista’. Enquanto isso, Madson é drogada por um dos atletas (amigos de Kyle) e é estuprada por um grupo de rapazes. Zoe percebe o sumiço de Madson e vai a procura dela, quando chega ao quarto a encontra praticamente desacordada. Kyle, que também testemunha a situação, briga com os amigos e acaba sendo espancado. Os rapazes tentam fugir no ônibus mas Madson vai atrás deles e provoca um acidente – matando todos, inclusive Kyle.

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No outro dia, a notícia da morte dos atletas invade o noticiário – Zoe e Madson temem ser descobertas. As alunas se encontram pela primeira vez com Fiona que pede que elas se vistam de preto e as leva para passear pela cidade. Nan é atraída por um museu, quando entram, as bruxas descobrem que estão na casa de Madame LaLurie. Nan e Fiona, através da ‘força do pensamento’ deixam subentendido que Lalurie ainda encontra-se na casa.

Lalurie foi enterrada viva por Marie Laveau (Angela Bassett), uma das mais poderosas rainhas do Voodoo. Descobrimos que Laveau enterrou Madame Lalurie viva, porque ela torturou seu amante (aquele, com cabeça de minotauro). Zoe, vai até o hospital e mata (com sua vagina), um dos homens que estuprou Madson.

Dias depois, Fiona volta a casa de Lalurie e a desenterra.

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Kathy Bates

Links para download do episódio (American Horror Story Coven, 3ª temporada)

* Legendado e em RMVB

Opção 1)
http://usefile.com/sux7xc5tm7b2/AHS-3×01-Legendado.rmvb.html
Opção 2)
http://fileom.com/4hk00kvvouk8/AHS-3×01-Legendado.rmvb.html

Via Torrent: http://bit.ly/1fkGxTU

Bitshare: http://bit.ly/17ppmYf

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A máscara do anonimato

Me deparei com o DVD na loja e não resisti em comprar. Acabo de vê-lo e, depois de ler várias resenhas, fico mais tranquila em saber que eu não fui a única a me sentir perdida. “A máscara do anonimato” é um filme de 2003, dirigido por Larry Charles e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos que Bob Dylan. A premissa é bem interessante, mas o desenvolvimento traz uma sequência complexa e pouco linear. Apesar de um elenco de peso, o filme recebeu várias críticas negativas, o New York Times chegou a considerá-lo “uma bagunça incoerente e profana”. 

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A trama não determina a época nem o lugar da história, o que se sabe é que se passa em um país pobre e subdesenvolvido que vive a mercê das vontades de um governo abusivo e ditatorial. Nina Verônica (uma produtora de TV) e seu parceiro Uncle Sweetheart estão completamente endividados e para fugirem dos agiotas, decidem organizar um show de caridade e roubar parte do dinheiro. Com uma pequena verba inicial, decidem soltar Jack Fate (Dylan), uma lenda da música que caiu no esquecimento depois de ficar preso. A volta de Fate traz a tona várias polêmicas e a maior delas, envolve o presidente.

Gosto de filmes experimentais e “A Máscara do anonimato” não está longe disso, há um uso quase abusivo da câmera subjetiva e diálogos extremamente metafóricos: a maioria trazendo um questionamento sobre governos opressores e censuras veladas. Percebe-se, já na abertura, uma crítica social que é desenvolvida ao longo da trama e vivida pelos personagens em particularidade. Apesar de comportamentos agressivos, todos possuem uma insatisfação quanto a situação que vivem e pela vida que levam. Outro aspecto técnico que me agradou foi a ambientação, marcada por uma cenografia quase teatral (não fosse as poucas tomadas externas).

Pelo que eu entendi, os personagens de John Goodman e Jessica Lange (alias, uma femme fatale) representam a grande mídia que cede ao sistema opressor e não só concorda, como também sustenta a barbárie. Aliás, renderam suas ideologias e trouxeram uma brutalidade para o próprio cotidiano, exigindo que os outros obedeçam suas vontades. Ao mesmo tempo, se questionam sobre o modo de vida que levam e são infelizes (como aquela cena do trailer, em que Jessica Lange aparece desolada e só, como se sentisse incapaz de mudar). Em contrapartida, Jeff Bridges encarna o bom jornalismo, o contestador e que além de mais fraco, acaba vencido no final.

Jessica Lange - Masked and

Penélope Cruz possui uma pequena participação, repleta de sentidos (posso estar enganada), mas acho que seu personagem simboliza a religião: que aliena, que cega. Cruz traz a tela um personagem estranho e infantilizado e totalmente dependente da ação alheia. No mais, “A Máscara do Anonimato” ou “Mascarados e Anônimos” possui uma deliciosa trilha sonora e é o típico filme que deixa inúmeras dúvidas na cabeça.

A força da amizade

A Força da Amizade

Li várias críticas negativas sobre esse filme e muitas delas são válidas. Apesar de trazer velhos clichês dos road movies, A força da amizade oferece uma trama agradável, com boas atuações e uma bela fotografia. De fato, aquela história de personagens que recebem lições de vida através de uma viajem não é uma novidade no cinema e a direção de Christopher N. Rowley (aliás, sua estreia) é um pouco imprecisa. É difícil não fazer uma comparação ao clássico ‘Thelma e Louise’ de Ridley Scott. As paisagens, os personagens femininos e até o figurino nos leva a lembrar dele (A Força da amizade chegou a ser apelidado de ‘Thelma e Louise na menopausa‘). Apesar de todas as contradições, Jessica Lange, Kathy Bates e Joan Allen apresentam uma boa química e são o que há de mais convidativo no filme.

Na trama, Jessica Lange interpreta Arvila Holden, uma mulher que acaba de ficar viúva e que para atender o pedido do marido, resolve espalhar suas cinzas. A decisão de Arvila desagrada Francine (Christine Baranski) que deseja que seu pai seja enterrado ao lado de sua mãe. Francine determina que se Arvila não concordar com o enterro e não lhe entregar as cinzas, venderá a casa (que seu pai lhe deixou através do testamento). Acompanhada das melhores amigas, Margie (Kathy Bates) e Carol (Joan Allen), Arvila resolve realizar uma viagem em seu Bonneville conversível para decidir o que fazer.

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Apesar da situação ser um pouco mórbida (principalmente pelo fato de Árvila levar as cinzas do marido para todos os lugares e, inclusive, adormecer com elas) há um clima de euforia e aventura ao longo da viagem que deixa a trama mais agradável. Joan Allen e Kathy Bates interpretam personagens em contraponto, enquanto Carol (Allen) é uma mulher casada, extremamente religiosa e preocupada com a família, Magie é solteira e só deseja se divertir. Christine Baranski, com pouco destaque, é um elemento crucial da história e nos levanta questionamentos sobre Árvila. Independente de Francine ser arrogante, ela tinha o direito de se despedir do pai e não o fez pois Árvila a impediu – ao meu ver, esse é o momento mais dramático do longa.

Jessica Lange se sai muito bem, mas dessa vez um aspecto me chamou a atenção. O efeito do excesso de cirurgias plásticas em seu rosto é assustador. Em uma entrevista que vi, ela afirma que escolheu aparecer no filme com pouca maquiagem para trazer mais naturalidade e dor ao personagem. De fato, Árvila é o destaque da trama e acompanhamos de perto seu sofrimento, mas é justamente a ausência de maquiagem que nos possibilita reparar sua expressão muito marcada pela plástica.

O namoro de Magie com o caminhoneiro não foi bem desenvolvido, mas foi prazeroso vê-la se apaixonar e se entregar ao relacionamento. Gosto quando a Carol, em sinal de companheirismo e proteção, chama o caminhoneiro para conversar e pede que ele não brinque com os sentimentos de sua melhor amiga. Quando o jovem Bo apareceu para ajudá-las a concertar o pneu, eu achei que ele e Árvila teriam algum lance, apesar do clima (e da pouca química entre os dois), o fato de Arvila se inspirar na história dele para seguir seu caminho provavelmente uma das lições mais bacanas, a de persistir. É uma pena que esse filme seja tão difícil de encontrar, tanto para download quando em DVD.

28 de Junho de 1949

Sei que essas palavras podem ser usadas para me incriminar, apesar disso preciso escrever um pouco para aliviar a culpa que cresce e sufoca o meu coração. Uma desgraça se abateu sobre a minha vida, uma nuvem nebulosa invadiu os meus dias: estou desesperada e com muito medo! Depois do último show que fiz, saí com um cliente e ficamos bebendo por horas. Ele acabou dormindo, eu pequei o meu dinheiro e fui embora. Oh Deus! Não sei como descrever o que aconteceu depois.

Saí de carro em direção a minha casa, eu estava alcoolizada e não percebi que uma garotinha, uma pobre e pequena garota passeava em sua bicicleta. Tudo aconteceu tão rápido! As únicas coisas que consegui reparar foi que ela vestia um casaco azul e usava óculos grossos. Senti os efeitos da batida sobre o meu corpo, o vidro do carro estava quebrado, vi a menina estendida no chão – ela pedia por socorro. Fiquei aterrorizada, acelerei com o meu carro e a deixei lá. Eu sou um monstro!

Não consegui dormir direito, bebi mais e mais até ficar inconsciente. Hoje de manhã, Terry bateu em minha porta e disse que colocara outra pessoa para cantar no meu lugar. Adivinha quem? Isso mesmo, a prima gorda dele. Eu sabia que algo estava errado. Ele não desconfiou de nada,  não sabe (e nem pode saber do atropelamento). Tentei seduzi-lo, me humilhei, implorei para que me deixassem cantar. Ele me empurrou, disse que ‘eu estava cheirando a vômito’. Aquele infeliz! Terry já bateu em mim uma vez, eu estava no palco e o vi beijando outra mulher. Fiquei com raiva, com um ciúme incontrolável.  Aproveitei a oportunidade e disse no microfone: ‘Estão vendo aquele canalha? Aquele mesmo de terno  marrom! Pois ele é um vagabundo, um homem que vive às custas da mulher!’. Ele fingiu não ouvir, pegou a puta com quem estava e saiu. Horas depois bateu em minha porta, me deu um soco que me deixou bamba. Caí perto do sofá e ele não parava de me bater, me deu pontapés perto da barriga, socou o meu rosto na parede. Alguns homens que estavam perto ouviram os gritos e o impediram, eu sangrei tanto que tive que ser levada ao hospital. Fizemos as pazes depois, ele percebeu que não conseguiria viver sem o meu dinheiro, apareceu no meu apartamento com rosas, pedindo desculpas – eu aceitei.

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Terry me deixou um pouco de dinheiro e um jornal – a notícia sobre o atropelamento se espalhou e agora eles procuram o assassino. Eu sou o assassino! Peguei todas as minhas coisas e saí sem rumo com o meu carro, estou parada em um acostamento A pequena está morta! Se eu pudesse eu teria dado a minha vida a ela, eu não tenho medo da morte, já fiquei cara-a-cara com ela e não me estremeci por isso. Eu não sei o que fazer, que Deus me ajude.

Ass. Judy

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26 de Junho de 1949

Não estou familiarizada com diários, mas confesso que hoje senti uma vontade enorme de escrever. Estou triste e me sentindo muito só, não tenho em quem confiar. Estou no fundo do poço, já não sou mais uma jovenzinha.  Meu nome é Jude Martin, ou Judy se preferir. Tenho 56 anos, não sou casada e não tenho filhos. Vivo há algum tempo nesse pequeno apartamento, nesse quarto abafado e escuro que quase não uso. As coisas pioraram desde que me mudei pra cá, antes eu trazia meus amigos, ficávamos até de madrugada fazendo festas, bebendo até cair – meus amigos foram sumindo aos poucos, se é que posso chamá-los de amigos.

DADASPasso a maior parte do dia dormindo, gosto da noite: vivo dela. Trabalho como cantora em um inferninho, conheci alguns homens interessantes lá (me apaixonei por alguns, me perdi por outros, estou viva por causa deles). Soldados, advogados, professores, todo o tipo de homem passa naquele lugar. É assombroso a forma que se portam: comem, bebem, transam e no outro dia se dizem homens de família, vão pra casa para impor ordem. Tenho pena das mulheres e dos filhos deles, da vida medíocre que provavelmente levam.

As coisas não estão bem, a verdade é que nunca estiveram. Vou fazer uma confissão: não consigo parar de beber. Bebo quando me sinto triste, para afogar as mágoas. Bebo quando estou alegre, para comemorar. Estou endividada, o dinheiro dos shows (e dos programas) não rendem para nada, sinto que querem roubar o meu lugar. A prima gorda do Terry sempre aparece nos ensaios, estão me pressionando, criticando a minha voz, falaram que estou desafinada.

Como odeio essas pessoas, esse lugar! A vida foi injusta comigo, eu merecia mais, muito mais!

Terry é um homem de cor, forte e viril. É ele quem comanda a banda, foi quem me convidou para ser a cantora e por algum tempo, deixei que fosse meu gigolô. Nossa relação não vai nada bem, ele se nega a se deitar comigo. Bill está estranho, sinto que algo está errado. Fiquei sabendo  de uma reunião da banda, uma reunião da qual não fui convidada a participar. Katherine (a garçonete) me contou que eles falavam baixinho pra ninguém ouvir. Gosto da Katherine, ela já trabalhava aqui quando eu cheguei, me ajudou a entender o funcionamento do lugar e me apresentou aos clientes.

Tenho que descer para o bar. Escolhi o meu melhor vestido (aquele vermelho), também arrumei as unhas e o cabelo, quero que tudo saia perfeito. Não quero que Bill tenha motivos de reclamação, preciso desse emprego. Será que ele vai sentir o cheiro da bebida? Se ele perceber que bebi estou perdida.

Ass. Jude Martin.

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