The Walking Dead: 5ª Temporada

Oioi! Poxa, eu ando tão cansada… mas não quero deixar o La Amora desatualizado. Acabo de assistir o primeiro episódio da 5ª Temporada de The Walking Dead e se não fosse por aquele final (de cortar o coração) eu provavelmente estaria dormindo – e não aqui, escrevendo. Sabe, eu acho incrível o que esses diretores e roteiristas fazem, de construir uma história tão bem amarrada e de aumentar nossa curiosidade em relação ao próximo capítulo.

the-walking-dead-5-temporada-posterEu nunca fui muito fã de histórias que envolvem zumbis ou fim de mundo, uma espécie de medo e ao mesmo tempo de descrença, meio paradoxal não? Mas acho incrível o que The Walking Dead proporciona e propõe: uma discussão existencialista sobre a vida e a realidade humana. Já se imaginou numa situação dessas? Seus amigos, parentes… cercados de zombies, diante da doença e da morte. O quê você faria?

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Comentei em uma publicação antiga que a minha personagem favorita é a Carol… por muitos motivos (e o principal deles: por causa de seus cabelos brancos, rs). No primeiro capítulo Carol volta mais forte do que nunca e é uma peça fundamental para o futuro do grupo comandado por Rick. De repente, ela deixou de ser aquela mulher temerosa e passou a matar para não morrer, isso sem nenhum tipo de escrúpulos… algo bem parecido com o que o Rick se tornou. Aliás, até hoje não entendo porque muitas pessoas odeiam o Rick… eu acho que de todos os personagem é ele quem enfrenta a situação mais difícil, afinal ele é o líder. Imagina quantos questionamentos, quanta responsabilidade…

Terminus é mesmo um ‘point de canibais’. Trata-se de um grupo de pessoas que atraem sobreviventes para o abrigo, matam e depois os come, cruel… O grupo de Rick está completamente indefeso, na verdade, estão quase para serem comidos quando Carol e Tyreese aparecem para salvá-los. Uma situação coloca Tyreese em prova e ele finalmente percebe que: ou começa a se defender ou terminará morto.

Ainda estou um pouco desconfiada dos novos integrantes do grupo, principalmente daquele cara ruivo, rs… Em suma foi um grande episódio. Como citei acima, a última cena é deixar o coração partido. A quinta temporada promete muita adrenalina, emoção e sangue!

Lost Crossing

 Não tinha planejado essa publicação e também não queria remendar o último post que fiz sobre The Walking Dead, mas acabo de descobrir que a Melissa Mcbride me segue no Twitter e isso me deixou bastante entusiasmada. Como disse anteriormente, estou encantada pela atriz e por seus cabelos curtos. Em 2007, Melissa participou de um média-metragem chamado “Lost Crossing” – algo como: Viagem perdida ou Travessia perdida. O filme, produzido pela BlueLantern Films tem  trinta e três minutos e possui uma trama bem interessante.

Marie (Carrie-Rose Menocal) é uma menina de quinze anos que fugiu de casa. O ônibus em que se encontra quebra e ela se vê obrigada a esperar o concerto. Nesse meio tempo, a garota conhece outra passageira: Sheila (Mcbride) que sugere que as duas dividem um quarto de hotel até conseguirem seguir viagem. Inicialmente, elas constroem uma relação amistosa, até que Sheila revela um antigo segredo e começa a demonstrar um comportamento obsessivo.

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É estranho, mas esse pequeno filme de apenas trinta minutos me remeteu a tantas coisas, a tantas músicas, livros e personagens que eu acho que poderia ficar até amanhã escrevendo sobre ele. Primeiro porque a Melissa Mcbride está fantástica, ela carrega o filme nas costas e possui uma interpretação muito densa. Segundo porque o tema, apesar de uma rápida abordagem do filme, abre caminho para discussões mais profundas.

Marie e Sheila vão a um supermercado e um homem com quem tinham se desentendido anteriormente as ameaça. Sheila bate em si mesma e ele afirma: “Você é uma vadia louca!” e Sheila responde: “Eu te disse!”.  Há algo que nós é confidenciado nesse instante. Não só pela cena, pelo diálogo, mas pela trilha sonora. Depois de jogarem boliche, Sheila diz a Marie que compreende o porquê ela fugiu de casa e diz que passou pela mesma coisa, que sofreu abusos sexuais do pai quando tinha doze anos e que a mãe foi relapsa.

Quando Marie descobre um remédio controlado na bolsa de Sheila e percebe onde se meteu, ela tenta ir embora, mas já é tarde. E é aí que Melissa Mcbride se transforma (na cena seguinte em que Sheila não encontra seus remédios) ela aparece com os olhos manchados de maquiagem, com uma feição inquieta, assustadora. [Eu não sou nenhuma estudiosa de comportamentos ou de doenças mentais, mas acho que impressionante o preconceito – e a falta de conhecimento que existe sobre o tema.] Marie encontra uma foto antiga de Sheila com a filha e a imagem é até um pouco perturbadora: Onde está essa menina? O que aconteceu com ela?

Quando Sheila senta na cama e não consegue se mover, de tanto chorar, senti a aflição daquela mulher que tenta cuidar de uma criança, quando não consegue cuidar nem de si mesma. É como se ela se perguntasse: “O quê estou fazendo comigo”? Quem sou eu? Por que eu sou assim? ’ Depois eu fiquei me questionando, será que eu estou viajando demais? Isso se deu em apenas uma cena e a personagem sequer falou alguma coisa. Acabei me lembrando de um texto que li a poucos dias do Ricardo Costa onde ele diz o seguinte:

“Na narrativa, vazios e silêncios são signos, em elipse, de sentidos harmônicos. Fazem parte da música da imagem, mesmo quando se fala de cinema mudo. Há de fato silêncios que falam, tal como os vazios criados numa sequência de imagens. Neles vibram, como numa caixa de ressonância, sonoridades e sentidos de determinadas palavras, neles reverberam sinais e formas de certas imagens. Imagens ou palavras articuladas são o fio que nos conduz. Os silêncios que elas criam são o leito que nos embala. De uma maneira ou de outra, um filme é sempre quadro de melodia, filme mudo e partitura.”

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Sheila começa a se aproximar da garota e há algo até “sexual” entre elas, como se Sheila estivesse atraída pela menina. Marie promete não abandonar Sheila, mas assim que ela adormece a garota vai embora. Sheila se vê sozinha novamente e enquanto está sentada em uma estação, repara em uma pequena menininha. Sheila nunca vai parar. Ela se vê naquelas garotas, é como se fosse um reflexo do que ela foi quando pequena. Ao mesmo tempo ela tem um instinto, como se precisasse protegê-las, como se não pudesse ficar sozinha e provavelmente lembra da filha – que deve ter morrido ou algo do tipo.

A personagem de Melissa me lembrou muito, muito mesmo “Atração Fatal” e logo  me remeteu a Alex Forrest. No filme (de 1987) Glenn interpreta uma executiva emocionalmente desequilibrada que começa a ter um caso com um homem casado (interpretado por Michael Douglas) e que faz de tudo para participar da vida dele: custe o que custar. O que era para ser um caso extraconjugal qualquer acaba se tornando um pesadelo, Alex persegue a mulher do cara, sequestra a filha dele e provoca situações que se tornaram antológicas no cinema americano– Esse é um filme muito bacana e eu espero poder escrever sobre ele no LA AMORA  um dia.

Glenn Close

Sou apaixonada com esse filme e me lembro de ter assistido em um dos extras do DVD uma entrevista em que a Glenn Close dizia que não se sentiu a vontade com o final da personagem. Em principio, Alex cometeria suicídio, mas parece que a ideia não agradou ao público e ela acaba sendo assassinada. Na entrevista Glenn passa bastante tempo discutindo a possibilidade de  que Alex tenha sofrido abusos sexuais quando criança.

Glenn é praticamente uma militante e há muito anos luta contra os estigmas sobre as doenças mentais – ela possui uma fundação chamada “Bring Change 2 Mind”, participa de inúmeras palestras, projetos de incentivo à informação e tem como exemplo a própria família que durante gerações apresentaram doenças mentais como bipolaridade e esquizofrenia. (Leia mais sobre o trabalho dela nesse link: Nucleo Tavola)

Como disse, o filme me remeteu a outros personagens e esses três são especiais – ficam como dica para quem se interessou no assunto e gosta do tema:

* Louca Obsessão é outro clássico do cinema americano. Produzido em 1990, o filme – baseado em um livro de Stephen King – conta a história de Paul Sheldon, um escritor que sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates) que diz ser sua fã numero um. Annie cuida de Paul e em agradecimento, ele permite que ela leia seu último livro (que se não me engano, ainda não tinha sido lançado) onde a personagem principal – e favorita de Annie – morre. A enfermeira vai a loucura, fica revoltada e tenta se vingar do escritor.

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* A professora de piano é um filme de 2000, dirigido por Michael Haneke – só pra constar, sou alucinada nele! A trama conta a historia de Erika Kohut (Isabelle Huppert) uma professora que trabalha no Conservatório de Viena. Ela possui um comportamento ortodoxo e aos quarenta anos, ainda vive com a mãe (Annie Girardot). Quando não está dando aulas, Érika gosta de frequentar cinemas pornôs e peep-shows. Ela conhece Walter Klemmer (Benoit Magimel) e acaba se relacionando com ele, mas o envolvimento dos dois sai do controle quando Erika começa a sugerir jogos sádicos e perversos.

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* Uma Rua Chamada Pecado: Clássico, clássico, clássico de 1951 – baseado na obra de  Tenesse Williams. O filme conta a história de Blanche Dubois  (Vivien Leigh), uma mulher neurótica que vai visitar a sua irmã grávida Stela (Kim Hunter) em Nova Orleans e acaba não se entendendo com o cunhado Stanley Kowalski (Marlon Brando), um homem com comportamento questionável e abusivo que lhe causa repulsa.  – Ok, esse resumo está pessimo, o filme é muito, MUITO mais do que isso!

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Bom, eu sei que eu me alonguei muito nessa publicação, mas não consegui resistir. O curta é muito interessante e por sorte, ele está disponível na internet. Deixo o link do vídeo de “Lost Crossing” abaixo:

E agora? Me apaixonei por The Walking Dead!

Como disse na publicação anterior, comecei a assistir “The Walking Dead” há pouquíssimos dias e já estou na quarta temporada. Eu, que morro de medo de zumbis, fiquei apaixonada com a trama e assisti vários episódios em uma frequência absurda. Estou decepcionada com a terceira temporada de American Horror Story e acho que isso me deu brechas pra conhecer outros seriados. Já me falaram muito sobre TWD, tenho amigos apaixonadíssimos que, inclusive, já me emprestaram um livro sobre a produção – e que eu devolvi, sem ao menos ter lido.

Não precisa ir muito longe pra descobrir sobre o que se trata, mas em resumo (bem resumo mesmo), a série conta a história de um grupo de pessoas que sobreviveram a um apocalipse zumbi. Esse grupo, liderado pelo agente policial Rick Grimes, vaga pela cidade em busca de comida e de um lugar seguro onde possam se manter vivos. A quarta temporada está apenas começando, só lançaram cinco episódios até agora e o clima já está tenso.

Há uma dinamicidade muito grande, vários personagens, muita ação e muito, muito sangue. Admiro a maneira que estão conduzindo a série: um cuidado primoroso com o roteiro, com a ambientação, com o figurino e com a maquiagem. Além disso, a série tem uma trilha sonora maravilhosa. O que me encantou em TWD foi essa ausência de perfis maniqueístas (os escritores da Rede Globo deviam aprender isso de uma vez por todas). O que eu quero dizer é que todos os personagens apresentam atitudes contraditórias (mesmo o Rick ou o Governador – que começou bonzinho e hoje é o tão temido vilão).

The Walking Dead

TWD deu um espaço incrível para o crescimento dos personagens, só de pensar no Carl na primeira temporada e o que ele se tornou na quarta, sinto arrepios. Aos poucos a gente vai se acostumando com a “carnificina” e até se diverte com algumas situações, é admirável o humor negro e a genialidade com que é conduzido.  Uma das coisas que me incomodou foi a posição secundária das mulheres que, nas primeiras temporadas, eram as responsáveis por lavar as roupas e fazer a comida, não usavam armas e estavam sempre a mercê das decisões masculinas. Essa situação foi mudando aos poucos e na quarta temporada elas estão muito mais ativas e destemidas.

O argumento da série me remeteu ao livro de José Saramago: “Ensaio sobre a Cegueira” –  Os zumbis são a cegueira.  Sou apaixonada com esses segmentos que questiona, os valores humanos e as instituições sociais, que analisa a ascensão de líderes e que ironiza o declínio moralidade. Afinal, quem somos nós, longe dos muros que dividem as casas e do ambiente confortável dos nossos quartos? Quem somos nós sem a internet, sem as facilidades da vida moderna? E se as instituições não existissem? O que faríamos sem as escolas, os hospitais, o governo? O que faríamos se não existisse o poder de polícia? Quem seríamos se estivéssemos em um mundo onde a lei principal é: “Viver, matar ou morrer”?

Melissa Mcbride e seus cabelos brancos

Só pra constar, essa publicação era pra ser uma pequena notinha e acabou se tornando um texto deste tamanho.  Além do argumento e de todas as coisas que eu disse aí acima, também fiquei interessada por Melissa Mcbride. Eu e meu primo passamos um dia conversando sobre a série e ele não media as palavras ao falar da “Tia Fodona do Cabelo Branco” que tanto amava. Comentei que cheguei a assistir um episódio onde uma mulher grisalha cortava a barriga de um zumbi – naquela época eu não fazia ideia do porque e achei a situação detestável.

Mcbride interpreta Carol Peletier, um dos membros do grupo de Rick Grimes e que, ao longo da trama, sofreu várias transformações. Na primeira temporada, Carol era uma mulher temerosa, que apanhava do marido e que tinha medo de pegar em armas. Sophia, sua filha de doze anos, acaba morrendo drasticamente e Carol se vê obrigada a se tornar uma mulher mais fria, que luta pela sobrevivência do grupo e não mede esforços pra isso. Há quem acredite na possibilidade de uma relação amorosa entre ela e o Daryl (outro personagem que eu AMO!), mas de acordo com os roteiristas, ainda não existe nada planejado para os dois.

A quarta temporada possui diversas figuras femininas, mas ao meu ver, a Carol e a Michonne são as mulheres mais fortes da cadeia. Carol voltou mais forte do que nunca e ainda se envolveu com uma polêmica que a fez ser expulsa do grupo!

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Li muitas coisas sobre a Melissa Mcbride e acho engraçado quando a chamam de “vovozinha”. Há quem insista que ela é muito mais velha do que o Norman Reedus, quando na verdade a diferença entre eles é de apenas três anos – Mcbride nasceu em 23 de maio de 1965, portanto tem  48 anos.

Foi isso mesmo que me fez gostar dela, os cabelos curtos e brancos. Acho incrível mulheres que não se importam em seguir os padrões e estão a vontade com a idade. A primeira vez que a vi, logo me lembrei da Jamie Lee Curtis, outra atriz que eu admiro muito. Melissa chegou a dizer em entrevista que se arrependia de não ter pintado os cabelos antes de começar a série, mas justificou o fato de serem curtos, em sua perspectiva o cabelo era uma herança do marido da Carol:

Ela cortou o cabelo, algo que queria fazer há anos, para o papel – uma característica icônica da personagem, cujo cabelo bate pela altura dos ombros na HQ. McBride justifica que, para Carol, o cabelo curto é herança do seu marido abusivo: “Talvez ele tenha cortado-o para fazer com que ela se sentisse menos bonita. Ou talvez ela tenha cortado, para que ele não o puxasse. Esta é minha história em relação a isso.” Para aqueles que se perguntam como os cortes se mantém impecáveis, Robert Kirkman, produtor executivo e criador da HQ na qual a série da AMC é inspirada, brincou: “Há tesouras na prisão”.

É uma pena que a Melissa tenha tão poucos filmes, a maioria dos seus trabalhos foram feitos atrás das telas já que ela foi, por muito anos, diretora de elenco.