Noite final menos cinco minutos

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Encontrei este curta-metragem no YouTube, depois de uma longa procura pelos trabalhos realizados pela atriz Magali Biff. Desde que a vi no teatro, fiquei apaixonada. Assisti o filme umas três vezes, sempre sob o efeito das cenas impactantes. A narrativa (super experimental) me remete às notícias sobre bullying que a gente vê todos os dias nos jornais.  “Noite final menos cinco minutos” foi lançado em 1993 e dirigido por Débora Waldman; é sem dúvidas, um curta que incita à reflexão.

Em cena, Magali aparece dirigindo um Marverick preto, visivelmente desconexa do ambiente. Numa sequência com poucos diálogos, percebemos o incômodo e a solidão do personagem, que de repente se depara com um rato e parece sentir carinho por ele. Fico me perguntando, seria compaixão ou… identificação¿ No âmbito do grotesco, ainda vemos a personagem tentar um contato social com outras pessoas, quando acaba vomitando. O mais interessante é a indiferença das pessoas que a cercam. Ela está numa espécie de festa, mas ninguém repara nela e isso aumenta o clima de estranhamento. Me incomodou perceber a invisibilidade do personagem, que não se enquadra naquele mundo e ao mesmo tempo, entender o motivo do seu desespero…

As Luzes do Ocaso: que peça incrível!

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Fui assistir a peça “As Luzes do Ocaso” três vezes e para falar a verdade, se não estivesse com a vida tão corrida, teria assistido novamente. Na primeira vez estava acompanhada da minha mãe, que veio passear em São Paulo. Saímos de lá encantadas com a Magali Biff e não parávamos de falar: “Ela é linda, né?”. Naquele dia quebrou-se toda a impressão que eu tinha da atriz, que ficou marcada na minha memória como vilã. Eu não consegui parar de olhar para as suas pernas ou para suas mãos, que pareciam ter vida própria, e me apaixonei por seu carisma. Se uma vez escrevi por aqui que quando a  Bete Coelho está no palco é difícil desviar os olhos, me atrevo a dizer que quando a  Magali Biff está no palco, é impossível não olhá-la. Intensa!

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“As Luze do Ocaso” tem todas as delícias de uma comédia, toques fundamentais de suspense e um tom dramático perfeito. De todas as vezes que fui assistir,senti a mesma coisa: que era muito bom poder ter vivido essa experiência em São Paulo. A história me remete a filmes que amo, me faz lembrar das grandes atrizes hollywoodianas (como Bette Davis, Joan Crawford, Greta Garbo e Gloria Swason) e me alertou sobre um mundo que conhecia, mas ignorava: o das vedetes e do Teatro de Revista.

Na trama, Magali dá vida à Lanuza Mayer, uma ex-vedete confinada em sua casa e imersa em suas dores e lembranças. Um dia ela é surpreendida pela visita inusitada de um fã que se propõe a escrever um livro sobre o teatro de revista. Bebê é uma figura estranha que acompanha Lanuza há anos, oferecendo seus serviços como uma espécie de “mordomo/amante”.A chegada do jovem desestabiliza a harmonia da casa pois levanta uma série de segredos e acontecimentos obscuros. Eu escrevi bastante sobre a Magali, né?Não dá pra deixar de citar o trabalho incrível do Giovani Tozi e do Paulo Goulart, eles são atores incríveis e possuem um conhecimento técnico admirável: a postura, a voz, a presença no palco…