Li o livro da Andressa Urach, deixa eu te contar o que achei!

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Fiquei curiosa para ser esse livro, queria demais conhecer as histórias tão polêmicas da Andressa Urach. Eu sinto uma simpatia por ela, e nem sei explicar o porquê. Como eu cheguei a ler inúmeras notícias e resenhas, acabei não me surpreendendo muito. A figura dela é interessante, e o livro também… seja ou não uma jogada de marketing. Vejo a Andressa como um exemplo vivo da loucura que é o universo do entretenimento, das coisas boas e ruins que acontecem no submundo das celebridades e que a gente não vê no jornal. O livro carrega um discurso muito forte de arrependimento, a narradora é uma pessoa que cometeu loucuras e exageros em busca de uma satisfação: tudo isso envolvia fama, dinheiro e muito sexo.

O que mais humaniza Andressa é a sua origem, o fato de ela ter nascido em uma família como todas as outras famílias brasileiras. Ela poderia ter sido a sua vizinha, sua conhecida, sua prima… O que a diferencia de tantas outras pessoas? Talvez a sua audácia ou o apelo pela exposição.

A fixação de Andressa pela beleza começa muito cedo, depois o vício nas cirurgias plásticas passa a persegui-la como um fantasma. Independentemente da quantidade de intervenções estéticas, ela nunca se contenta. E o livro começa no ápice desse vício, no momento em que ela precisa ser internada às pressas por causa da infecção nas pernas. Ela, com medo de morrer e pensando no filho, e a mãe dela, desesperada ao vê-la doente.

Em suma, é um narrativa bem simples, mas interessante de se ler. Das revelações polêmicas, muito se falou: Andressa conta que foi abusada sexualmente por homem a quem considerava como “avô”, ela conta que perdeu a virgindade com o irmão, que praticou zoofilia, que era a prostituta mais disputada e que brigava muito com a mãe, inclusive fisicamente. Ela não esconde os encontros sexuais com homens ricos, nem as bizarrices exigidas por eles. A modelo fala também sobre seus relacionamento com mulheres e dá sua versão sobre o encontro que teve com Cristiano Ronaldo (e conta que o jogador foi violento, fez ameaças e que seus seguranças chegaram a deixá-la presa num quarto de hotel).

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Se vivêssemos em um lugar normal


– Você já foi para a Disney? – Contra atacou Jack

– Claro! O voo saiu do aeroporto internacional de La Chona. Pelo que eu sabia, a Disney era um castelo de fantasia onde o importante era se comportar bem, não importa o que acontecesse ou o que você pudesse ver. As vezes algum Mickey Mouse, quando ninguém estava olhando, levava você para o canto e enfiava o dedo no seu cu. Mas você tinha que ficar quietinho, sem reclamar e sem fazer o mesmo, nada de querer agarrar os peitos da Margarida ou da Minnie, não, porque havia guardas hiperfuriosos que surravam você com o cassetete. Estão vendo? Melhor não falar da Disney na frente dos pobres.

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Ontem terminei de ler mais um livro do Juan Pablo Villalobos, passei praticamente toda a viagem de Minas/São Paulo o lendo. Comentei aqui no La Amora que no mês passado conheci este autor através do livro Festa no Covil e que gostei da sua narrativa, do seu bom humor e de suas ironias. Pois, “Se vivêssemos em um lugar normal” também tem essa pegada, ainda que de uma perspectiva bem diferente.

A história se passa na década de 1980, num México assolado por pobreza e com uma enorme discrepância social, em uma cidade em que “há mais vacas do que pessoas”. O narrador é Orestes, um adolescente que vive junto à sua família em uma casa minúscula e mal acabada que mais se parece uma “caixa de sapato”. Seu pai é professor de educação cívica e moral e sua mãe, dramática, é uma mulher que recusa a própria pobreza e insiste em dizer que pertence à classe média, ou seja, quejuam nega o mundo em que vive. Dentre disputas e ofensas, Orestes e seus seis irmãos aprenderam a sobreviver a base de quesadillas. Como a comida é pouca, um nutre o desejo secreto de que os irmãos desapareçam.

O “equilíbrio” da família é interrompido quando chegam novos vizinhos no morro da “puta que pariu” (onde eles moram). Acontece que a casa dos vizinhos é grandiosa, luxuosa…e Orestes não entende para quê serve uma casa tão grande para uma família com apenas três membros. “Definitivamente somos pobres”.  Em seguida se instala no local um empreendimento imobiliário de alto padrão e a casa da família de Orestes está prestes a ser demolida.

O livro é uma delícia, daqueles que você lê rapidinho e volta para reler as partes mais engraçadas. Ah! E a Polônia também aparece nesta história (junto a elementos fantásticos como alienígenas e melancias psicodélicas). Uma história que se passa no México, mas que com facilidade poderia se passar no Brasil, principalmente por causa da bem humorada descrição da pobreza, dos pobres e sua conflituosa relação com a sociedade.

Éramos Seis


“Enquanto ia andando, descendo a Avenida Angélica, comecei a lembrar que os meus também foram embora, a vida levou-os e se espalharam pelo mundo, menos Carlos que já não existe. Esse eu visito sempre, está deitado no cemitério S. Paulo, dormindo sossegado entre quatro roseiras que florescem todos os anos, em Setembro. São rosas brancas, bem grandes, das que ele mais gostava. Carlos eu sei que está bem, os outros não sei onde andam. Estão aí, pelo mundo.”


RAMOS_SEIS_1260649451PEntão, finalmente e depois de tanto tempo, terminei de ler “Éramos Seis” – estou encantada! Maria José Dupré (ou Sra. Leandro Dupré, como assinava seus livros) nos presenteou com uma história belíssima, daquelas que merecem ser lembradas por toda a posteridade. A trama é bem famosa, até porque já foi adaptada para a televisão (se não me engano, duas vezes). Quem não sofreu junto com a Irene Ravache, que encarnava a Dona Lola? Pois é…

Eu pensei em escrever inúmeras coisas sobre o livro, mas em princípio, gostaria de chamar atenção para o título, que é de uma poesia tão linda e de uma tristeza… Em suma, resume perfeitamente a dor de uma mulher, mãe e esposa, que acompanha e sofre com o distanciamento de cada um dos membros da sua família. “Éramos Seis” é um livro triste e nostálgico, e também uma aula de história, um convite a conhecer (ou lembrar) o Brasil da década de 1930, repleto de turbulências políticas e conservadorismo.

O livro guarda o gostinho gostoso da “época da vovó”, das brincadeiras no terreiro, dos bondinhos, dos laços de fita, das panelas de tacho, dos doces de laranja e mamão, da era do rádio, dos chapéus…da inocência perdida.

1e78eb458f4d73ebb511bcf0183ff4ccDona Lola, casada com seu Júlio, faz de tudo para manter o equilíbrio familiar e educar seus filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. Os quatro possuem personalidades muito diferentes e são a tônica da narrativa, já que o leitor acompanha suas histórias de infância até a vida adulta. Em determinado momento, a  família é abalada com a morte de Júlio e é Dona Lola a principal responsável por enfrentar as dificuldades financeiras.

Me recordo muito da novela, e há diversas diferenças entre a adaptação e o livro. No livro, a família é muito mais pobre do que aparenta na novela. Eles quase passam fome e a D. Lola (que aliás, se chama Eleonora), conta que escolheu ficar sem os dentes para poder comprar o presente de casamento do filho.

Júlio, o pai, é uma figura muito conservadora e por vezes violenta… Alfredo é um cafajeste da pior raça, daqueles que tira dinheiro da mãe, da tia e dos irmãos, sem se preocupar com a dificuldade financeira da casa. Isabel, se envolveu com um home casado e foi duramente criticada pela família, a ponto de ser impedida de voltar para casa – tinha apenas vinte anos. E a morte de Carlos (sem dúvidas, um dos momentos mais tristes do livro), acontece por causa de uma úlcera. Ele morre da mesma doença que matou seu pai.


Separei algumas citações:

“Fiquei pensando em como é misteriosa a natureza humana; quando pensamos que conhecemos a alma dos nossos filhos, suas vontades, seus gostos, suas reações, suas debilidades, vemos que estamos longe da verdade, não conhecemos nada, estamos diante do inexplicável. Mesmo sondando com tato e cautela, deparamos sempre o desconhecido e ficamos surpreendidos diante do inesperado”

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“Nunca disse aos  meus filhos para serem honestos. Sabe por quê? Porque sempre pensei que a gente já nascesse honesta e isso não se ensinasse. Imagine dizer a eles todos os dias: Não roube, não mate. Você acha que isso ensina? É o mesmo que dizer: a boca é para falar, os olhos são para olhos. Isso ensina, Clotilde?”

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“Mi hijo ha muerto ayer. Durante tres dias y tres noches he estado luchando con la muerte, queriendo salvar esta pequena y tierna vida y durante cuarenta horas he permanecido sentada junto a sua cama, mientras la gripe agitaba su pobre cuerpo, ardiente de fiebre dia e noche.  A la tercera noche he caído desplomada. Mis ojos no podían ya más y se me cerraban sin que yo me di cuenta. He dormido durante tres o cuatro horas en la dura butaca y mientras he estado dormida se lo ha llevado la muerte” – Zweig

– Leituras de 2015

Eu sou uma leitora descontrolada… Outro dia, estava fazendo as contas e percebi que estou lendo sete livros ao mesmo tempo. SETE.  Acho que é por isso que inicio muitas leituras e nunca consigo terminá-las. Abandono um e vou para outro e assim, consecutivamente. Imagine, que bagunça. Aí pensei, esse ano vou me organizar, vou criar metas, fazer minhas listas… ter um controle, sabe?

Adoro canais literários, daqueles que as pessoas contam o que leram no Youtube, já viram?  Aliás, gosto de alguns e fico com o pé atrás com outros…  Em um canal que vi, por exemplo, a menina falava que tinha lido 11 livros em um mês. ONZE. E eu me pergunto, como? E os livros eram grossos, cara… como?

Então, a minha meta era ler três livros por mês… Mas, até agora só li dois. DOIS.  HAHAH, vou dar um jeito. De qualquer forma, acho que essa publicação vai servir para isso… para eu ter um controle, sabe? Também aceito sugestões, rs…

Leituras de 2015

Janeiro: – A louca da casa

Fevereiro: – O moedor

Março:  Adeus maridos / Guia Politicamente Incorreto da América Latina / Toda Nudez Será Castigada

Abril: –  Éramos seis / Não sou uma dessas

Maio: Festa no Covil / Fulaninha e Dona Coisa

O dia em que matei meu pai

Oi gente, e aí? Como vão as coisas? Já tem um tempinho que eu estou querendo fazer essa publicação, mas a correria não deixou. É que terminei de ler o livro ‘O dia em que matei meu pai’, de Mario Sabino e foi uma leitura super agradável, ainda que a obra se debruce em um tema complexo (e pesado).

A narrativa é extremamente simples e direta, provavelmente reflexo do cunho jornalístico de Sabino (que foi redator chefe da revista Veja até o final de 2011). Aliás, o título do livro não poderia ser mais propício, feito para não deixar dúvidas… De fato o personagem principal assassinou o próprio pai, cabe ao leitor  descobrir o motivo do crime e a quem ele conta a história.

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Gosto especialmente da forma em que o narrador cria um jogo de perversidade e desconfiança mentindo e escondendo certos fatos, contando os acontecimentos com uma pincelada de cinismo e brutalidade que deixa o diálogo tenso, mas muitíssimo interessante. Como quando, por exemplo, ele acusa o pai de molestá-lo e depois, desmente… e logo depois, reafirma.

O que fica claro é uma frustração do personagem diante do protagonismo do pai que sempre foi uma figura mais forte – o que alimentou, desde a sua infância, uma rivalidade mortal – trágica. Li algumas críticas negativas que apontavam uma obviedade do desfecho… a revelação do motivo que levou o interlocutor a matar o seu pai. Concordo, a certa altura do livro, fica claro  o que o fez cometer o parricídio.

Resta lembrar que existe um livro dentro do livro, isso mesmo! Uma segunda narrativa referente à um texto inacabado escrito pelo personagem principal…


O dia em que matei meu pai

Leitores Compulsivos

Compra mais livros do que realmente dá conta de ler

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Tem ânsia em acabar o livro mais fica chateado quando ele acaba:

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Conversa (em voz alta) com o autor:

tumblr_inline_mmnhc2TjMc1qz4rgpQuando alguém atrapalha a sua leitura você fica tipo…
Red3Comenta com parentes e amigos (normalmente com entusiasmo) sobre o que acabou de ler:

i-aint-telling-youEncontra uma pessoa que ama o mesmo livro que você ama!

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Mesmo cansado tenta ler pelo menos mais uma página:

GQPMEJSQuando alguém no ônibus comenta sobre um livro que você já leu…

tumblr_inline_n8odokpuNS1rigfukLê mais de um livro por vez (às vezes 2, 3, 4…)

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 Ou alguém pede para você dizer qual é o seu autor favorito…

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Esquece de entregar um livro e a biblioteca te suspende por 15 dias…

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Lê o mesmo livro várias vezes:

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E quando alguém pergunta: “E aí, qual livro YA você prefere?”

DM1kIWMQuando alguém te pergunta qual é o final do livro…

tumblr_mwy0p7sSZ81rc5z1po1_500Ou quando alguém te conta o fim do livro…
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Carrega sempre um livro na bolsa ou na mochila e quando esquece:

tumblr_inline_ncqlfk9Dco1rwkx4nE quando alguém pergunta: ‘Eu não sei qual presente devo lhe dar, pode ser um livro?”tumblr_inline_n6vkyry4PA1r95yy1Os livros que você comprou em promoção na internet finalmente chegaram e você reage assim:

livrosO seu personagem favorito morre e você fica um pouco chateado:

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Ou quando um personagem que você que odeia se deu bem no final…

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Você está muito ansioso, tenta pular uns parágrafos para logo chegar no final, mas percebe que não entendeu nada e precisa voltar:

anigif_enhanced-buzz-15000-1400181163-12Quando pedem para você doar um livro e você não consegue escolher qual:

tumblr_inline_ncmywk4CbT1src48iou quando alguém pede aquele seu livro preferido emprestado…

anigif_enhanced-buzz-31768-1405685443-14ou quando devolve seu livro em péssimo estado e tem a cara de pau de pedir outro…

anigif_enhanced-buzz-21069-1405685596-7e pra você, que assim como eu, adora literatura…

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Ostra feliz não faz pérola

Ostra FelizGosto muito do Rubem Alves, as coisas que ele escreve me tocam profundamente. Tive a felicidade de encontrar ‘Ostra feliz não faz pérola’ online e fui lendo, pelo celular mesmo, aos pouquinhos.

Neste livro, Alves constrói uma teia com diversos pensamentos e citações sobre assuntos fundamentais à sociedade e ao ser humano. Em sessões diferentes, ele comenta sobre a morte, sobre a vida, sobre a religião, velhice, educação, política, saúde mental (…)

No livro, Alves dialoga com o leitor, faz questionamentos sobre diferentes percepções de vida. Ele não se impõe, pelo contrário, apresenta suas ideias e convida a reflexão. Incrível como a sua narrativa simples e sensível consegue fazer com que a leitura fique ainda mais agradável.

Difícil fazer uma ‘resenha’ do livro, porque não é um texto simples, padronizado, fechado. Pelo contrário, Ostra feliz não faz pérola é um convite a análise (seja sobre a vida ou sobre a morte).

Gosto especialmente do título, acho que uma das coisas mais linda que já li e reproduzo o que Alves escreve:

“Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer cascas, conchas duras, dentro das quais vivem.

Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saída uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário.

Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão”… Não era depressão, era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolve-lo com uma substancia lisa, brilhante e redonda.

Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra.

Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele a tomou e deu-a de presente para a sua esposa. Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos.  No seu ensaio sobre o nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzsche observou que os gregos, por oposição dos cristãos, levavam a tragédia a sério.

Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza.

A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta, mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer.

Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um home completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa…

Confira, outros trechos:

“Há livros maravilhosos que a gente lê uma vez. Não adianta ler a segunda porque já sabe o fim da estória. Outros não contam estória alguma, são feitos de fragmentos inconclusos, e cada fragmento é uma chave para o mundo inteiro”.

“O gol é fundamentalmente um ato sádico. Um estupro. Um gol é um time que enfia a sua bola no buraco do outro – dolorosamente -, embora o outro tenha feito de tudo para impedir que isso acontecesse”.

“A medicina é uma arte rigorosa, regida por princípios de assepsia e de ética. Por exemplo: quando se vai aplicar uma injeção é preciso desinfetar o lugar onde a agulha vai entrar no corpo. Pura curiosidade: os médicos que aceitam a função de carrascos nas penitenciárias desinfetam o lugar onde a agulha com líquido letal vai penetrar na veia do condenado? Acho que sim. É preciso evitar infecções. Será que os carrascos na cama, de noite, pedem perdão ou se entendem apenas como executores de um ato burocrático? Os criminosos de guerra alemães alegaram que eles apenas cumpriam ordens. O argumento não foi aceito. Foram enforcados. Não é horrendamente imoral que o Estanho tenha o direito de matar? Matam na guerra, milhões. Não são caçados como terroristas. São saudados como heróis. Como são bonitas as fardas dos generais! A diferença entre os morticínios de Estado e os morticínios dos terroristas está em que os primeiros são feitos em nome do Estado e os segundos em nome de uma crença política ou religiosa. Os morticínios são feitos por loucos. Mas a loucura do Estado é legítima”.

“Sobre o perdão: Não sei se deve perdoar sempre. Como perdoar o torturador? Como perdoar o adulto que espanca uma LV225740_Zcriança? Como perdoar a Inquisição, os campos de concentração, a bomba atômica, os homens públicos que se enriquecem a custo do dinheiro do povo que sofre e morre? Quem perdoa tudo é porque não se importa com nada”.

“Olha as aves do céu. É um conselho de Jesus. Se ele aconselhou é porque o voo das aves no céu é uma metáfora do sagrado. As aves voam porque  são amigas do ar e dos ventos (vejam só os urubus voando nas funduras do céu sem bater as asas…). E foi o próprio Jesus que declarou que Deus é um vento que sopra sem  que saibamos donde vem nem para onde vai. Nosso destino é ser aves: flutuar ao sabor do vento. Por decisão divina, somos seres destinados ao voo. Não é por acaso que o céu estralado foi um dos primeiros objetos da curiosidade cientifica dos homens. A famosa Torre de Babel que os homens se puseram a construir e cujo topo deveria bater nos céus foi um artifício técnico bolado pelos homens para compensá-los do seu aleijão: haviam perdido suas asas. Quem não pode voar tem que subir pelos degraus… Mas vocês sabem o que aconteceu: a torre nunca foi concluída e os homens se espalharam pelo mundo na maior confusão. De fato, para se tocar as estrelas é preciso ter asas. Se duvidam, releiam a estória do sapo que resolveu ir á festa nos céus dentro do buraco da viola do urubu. Terminou estatelado numa pedra. Acho que o mito da Torre de Babel e a estória do sapo são variações do mito de Ícaro”.

(…) “O deus do taoismo é um rio em que temos de navegar sem remar, flutuando ao sabor das águas, sem fazer força, porque é inútil nadar ao contrário, pois é, o Alan Watts escreveu o seguinte: Especialmente à medida que se vai ficando velho, torna-se cada vez mais evidente que as coisas não possuem substância, pois o tempo parece passar cada vez mais rápido, de forma que nos tornamos conscientes da liquidez dos sólidos, as pessoas e as coisas ficam parecidas com reflexos e rugas efêmeras na superfície da água”.

“A velhice tem sua beleza, que é a beleza do crepúsculo. A juventude eterna, que é o padrão estético dominante em nossa sociedade, pertence à estética das manhãs; As manhãs têm uma beleza única, que lhes é própria. Mas o crepúsculo tem outro tipo de beleza, totalmente diferente da beleza das manhãs. A beleza do crepúsculo é tranquila, silenciosa – talvez solitárias. No crepúsculo, tomamos consciência do tempo. Nas manhãs o céu é como o azul do mar, imóvel. Nos crepúsculos, as cores se põem em movimento: o azul vira verde, o verde vira amarelo, o amarelo vira abóbora, o abóbora vira vermelho, o vermelho vira roxo – tudo rapidamente.

Ao sentir a passagem do tempo, nós percebemos que é preciso viver o momento intensamente. “Tempus Fugit” – o tempo foge, portanto ‘carpe diem’, sabemos que a noite está chegando. Na velhice, sabemos que a morte está chegando. E isso nos torna mais sábios e nos faz degustar cada momento como uma alegria única. Quem sabe que está vivendo a despedida olha para a vida com olhos mais ternos”.

 (Cássia Janeiro)

O que sobrou

O que sobreou de você neste

Apartamento

Foram as suas roupas,

Que logo vão ser dadas,

Os seu livros,

Alguns dos quais serão meus,

Aqueles que compramos juntos,

As lembranças,

O que sobrou foram os seus retratos

e,

Quando vi uma foto sua,

Sorridente e saudável,

Lembrei-me de que não me preparei

Para a sua vinda,

Mas pude me preparar para a sua

Ida.

Mas quando você foi,

Ah, meu Deus!

O que sobrou?

O que sobrou

Fui eu.

 

“Na Declaração Universal dos Direitos Humanos falta um direito: Todos os seres humanos tem o direito de morrer sem dor.”

“Há de se viver bem. Há de se morrer bem. A ideia de que a medicina é uma luta contra a morte está errada. A medicina é uma luta pela vida boa, da qual a morte faz parte”.

Por favor, cuide da mamãe.

ImagemTenho lido muitos livros ultimamente, especialmente porque ganhei um celular que me permite fazer isso. Reconheço que nada tira o gosto de tocar um livro, de sentir o cheirinho das páginas, mas a facilidade da internet em compartilhamentos de dados é irresistível.

Por favor, cuide da mamãe” caiu em minhas mãos exatamente no dia em que o celular chegou aqui em casa, li porque o título (e a sinopse) me encantaram e aos poucos, fui me emocionando com a narrativa. O engraçado é que até aquele momento nunca tinha ouvido falar na autora (Kyung-sook Shin) e, logo depois, virei fã dela.

A trama conta a história de Park So-nyo, uma senhora de 69 anos, mãe de cinco filhos, que desaparece em uma estação de metrô em Seul. Casada há mais há mais de cinquenta anos, Park So-nyo acostumou-se a seguir o marido a todos os lugares mas, excepcionalmente neste dia (no dia em que eles saíram da aldeia onde vivem para visitar os filhos) ela acabou se perdendo em meio à multidão em uma plataforma.

Seu marido supôs que ela o seguia, já que foi assim a vida inteira, mas quando se deu conta, ela não estava mais lá. Preocupados, os filhos de Park começam a procurá-la e, ao descobrirem alguns segredos da mãe, começam a perceber que nunca a conheceram de verdade.

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Kyung-sook Shin

Além de contar uma história emocionante, o que Kyung-sook Shin faz é sugerir que o leitor monte um quebra-cabeça através das narrativas. Narrativas, exatamente. Porque não há apenas uma voz, o livro é construído com a percepção de quatro pessoas diferentes: de dois filhos, do marido e da própria Park So-nyo. Em princípio o texto pode causar estranheza porque não há um personagem bem delimitado, às vezes a visão de todos eles se mistura, às vezes eles dialogam.

É incrível como esse tipo de estrutura textual pode não ser bem encarada pelos leitores, digo isso, porque li várias críticas do livro e praticamente todas elas tocaram nesse ponto.

Admiro a inteligência em relação a construção do título, afinal: a quem esse pedido é feito? A leitura do livro me permitiu perceber que a autora faz esse convite aos leitores, ela pede que a gente preste atenção não só nas nossas mães, mas nas pessoas que nos cercam, que nos amamos, mas que tratamos de forma banal, simplesmente porque elas sempre estiveram ali e a gente acha que elas estarão ali para sempre ( mas isso não acontece, infelizmente).

Jornalismo e Literatura: Estilos combinados

A literatura e o jornalismo são inter-influentes e, antes de tudo, possuem a escrita como um instrumento comum. Existem processos fundamentais que unem o jornalismo e a literatura, como por exemplo, a possibilidade de dar corpo à mensagem, escolher termos e os sentidos que se quer transmitir ao leitor ao se relatar determinado fato. Essa aproximação se inicia na utilização de um instrumento essencial: a palavra.

A participação da literatura na imprensa não é uma novidade. Durante o século XIX, os escritores tornaram-se presentes nos jornais através de diversas publicações como contos e crônicas. No Brasil, por exemplo, José de Alencar conseguiu consolidar a carreira e adquirir visibilidade publica através do seu trabalho no Correio Mercantil e no Diário do Rio de Janeiro. Autor de “O Guarani” (1857) e “Lucíola” (1862) retratou a complexa sociedade da sua época e ocupa um importante lugar nos clássicos da literatura brasileira. Conforme explica Héris Arnt, a literatura e o jornalismo exercem influências mútuas.

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A presença dos escritores favoreceu o aparecimento de um jornal informativo e atraente, com assuntos mais variados – formato que se fixa no século XX e que existe até hoje. A literatura, em contrapartida, sofreu também influencia do jornalismo. Ligado às exigências do meio – tudo num jornal informa -, o olhar dos escritores do século XIX volta-se para as questões sociais e as agruras da vida cotidiana. (ARNT,  p.8, 2002)

Da mesma forma, conforme explica Filipe Pena (2006), Machado de Assis e Joaquim Manoel de Macedo atuaram como jornalistas e ali receberam incentivos para seguir a carreira literária. Machado de Assis atuou como cronista, escreveu peças e poesias e, através das suas obras, incentivou a reflexão sobre a realidade e sobre o cotidiano da população. Grande colaborador do jornalismo brasileiro é o autor, dentre outras obras, de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881) e “Dom Casmurro” (1899).

       Outro autor que merece atenção é Honoré de Balzac que se destacou no jornalismo literário com publicações em folhetins que retrataram de maneira rica e detalhada seu contexto social. Balzac ofereceu um vasto conteúdo de histórias e de personagens fortemente inspirados em fatos sociais. Entre suas obras mais famosas estão “A mulher de trinta anos” (1832) e “Eugénie Grandet” (1833). 

Víctor Hugo e Charles Dickens atuaram paralelamente na literatura e no jornalismo. Com uma participação forte na política francensa, Victor Hugo publicou obras revolucionarias contra a monarquia, com o objetivo de combater a atuação de Luis Napoleão Bonaparte. Com uma extensa obra, o autor de “Os Miseráveis” (1862) exerceu importante influecia em seu país e no mundo, relatando também através de jornais, as injustiças sociais de sua época.

A presença da literatura nos jornais tornou-se marcante através dos folhetins, herança direta dos romances. Escrever para jornais não significava apenas visibilidade, mas também mais dinheiro. Os veículos aumentavam suas tiragens com os folhetins e os anunciantes mostravam-se mais interessados. As narrativas literárias facilitaram a popularização do jornal e fidelizaram os leitores. As histórias eram construídas através de texto acessível, de fácil compreensão, direcionadas a um público vasto, atingia diversas pessoas, sem distinção de classes.

De acordo com Filipe Pena (2006), características semelhantes às conhecidas telenovelas, o folhetim era escrito com uma estratégia interessante: o “plot”. Tratava-se da interrupção de um momento importante ou decisivo da narrativa que só tinha continuidade nas próximas edições. Os escritores exploravam pequenos detalhes, repetiam alguns fatos (para lembrar o público ou atualizar o leitor que não teve acesso a edição anterior) e, quando necessário, aumentavam a história ou adicionavam novos personagens para esticar o enredo e estender a trama.

O folhetim marcou a popularização dos periódicos e em países europeus contribuiu para o estímulo da população à leitura. Como os livros eram muito caros, acompanhar obras literárias semanalmente através dos jornais, tornou-se um hábito expressivo em países como França e nos Estados Unidos. No Brasil, o jornalismo literário foi um estilo que representou um avanço cultural, mas que se popularizou lentamente, pois a massa não era alfabetizada.

Os jornais sofreram transformações gráficas e adotaram, de maneira ainda mais forte, a linguagem clara e objetiva. Assim, na década de 50, a literatura diminuiu sua presença nos veículos e passou a ser encarada como um suplemento. As narrativas que atraíam os leitores dos folhetins foram perdendo espaço nos jornais, pois a preocupação com a veiculação de novidades tornou-se uma característica marcante na imprensa moderna. Os suplementos tinham função de acrescentar algo ao jornal e os escritores assumiram o desafio de combinar a qualidade dos textos com a quantidade necessária de vendas, tudo isso obedecendo às características da imprensa quanto à narrativa clara e concisa.

O surgimento dos cadernos literários nos jornais mostrou que a literatura tornou-se um complemento dos veículos. Com base na lógica do valor notícia, os cadernos literários também estavam sujeitos à utilização as técnicas e regras do discurso jornalístico. De acordo com essa lógica, o jornalismo literário se viu sujeito a acompanhar as notícias, as informações novas, que são essenciais para a imprensa moderna. Os lançamentos de mercado passaram a ter um lugar de destaque nas críticas literárias e nos suplementos, dividindo espaço com outros assuntos e aspectos valorizados como as celebridades, as fofocas e os acontecimentos inusitados.

Os escritores perceberam a importância do jornalismo e passaram a participar fortemente desse espaço público que conforme explica Filipe Pena (2006), é muito amplo. O conceito de jornalismo literário é complexo e envolve questões fundamentais para a discussão do âmbito da comunicação e da própria literatura como, por exemplo, as influencias que exercem na vida do cidadão e no cotidiano da sociedade.

Não se trata apenas de fugir das amarras da redação ou de exercitar a veia literária em um livro-reportagem. O conceito é muito mais amplo. Significa potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lide, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos. (PENA, p.6, 2006)

O jornalismo literário baseia-se na utilização de recursos do jornalismo para a construção dos textos. A apuração de um assunto, a observação e o rigor ético com as informações são estratégias que continuam sendo utilizadas. A abordagem de um tema é feita de forma aprofundada, pois, assim como no jornalismo, os textos possuem um compromisso com a sociedade e com o cidadão, que é o leitor.

O jornalismo literário rompe com as amarras das redações, apresenta técnicas diferentes e não se rende a efemeridade das publicações. Não há uma preocupação com o deadline ou com a periodicidade. O escritor não está interessado em oferecer uma novidade, uma informação imediata e sim em apresentar um texto rico com uma visão completa e detalhada da realidade.

Em contraponto com a superficialidade dos textos jornalísticos, o jornalismo literário não possui um espaço tão limitado nos veículos de comunicação e por isso tem a possibilidade de contextualizar suas informações e oferecer ao leitor uma interpretação mais profunda.

Para facilitar a compreensão das principais relações que ligam o jornalismo e a literatura, Filipe Pena, autor de “Jornalismo Literário” (2006), desenvolveu vários itens através de um conjunto de temas do que chamou de estrela de sete pontas. A primeira ponta da estrela é a potencialização do jornalismo, ou seja, explica que as técnicas narrativas jornalísticas não foram ignoradas pela literatura. A segunda defende a idéia de que a literatura ultrapassa os limitar do cotidiano e da periodicidade.

Em terceiro lugar, explica que a literatura preocupa-se em contextualizar um assunto de forma mais abrangente e completa possível mesmo que o texto não passe de um recorte, uma interpretação de determinada realidade. A quarta ponta aborda o compromisso do escritor com a sociedade e da sua contribuição com a formação do cidadão.

A quinta característica evidencia o rompimento da literatura com o lead. Para o jornalismo literário não há uma obrigatoriedade de seguir o lead, uma técnica narrativa para agilizar os textos jornalísticos. As  seis questões fundamentais do lead: Quem? O quê? Como ? Onde? Quando? Por quê?,  são fórmulas importantes para guiar os jornalistas na construção de um texto e deixá-lo menos subjetivo, mas ainda assim, reducionista.

Na sexta ponta há a preocupação em recorrer a fontes que não são primárias. O autor identifica a importancia de se conseguir depoimentos de fontes comuns, ou anônimas e de evitar os definidores primários como personagens que ocupam um órgão público ou político e que sempre possuem espaço na mídia. Na sétima ponta, o autor explica que uma obras do jornalismo literário não são efêmeras, o objetivo do escritor é não cair em esquecimento.

O jornalismo e a literatura também se esbarram fora dos periódicos e se encontram em reportagens editoriais, livros-reportagem, críticas literárias, nas narrativas de não ficção e assim, se sobressaem dos limites dos gêneros e dos discursos. Essa convivência também pode ser percebida no gênero literário classificado como romance-reportagem, que se concentra na descrição dos fatos e estabelece um enredo com foco na realidade factual.

REFERÊNCIAS

ARNT, Héris. A influencia da literatura no jornalismo: o folhetim e a crônica. Editrora E-papers, Rio de Janeiro, 2002,

BIANCHIN, Neila. Romance Reportagem: onde a semelhança não é mera coincidência.  Editora da UFSC, Florianópolis, 1997.

BRANDILEONE, Ana Paula.  O Romance Reportagem: Implicações estéticas e ideológicas. Terra Roxa e Outras Terras: Revista de estudos literários, volume 19, 2010. Disponível em:  http://www.uel.br/pos/letras/terraroxa/g_pdf/vol19/TRvol19b.pdf.  Acesso em: 29 mai. 2012.

COSSON, Rildo.  Romance Reportagem, o gênero. Editora Universidade de Brasília, São Paulo, 2001.

GALENO, Alex e CASTRO, Gustavo. Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra. Escritoras Editora, São Paulo, 2002

 LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura, Editora Manole, São Paulo, 2004.

 PENA, Filipe. Jornalismo Literário, Editora Contexto, São Paulo, 2006.